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Retornando ao cenário que projeta o Programa Conexões Periféricas, o Instituto Cuca passou para a condição de Rede diante o aumento de mais dois equipamentos. Tem por finalidade central promover políticas públicas destinadas aos jovens, principalmente em situação de vulnerabilidade social. A Rede estende suas diversas modalidades e atividades à comunidade. É nesse contexto de vulnerabilidade que foram estrategicamente escolhidos os bairros sedes dos equipamentos que compõem a Rede Cuca.

Sobre as juventudes em vulnerabilidade social, Silva (2014), em sua dissertação de mestrado, demonstra a relação entre psicologia e juventude, uma abordagem sobre o

protagonismo para jovens em situação de pobreza, partindo do conceito de protagonismo juvenil na contemporaneidade.

O jovem comunicador Gomes Ávila observa a relevância dos equipamentos culturais na prevenção e no combate à desigualdade social. Para ele, quanto mais equipamentos do porte do Cuca, menor fica a desigualdade, e, por consequência, diminui a vulnerabilidade do jovem as injustiças sociais.

A gente vive numa cidade em que temos certos pontos de violência, rivalidade do crime organizado, e esses equipamentos são como territórios de paz, onde não há essas adversidades, essas diferencias, todos são iguais ali dentro. Isso eu testemunho, porque eu vivo, e tudo começou lá no Cuca. Olhe, Barra do Ceará, Jangurussu e Mondubim são áreas de extrema vulnerabilidade social e têm uma situação delicada nessa questão da violência. E quando chegou esses equipamentos, deu uma diminuída, mas também eu vejo outros quesitos, como valorização do território, ocupação do território, e principalmente, a participação da comunidade, não só para usufruir, mas para construir as políticas públicas. (Gomes)

O rapaz pondera que é através de políticas públicas, como a formação do Conexões Periféricas, por exemplo, que alguns jovens têm a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho em vez de estar nas estatísticas de jovens inativos economicamente ou desocupados. Através de iniciativas como essas, segundo ele, “jovens se deslancham no mercado profissional, na vida pessoal, na sociedade. Ela sai dessa bolha e vai para outras bolhas e estoura outras bolhas e cria outras bolhas”.

A reflexão de Silva (2014) relata que o protagonismo é visto, em alguns momentos, como uma via de superação das condições adversas. Por isso se mostra tão urgente a necessidade de apresentar aos jovens em contexto de pobreza a condição de protagonistas.

Acerca dessa superação das adversidades como via de protagonismo, Gomes indica a relevância da Rede Cuca e dos demais equipamentos culturais nesse processo, que ele chama de “estourar bolhas”. Comenta que, quando conheceu a Rede Cuca, em 2014, o medo de “estourar as bolhas” territoriais, foi diminuindo.

Eu era muito leigo, eu tinha receios em frequentar outros bairros, outros territórios. [...] Morreu aquele fantasma, de que eu vou ser assaltado, de vou levar uma bala na cabeça se eu for na periferia, até porque eu vivo nela, né?! Quando cheguei no Cuca eu participava de projetos em que dez horas da noite, por aí, ainda estava na ativa, e voltava para casa de madrugada. A gente passava por todos os bairros, ia deixando os jovens, tinha maior prazer de andar a pé, no Vila Velha, no Jangurussu, no Morro Santiago, na Barra do Ceará, Morro Santa Teresinha. Eu sempre fui uma pessoa curiosa e gosto de andar em todo canto. Eu sou bem conhecido, por andar nos dois polos, estou em eventos com o secretário de Segurança Pública e em eventos com o líder da comunidade. Na alta sociedade quanto na periferia. Sou um morador da periferia do Mondubim, mas nada me impede de andar e de ser mais ainda do que eu já sou. Isso eu devo ao meu trabalho, que me ajudou muito. (Gomes)

Silva (2014) fez uso do olhar dos jovens em sua pesquisa. Ela realizou o estudo junto ao grupo de jovens de dança da Rede Cucana Barra do Ceará. Segundo a autora, o entrelace entre protagonismo e pobreza é recorrente, e essa tendência parece cristalizar este conceito. Silva (2014) inclui em suas considerações, que o protagonismo como superação da condição de pobreza pode ser considerado como uma proposta educativa e política de participação, empoderamento, capacidade de realização, cidadania, atuação social, responsabilidade, cooperação ou avaliado como um mecanismo de controle e pedagogização.

A jovem Liliane Freitas compartilha dessa proposta e diz que, quando a pessoa vive em situação de vulnerabilidade social, se tiver determinação, consegue superar, vencer os obstáculos que atravessam sua jornada. O desejo e a ação de querer se destacar, se reinventar, de almejar um futuro melhor vem da escolha da própria pessoa querer ser protagonista da sua própria vida.

Jenifer compactua com o entendimento a respeito da superação das adversidades como via de protagonismo. Ela diz se sentir protagonista dentro do Cuca, tanto pessoalmente, quanto coletivamente. Muitas são as dificuldades, mas nada a impede de continuar. Segundo a jovem, as políticas públicas do Cuca lhe dão a oportunidade de usar um espaço que é seu.

Termina o dia eu me sinto a protagonista desse babado aqui, entende? Embora às vezes nem faça muita coisa, às vezes eu só dou “pitaco”, mas, mesmo assim, tudo que a gente fala e faz é recebido, mesmo que não seja usado, tudo é absorvido, dialogado. Então ser protagonista é isso é ter seu lugar de fala e se posicionar nele. Qualquer pessoa pode ser protagonista, basta querer. (Jenifer)

Alice conta que todo dia uma oportunidade de protagonismo nos é dada, mesmo diante das dificuldades. Uma das dificuldades que a jovem teve durante o processo formativo é a questão financeira.

Por exemplo, hoje mesmo minha mãe disse ‘Menina, você vai levar almoço? Não tem vergonha de comer isso na frente das pessoas?’ Ela fala brincando, sabe. Tem dias que fico direto, que nem trago almoço, mas eu explico para ela... ‘Mãe, eu vou, eu enfrento o que for, nem que fique com fome, mas não posso deixar passar a oportunidade de ir até ao final’. Tipo, semana passada, tivemos que ficar direto, e não trouxe almoço, e as meninas compartilharam comigo, uma deu um pedaço de bife, outra de arroz, enfim, deu certo, então eu considero, sim, que superar as adversidades é uma via de protagonismo. (Alice)

Lilian, da temporada anterior, declara que, no período da formação, tinha acabado de terminar a faculdade e estava sem emprego. Teve que se virar para se manter no Cuca.

Até certo ponto, tinha dinheiro para as passagens, teve um momento que a grana acabou, e eu vendi uma câmera minha para pagar as passagens de ônibus e poder continuar do projeto. E quando consegui trabalho, tive que sair do projeto. Mas tinha essa coisa de precisar de dinheiro para chegar até lá. Mas se não fosse isso, se eles dessem todos os subsídios básicos, creio que autonomia seria apenas uma questão de postura mesmo, sabe. Da gente se colocar para fazer as coisas. A falta do dinheiro atrapalha, afeta algumas coisas, mas a questão de querer mesmo depende de cada um. A gente se organizava para resolver tudo pela manhã, para não ter que passar o dia e gastar dinheiro com almoço, que é algo mais caro. (Lilian)

Silva (2014) traz o argumento de que a criação de espaços nas políticas públicas destinadas as jovens deve ser pautada pela promoção do protagonismo juvenil. Ela analisa a exigência da sociedade e das políticas públicas em protagonizar o jovem pobre, como um meio de lhe ofertar uma vida digna, possivelmente longe da violência e das drogas que lhe rondam. O jovem é percebido por esta autora não somente como um “pré-projeto” da vida adulta, como uma fase de descobertas, afirmações e preparação. O jovem é ator estratégico no desenvolvimento social e possui potenciais de criatividade e transformação (SILVA, 2014). O caminho para isso acontecer é a formação educacional, o trabalho e o engajamento em projetos sociais.

A respeito dos potenciais criativos e de transformação, a partir do olhar freireano, o homem é um ser que estabelece relações de estar no e com o mundo, travando relações permanentes com ele, através dos atos de criação e recriação; um ser que necessita integrar-se ao contexto, “[...] resultante de estar não apenas nele, mas com ele, e não a simples adaptação, acomodação ou ajustamento” (FREIRE, 1967 p. 41). O homem tem a necessidade de interferir na realidade para modificá-la e, nessa relação, traz a experiência adquirida, cria e recria outras, integrando-as às condições do seu contexto.

A transformação social através do estímulo de equipamentos culturais, como o Cuca, é lembrada pelo jovem Gomes, ao relacionar sua experiência no Cuca, inclusive no Conexões Periféricas, com a questão da superação: “Trago à tona minha transformação social

dentro desses equipamentos, foi de completo esclarecimento, entendeu? Quebra de tabus, conhecimento de outras pessoas, compartilhamento de experiências, contar histórias, e assim é para ser” (Gomes).

Dando sequência, ciente da amplitude da definição acerca da temática “Juventudes”, que, por sua vez, será devidamente aprofundada mais à frente, diante o exposto, este estudo compactua com o entendimento de que as juventudes são um conjunto social diverso, no qual a definição da faixa etária não abarca sua complexidade e multiplicidade. Essa compreensão, assim com algumas outras que fazem contraponto com ela, são apresentadas no decorrer das próximas páginas.

Para continuar o entendimento sobre protagonismo juvenil no contexto da formação do Conexões Periféricas, é preciso esclarecer que o programa é um exercício de políticas públicas e se apresenta como uma iniciativa que oferece aos jovens muito mais que formação audiovisual. Segundo Rogério Maia, “Os jovens aprendem mais do que apertar um botão da

câmera, é um processo de construção, conhecimento e respeito à diversidade”. Além disso, os

elementos que o compõem, os Direitos Humanos e a Comunicação, integram um conjunto de diretrizes institucionais da Rede Cuca, que compreende uma rede de proteção social e oportunidades da Prefeitura de Fortaleza, voltados para a promoção de políticas públicas destinadas, especialmente, aos jovens.

Maia explica que uma das propostas de formação do Conexões Periféricas é o respeito à diversidade, assim como a produção de conteúdo, formação em audiovisual, preparação para um possível mercado de trabalho, aprendizagem sobre comunicação popular e democrática, promoção dos direitos humanos e valorização da periferia. Ainda segundo o coordenador de comunicação da Rede, o projeto consegue instigar os jovens a lançar olhares sobre a cidade e suas realidades, principalmente sobre a periferia, na tentativa de convergir esses aspectos na formação cidadã dos jovens.

Jenifer aponta que o programa “oportuniza a condição de levar jovens pobres, da

periferia, para uma situação de mídia, em um espaço estatal. É um lugar de fala onde o jovem pode falar das suas realidades, das suas percepções”. Para a jovem comunicadora, o Conexões

Periféricas é uma versão da periferia, que as pessoas não estão acostumadas a ver, ou nem sabem que existem.

Joana complementa esse posicionamento quando se reconhece como jovem comunicadora periférica e entende que a formação em audiovisual, oportuniza a representatividade da periferia. Paralelamente a essa questão da periferia em destaque, é salientada a importância da combinação entre a proposta educomunicativa, das formações em audiovisuais e das juventudes.

Santana e Vital (2010) analisam os aprendizados gerados a partir das produções audiovisuais na formação de jovens comunicadores, tendo a Educomunicação como embasamento teórico. Ambos analisaram as experiências de formação de jovens comunicadores do Projeto Giral.

Diante desse contexto, perceberam que o uso do audiovisual só passa a ter função social para a educação, quando vinculado a um projeto educacional que norteie a formação proposta. Segundo eles, o processo de produção audiovisual é uma ferramenta que quebra o isolamento do ensino e provoca ações que transcendem à tecnologia. Concluem que a realização

de uma obra audiovisual funciona como um catalizador de tarefas multidisciplinares e fortalece o envolvimento entre educador e educando.

A familiarização com a captação de imagens e sons e os desdobramentos de sistematização do material gravado possibilitam o contato com questões éticas, técnicas e de linguagem que envolve a elaboração do roteiro e a preparação da edição, valorizando os saberes empíricos e populares da comunidade local, incentivando o ensino-aprendizagem, a prática da leitura e escrita e todo um processo de desenvolvimento cognitivo do estudante (SANTANA; VITAL, 2010, p. 7).

Sendo assim, as tecnologias audiovisuais em espaços informais da educação estão contribuindo no processo de aprendizagem de adolescentes e jovens, estimulando a inserção social. “Esses ambientes revelam que os aprendizados vão além dos limites de sua utilização no sentido político, pedagógico e didático” (SANTANA & VITAL, 2010, p.6).

A respeito do uso dos recursos audiovisuais na pedagogia, Freire (2004) parte da premissa de que somos seres históricos, por isso não podemos negar nosso tempo, muito menos a tecnologia, que está incutido nele. Aliado a isso, defende a leitura crítica da realidade em parceria ao ensino de conteúdo. A prática educativa progressista coerente para Freire é aquela que vincula os conteúdos ao contexto social e político, ou seja, auxilia desocultar a razão dos problemas sociais.

Sendo assim, Freire (2004) indica os meios de comunicação como instrumento de poder, a partir do qual o receptor das mensagens midiáticas pode ser manobrado e ideologizado. O autor acredita em uma pedagogia que ponha esses meios em questão, e não apenas como instrumento de transmissão de conteúdo. Exemplificando essa circunstância, aponta a televisão e manifesta sobre o alcance do vídeo no processo de aprendizagem:

O vídeo, além do papel do falar de certa coisa através da imagem, deve virar um objeto de curiosidade do educador e do educando enquanto objeto de conhecimento a ser apreendido ou cuja compreensão deva ser apreendida pelos dois. Quanto mais bem feito, melhor. Mais do que entreter, o vídeo deve ser um objeto desafiador. A prática educativa como processo de conhecimento e não como processo de transmissão de conhecimento é uma coisa linda, porque enquanto o educador reconhece o objeto proposto, o educando reconhece o objeto no processo de conhecimento que o educando faz, quer dizer, no fundo é um ciclo de conhecer, que inclusive confirma o conhecimento. Esse processo é de uma indiscutível boniteza (FREIRE, 2004, p. 175).

O posicionamento de Santana e Vital (2010) e Freire (2004) conversam com a ideia do Conexões Periféricas, que propõe oferecer aos jovens, por meio da formação em audiovisual, a reflexão e o debate de temas escolhidos por eles, pertinentes ao contexto e à realidade da periferia.

Retomando à formação do Conexões Periféricas, que usa a comunicação e suas ferramentas, como meio e fim, para implementação de suas propostas formativas, abordaremos no próximo capítulo o percurso metodológico da pesquisa. Já uma exposição do cenário de produção acadêmica sobre as temáticas chaves do estudo (Educomunicação, Protagonismo Juvenil e Formação Humana em Freire) é feita no quarto capítulo. É fundamental explicitar como este estudo tomou forma, por meio de que escolhas metodológicas conduziram cada passo do processo.

3 UM ZOOM NAS LENTES ESCOLHIDAS: METODOLOGIA

Na busca por respostas, a partir da inquietação que move esta pesquisa, a compreensão da possibilidade de protagonismo juvenil oportunizada pelo Conexões Periféricas segue a orientação de natureza qualitativa. A princípio, a presente investigação teve a intenção de aplicar a metodologia do grupo focal, em combinação com o método do círculo dialógico e da entrevista narrativa. A pesquisa bibliográfica e documental, para fins de complementação do estudo, também foi um caminho que conduziu a possíveis respostas e a tantos outros questionamentos.

O trabalho se apoiou em pesquisas bibliográficas, a partir de estudiosos referenciados no assunto, e pesquisas e análises documentais, através do acesso a teses, resoluções, documentos oficiais sobre os três eixos temáticos deste estudo (Formação Humana em Freire, Protagonismo Juvenil e Educomunicação), e teve o acesso liberado, pela diretoria do Cuca, aos programas gravados anteriormente, cedidos a esta pesquisa.

Creswell (2007) faz um apanhado de considerações, à luz de vários autores sobre o paradigma da pesquisa qualitativa. Em resumo, ele relata que essa modalidade é realizada em cenários naturais, onde ocorrem o comportamento humano e os fatos. Nesse caso, o levantamento de teorias e hipóteses não é prioridade. Outra observação destacada pelo autor é que seu foco está nas percepções e nas experiências dos participantes. Trazendo essa proposta para este estudo, aponto as percepções das juventudes participantes do Conexões Periféricas como fundamentais nesse processo de descobertas e preenchimento das inquietações levantadas.

Muylaert et al. (2014) apontam que o método qualitativo se distingue dos demais por abranger questões singulares, intrínsecas ao campo e aos indivíduos analisados. Ao delinear um estudo qualitativo por meio das narrativas, é possível captar os conflitos do campo, “de maneira que as ressonâncias e dissonâncias de sentidos que emergem pelas falas, sejam problematizadas a partir do encadeamento das falas que constitui a trama em que relatos biográficos e fatos vivenciados se entrelaçam” (Muylaert et al. 2014, p. 198).

Outro enfoque trazido por Creswell (2007) é de que essa vertente metodológica pode concentrar-se no processo, no produto ou no resultado, gerando dados descritivos. Por isso, utiliza-se da interpretação ideográfica, direcionando a leitura aos detalhes, e não às generalizações. Sobre esse ponto, o estudo concentrou-se no processo, porém o produto e os resultados tiveram suas colaborações para esta pesquisa. Além disso, o foco no processo vai ao

encontro das concepções concebidas por Paulo Freire e demais pensadores da Educomunicação. Mais à frente essa categoria será explanada com mais profundidade.

Minayo (2012), ao relatar sua vivência como uma típica investigadora qualitativa, assinala que a interpretação dos dados não será o sentido final da análise, uma vez que o sentido da realidade está sempre aberto em vários caminhos. Porém, alerta que, para uma boa condução, a interpretação deve ser fiel ao campo.

Inicialmente, a pesquisa foi pensada para ser dividida em dois momentos, com públicos diferentes, entretanto, os temas geradores seriam os mesmos. Devido ao funcionamento por temporadas de aproximadamente seis meses, o Programa Conexões Periféricas, até a execução dessa pesquisa, já passou por três temporadas, encaminhando-se para a quarta, a partir de junho de 2018.

Como dito anteriormente, a Rede Cuca ganhou sua identidade por integrar três equipamentos situados em bairros estratégicos de Fortaleza (Barra do Ceará, Mondubim e Jangurussu). O Programa analisado é realizado em cada uma das três sedes, ou seja, há três grupos de jovens por cada temporada.

Diante do exposto, a pesquisa busca contemplar os jovens que já passaram pela experiência formativa e os que a estão vivenciando no momento, a partir do início da nova temporada (2018). Para selecionar os jovens que já passaram pela formação, o critério utilizado foi a ideia geral de protagonismo, no sentido de verificar quem se destacou. Para tanto, o passo inicial foi perguntar à equipe do Conexões Periféricas quem se destacou dentro do processo.

A partir dos primeiros nomes e das disponibilidades dos jovens protagonistas, o primeiro contato foi escolhido. Feito um contato inicial, a partir de então, a proposta de escolha partiu dos jovens. O primeiro nome sugerido pela equipe do Cuca foi selecionado e indicou outro jovem, que, em sua concepção, teve uma participação protagonista durante o programa Conexões Periféricas. Essa ação colaboraria tanto para a escolha dos integrantes do grupo focal, destinado aos atuais participantes do projeto, como para a indicação dos entrevistados, destinado aos jovens veteranos no processo.

A observação participante foi pensada como uma etapa precedente ao grupo focal e à entrevista narrativa, com a intenção de aproximação com os jovens e conhecimento do contexto em que a formação acontece. Não foram realizadas limitações por sede, tendo em vista que a quarta temporada foi concretizada apenas no Cuca Mondubim. A única condição foi a indicação de protagonismo entre os próprios jovens.

Além do arcabouço teórico que convence este estudo pela escolha do grupo focal com os atuais participantes do programa, a motivação de escolha foi a questão da

disponibilidade e da aproximação. O estudo pressupôs que a oportunidade do tempo atual, em que todos os jovens estavam reunidos nos encontros, condicionaria uma maior disponibilidade para articulação do grupo focal.

Ainda de acordo com a concepção de Creswell (2007), a entrevista é um dos procedimentos de coleta da pesquisa qualitativa. Isso, porque, “Nas entrevistas, pesquisador conduz entrevistas face a face com os participantes. [...] envolvem poucas perguntas não- estruturadas e geralmente abertas, que pretendem extrair visões e opiniões dos participantes” (CRESWELL, 2007, p. 109).

Já as narrativas são definidas como sendo “uma forma dos seres humanos experienciarem o mundo, indo além da simples descrição de suas vidas, pois ao repensarem

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