A Rede de Educadores Ambientais de Porto Alegre (REDE) é uma malha que articula principalmente as educadoras ambientais de Porto Alegre (Figuras 1 e 2), atuantes nas escolas municipais da cidade, surgida e organizada no contexto da Secretaria Municipal de Educação (SMED) do município. A rede foi formada no início do ano de 2001 e assim se descreve:
A REDE reúne educadores/as de diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como diferentes áreas do conhecimento, com um objetivo em comum: promover a Educação Ambiental através de projetos e ações em suas Escolas e comunidades de forma a provocar mudanças significativas de comportamento que possam estabelecer melhorias na qualidade de vida de todos/as. Sempre na expectativa de fortalecer e ampliar a rede de educadores/as que buscam a Sustentabilidade como forma de co-evolução com nosso Planeta, respeitando e compreendendo cada vez mais nosso lugar nesta fantástica teia da vida a partir do lugar onde estamos. Neste diálogo vamos também promovendo a Gestão Ambiental de forma compartilhada com a comunidade, o bairro, a cidade, o estado, o país, o planeta. Entendendo na prática cotidiana a importância do agir local e pensar global, desta forma
estamos todos/as interligado/as através de nossos fazeres na Escola e para além dela.65
Entre o período de 2010 e 2011, a REDE realizou 12 formações continuadas em educação ambiental66, articulação de práticas de educação ambiental nas escolas e
com diferentes movimentos sociais da cidade (movimento ambientalista, indígena e quilombola) (Figuras 5 e 6) (ANEXO K e L). Visando a construção e fortalecimento de uma política pública de educação ambiental, a REDE acontece no bojo das práticas desenvolvidas pela assessoria de educação ambiental da SMED.
65 Definição apresentada no site Yahoo Grupos
(http://br.groups.yahoo.com/group/educadoresambientaispoa/). Acessado em: 29/12/2013.
66 As formações continuadas da SMED visam permitir o desenvolvimento profissional do professor, de
forma a suscitar a aquisição de conhecimentos que o torne capaz de desenvolver as habilidades vitais para o exercício pleno da função de ensinar. Trata-se de uma das políticas da Secretaria Municipal de Educação garantir a Formação Continuada em serviço, que é um procedimento constante e duradouro de aquisição de novas formas de ensinar-aprender em face das necessidades de transformação social (Rosa, Comunicação Pessoal).
Figura 5. Encontro de formação na Escola Rincão durante do curso de formação continuada “Reinventando o Espaço Escolar com vistas para a Sustentabilidade”, Agosto de 2011. Fonte:
Rosa Rosado.
Figura 6. Atividade de campo no Morro São Pedro, Instituto Econsciência, realizada durante o “Seminário de Educação Ambiental da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre”, Outubro de
Um não humano muito importante na REDE é o Atlas Ambiental de Porto Alegre (ATLAS), material lançado em 1998 pelo Departamento de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a coordenação geral do professor Rualdo Menegat67. O ATLAS é um dos agentes vitais na implementação de uma das
principais experiências de educação ambiental desenvolvidas nas escolas da cidade de Porto Alegre. É a partir dele e da experiência de educação ambiental desenvolvida pela professora Cleonice Carvalho, na Escola Judith Macedo, que, em 2001, foi criado o Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano (LIAU), metodologia que acontece no turno inverso à grade curricular e procura tomar a leitura da paisagem como recurso pedagógico para se trabalhar a produção de conhecimentos acerca do lugar (MENEGAT e ROSADO, 2011). Até setembro de 2013, havia 28 LIAUs na rede municipal de ensino (OSÓRIO, 2013)68.
Rosa foi minha principal parceira na REDE durante o período em que realizei as atividades de campo. Entre os anos de 2009 e 2012 foi assessora de educação ambiental do Grupo de Apoio Político Pedagógico (GAPP) da SMED e participou ativamente da articulação e organização das formações em educação ambiental em que a REDE era protagonista. Ela tem 45 anos, é casada, e mãe de duas jovens e avó. É bióloga, Mestre em Ecologia e Doutora em Geografia. Desde os anos 90, sempre esteve ligada aos movimentos sociais da cidade, em especial, aqueles relacionados à educação ambiental, justiça ambiental e mais recentemente às causas ligadas a diversidade cultural presente no espaço urbano.
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Geólogo, Mestre em Geociências e Doutor na área de Ecologia de Paisagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências da UFRGS.
4.3 Traços de uma identidade coletiva
Com base nos relatos individuais (entrevistas e conversas informais) e também em contextos coletivos (encontros de formação e grupo focal) é possível traçar alguns elementos que descrevem parte da identidade coletiva das educadoras ambientais participantes das redes locais. A intenção aqui não é realizar um inventário pontual da referida identidade, muito menos construir uma biografia coletiva, mas apontar o que caracteriza o perfil geral daquelas que são um dos principais agentes nestes coletivos.
Em sua maioria (91%)69, a TEIA e a REDE são formadas por mulheres com
idades entre 35 e 50 anos (média de 38 anos), professoras atuantes em escolas públicas de ensino fundamental. Na REDE, são, principalmente, educadoras em exercício nas escolas do município de Porto Alegre e referências na experiência do Laboratório de Inteligência do Ambiente Urbano (LIAU). Na TEIA, são educadoras que atuam principalmente nas escolas dos diferentes municípios do litoral norte do Rio Grande do Sul70. Em ambos os casos, quando não na função de professoras em sala
de aula, trabalham na orientação educacional, supervisão ou direção das escolas.
Em número menor há de se mencionar outros educadores ambientais que participam constantemente das atividades das redes: os que atuam em diferentes setores da escola (nutricionistas e merendeiras), funcionários das secretarias de educação e meio ambiente de prefeituras, membros de ONGs, de universidades e dos movimentos sociais.
Em relação à formação, as educadoras ambientais são provenientes de áreas do conhecimento como Pedagogia, Letras, Artes, Filosofia, História, Biologia e Geografia. Não há a prevalência de algum campo específico do conhecimento. Grande parte (65%) já realizou algum curso em nível de extensão ou especialização em temáticas
69 Dados obtidos através do survey e corroborados pela observação e conversas informais em campo. 70 No início de sua criação (2005) a TEIA também atuou nas escolas públicas da cidade de Praia Grande,