• Nenhum resultado encontrado

Reconfiguração industrial no Paraná e a CTC

IPARDES (2003) mostra houve, nos últimos anos, uma reconfiguração da base produtiva no Estado do Paraná, com a presença de dois eixos de dinamismo industrial: i) implantação de unidades montadoras na Região Metropolitana Sul-Curitiba, que contou com fortes incentivos fiscais e acionários do governo do Estado e; ii) recentes investimentos e potencial de expansão do agronegócio paranaense. Além destes dois aspectos, a maioria dos investimentos que tem ocorrido em outras regiões do Estado não é de grande expressão, caracterizando-se como desdobramentos da estrutura produtiva local. Entretanto, embora o dinamismo da indústria paranaense apresente como eixo de expansão o pólo automotivo e a agroindústria, “os segmentos responsáveis pela geração de emprego e renda de regiões do interior do Estado são os segmentos tradicionais da indústria de vestuário e de mobiliário, carnes e desdobramento de madeira” (IPARDES, 2003 : 76).

Alguns segmentos da indústria tradicional, como o segmento moveleiro e de vestuário (anteriormente caracterizados por indústrias isoladas), estão mudando culturalmente e integrando-se em um sistema de produção organizado, onde podem se apropriar de economias de aglomeração e de interação. “Essas indústrias se agrupam em um ambiente de cooperação e interdependência, utilizando fatores de produção comuns e organizando-se em bloco para enfrentar o mercado”. (IPARDES, 2003 : 51).

O estudo do IPARDES buscou caracterizar aglomerações industriais em todo o Estado, identificando as atividades desenvolvidas e suas regiões. O Quadro 10 apresenta as aglomerações industriais identificadas no Paraná.

QUADRO 10 – Aglomerações industriais no Paraná em 2002

Atividade Região Vestuário Londrina-Cambé, Maringá-Sarandi, Umuarama-Cianorte e Francisco Beltrão-Pato Branco

Carnes Cascavel-Foz do Iguaçu, Toledo-Marechal Cândido

Rondon e Francisco Beltrão-Pato Branco

Transformados plásticos Londrina-Cambé

Metalmecânica e de minerais não-metálicos Metropolitana Sul-Curitiba e Metropolitana Norte-Paranaguá

Esmagamento de soja e agroquímico Metropolitana Sul-Paranaguá e Ponta Grossa-Castro

Celulose, papel e papelão Ponta Grossa-Castro

Desdobramento de madeira Guarapuava-Pitanga-Palmas e Irati-União da Vitória

Fonte: Adaptado de IPARDES (2003).

IPARDES (2003) mostra que a micro-região Londrina-Cambé apresenta-se como a terceira maior aglomeração industrial do Estado. Na citada região, os maiores empregadores são os segmentos tradicionais, com destaque para o vestuário, o setor mobiliário e o desdobramento

de madeira. O setor de vestuário na região Londrina-Cambé é considerado uma aglomeração tradicional (pertencente a setores tradicionais da economia) em ambiente propício à inovação,

devido a boa estrutura física e institucional presente na região62.

Segmentos considerados tradicionais (como vestuário, móveis, madeira) utilizam recursos (materiais e não-materiais) e mão-de-obra regionais, apresentando como fatores indutores da localização, as vantagens aglomerativas e de interação. “Tais características têm delineado uma nova dinâmica regional, com ganhos de representatividade dessas atividades, (...) por serem absorvedoras de conhecimento e mão-de-obra especializada” (IPARDES, 2003 : 76).

O estudo ainda nota que “a nova dinâmica concorrencial de mercados crescentemente globalizados exige das empresas eficiência técnico-produtiva e capacidade inovativa” (IPARDES, 2003 : 77). Assim, as empresas – de modo geral – têm paulatinamente ampliado seu grau de dependência por competências retidas por outras empresas e agentes complementares, o que demanda relações de cooperação entre as firmas de diversos segmentos. Verifica-se no Paraná o que já se vem observando em âmbito geral: a idéia de que relações de cooperação e competição podem coexistir entre firmas; e tais relações têm propiciado “a formação de um crescente número de relações em rede e alianças estratégicas entre empresas, definindo um novo padrão de aglomeração espacial e setorial da indústria” (IPARDES, 2003 : 77).

No setor do vestuário, especificamente, o Paraná respondia em 2003, por 8,32% dos estabelecimentos e por 11,09% dos empregos no Brasil. A classe do vestuário era, em 2003, é

62 O IPARDES (2003) calculou o QL (quociente locacional) para o setor de vestuário na micro-região

Londrina-Cambé. Tal índice mede a especialização produtiva em determinada região. Utilizando dos dados da RAIS de 2000, o IPARDES chegou no valor de 1,39 para o QL da região Londrina-Cambé, no que refere-se ao setor do vestuário. Quando o resultado do QL é maior que 1 (um), pode-se afirmar que há especialização produtiva do setor em questão em determinada região.

a décima terceira principal atividade do Estado, em número de estabelecimentos, e a décima quinta em número de empregos (MTE/RAIS, 2003)

O município de Londrina detinha, em 2003, 6,6% dos estabelecimentos e 10,1% dos empregos do setor do vestuário no Paraná No município de Londrina, a classe do vestuário era, em 2003, a décima segunda em número de estabelecimentos e a sétima em número de empregos (MTE/RAIS, 2003).

Entre os municípios paranaenses com maior atividade no setor do vestuário, Londrina foi o que apresentou o menor crescimento da atividade, entre 1995 e 2003. No período, observou-se crescimento de 25% no número de estabelecimentos do vestuário no município; em Apucarana esse número foi de 140,42%, contra 96,20% em Cianorte e 103,3% em Maringá. Nos outros municípios do Paraná, em conjunto, esse crescimento foi de 58,8%. A Tabela 13 contém estas informações.

TABELA 13 - Número de estabelecimentos do setor do vestuário no Paraná, entre 1995 e 2003 Municípios 1995 1997 1999 2001 2003 % - 1995/2003 Apucarana 188 263 342 440 452 140,42 Cianorte 343 350 497 596 673 96,20 Londrina 372 360 376 429 465 25,00 Maringá 424 445 558 767 862 103,3 Outros 2.882 3.090 3.400 1.008 4.568 58,50 Fonte: MTE/RAIS: 1995; 1997; 1999; 2001; 2003.

O município de Londrina ainda apresentou redução de 11,26% no número de empregos do vestuário, no período compreendido entre 1995 e 2003. Maringá apresentou crescimento de 126,79%, contra 117,35% de Cianorte e 106,90% de Apucarana no período. Nos outros

municípios do Paraná, em conjunto, esse crescimento foi de 160,84%. A tabela 14 ilustra estas informações.

TABELA 14 - Número de empregos do setor do vestuário no Paraná, entre 1995 e 2003

Municípios 1995 1997 1999 2001 2003 1995/2003 % - Apucarana 3.431 4.611 4.707 5.760 7.099 106,90 Cianorte 2.621 3.716 4.110 4.716 5.697 117,35 Londrina 8.510 6.696 6.563 6.562 7.551 -11,26 Maringá 4.415 5.318 6.840 8.885 10.013 126,79 Outros 16.847 20.369 25.248 34.715 43.944 160,84 Fonte: MTE/RAIS: 1995; 1997; 1999; 2001; 2003.

Importante notar que, juntos, esses quatro municípios (Apucarana, Cianorte, Londrina e Maringá), eram em 2003, responsáveis por 34,92% dos estabelecimentos e por 40,85% dos empregos do vestuário no Paraná (MTE/RAIS, 2003).

Na região Londrina-Cambé, especificamente, é possível observar uma concentração dos estabelecimentos e empregos do vestuário no município de Londrina. O município abrigava em 2003, 69,6% dos empregos e 62,4% dos estabelecimentos do vestuário na região Londrina-Cambé (mais informações encontram-se disponíveis no apêndice B).

Estudo de Atora (2003) com 124 indústrias do vestuário da região de Londrina, mostrou algumas características destas empresas: 92% delas são micro-empresas e empresas de pequeno porte; a empresas são relativamente novas (68% das empresas estudadas têm até 11 anos de atuação no mercado); 74% das empresas são confeccionistas, 18% são confeccionistas e faccionistas e 8% são faccionistas; 61% das empresas terceirizam funções como bordado, estamparia e costura; apenas 5% delas exportam.