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V – ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTO

V. 2 – Rede de coleta e tratamento de esgoto

O sistema de coleta das duas Concessionárias é do tipo unitário, fazendo o uso da rede de drenagem pluvial como rede de esgoto, o chamado “Sistema de Tempo Seco”, que é constituido ainda de barramentos nos corpos hídricos, e operado por comportas. Adotado como medida emergencial, este sistema visou principalmente recuperar a Lagoa de Araruama, que recebia grande aporte de água doce e esgoto, fruto da transposição das águas do reservatório de Juturnaíba, o que ocasionou graves problemas ambientais. A adoção desse sistema foi possível devido ao baixo índice pluviométrico da região costeira, sendo uma medida emergencial, que proporcionou uma recuperação da Lagoa de

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Araruama. Porém, o CILSJ entende que é fundamental a adoção de redes separativas em toda a bacia.

O sistema de esgotamento sanitário da Prolagos possui 103,08 Km de rede coletora de esgotos espalhados por quatro municípios, que fazem o uso de três tipos diferentes de corpos receptores. Nos municípios de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande, temos a Lagoa de Araruama. Ainda no município de Cabo Frio temos o sistema de esgotamento de Jardim Esperança, atualmente em fase de pré-operação com emissário no Rio Una, cuja proposta é eliminar o aporte de água doce na Lagoa de Araruama, corpo lêntico de característica hipersalina. No município de Armação de Búzios o corpo receptor é um lago de drenagem pluvial, cuja finalidade é promover a depuração dos esgotos tratados com posterior drenagem para o oceano. O município de Arraial do Cabo optou por assumir todo o sistema de esgotamento sanitário na ocasião da assinatura do contrato de concessão.

Seu sistema de coleta dispõe de 17 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) no município de São Pedro da Aldeia, 13 em Armação dos Búzios, 4 em Iguaba Grande e 14 em Cabo Frio (Figura 7). No caso específico de Cabo Frio, onde está sendo construído um segundo sistema de esgotamento sanitário para atendimento da margem esquerda (ETE Jardim Esperança), ainda temos sete elevatórias. A empresa é responsável pela operação de cinco Estações de Tratamento de Esgoto (São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Cabo Frio e Armação dos Búzios).

As ETE de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio dispõe de processo de tratamento a nível terciário, com remoção de nutrientes e desinfecção por sistema ultravioleta, com a capacidade nominal de tratamento de 160 L/s. O mesmo sistema de tratamento é utilizado na estação de Iguaba Grande, porém com a capacidade nominal de tratamento de 75 L/s. Já a ETE de Armação dos Búzios trabalha em duas etapas de tratamento, com clarificação primária quimicamente assistida, seguido de tratamento biológico aerado por lodos ativados, com a capacidade nominal de tratamento de 130 L/s. Segundo a Concessionária, após o início da operação da ETE Jardim Esperança, em Cabo Frio, o índice de atendimento em coleta e tratamento de esgotos de sua área de concessão passará de 55 a 71%.

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Figura 7 – Estações de Tratamento de Esgoto dos municípios de Cabo Frio e Búzios

A Concessionária Águas de Juturnaíba é responsável pela operação de cinco Estações de Tratamento de Esgoto, três no município de Saquarema, uma em Araruama, e uma em Silva Jardim. No município de Araruama a rede de esgoto é do tipo mista (águas pluviais e esgoto), constituido também por redes de coleta do tipo separador absoluto, sendo direcionado para um pré-tratamento com gradeamento e caixa de areia, seguido de lagoas de aeração e sedimentação, e posteriormente destinado ao pós-tratamento através de sistema do tipo Wetland. O conceito de Wetland, que em português significa terra molhada (mas comumente conhecido como brejo) deriva-se do design ecológico, onde o principio é imitar os ciclos naturais, que diferente de outros ciclos produtivos e indústrias, praticamente não geram excedente de resíduos. O principio deste processo é de que “resíduo é igual alimento”. Desse principio surge a iniciativa de imitar os processos naturais para tratamento de esgotos. Esta estação tem capacidade máxima de 200 L/s, em uma área instalada de 6,8 ha (Figura 8).

Em Silva Jardim, nas áreas atualmente atendidas, 90% do esgoto é coletado em rede separadora absoluta, sendo apenas duas intervenções com tomada de tempo seco. O processo de tratamento é o mesmo adotado no município de Araruama, porém em menor escala, com a capacitdade máxima de 18L/s, sendo o destino final o rio Capivari. No município de Saquarema a rede de esgoto é também do tipo mista, sendo o esgoto destinado a três estações de tratamento, a ETE Bacaxá, ETE Saquarema, e a ETE Itaúna, sendo o destino dos efluentes tratados o Rio Bacaxá e a Lagoa de Saquarema. Além do sistema em tempo seco, o município possui um sistema de coleta por redes separativas (900m), no entorno da Lagoinha no Bairro de Itaúna.

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Figura 8 – Estação de Tratamento de Esgoto tipo Wetland no município de Araruama

As Concessionárias Prolagos e Águas de Juturnaíba contam ainda com um Centro de Controle Operacional (CCO), por meio do qual é feita a supervisão e controle de todo o sistema de captação e abastecimento de água, e tratamento de esgoto nos municípios da área de concessão. As Concessionárias realizam ainda periodicamente o monitoramento dos corpos receptores dos efluentes tratados.

Segundo estudo da ONU-Habitat/UFF, em Rio Bonito falta rede de esgoto unitária, tecnologia para o seu tratamento e Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Boa parte das residências possui fossa, mas o esgoto corre a céu aberto em algumas localidades e é despejado in natura nos rios. No município de Casimiro de Abreu, o SAAE possui duas ETE, uma na sede municipal e outra no distrito de Professor Souza. Segundo o SAAE, estas estações estão sendo reformadas e novas unidades estão sendo construídas para atender o município.

Considerando as possíveis complicações ambientais decorrentes da exigência apenas de projeto básico de esgotamento sanitário com fossa, filtro e sumidouro nos empreendimentos licenciados, somado às características do lençol freático da região, e por sua vez a grande dificuldade para implantar rede separativa, no curto e médio prazo, após a ocupação do território urbano, o Comitê Lagos São João, aprovou a Moção Nº 01/2011 recomendando aos órgãos ambientais que no licenciamento de novos empreendimentos exijam a construção de rede separativa de esgotamento sanitário independente de galerias pluviais, e que os efluentes sejam ligados à rede pública de esgoto.

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V. 3 - Áreas não concedidas

Além das áreas concedidas, a Bacia possui diversos distritos, povoados ainda não atendidos por sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Em geral, a água é captada de nascentes, poços rasos e cursos de água para atender essas populações, e o esgoto é tratado através da construção de sistemas fossa – filtro – sumidouro. Nas áreas rurais, a situação é semelhante, porém algumas propriedades apresentam problemas relacionados à ausência de saneamento rural, como o descarte de efluentes agrícolas, efluentes de criatórios de animais, efluentes domésticos, além da precariedade dos poços e captações para abastecimento e consumo, devido à baixa assistência técnica e social a essas áreas e comunidades (Figura 9).

Em 2007, o Comitê de Bacias criou através da Resolução N° 13, o Fundo Socioambiental de Boas Práticas em Microbacias – FUNBOAS, que é um mecanismo de incentivo pelos serviços ambientais aos que conservam direta ou indiretamente os recursos naturais e especificamente os corpos hídricos. O Fundo foi regulamentado através da Resolução 23/2009, sendo a Câmara Técnica Permanente de Microbacias – CTPEM responsável pela sua gestão e pelas decisões sobre a aplicação dos recursos nas microbacias. O FUNBOAS é instrumento do Programa de Gestão Ambiental Participativa em Microbacias que está contido no Plano de Bacia do Comitê e visa despertar o comprometimento dos produtores rurais, gestores e demais atores sociais com as políticas de conservação e sustentabilidade.

Figura 9 – Descarte de efluentes na propriedade rural, e fossa com problemas de vazamento.

Os agricultores familiares, pequenos e médios proprietários da região da Bacia Lagos São João e que desenvolvem boas práticas socioambientais, estão tendo acesso ao

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Fundo Socioambiental de Boas Práticas em Microbacias – FUNBOAS, para melhorar as condições ambientais de seu território, da sua comunidade e das suas propriedades individualmente (Figura 10).

Figura 11 – Planejamento das atividades do FUNBOAS na microbacia do Roncador/Matogrosso no município de Saquareama e sistema de fossa séptica biodigestora instalado na microbacia do Cambucaes no município de

Silva Jardim.

Este fundo é alimentado com recursos oriundos da cobrança pelo uso da água, e desde 2009 vem atuando nas microbacias prioritárias, com ênfase principalmente nas ações de saneamento rural, realizando ações de melhoria no abastecimento de água da propriedade rural, controle da poluição por efluentes (domésticos, animais, etc.) e buscando medidas conjuntas para solucionar os problemas com o lixo. Mais informações estão disponíveis no site do Comitê Lagos São João.

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