2 REVISÃO DE LITERATURA
2.5 RECURSOS HÍDRICOS
O 5º relatório do Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas
(Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC), no capítulo 9 dedicado a edifícios, do
Grupo de Trabalho de Mitigação das Mudanças Climáticas afirma que de um modo mais geral,
vários estudos mostram que o design verde nos edifícios (green buildings) está associado a
menor demanda de água, resultando em redução de custos e emissões do setor de serviços
públicos. Por exemplo, Kats et al. (2005) avaliou 30 escolas “verdes” em Massachusetts e
encontrou uma redução média do uso da água de 32% em comparação com as escolas
convencionais, obtidas por meio do aproveitamento de água da chuva
3e de outras águas não
potáveis, bem como a instalação de aparelhos eficientes em água (por exemplo, em sanitários)
e controles avançados (IPCC, 2014b).
O aproveitamento de água da chuva é feito desde a antiguidade, sendo o primeiro
registro encontrado na antiga região de Moab, perto de Israel, datado de 830 a.C. que traz a
seguinte inscrição: “...para cada um de vós faça uma cisterna para si mesmo, na sua casa”
(TOMAZ, 2013).
Os principais motivos que levam à decisão para se utilizar a água da chuva, de acordo
com Tomaz (2013), são os seguintes:
a) Conscientização e sensibilidade da necessidade da conservação da água;
b) Região com disponibilidade hídrica menor que 1.200 m³/habitantes por ano;
c) Elevadas tarifas de água das concessionárias públicas;
d) Retorno dos investimentos (payback) muito rápido;
e) Instabilidade do fornecimento de água pública;
f) Exigência de lei específica;
g) Locais onde a estiagem é maior que cinco meses;
h) Locais ou regiões onde o índice de aridez seja menor ou igual a 0,50.
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O termo em inglês no relatório é “reuse of the rain water” que significa reuso. Nesta pesquisa adotou-se o termo
2.5.1 Legislação
A Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) instituída pela Lei nº 9.433 de 8 de
janeiro de 1997 Brasil, (1997) possui os seguintes instrumentos:
a) Planos de Recursos Hídricos;
b) Enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da
água;
c) Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;
d) Compensação a municípios;
e) Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos.
A Lei nº 13.501 de 30 de outubro de 2017 alterou art. 2º da Lei no 9.433, para incluir o
aproveitamento de águas pluviais como um de seus objetivos (BRASIL, 2017b).
Chamada de “Lei das Águas” a Lei nº 9.984 de 17 de julho de 2000 dispõe sobre criação
da Agência Nacional de Águas (ANA) e estabelece as diretrizes para o Conselho Nacional de
Recursos Hídricos, os Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos e dos Comitês de Bacia
Hidrográfica (BRASIL, 2000).
No estado do Paraná a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Estadual de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, foram criados, a partir da Lei estadual nº 12.726/99
(PARANÁ, 1999)
No município de Curitiba, capital do Paraná, o Programa de Conservação e Uso
Racional da Água nas Edificações – PURAE, foi criado pela Lei municipal nº 10.785, que no
art. 7º trata da captação de água da chuva para usos que não requeiram o uso de água tratada.
Art. 7º. A água das chuvas será captada na cobertura das edificações e encaminhada a
uma cisterna ou tanque, para ser utilizada em atividades que não requeiram o uso de
água tratada, proveniente da Rede Pública de Abastecimento, tais como: a) rega de
jardins e hortas, b) lavagem de roupa; c) lavagem de veículos; d) lavagem de vidros,
calçadas e pisos (CURITIBA, 2003, p. 2).
O Decreto nº 293 regulamentou a Lei nº 10.785/03 e dispõe sobre os critérios do uso e
conservação racional da água nas edificações, incluiu no artigo segundo
4a obrigatoriedade da
instalação de sistema de aproveitamento de água da chuva (CURITIBA, 2006).
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