2.1 RBV (RESOURCE BASED VIEW)
2.1.2 Recursos Tangíveis e Intangíveis
Chatterjee e Wernerfelt (1991) afirmam que os recursos físicos de uma empresa, tais como instalações e equipamentos, são caracterizados pela capacidade fixa, geralmente com aplicabilidade em indústrias semelhantes. Portanto, caso o excesso de capacidade física motive diversificação, esta seria em indústrias estreitamente relacionadas com aquelas em que a capacidade é usada, configurando a inflexibilidade. Por sua vez, os ativos intangíveis, ao contrário dos ativos físicos, tendem a ter restrições de capacidade "mais flexíveis", tendo em vista que podem ser aplicados a vários produtos com pouco ou nenhum efeito adverso sobre as aplicações existentes. Da mesma forma, os ativos intangíveis são relativamente inflexíveis e, portanto, podem ser usados com mais vantagem em indústrias relacionadas.
Ativos tangíveis e intangíveis podem ser avaliados e ter definido o seu valor em termos monetários, medido o seu valor utilizando critérios não monetários, traduzidos em fenômenos
observáveis, tais como o número de patentes de uma organização, ou avaliados de forma que o seu valor não é calculado com a base de fenômenos observáveis, mas em vez disso, através do julgamento pessoal de um avaliador e, embora os investimentos em ativos tangíveis possam ser facilmente mensuráveis em termos monetários, com vários índices financeiros e econômicos definidos, a avaliação dos investimentos em ativos intangíveis tem representado um desafio (GRECO; CRICELLI; GRIMALDI, 2013).
No que diz respeito a categorizações de recursos, a literatura em geral, faz uma distinção entre dois tipos de recursos, ou seja, tangíveis e intangíveis, cada um com diferentes categorias, sendo que, na tentativa de alocar os recursos de uma empresa de qualquer um desses dois tipos, é importante reconhecer que esta não é uma categorização restritiva nem estática e que essas categorias podem sobrepor-se (MELLEWIGT; NOTHNAGEL, 2008).
Os estudos de Mellewigt e Nothnagel (2008) apontam que o principal foco das pesquisas empíricas envolvendo RBV recaem sobre os recursos intangíveis, correspondendo a 72% do total. Os resultados da pesquisa revelaram também que 60% dos testes confirmam um efeito positivo dos recursos sobre o sucesso de uma empresa.
Figura 1 – Esquema de categorização dos recursos
Fonte: Mellewigt e Nothnagel (2008).
Schriber e Löwstedt (2014) por sua vez, alertam para a possibilidade de que seja prematura e quase irrestrita atenção dedicada sobre os intangíveis dentro das pesquisas
relacionadas a recursos e capacidades, pois, afirmam que os recursos tangíveis constituem importantes antecedentes das capacidades organizacionais e que, portanto, a heterogeneidade duradoura dos recursos tangíveis pode ajudar a criar diferenças nas capacidades organizacionais, por sua vez, contribuindo para o amplo esforço destas em desvendar as fontes de competitividade e de diferenças que afetam o desempenho de uma empresa.
Kristandl e Bontis (2007) relataram a abundância de definições sobre o que exatamente são “intangíveis” e cujos reflexos também são observados na dificuldade dos pesquisadores em lidar com a falta de uma terminologia comum, desta forma os autores propuseram o seguinte conceito:
Intangíveis são recursos estratégicos das empresas que as habilitam a criar valor sustentável, mas não estão disponíveis para um grande número de empresas (raridade). Eles direcionam a potenciais benefícios futuros que não podem ser tomados por outros (apropriação), e não são imitáveis pelos concorrentes, ou substituíveis usando outros recursos. Eles não são negociáveis ou transferíveis nos mercados de fatores (imobilidade), devido ao controle corporativo. Devido a sua natureza intangível, eles não são físicos, não são financeiros, não são incluídos nas demonstrações financeiras e têm uma vida finita. Para se tornar um ativo intangível incluído nas demonstrações financeiras, esses recursos devem ser claramente ligados a produtos e serviços de uma empresa, identificáveis a partir de outros recursos e
tornarem-se um resultado rastreável de transações passadas. (KRISTANDL;
BONTIS, 2007, p. 1518).
Hall (1992) destaca que os recursos intangíveis podem ser classificados como ativos ou habilidades. Ativos são elementos sob os quais efetivamente se estabelece posse, nos quais se incluem os direitos de propriedade intelectual de: patentes, marcas, direitos autorais e projetos registrados, bem como contratos, segredos comerciais e bases de dados. O recurso intangível de reputação também pode ser classificado como um ativo devido a sua característica de "pertencimento", todavia, não se pode dizer que alguma empresa detenha os direitos de propriedade da reputação, ao contrário de uma marca, que pode ser comprada e vendida. Habilidades ou competências, incluem o know-how de funcionários, assim como dos fornecedores e consultores e as aptidões coletivas que somam cultura organizacional. Quando da aquisição de uma empresa o comprador certamente adquiri recursos intangíveis, tais como patentes, mas não se pode ter certeza sobre a retenção de recursos intangíveis como know-how, a cultura ou redes de relacionamento que podem, em última instância, evadir.
Segundo Steenkamp e Kashyap (2010) a suposição geral de que os ativos intangíveis são importantes e valiosos direcionadores do sucesso de uma companhia é válida para as pequenas e médias empresas, tendo em vista que o resultado dos estudos configuraram os ativos intangíveis como componentes fundamentais, muito importantes e cruciais para o sucesso do
negócio, sendo destacados por maior grau de importância, a satisfação do cliente, lealdade do cliente, a reputação da empresa, a reputação do produto e know-how dos empregados.
Na visão de Grant (2013) podem ser identificados três tipos principais de recursos em uma empresa: tangíveis, intangíveis e recursos humanos.
Recursos tangíveis são os mais fáceis de identificar e terem seus valores estimados e, embora sejam avaliados no balanço da empresa, estes tendem a obscurecer informações estrategicamente relevantes e distorcer os valores dos ativos. Da mesma forma, a avaliação do custo histórico pode fornecer pouca indicação do valor de mercado de um ativo. No entanto, sob o ponto de vista estratégico, o principal objetivo da análise de um recurso não é valorizar o património da sociedade, mas sim compreender o seu potencial de criação de vantagem competitiva, o que não exige apenas equilibrar valorização patrimonial, mas também obter informações sobre a composição e as características dos recursos (GRANT, 2013).
Para a maioria das empresas, os recursos intangíveis são mais valiosos do que os recursos tangíveis. No entanto, nas demonstrações financeiras das empresas os recursos intangíveis permanecem em grande parte invisíveis. Tal exclusão ou subvalorização dos recursos intangíveis é uma das principais razões para a grande e crescente divergência entre os valores contábeis das empresas e suas avaliações do mercado de ações, destacando-se entre os mais importantes desses recursos intangíveis subavaliados ou não avaliados, as marcas (GRANT, 2013).