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OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1.3.2. RECURSOS HÍDRICOS

Estima-se que a quantidade de água contida na hidrosfera terrestre é cerca de 1.386 milhões de km3, e que destes 97,5% é água salgada, sendo apenas 2,5% água doce. Do percentual de água doce, apenas 0,26% está armazenada em sistemas de fácil acessibilidade, como rios, lagos e reservatórios (SETTI et al., 2001). A quantidade de água doce armazenada no planeta, em lagos, rios e reservatórios é considerada constante, cerca de 8.000 km3 (WWAP, 2003), o que seria suficiente para atender toda população.

A demanda total de água no mundo no ano 2000 foi estimada em 3.940 km³, o que representa menos de 10% do volume total disponível, assim a nível global, não há escassez hídrica. Mas não é isto que se verifica em muitas partes do mundo, pois a disponibilidade hídrica não equitativa no mundo, ao contrário, é bastante variável no tempo e espaço, em razão de peculiaridades climáticas causadas por diferenças de latitude, longitude e altitude, além disso, tem-se as atividades antrópicas que alteram o padrão espacial de vazão natural, que em alguns casos, alcançam uma variação de mais de 70% e a distribuição populacional no planeta (SETTI et al., 2001; TUNDISI, 2011).

Ainda de acordo como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) há água suficiente no planeta para satisfação das necessidades domésticas, para a agricultura e indústria, contudo, as pessoas mais carentes são excluídas do acesso. A escassez não é vista apenas como distribuição desigual entre países e no interior dos mesmos, mas também como um produto de processos políticos e de instituições desfavoráveis às pessoas carentes, que em muitos países recebem menos, pagam muito e devem suportar o fardo dos custos de desenvolvimento humano associados à escassez (PNUD, 2006).

Até o ano de 2025, serão mais de três bilhões de pessoas vivendo em países submetidos a grande pressão sobre os recursos hídricos. Países densamente povoados, dentre eles China e Índia, pertencerão ao clube mundial dos ameaçados por falta de água. Mais de 1,4 bilhões de pessoas estão vivendo em bacias hidrográficas onde a extração de água excede os níveis mínimos necessários para a reposição, ocasionando

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dissecação dos rios e esgotamento das águas subterrâneas, além disso, até o ano de 2080, a insegurança da água e as alterações climáticas tendem a aumentar de 75 para 125 milhões, a quantidade de pessoas subnutridas em todo o mundo (PNUD, 2006).

O consumo per capita mundial tende a crescer devido à melhoria dos níveis de vida, ao crescimento populacional e em consequência a porcentagem da água apropriada aumenta. Aliado a isto, a variação espacial e temporal da água disponível, começa a tornar escassa a quantidade de água existente para todos os usos, provocando a crise mundial da água. Mas a crise da água não ocorre apenas pela redução de oferta hídrica, mas também pela degradação de sua qualidade. Cerca de 2 milhões de toneladas de dejetos (industriais, domésticos e agrícolas) são lançados diariamente em águas receptoras, com uma produção global de águas residuais de aproximadamente 1.500 km3. Considerando que 1 L de água residual contamina 8 L de água doce, o volume de águas residuais pode atingir a marca de 12.000 km3 (WWAP, 2003).

Ainda de acordo com PNUD (2006), a qualidade também tem influência no volume disponível para consumo, e em muitas das bacias mais ameaçadas pela escassez, a quantidade tem vindo a ser comprometida pelos índices de poluição.

Um dos grandes desafios deste milênio é sem dúvida a gestão dos recursos hídricos. Outrora, não se tinha esta preocupação, pois os estoques de água supriam as necessidades básicas do ser humano e, deveriam continuar suprindo. Contudo, o crescimento da população e o modelo de desenvolvimento adotado pela maioria dos países, que tem por base produção e consumo insustentáveis para a capacidade suporte do ambiente, têm levado ao esgotamento dos recursos naturais. Nesse contexto, a água é um dos recursos mais explorados e, também um dos mais degradados, ou seja, o modelo de desenvolvimento que não é integrado com a sustentabilidade do ambiente tem levado à degradação dos corpos hídricos superficiais e subterrâneos.

Em outras palavras, a gestão objetiva garantir a disponibilidade hídrica para os múltiplos usos a que se destina, a preservação e recuperação da qualidade dos corpos d‘água, além de seu uso racional e eficiente. O processo de gestão deve ser dinâmico para evitar situações de conflitos de interesses entre os usuários, abordando os aspectos ambientais, econômicos, sociais, culturais dos recursos hídricos dentro de uma bacia hidrográfica, pois os problemas ambientais devem ser abordados de forma sistêmica e multidisciplinar.

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Apesar da evolução da gestão dos recursos hídricos, a United Nations (UN) e World Water Assessment Programme (WWAP), em 2003, projetavam que cerca de 25.000 pessoas por dia morreriam devido à desnutrição e 6.000 pessoas, muitas delas crianças menores de 5 anos de idade, morreriam devido à doenças de veiculação hídrica.

Nesse sentido, a Agenda 21, capítulo 18, destaca o desenvolvimento e manejo integrado dos recursos hídricos, como área de programa para o setor de água doce, que deve ser de forma holística, tendo em vista que a água é um recurso finito e vulnerável, e a necessidade da integração de planos e programas hídricos setoriais aos planos econômicos e sociais. Outro programa proposto é a avaliação dos recursos hídricos, que deve buscar o desenvolvimento de modelos hidrológicos globais para apoiar as análises do impacto da mudança climática e avaliação dos recursos hídricos em macroescala.

Já a Agenda 21 Brasileira destaca problemas existentes na área de recursos hídricos, especificamente, águas doces: i. ausência de acompanhamento sistemático das condições de poluição dos sistemas hídricos, os poucos existentes estão restritos à área de saneamento urbano; ii. ausência de sistemas integrados sobre bacias hidrográficas que permitam a adoção de medidas mais estruturadas de combate à poluição hídrica; ausência de práticas efetivas da política de gestão integrada de recursos hídricos para a resolução dos conflitos de interesses com relação aos múltiplos usos da água. Referente à qualidade dos recursos hídricos, os problemas mais graves na área de poluição no país são: poluição por esgotos domésticos; poluição industrial; disposição dos resíduos sólidos; poluição difusa de origem agrícola; poluição acidental; eutrofização de lagos e represas; salinização de rios e açudes; poluição por mineração; falta de proteção dos mananciais superficiais e subterrâneos (BRASIL, 2004a).

Nesse sentido, no documento Agenda 21 Brasileira: ações prioritárias, em sua plataforma de 21 ações prioritárias inclui a preservação da quantidade e melhoraria da qualidade da água nas bacia hidrográficas como um de seus objetivos (BRASIL, 2004b).

De acordo com Tucci (2001), um dos maiores problemas referentes aos recursos hídricos é a redução da disponibilidade hídrica ocasionada pela degradação da qualidade da água dos mananciais. Para a resolução deste problema é essencial o levantamento de informações, fiscalização e monitoramento das águas.

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Percebe-se assim a importância de estudos que busquem analisar a quantidade e qualidade da água no tempo e no espaço a fim de conhecer a realidade dos recursos hídricos, e fornecer subsídios para a gestão integrada dos recursos hídricos.