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Recortes de um percurso histórico: do EDUCOM ao PROUCA

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.3 Tecnologias Digitais na Educação

2.3.1 Recortes de um percurso histórico: do EDUCOM ao PROUCA

De acordo com Valente (2011) a ideia de cada criança ter seu próprio computador não é tão recente e foi idealizada por Alan Kay em 1968 (antes mesmo da existência de microcomputadores) após ter visitado Seymour Papert no Massachusetts Institute of Technology (MIT), quando esse pesquisador estava iniciando seu trabalho com a linguagem operacional LOGO. Kay ficou impressionado pelo fato de as crianças usarem o computador para resolver problemas complexos de matemática e entendeu que cada uma delas deveria ter o seu computador portátil. A proposta de Kay foi materializada em 1972 com o dynabook, desenvolvido pelo Learning Reserch Group (LRG), criado por ele mesmo, como parte do laboratório Xérox Park.

Além desta ação inicial, variados eventos ao longo da história apresentam iniciativas relacionadas à adoção de computadores para uso individual em diversos países do mundo. Neste sentido, o Quadro 01 apresenta uma síntese de informações relacionadas ao tema, coletadas na literatura. Não se trata de lista exaustiva nem possui a pretensão de evidenciar a

totalidade dos fatos, mas tão somente apresentar um breve recorte histórico no uso dos computadores individualmente por alunos.

Quadro 01 – Recortes Históricos do uso de computadores individuais por alunos.

PERÍODO DESCRIÇÃO

1972 O dynabook é idealizado por Alan Kay e desenvolvido pelo Learnig Research Group (LRG) 1989 O Methodist Ladies College, em Melbourn, na Austrália, propôs que cada aluna da 5ª série tivesse o seu computador pessoal. Essa experiência se estendeu para as demais turmas até que todas as alunas da 5ª a 12ª séries tivessem o seu próprio laptop.

1997 A partir da experiência da escola na Austrália, a Microsoft lançou o programa Anytime, Anywhere Learnig, que implantou, ao longo de cinco anos, laptops em cerca de mil escolas nos Estados Unidos. Muitas escolas públicas, porém, não tinham condições de sustentar o projeto, deste modo ele foi descontinuado e quase nenhuma documentação foi gerada e pouco se sabe desta experiência.

2001

Nos Estados Unidos, o primeiro sistema estadual a utilizar laptops para uso individual foi o estado de Maine, como o projeto proposto pelo Maine Learning Technology Initiative (MLTI) que implantou laptops em todas as escolas estaduais para alunos da 7ª e 8ª séries. Outras iniciativas foram realizadas no condado de Henrico, no estado da Virginia, em que cerca de 14 mil estudantes do ensino médio e após 2003 outros 11 mil da 6ª a 8ª séries usaram laptops individuais.

2003

No estado Norte Americano do Texas, o Texas Technology Immersion Pilot (TIP) implantou o uso individual de laptops em 21 escolas, em todas as 6ª, 7ª e 8ª séries. Na Califórnia, diversos distritos implantaram laptops em escolas públicas: Lemon Grove em todas as suas escolas; Orange County, em cinco escolas no período de 2003-2004 ampliado para oito em 2005-2006. Na maioria dos casos, estes projetos foram financiados por uma combinação de fontes, como indústria tecnológica, fundações, governo federal e, em alguns casos, os próprios pais.

2005 Foram iniciadas as atividades do projeto One Laptop Per Child (OLPC) (Um Laptop por Criança), por ocasião da apresentação de sua proposta em Davos Suíça, no Fórum Econômico Mundial.

2007 Lançamento do UCA (pré-piloto) no Brasil e do Projeto OLPC no Iraque e Peru.

2008

Projeto OLPC é lançado no Afeganistão, África do Sul, Austrália, Camboja, Etiópia, Gana, Guatemala, Haiti, Ilhas Salomão, Índia, Itália, Mali, México, Moçambique, Mongólia, Nicarágua, Nigéria, Papua Nova-Guiné, Paquistão, Rússia e Uruguai. Em Portugal é criado o projeto “Iniciativa Magalhães” em parceria com a empresa Intel para a distribuição de 1,7 milhões de computadores em quatro anos para cada aluno português.

2009 Projeto OLPC é lançado nos EUA (nos estados do Alabama, Nova York, Ilinois e Carolina do Sul) Nepal e Quênia.

2010 Projeto OLPC é lançado na Argentina, Camarões, Paraguai e Sri Lanka. 2011 Projeto OLPC é lançado na Colômbia.

2012 Projeto OLPC é lançado na Costa Rica e Ruanda.

2014 Projeto OLPC em processo de implantação na China e Uganda. Fontes: Adaptado de Valente (2011) e OLPC (2014).

O dynabook pode ser considerado como o precursor dos laptops atuais e, segundo a concepção de Kay, ele deveria ser um computador portátil, interativo e pessoal, acessível como os livros (VALENTE, 2011). Observa-se, contudo, um longo decurso temporal entre o lançamento do dynabook e as primeiras iniciativas para o uso individual de computadores portáteis por estudantes nas escolas e dentre as explicações para tal fato estão as limitações tecnológicas (materiais, tamanho e peso dos equipamentos), o elevado custo dos mesmos (explicado, dentre outros fatores, pela baixa escala de produção) e a ausência de conectividade (redes de comunicação).

A partir da década de 1990 e, de modo mais acentuado, dos anos 2000, ganharam força as iniciativas com o uso de computadores portáteis no ambiente escolar, inicialmente em países economicamente desenvolvidos. Entretanto, esse padrão muda com a criação da organização não governamental One Laptop Per Child em 2005 que capitaneia a introdução de projetos dessa natureza especialmente em países periféricos e em desenvolvimento na América Latina, África e Ásia.

Neste momento observa-se uma tendência mundial da substituição de computadores de mesa (desktops) por equipamento que possuam mobilidade, bem como a ampliação no uso e cobertura das redes de internet, inclusive com conexões em banda larga e redes sem fio, o que tornou mais atraente o uso desses equipamentos.

No Brasil, a incorporação de tecnologias digitais nos processos educativos é uma demanda presente nas políticas públicas educacionais (CORRÊA; QUARTIERO; REIS, 2012). Embora o uso do computador na educação básica venha ocorrendo desde a década de 1980 (TAJRA, 2008), iniciativas com o intuito de inserir os computadores no ambiente educacional se tornaram mais frequentes a partir da década de 1990 quando os microcomputadores se popularizaram no país. Entretanto, tais ações em geral se reduziam à construção de laboratórios de informática, que, restritos ao seu espaço físico e paradigmático, nem sempre representavam a inserção da tecnologia no processo de mediação, mas tão somente se propunham a proporcionar algum nível de letramento digital aos estudantes.

As primeiras incursões do computador em atividades acadêmicas no Brasil ocorreram no âmbito do ensino superior com a experiência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Departamento de Cálculo Científico, criado em 1966, e que deu origem ao Núcleo de Computação Eletrônica (NCE), porém, neste momento o computador era utilizado como objeto de estudo e pesquisa. Foi só a partir de 1973 que foram iniciados o uso da informática como tecnologia educacional voltada para a avaliação formativa7 e somativa8 de alunos da disciplina de Química, usando para o desenvolvimento de simulações no Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde e o no Centro Latino-Americano de Tecnologia Educacional (NUTES/CLATES), desta mesma Universidade. Ainda na década de 1970 iniciativas com o computador foram efetuadas na UFRGS (1973) e na UNICAMP (1975) (MORAES, 1997).

7 Avaliação Formativa é aquela realizada durante todo o desenvolvimento das atividades sendo capaz de

localizar deficiência no trajeto e apontar correção de rota, por isso tem um caráter processual.

8 Avaliação Somativa é aquela ocorre de modo pontual ao fim de um processo educacional, projeto ou programa,

Por sua vez, o primeiro programa de informática na educação do Brasil, denominado Projeto Educação com Computador (EDUCOM), começou a ser concebido com a realização do primeiro e segundo Seminário Nacional de Informática em Educação, realizados respectivamente na Universidade de Brasília em 1981 e na Universidade Federal da Bahia em 1982. Estes seminários estabeleceram um programa de atuação que originou o projeto EDUCOM e uma sistemática de trabalho diferente de quaisquer outros programas educacionais iniciados até então pelo MEC (VALENTE; ALMEIDA, 1997).

Em 1983, uma comissão criada pela Secretaria Especial de Informática (SEI) elaborou o projeto EDUCOM, voltado à pesquisa no uso de informática educacional, à capacitação de recursos humanos e à criação de subsídios para a elaboração de políticas no setor. Suas metas consubstanciavam-se em desenvolver pesquisas do uso educacional da informática, de modo a perceber como o aluno aprende sendo apoiado pelo recurso da informática e se isso melhora efetivamente sua aprendizagem; e levar os computadores às escolas públicas para possibilitar às mesmas oportunidades que as entidades particulares ofereciam aos seus alunos. (VALENTE; ALMEIDA, 1997)

Em 1984, o projeto foi implantado pelo MEC que promoveu a criação de centros- piloto em cinco universidades públicas brasileiras (UFPE, UFMG, UFRJ, UFRGS e UNICAMP) com a finalidade de realizar pesquisa multidisciplinar e capacitar recursos humanos para subsidiar a decisão de informatização da educação pública brasileira (MORAES, 1997; CYSNEIROS, 1999; ALMEIDA, 2008; ALMEIDA; PRADO, 2009). Tais centros apresentaram resultados em relação à produção de software educativo, aplicação experimental deles em escolas públicas mediante o uso do computador como ferramenta para o desenvolvimento de projetos. O Projeto EDUCOM decorreu durante 5 anos (de 1984 a 1989) e, neste período, foram implantados Centros de Informática na Educação (CIEDs) de 1º e 2º Graus, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação (ALMEIDA, 2008).

Valente e Almeida (1997) afirmam que o EDUCOM não obteve sucesso em relação à mudança de cultura do sistema educacional, pois os resultados alcançados por intermédio de tal projeto não foram suficientes para sensibilizar ou causar profundas mudanças na Educação (VALENTE; ALMEIDA, 1997). Cysneiros (1999) pondera, entretanto, que apesar de não ter contemplado muitas escolas, o projeto produziu um bom contingente de recursos humanos nas instituições beneficiadas, tais como bolsistas de pesquisa que em boa parte tornaram-se depois pesquisadores nos vários campos da educação, com trabalhos em informática na educação (CYSNEIROS, 1999).

Na época em que o EDUCOM foi concebido, a contradição entre tecnologia de ponta e escolas precárias era mais evidente, uma vez que os computadores eram máquinas mais caras e não estavam tão disseminados na sociedade. Por outro lado, a expectativa de administradores, professores, alunos e pais era que se ensinasse informática na escola, não no sentido de uso pedagógico de computadores, mas sim em seu uso instrumental (CYSNEIROS, 1999).

Em abril de 1986 o Comitê Assessor de Informática na Educação (CAIE/MEC) (também criado naquele ano) recomendou a aprovação do Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º e 2º graus. Tal Programa objetivava a criação de uma infraestrutura de suporte junto às secretarias estaduais de educação, a capacitação de professores, o incentivo à produção descentralizada de software educativo, bem como a integração de pesquisas que vinham sendo desenvolvidas pelas diversas universidades brasileiras. Do ponto de vista prático, a implantação do Programa se deu com o lançamento do 1º Concurso Nacional de Software Educativo e com a implementação do Projeto FORMAR, operacionalizado através de dois cursos de especialização em informática na educação, em nível de pós-graduação lato sensu dedicados aos professores das diversas secretarias estaduais de educação e das escolas técnicas federais (MORAES, 1997).

Segundo Almeida e Valente (1997), o primeiro curso foi realizado na Universidade de Campinas (UNICAMP) durante os meses de junho a agosto de 1987 e ministrado por pesquisadores, principalmente, dos projetos EDUCOM. Este curso ficou conhecido como FORMAR I. No início de 1989 foi realizado o segundo curso, o FORMAR II. Em cada um deles, participaram 50 professores vindos de praticamente todos os estados do Brasil. Estes cursos tiveram duração de 360 horas, distribuídas ao longo de 9 semanas: 45 dias, com 8 horas por dia de atividades e eram constituídos de aulas teóricas, práticas, seminários e conferências. Os alunos foram divididos em duas turmas de modo que enquanto uma turma assistia à aula teórica a outra realizava aula prática usando o computador de forma individual.

Outra ação decorrente do lançamento do Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º e 2º graus foi recomendar a avaliação do Projeto EDUCOM, a qual foi realizada por uma comissão de especialistas que sugeriu a manutenção e o revigoramento do apoio técnico e financeiro aos centros-piloto, maior intercâmbio entre os pesquisadores e que as atividades de pesquisa fossem a tônica principal destes centros. Em maio de 1987 a Secretaria de Informática do MEC assumiu a coordenação e supervisão técnica do Projeto EDUCOM (MORAES, 1997), contudo a inconsistência na política de financiamento terminou por enfraquecer as atividades deste projeto.

Com o término do EDUCOM, foi lançado um programa de Centros de Informática na Educação (CIED), (CYSNEIROS, 1999), que, de acordo com Moraes (1997), constituíram-se em centros irradiadores e multiplicadores da tecnologia da informática para as escolas públicas brasileiras e principais responsáveis pela preparação de uma significativa parcela da sociedade brasileira rumo a uma sociedade informatizada.

No período de 1988 e 1989, dezessete CIEDs foram implantados em diferentes estados e dentre as suas funções estava a de cuidar da formação de recursos humanos para a implementação das atividades no âmbito estadual. Além de atribuições administrativas, estes centros se transformaram em ambientes de aprendizagem informatizados integrados por grupos interdisciplinares de educadores, técnicos e especialistas, suportados por programas computacionais de uso e aplicação da informática na educação. Eles tinham como propósito atender a alunos e professores de 1º e 2º graus e de educação especial9, além de possibilitar o atendimento à comunidade em geral (MORAES, 1997).

Para Cysneiros (1999), embora o programa dos CIEDs tenha sido considerado um sucesso por alguns, na realidade ele praticamente não afetou as salas de aula na grande maioria do país.

A partir destas iniciativas foi estabelecida uma sólida base para a criação de um Programa Nacional de Informática Educativa (PRONINFE), que foi efetivado em outubro de 1989, através da Portaria Ministerial nº 549/GM (MORAES, 1997), com a finalidade de desenvolver ações de capacitação de professores e técnicos, implantar centros de informática na educação, apoiar a aquisição de equipamentos computacionais e a produção, aquisição, adaptação e avaliação de software educativo (ALMEIDA, 2008).

De acordo com Almeida (2008), este programa foi impulsionado pela ideia de mudança pedagógica fundamentada na abordagem educacional construcionista e na educação transformadora freiriana. Segundas tais concepções, a construção do conhecimento deve ser baseada na realização de algo concreto decorrente de uma experiência conjugada à prática pedagógica crítico-reflexiva vinculada à realidade da escola e à finalidade de formar cidadãos que se percebam como sujeitos de sua história, comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Havia a expectativa de superar a abordagem educacional baseada na transmissão de informações, no entanto, as práticas inovadoras não se sustentavam diante das dificuldades

9 A educação especial é uma modalidade de ensino pensada para atender à demanda de estudantes possuidores

de necessidades educativas especiais no campo da aprendizagem, originadas das mais diversas situações, tais como deficiência física, mental, sensorial bem como características de superdotação ou altas habilidades.

enfrentadas pelos professores para levar avante o trabalho com projetos interdisciplinares até chegar à sistematização do conhecimento produzido (ALMEIDA, 2008).

O PRONIFE visava à capacitação contínua e permanente de professores de três níveis de ensino e da educação especial para o domínio da tecnologia de informática educativa para a condução do ensino e da pesquisa nesta área; a utilização da informática na prática educativa e nos planos curriculares; a integração, consolidação e ampliação de pesquisas; e a socialização dos conhecimentos e experiências desenvolvidas em informática educativa. Para tanto, propôs-se a criação de uma estrutura de núcleos de informática educativa distribuídos geograficamente pelo país (TAVARES, 2001).

Em 1990, o Ministério da Educação e Cultura aprovou o 1º Plano de Ação Integrada (PLANINFE) para o período de 1991 a 1993, destacando a necessidade de um forte programa de formação de professores, acreditando que as mudanças só ocorrem se estiverem amparadas, em profundidade, por um intensivo e competente programa de capacitação de recursos humanos. A partir de 1992, foi criada uma rubrica orçamentária específica no Orçamento da União para o financiamento das atividades do setor (MORAES, 1997).

O PLANINFE recomendava que a formação de professores e técnicos para a utilização de tecnologia em educação levasse em conta o exame das possibilidades e limites do uso da informática no sistema educacional considerando os aspectos da realidade escolar, as diferenças regionais, o desemprego tecnológico e a baixa condição de vida. Recomendava ainda, uma avaliação crítica do significado da informática na educação, a análise das consequências gerais da informatização enquanto o uso de tecnologias não neutras e comprometidas com determinado modo de concepção da sociedade e reforçava a ideia de que tecnologia à disposição da educação poderia colaborar para a compreensão dos processos cognitivos do indivíduo ao desenvolver conhecimentos (MORAES, 1997).

Almeida (2002) ressalta que, embora a almejada transformação do sistema educacional não tenha se concretizado nesses projetos, eles lançaram as bases para a formação de uma massa crítica de pesquisadores que influenciou iniciativas posteriores.

Em 1996, foi criada a Secretaria de Educação à Distância (SEED)10 do MEC, com a finalidade de fomentar a incorporação das tecnologias de informação e comunicação à educação e atuar no desenvolvimento da educação à distância com vistas à democratização e melhoria de qualidade da educação. A institucionalização da SEED impulsionou a criação de programas com foco na introdução de tecnologias na escola e na preparação do professor. No

10 A SEED foi extinta em 2011 e parte de seus projetos (dentre os quais o PROINFO) migraram para a Secretaria

mesmo ano, o MEC criou o Programa TV Escola e, em 1997, o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), aos quais foram integrados vários projetos (ALMEIDA, 2008).

De acordo com o MEC (2014), o PROINFO é um programa educacional com o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica, levando às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias.

O programa foi criado pela Portaria nº 522, de 9 de abril de 1997, pelo Ministério da Educação e é desenvolvido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio da Diretoria de Tecnologia (DIRTE) (MEC, 2014) com funcionamento descentralizado (cada unidade da federação possui uma coordenação estadual, cuja atribuição principal é a de introduzir o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas da rede pública estadual). No âmbito municipal, tais atribuições são de responsabilidade das coordenações da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME).

Arruda e Raslan (2007) afirmam que os objetivos do PROINFO são: a) melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem; b) possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas; c) propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico e; d) educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida.

De acordo com Brandão, Ramos e Tróccoli (2003) o PROINFO utiliza Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) que são estruturas descentralizadas em que professores multiplicadores e técnicos de informática dão suporte ao uso pedagógico da informática nas escolas de sua área de atuação.

Prata (2002) afirma que, para promover o uso pedagógico da tecnologia na rede pública de educação básica, o PROINFO leva às escolas e aos Núcleos de Tecnologia Educacional de todos os estados, computadores, conexão à internet (por meio do Programa Banda Larga e Gesac), recursos digitais e conteúdos educacionais (TV Escola, DVD Escola, Linux Educacional, Portal do Professor, Banco Internacional de Objetos Educacionais, Portal Domínio Público), capacitação aos professores, gestores e alunos (Aluno Integrado, ProInfo Integrado – 40h, 100h e Projetos, Mídias na Educação, Especialização em Tecnologias na Educação) e também disponibiliza aos estados um ambiente de capacitação à distância via internet – e-Proinfo.

Para Cysneiros (1999), o ponto divergente do PROINFO em comparação com políticas anteriores relacionadas ao tema reside na intenção de se alocar quase metade dos investimentos à formação de recursos humanos, procurando evitar os erros cometidos em outros programas, nos quais a ênfase maior foi na colocação de equipamentos nas escolas.

Além das iniciativas apresentadas, Almeida (2008) afirma que diversos programas intersetoriais e interministeriais para a universalização do acesso à informação e inserção do Brasil na sociedade tecnológica vêm sendo desenvolvidos, entre os quais o Programa Um Computador por Aluno (UCA), objeto de interesse desta investigação.

O Programa Um Computador por Aluno (PROUCA) é uma iniciativa da Presidência da República desenvolvida em conjunto com o Ministério da Educação com a finalidade de promover a inclusão digital, pedagógica e social dos estudantes e de suas famílias mediante a aquisição e a distribuição de computadores portáteis de uso individual, conhecidos como laptops educacionais, em escolas públicas no âmbito da educação básica (SAMPAIO; ELIA, 2012; VALENTE, 2011; ALMEIDA; PRADO, 2010; ALMEIDA, 2008).

Segundo Egler e Costa (2012) o PROUCA foi inspirado na experiência internacional do tipo Um para Um (1:1), ou seja, um computador para cada aluno, como condição ideal para viabilizar a imersão tecnológica necessária à consecução dos objetivos do projeto que vão do incremento futuro da competitividade econômica regional à melhoria dos resultados acadêmicos dos estudantes. Contudo, para Valente (2011), as justificativas para implantação de projetos desta natureza variam de acordo com as necessidades educacionais e condições

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