2. REFLEXÃO, FUNDAMENTAÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES
2.1. MÓDULO I – CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS
2.1.1. Recurso da Comunidade – Consulta Externa de Pediatria do
A Consulta de Desenvolvimento encontra-se integrada no Serviço de Consulta Externa de Pediatria, que é constituído por: sala de espera; sala de atividades; gabinetes médicos e de enfermagem; sala de tratamentos; armazém; zona de sujos e área para funcionários. A equipa multidisciplinar é constituída por médicos, três enfermeiras, dietista, psicólogos, professor de ensino especial, administrativos, assistente social e assistente operacional. Cada elemento da equipa programa as suas atividades com a equipa de enfermagem e com a criança/familiares, de forma a responder de modo adequado às necessidades individuais destes últimos. Mensalmente é feita uma reunião com a equipa multidisciplinar para a discussão de casos, sobretudo nas especialidades do Desenvolvimento, Neurologia e Pedopsiquiatria.
A população alvo abrange crianças até aos 16 anos, provenientes de várias regiões do país, que são referenciadas à consulta da especialidade adequada à sua patologia através dos serviços de Neonatologia, Pediatria e Urgência Pediátrica do próprio hospital, bem como através do seu médico de família, escola, educadores, entre outros.
A equipa multidisciplinar tem como objetivo estabelecer um sistema humanizado de prestação de cuidados aos utentes e familiares. Como missão central da equipa de enfermagem, pretende-se minimizar a angústia e receios que possam surgir tanto nas crianças como nos familiares, durante o processo de recuperação e bem-estar da criança, através de uma prestação de cuidados competentes, autónomos e personalizados, desenvolvida tendo em conta as suas necessidades básicas e promovendo a sua autonomia. Assim, os cuidados de enfermagem são centrados na criança e família, sendo prestados em parceria com os seus pais/cuidadores, da qual é considerada indissociável. O apoio aos pais/familiares não se limita ao espaço da consulta, sendo-lhes disponibilizado o contacto telefónico e correio eletrónico do serviço para que possam entrar em contacto com os membros da equipa dentro do horário de funcionamento da consulta, sempre que necessitem.
À medida que as crianças vão sendo chamadas para a consulta médica, e mediante a necessidade de cuidados apresentada, vão sendo encaminhadas para a equipa de enfermagem para a realização dos procedimentos necessários. Essa distribuição é feita com base no conhecimento da história clínica, da evolução da situação de saúde da
criança, da dinâmica familiar, bem como em consultas anteriores, acompanhamento e contactos telefónicos realizados com a criança/familiares, pretendendo-se desse modo assegurar a continuidade de cuidados. Por questões de falta de recursos humanos não é possível realizar uma pré-consulta de enfermagem a todas as crianças, sendo então realizadas apenas no caso de algumas especialidades como a nefrologia e a urologia, excluindo por isso a consulta de desenvolvimento. Assim, o objetivo específico estabelecido para este primeiro momento de estágio foi:
• Refletir acerca do papel do EESIP numa equipa multidisciplinar em
contexto de Consulta Externa, nomeadamente na Consulta de Desenvolvimento.
Na Consulta de Desenvolvimento, que é realizada pelo médico e à qual tive oportunidade de assistir, são utilizados jogos e brincadeiras próprios para a etapa de desenvolvimento da criança (como desenho, puzzles, entre outros) para fazer a avaliação do desenvolvimento da mesma. São analisados documentos trazidos pelos pais, como relatórios escolares ou de outros médicos ou psicólogos, e tanto a criança como os pais são incentivados a transmitir os seus sentimentos e a perceção que têm da sua evolução. Sempre que necessário é feita a articulação com a equipa de psicólogos do serviço para avaliação ou acompanhamento da criança. Tendo em conta a evolução da criança e o seu estádio de desenvolvimento, o médico faz os ajustes terapêuticos necessários e fornece orientações aos pais quanto ao estímulo e cuidados que a criança necessita.
Apesar de haver disponibilidade da equipa de enfermagem para esclarecer qualquer dúvida existente antes ou após a consulta médica, considero que seria benéfico para estas crianças e família a existência de uma consulta de enfermagem em que o enfermeiro, nomeadamente o EESIP, pudesse ter uma intervenção mais alargada no sentido de capacitar estas crianças com necessidades de saúde e educativas especiais, juntamente com os seus pais/cuidadores, para a adoção de estratégias de coping e adaptação, bem como na articulação com os enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários ou de Saúde Escolar, por exemplo, estabelecendo uma rede de recursos comunitários de suporte (ORDEM DOS ENFERMEIROS, 2010).
No entanto, penso ser importante referir que embora a equipa de enfermagem tenha uma intervenção mais acentuada noutras especialidades que não a Consulta de Desenvolvimento, o enfermeiro é o profissional de primeira linha no atendimento aos
pais quando estes entram em contacto com o serviço pessoalmente ou via telefone/correio eletrónico, desempenhando o papel fulcral de articulação entre a criança/cuidadores e os médicos, psicólogos e restante equipa multidisciplinar. De acordo com alguns autores citados por PRITCHARD [et.al.] (2008), os fatores que maximizam o potencial de identificação atempada de problemas nas crianças com necessidades especiais, são em parte determinados pela complacência da família com as necessidades de acompanhamento e serviços de saúde complexos, que por sua vez são influenciados pela forma como estes pais experienciam os serviços. Assim, este papel de articulação desempenhado pela equipa de enfermagem promove um melhor funcionamento do serviço e o aumento da satisfação dos pais, o que se traduz em ganhos para a criança.
A promoção do crescimento e desenvolvimento da criança e jovem, com orientação antecipatória às famílias para a maximização do seu potencial de desenvolvimento, é uma das competências EESIP (ORDEM DOS ENFERMEIROS, 2010). Apesar de não ser realizada a consulta de enfermagem a todas as crianças, os enfermeiros otimizam todas as oportunidades de contacto com a criança/família para promover comportamentos potenciadores de saúde e facilitar o desenvolvimento de competências às crianças e familiares, nos seus processos de saúde/doença (ORDEM DOS ENFERMEIROS, 2010).
2.1.2. Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados/Unidade de Cuidados