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2. VISUALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

2.6 Recursos utilizados para visualização em geral

Dentre as diversas opções existentes atualmente para chegar à transmissão efetiva de dados através da utilização da visualização da informação, algumas são destacadas por Spence (2001), como sendo a seleção, a representação, a apresentação, a escala e a dimensionalidade, o rearranjo, interação e exploração. A seguir apresentar-se-á uma série de exemplos sobre como essas relações podem auxiliar a compreensão da mensagem a ser transmitida.

Alguns recursos visuais utilizados nos infográficos telejornalísticos adotam a linguagem gráfica de outros meios, como a internet, no caso da rolagem, da simulação de botões e de links, na apresentação da informação simultaneamente, como no caso de um portal web, ou linhas tracejadas na representação de um elemento ausente, como é feito nos desenhos técnicos mecânicos, ou dos desenhos representativos de cortes de roupas, que adquirem um significado semelhante ou têm sua intensidade aumentada quando da utilização de outros recursos como a animação para enfatizar seu efeito.

Hansen (2004) trata disso ao apresentar uma união de imagens (figura 2.22) realizadas por Moholi-Nagy, onde posemos ver que ele utiliza-se de elementos oriundos de diversas fontes para para fazer um fotodiagrama, onde podemos notar que o significado geral da mensagem é ampliado pela união de seus elementos.

Não pode-se, entretanto, excluir a relação entre o modelo mental formado internamente pelo indivíduo e a externalização deste pelo designer.

Se o designer pode conhecer o modo como a informação é transformada pelo indivíduo, ele também pode pensar em meios de fazer com que essa informação seja transmitida com mais naturalidade e facilidade. Embora este seja um campo ainda não completamente explorado, é possível, através de estudos já feitos na área de memória e psicologia, entender um pouco mais esses modelos, de forma a auxiliar o trabalho do designer.

Fig. 2.22 – Jealousy, Moholy-Nagy (1927).

Nesta imagem, a junção de imagens ressalta o sentido de cobiça (jealousy), ampliando o significado do conjunto geral da obra.

Atualmente, como já ressalta Spence (2001), o espectador da informação encontra-se mais próximo ao criador, podendo influenciar a criação. Isso torna a criação do designer um mais fácil, pois este pode entender as necessidades do sujeito que demanda a informação e desta maneira criar dados visuais mais eficientes.

Animação

A animação é um recurso extensamente utilizado na visualização científica e em apresentações.

A utilização de animação enquanto ferramenta de aprendizado já foi discutida por Mayer et al.

(Citado por Hutton et al.) e sua importânica é definida resumidamente nos seguintes conceitos:

"princípio multimídia (apresentar animação e narrativa mais que a narrativa somente), princípio da contiguidade espacial (apresentação do texto na tela mais proximo que afastado à sua animação correspondente), o princípio da contiguidade temporal (apresentar simultaneamente a animação e a narração ao invés de apresentá-las sucessivamente), o princípio da coerência (excluir palavras, sons e vídeo impertinentes), o princípio da modalidade (preferir apresentar animação e narração à animação e texto na tela), o princípio da redundância (preferir apresentar animação e narração à animação, narração e texto na tela), e o princípio da personalização (preferir apresentar palavras de modo coloquial ao modo formal)."

A televisão e a web utilizam-se frequentemente de gráficos animados para apresentação de notícias. A animação torna mais atrativa a informação na medida em que traz uma novidade à apresentação de um gráfico e o torna diferente da mídia impressa. É importante ressaltar que, embora os dois meios utilizem-se da animação, a web pode adotar alguns recursos utilizados na mídia impressa que a televisão não deveria, como por exemplo as legendas para gráficos e as notas de rodapé (que muitas vezes são links que levam a outras informações). Isto deve-se, como já dito anteriormente ao tempo que cada meio tem para transmitir a informação. Enquanto na web esse tempo é determinado pelo usuário que pode, inclusive rever a infomação, na televisão isto não acontece. O telespectador não pode parar (a não ser com recursos de time shifting) para contemplar uma legenda e entender a que ela se refere.

Um dos recursos muito utilizado em web vem sendo continuamente utilizado por telejornais para determinar a localização, criando mapas, o Google Earth (figura 2.23), um software que gera imagens de localidades da Terra e as atualiza, de acordo com o nível de zoom do usuário. Essa atualização é feita com a conexão do usuário na internet e de acordo com as imagens que o Google atualiza em seu banco de imagens. Nem todas as localidades da Terra possuem a mesma resolução de imagem que os grandes centros urbanos e pontos turísticos. A vantagem da utilização deste software é a possibilidade do usuário poder ativar, por meio de atalhos, várias camadas de informação apresentando, nomes de ruas, fotos e informações históricas das localidades, informações sobre o clima, entre outras.

Além da curiosidade de saber sobre alguma região (já que esse software funciona ligado a uma enciclopédia online), o usuário pode ver topograficamente uma localidade e conseguir localizar ruas e avenidas, utilizando este software como um serviço de mapa de ruas.

Um aplicativo web que utiliza as mesmas funcionalidades é o Google Maps, que utiliza a mesma lógica do Google Earth, permitindo que o usuário faça uma busca por um endereço e localize-o como em um mapa de ruas, porém este permite que o usuário alterne entre um modo gráfico que mostra apenas o mapa de ruas, um modo de imagem de satélite mostrando as fotos de satélite da localidade e um modo híbrido, onde o usuário pode ver tanto a imagem de satélite quanto um mapa de ruas sobrepostos, permitindo a este observar pontos de referência de localização ao mesmo tempo em que observa a rua que deseja encontrar.

Em ambos os sistemas, a lógica de visualização baseia-se na busca do usuário e na dúvida que este deseja sanar ao utilizar-se de tais recursos. O tempo para esta busca e identificação das localidades é um fator fundamental para o usuário, pois permite a construção de um modelo mental que será usado posteriormente quando do reconhecimento da localidade.

Entre as funções da animação está o de permitir que o modelo mental não seja perdido quando da mudança da informação em um esquema. Quando um indivíduo observa um esquema ele cria um modelo mental que o ajuda a entender o mesmo. Entretanto, se esse modelo mudasse constantemente e de forma abrupta, esse modelo mudaria constantemente, prejudicando a transmissão da informação (Spence, 2001). Por esse motivo, a lenta transição entre estados da informação é necessária para que o espectador possa perceber que o modelo mental não foi mudado, apenas as informações que o constituem foram atualizadas.

Fig 2.23 – Google Earth e Google Maps, e seus modos de apresentar um mapa. O usuário dispõe de tempo para localizar um ponto.