- Pronto já disse, em relação a isso quem nos dá resposta é o nosso Centro de
Recursos, que é a APCO de Odemira. Desde que a APCO foi criada, e eu estou a falar,
talvez, eu não quero errar, talvez cinco, seis anos, se calhar sete, mas pronto, que o próprio
Concelho de Odemira teve a noção que era preciso lidar com o Ensino Especial, começou
a surgir porque as crianças era tudo encaminhado para Beja, era terrível. Antes disso e só
para dar uma pequena achega, sentimos de tal forma a necessidade de respostas diferentes
para estes alunos que tivemos mesmo que sair do quadro do Alentejo e ir a Lisboa, porque
sentíamos que o Alentejo nos bloqueava as nossas respostas. Eu passo a explicar, com a
integração dos meninos no regime educativo especial, ainda com 319, não estou a falar
ainda do 3/2008. Em que se prevê a integração destes alunos dentro da escola normal, as
respostas eram pouquíssimas. O conhecimento dos professores do 1° Ciclo era nenhum e
muito por “amor à camisola”, muito por amor aos meninos, as pessoas que tinham mais
sensibilidade para estas situação e eu de fasto, já na minha escola de formação fizemos
um trabalho sobre o Ensino Especial. Eu estagiei numa escola da Damaia onde havia um
núcleo muito importante de Ensino Especial em que trabalhava já um psicólogo, que
trabalhava com cadernos individuais para os seus alunos e isto foi uma coisa que me ficou
desde sempre, talvez por causa deste estímulo nos primeiros anos de formação eu
perceber que havia uma resposta para estas crianças, quando ainda legalmente não era
previsível. As escolas já se tentavam organizar, e isto para mim foi um enriquecimento
muito grande ao nível da minha formação e portanto essa escola da Damaia, acho que
também me focou muito para o Ensino Especial. A primeira vez que fui colocada pelo
estado foi na Cerci de Chelas, apesar de não assumir o lugar porque já estava colocada no
particular. Eu optei por ficar no particular, durante cinco anos fiquei num colégio
particular, mas a primeira escola pública onde fiquei colocada foi na Cerci de Chelas.
Pensei, então que isto tinha um bocado a ver com algo que eu não sabia dar resposta e
que deixei no tempo, mas foi um assunto que sempre me interessou. Quando cheguei aqui
tivemos o primeiro caso na escola, não estava na minha turma, mas era um Autismo
gravíssimo, um menino a quem nós não sabíamos dar resposta e que urgia fazer alguma
coisa, porque, ainda por cima, vinha de uma família muito pobre e começamos a tentar
dar as respostas possíveis. Quando passei a ser diretora entendi que esta era também uma
responsabilidade, porque no Concelho, nessa altura, como já disse não havia nada, as
respostas eram todas muito longe. As famílias eram responsáveis pelo transporte para se
deslocarem às terapias possíveis. A APC de B., lembro-me muito bem, foi das primeiras
casas que visitei para tentar perceber materiais específicos, requisitar materiais que havia,
na escola na altura, mas ainda como professora do Primeiro Ciclo e dando resposta aos
casos que me apareciam. Depois quando assumi a direção entendi que era também uma
área que era muito importante, exatamente, porque dentro do Concelho alguém tinha que
fazer alguma coisa. Então como tínhamos vários casos que precisavam de resposta e
porque havia aqui uma colega cuja sensibilidade ao ensino especial me agarrou ainda
mais, foi a colega J., que esteve desde sempre ligada ao ensino especial. Só, nos últimos
quatro anos, é que nós conseguimos coloca-la numa turma regular para ela encerrar a sua
carreira, porque, de resto ela esteve sempre ligada ao ensino especial. E de resto eu
aprendi muito com as colegas que estavam na prática mais velha do que eu, comecei a
ver as possibilidades de aumentar os materiais, os suportes escritos para os alunos cegos,
começámos a perceber nas várias linguagens, começámos a pesquisar métodos de
aprendizagem à leitura, tipo o das 28 palavras que é um método mais simples, para que
estes menino pudessem, de facto, atingir os objetivos. E começámos a perceber que os
conhecimentos que trazíamos da escola não eram suficientes para estes meninos e
portanto que nesta prática é que se encontrou a solução. Entretanto, a lei muda, surge o 3
de 2008 e aqui a lei é muito clara, o responsável por esta situação são os diretores de
escola, e por esta situação: Qual? Por procurar as respostas para as situações que tem na
escola e aqui surgiam as tais criações das unidades, podiam ser de multideficiência,
podiam ser de autismo, de surdez, já havia então, as respostas para os meninos surdos. E
nessa altura, tendo os casos para tal, tendo a construção de uma escola nova surgido, com
a hipótese de podermos aproveitar uma sala, na altura, que desse resposta aos alunos,
solicitámos, então, cumprindo a lei e o que dizia no 3, solicitámos a criação de uma
Unidade de Multideficiência no Agrupamento, nessa altura com doze meninos, não
esquecendo que esta nossa unidade é muito específica porque, dá resposta aos alunos de
um colégio. Não é? Que não tendo resposta para estes alunos, vão buscar à escola pública
os poucos recursos que nós temos. De qualquer forma, sendo os nossos alunos, também
entendemos que era nossa responsabilidade continuar a segui-los. E ainda hoje estamos
assim. E essa é talvez um dos maiores constrangimentos desta unidade, que estando
localizada numa escola do primeiro ciclo, dá resposta a alunos até aos 18 anos. Que, às
vezes, estes alunos, por vezes crescem muito e o seu desenvolvimento sexual é aquele
que mais rapidamente se processa. E portanto isto, talvez seja o grande constrangimento,
mas até ao momento, dizendo eu, a criação destas unidades, apercebi-me, na altura, que
era difícil, apesar da lei dizer que era só intenção do diretor e provar que tinha estas
situações. Quando eu me dirigi aqui aos meus superiores regionais, disseram-me que a
existência de várias unidades já criadas, uma de surdos, perto da fronteira, em Aboim,
que faz um excelente trabalho com os alunos surdos, havia já. O que eu percebi é que o
Ministério tinha um orçamento para dividir por todas as unidades e quem estava na
direção nesta altura não lhe interessava que este orçamento fosse mais dividido, porque
efetivamente iria dificultar o trabalho das outras. E então, não desistindo decidimos
avançar para Lisboa, fomos ao Ministério da Educação, levámos a nossa candidatura, os
alunos que tínhamos e lá disseram-nos: M . J. é isto mesmo a sua realidade, não percebo
porque é que lhe estão a dizer que não, portanto vai para baixo e amanhã alguém da
Direção Regional lhe irá telefonar e dizer que a sua unidade vai ser autorizada. Ainda pus
em causa que a coisa fosse assim, mas de facto, se não foi no dia a seguir, foi daí a dois
dias, da direção regional disseram-me que tinham recebido uma comunicação do
Ministério da Educação e que haveria de ser criada uma unidade aqui, nessa altura já foi
a Dr3 C. que me ajudou a criar a unidade, para nós fazermos o diagnóstico das
necessidades e dar seguimento ao processo. A criação desta unidade foi, de facto, o que
fez a diferença, porque as nossas crianças e do Concelho, que nós tentámos responder
logo imediatamente, pelo menos aquelas terapias e consultas que tinham que ir fazer a
longe passaram a fazer aqui. Isso passou logo a ser.. .Daí para a frente e agora já estou a
falar do ano, talvez de 2009 ou 2010, que tenha já seis anos de existência, tem sido um
cominho árduo, mas compensador, porque de facto também o nosso país se organizou, o
3 de 2008 criou os Centros de Recursos concelhios que foi fantástico. O nosso Centro de
recursos, e agora pela avaliação que assisti, a semana passada fez-se a avaliação de todos
os centros de recursos do Alentejo e percebi que o nosso é um caso de sucesso. A L. C.
que é um elemento que trabalha naquela casa é uma pessoa muito, muito ativa, muito
especial e portanto também, lhe devemos de alguma forma todo o esforço para lidar com
esta população.
10. Existe preocupação em conciliar as atividades escolares com os apoios terapêuticos
e outros prestados fo r a da escola?
- Ora bem, eu falo sempre até aos onze anos, porque todo o trabalho de preparação para
a vida ativa, que é depois o passo a seguir, já é da responsabilidade do colégio. Nesse
acompanhamento a unidade ainda não teve experiência nenhuma, porque estava
No documento
PoutS Educação
(páginas 154-157)