1 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS REDES DE PRODUÇÃO
1.4 REDE DE TRABALHOS FORA DO EIXO, BASE SÃO PAULO,
As primeiras ideias de realizar uma pesquisa incluindo o Fora do Eixo surgiram em 2011 quando participei de uma mesa de debates sobre políticas culturais na Universidade Federal de Santa Catarina, onde um
dos debatedores era o Pablo Capilé, um dos principais fundadores do movimento. Já durante a etnografia em Florianópolis essa ideia quase se dispersava, quando surgiram alguns relatos curiosos de artistas e produtores sobre a atuação da rede.
Ao mesmo tempo em que apareciam em tom entusiasmado, as palavras também eram articuladas com certo cuidado, como se quem falasse precisasse de algum tipo de autorização para isso. Enfim, foi essa impressão que me moveu até São Paulo para entender melhor aquela rede.
O discurso do Pablo naquela época me foi bastante sedutor, principalmente porque naquele momento eu atuava profissionalmente na gestão de projetos culturais na área da música, e a morosidade dos processos burocráticos dos editais culturais, assim como das instituições que os promoviam, me causava profunda indignação, assim como me despertava um grande interesse por entender de que forma eram elaboradas as „leis culturais‟.
O objetivo da inclusão do FdE na pesquisa era conhecer pelos menos alguns dos seus processos organizacionais, para então poder comparar aos processos da rede organizada em Florianópolis, e compreender de que formas o FdE poderia em algum momento ter influenciado algumas formações associativas na ilha. Isto quer dizer, investigar em que pontos as redes se cruzam, em que momento, quem são os agentes „conectores‟, e de que modo acontecem tais conexões.
A pesquisa etnográfica com o FdE foi feita na Casa Fora do Eixo, SP, com duração de dez dias, e a maior parte das entrevistas foi realizada com os seus principais fundadores, assim como com alguns novos integrantes selecionados pelo „Edital de Vivência da Casa Fora do Eixo57. Esses residentes vinham de diferentes partes do país, e são
músicos, produtores e artistas audiovisuais.
O FdE surgiu em 2005 nas cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina (PR) a partir da iniciativa de artistas e produtores, que a princípio tinham o objetivo de criar cenas musicais fora do eixo Rio-São Paulo a partir do intercâmbio solidário de atrações musicais e das trocas de conhecimento sobre produção musical e sobre festivais.
„Além do advento da internet que acontecia ali no final dos anos 1990 e início dos 2000, os festivais
57 Parar mais informações sobre a Casa Fora do Eixo ver:
começam a despontar em várias cidades do país como plataformas capazes de receber a renovação estética da música brasileira que acontecia na época. Em 2005 o Festival Goiânia Noise estava chegando a sua 10° edição, e fez uma parceria com o SEBRAE do estado de Goiás, e conseguiu pagar as passagens para fazer uma reunião com 17 produtores de festivais de várias regiões do Brasil. O objetivo era fundar uma associação de festivais independentes, a ABRAFIN. E num primeiro momento da fundação, a gente fez uma observação, e percebemos que estavam colocados basicamente dois perfis de produtores ali naquele encontro. A maioria vinha de um processo de formação mais conectado com a lógica do 2° setor, então eram empresários que tinham produtoras, e os festivais tinham objetivo de lucro, então esse lucro era o capital de giro de uma produtora que passava um ano produzindo pro próximo festival. Já o segundo perfil era de produtores que se entendiam como uma nova geração que estava se formando no setor cultural, mas a partir dos princípios e valores de um 3° setor. O que era uma novidade naquele momento. Em 2004, 2005, as ideias de rede, coletivo, esse ambiente favorável de novas conexões era muito incipiente, porque as pessoas ainda estavam vivendo na prática o aprendizado desses conceitos. E esses produtores percebiam que a característica de afinidade entre eles era um compromisso cotidiano com o desenvolvimento da sua cena local.
Então aquele festival não era um instrumento de lucro de uma produtora que passaria um ano produzindo aquele evento, mas sim uma ação tática, no sentido de ser uma vitrine da cena que o recebia. Então era ali que o produtor conseguia dialogar ao mesmo tempo com a iniciativa privada, com o poder público, com os meios de comunicação, com os artistas e com os produtores de uma cidade toda. Aquilo acabava catalisando um cenário, que a partir dali através de ideias criativas e colaborativas conseguia continuar trabalhando ao longo do ano, fomentando a produção cultural nesses locais, de formas mais
perenes, cotidianas‟. (Felipe Altenfelder, entrevista realizada em maio de 2013).
Este depoimento do Felipe é um caminho para pensarmos sobre a atenção que passa a ser dada para o local naquele momento. Vale à pena relembrar o que nos aponta Ana María Ochoa (2003) a respeito deste assunto.
El surgimiento de un ámbito como el del patrimonio intangible en el marco de la UNESCO, o de políticas culturales de algunos estados, o la movilización de lo musical por parte de movimientos sociales o agrupaciones artísticas que afirman de nuevas maneras su localismo y su apego al passado, constituyen ámbitos igualmente importantes de articulación sonora. Desde cualquiera de estos ámbitos, el tema de la transformación de las músicas locales es polémico ya que conjuga muchos de los cambios de nuestro tiempo: el sentido estético de lo local para um mundo globalizado; la resignificación de los sonidos en la era digital; las nuevas relaciones entre lugar, sujeto y producción simbólica; la relación entre cultura, música y política, para mencionar sólo algunos. (Ochoa, 2003, p:10). A partir da conexão entre os produtores que se viam como uma nova geração de agentes culturais surge o Circuito Fora do Eixo, integrado por cinco coletivos das quatro cidades citadas. Ao sair da sua primeira reunião o grupo começa a atuar com base em três diretivas no intuito de construir uma estrutura de rede distribuída para produção cultural, assim como atuar na intervenção política em nível nacional, partindo é claro, do local. As três vias de trabalho encaminhadas eram a 1) circulação 2) produção de conteúdo e 3) distribuição.
O Felipe diz que ao se aliarem, todos os produtores que ali estavam já percebiam que as manifestações musicais locais existiam aos montes nas várias regiões do país, e que proliferavam num ritmo cada vez mais acelerado devido à democratização do acesso as tecnologias de produção digital e a internet, então, segundo ele, naquele momento o grupo percebeu a necessidade do desenvolvimento de uma política afirmativa, que propiciasse o intercâmbio cultural, ou seja, a criação de oportunidades de apresentações em outras cidades e outros estados. A
estratégia pensada para isso então foi criar uma rede de festivais que chegassem aos mais distantes lugares do Brasil.
Um dado curioso é que a promoção dos festivais não estava ligada somente a questão da produção e da circulação musical, mas dizem os fundadores do grupo, que logo de início já era claro para todos eles que além da música, eram produzidos e intercambiados muitos conhecimentos e experiências durante as viagens, já que todas as pessoas envolvidas aprendiam umas com as outras, na prática, todos os processos necessários para a produção e difusão da música. Estas aprendizagens envolvem conhecimentos sobre equipamentos, tecnologias de informação e comunicação, logística, criação artística, direito autoral, enfim, uma gama complexa de fatores que eles chamam de „compartilhamento de tecnologias sociais‟.
Essas trocas, segundo eles, favoreciam, e ainda favorecem muito o desenvolvimento de cenas locais simplesmente porque as pessoas que adquirem essas experiências geralmente retornam para suas cidades com uma enorme bagagem de conhecimentos e novidades, passando a se juntar em grupos no intuito de desenvolverem ações no local onde vivem. Estes seriam os coletivos artísticos que hoje formam a rede FdE. Entendo o movimento FdE como uma síntese do que acontece no
campo da produção musical mundial atualmente, isto porque ações
coletivas similares as deles acontecem diariamente em várias cidades do mundo, porém, o que chama a atenção no grupo é a forma e a velocidade que sistematizam os processos que já ocorrem na vida de muitos artistas e produtores musicais.
Uma das sistematizações mais interessantes é a moeda complementar criada pelo grupo na tentativa de suprir as necessidades financeiras, com as quais os coletivos lidam diariamente para produzir e difundir seus conteúdos. O „Eixo Card58’ foi criado seguindo os
princípios de economia solidária, e a ideia básica consiste em pagar parceiros e clientes em cards, que podem ser trocados por produtos e serviços oferecidos pelo FdE, sendo que também é possível aos coletivos que integram a rede criar suas próprias moedas complementares.
Em termos práticos o sistema funciona da seguinte maneira: Uma banda de Florianópolis é contratada para fazer um show na Casa FdE - SP, e para isso receberá hospedagem e alimentação gratuitas, e um
58 Para mais informações sobre o „Eixo Card‟ ver:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130822_moeda_social_cubo card_fora_do_eixo_lgb.shtml. Acesso em 23 de setembro de 2013.
cachê que será pago em cards. Estes cards poderão ser trocados, por exemplo, pela gravação de um videoclipe, que pode ser produzido pelo FdE ou por coletivos parceiros que atuam em Florianópolis, ou qualquer outro local. Neste caso, a dívida se transfere de mão a mão, e o novo credor (o prestador do serviço de produção do vídeo), daria continuidade ao sistema de trocas. Assim os cards poderiam ser trocados por produtos ou serviços do próprio coletivo local ou de outros associados.
Estas moedas são uma demonstração clara da revolução das trocas solidárias que privilegiam os empreendedorismos locais no campo da produção da música atualmente. Até maio de 2013 quando estive na Casa FdE, o Pablo Capilé contabilizava que circulavam na rede cerca de 91 moedas complementares entre os coletivos espalhados pelo Brasil.
Os coletivos locais associados ao FdE promovem eventos culturais que são realizados em toda a rede, como o „Domingo na Casa‟ que é uma festa realizada aos domingos nas Casas FdE de todo o Brasil, com suas particularidades, é claro. Os integrantes dos grupos participam de estratégias de divulgação dos eventos nas redes sociais, blogs, sites e outros canais de comunicação em rede, operam através de listas de e- mails distribuídas por áreas geográficas, além de trabalharem coletivamente em projetos, utilizando plataformas colaborativas, como o
Google Docs.
Em alguns locais mais, e em outros menos, o fato é que os coletivos têm que criar diariamente novas estratégias e ferramentas para driblar as dificuldades e conseguir estruturar um mercado musical. Mas em todos os casos, um desenvolvimento favorável das cenas vai depender não só das tecnologias, mas também da articulação política de cada grupo. Neste sentido é interessante observar a associação feita entre as tecnologias de informação e comunicação e as articulações políticas realizadas pelos coletivos e redes. Talvez este seja um dos principais pontos para o qual devemos direcionar nossas atenções, se quisermos compreender melhor de que formas estão sendo estruturadas as políticas e o mercado da música atualmente.
„A experiência da moeda complementar surgiu não de uma literatura sobre economia solidária, mas pra resolver problemas que surgiam ali „no fazer‟, dentro do processo. A gente se apoiava em valores muito diferentes. A gente tinha uma perspectiva de estar olhando pro processo o tempo todo, e não pro produto, pro festival, pro disco, ou
pro show...Era uma nova forma de olhar pra economia...Daí que surge o banco coletivo que a gente criou, que era um banco de serviços que a gente trocava e que hoje é um grande caixa coletivo. É uma nova forma de se relacionar e viver hoje em dia, é uma outra alternativa para o que está dado aí do ponto de vista social, econômico, político...‟(Talles Lopes, entrevista realizada em abril de 2013).
Segundo o Felipe Altenfelder, desde o início também era claro para o grupo que a internet seria o maior aliado na estruturação política da rede, em vários sentidos, desde as organizações coletivas para intervenções juntos aos órgãos públicos e privados da cultura, como para o estabelecimento de alianças políticas, assim como para a difusão de conteúdo artístico e ideológico em todos os espaços que a cultura de rede permite acessar.
Para entendermos um pouco mais sobre o FdE também é importante pensar sobre o cenário político que se desenvolvia na época do seu surgimento, e que está diretamente relacionado à uma renovação no Ministério da Cultura que aconteceu no início do governo Lula, e com a gestão do então novo ministro, e um dos precursores do movimento tropicalista, Gilberto Gil.
Segundo o Felipe a gestão do Gil entendia que a cultura não tinha mais que ser encarada pelo Estado do ponto de vista da realização, e sim do reconhecimento das iniciativas que já existiam, o que possibilitava a autonomia e o protagonismo dos grupos culturais brasileiros, ou seja, os princípios básicos do programa „Cultura Viva‟, que tinha como principal conceito o Do-in antropológico59.
„Se você olhar hoje, tanto pra rede micro que está sendo construída em Florianópolis, assim como pra qualquer outra experiência no campo cultural brasileiro que tenha essa perspectiva de criação de rede, de busca de colaboração, de princípios de trocas solidárias, de criação de campos pra trocas de experiências, de processos de formação
59 Por analogia à tradição milenar chinesa, que reconhece e massageia pontos
energéticos em benefício do bem estar do corpo e da mente, o ministro cunhou uma tradução que representa a complexidade da função política da cultura. *Conforme <http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/do-in- antropologico/>. Acesso em 21 de setembro de 2013.
livres...é um pouco „filhote‟ dessa tecnologia „Fora do Eixo‟, mas também é claro que a gente tinha um contexto político no Brasil que impulsionava isso. O ministério do Gil e do Juca, a perspectiva de participação, tudo isso encorajava. Mais do que alimentar sob o ponto de vista econômico ou teórico, era um encorajador, porque você sentia que tinha possibilidade de
avançar. Principalmente na questão da
descentralização. Tinha grandes cabeças ali né... A ideia de descentralizar...
O próprio nome „Fora do Eixo‟ que veio da ideia de tirar essa concentração do eixo Rio e São Paulo, e assim passar a identificar, fortalecer e conectar o que tem nesse país inteiro, tinha a ver com o ministério do Gil, tinha uma relação muito forte porque ele falava em descentralização da Lei Rouanet, falava em participação na Conferência Nacional. Então eu acho que tudo isso gerou um „software‟, que passou a conectar pessoas que passaram a formar coletivos, ao invés de formar empresas, produtoras privadas. O „passo a mais‟ agora era formar o coletivo, e não mais abrir empresa, porque essas organizações vêm mais com essa característica de compartilhar um projeto de vida, compartilhar uma vida...‟ (Talles Lopes, entrevista realizada em abril de 2013). As organizações que compõem o FdE atualmente são: 1860 Casas, 91 Coletivos e 650 coletivos „Parceiros‟, atuando em 300 cidades, além disso a rede fortalece outras redes autônomas, que são o Grito Rock com 300 gritos; a Rede Brasil Festival que realiza 130 festivais por ano, a Semana do Audiovisual (SEDA) - 80 Sedas e o Hospeda Cultura que conta com 200 pontos de hospedagem solidária em todo o Brasil. Essas organizações são associações privadas sem fins lucrativos, na sua maioria, sendo que uma delas é Oscip e alguns MEI's não cadastrados61 (dados de 2013).
60 Em dezembro de 2013 foi anunciado pelo FdE a fundação da Casa Fora do
Eixo Uruguai.
61 Para mais informações sobre a atual estrutura do FdE, ver:
http://foradoeixo.org.br/2013/08/16/70-perguntas-de-andre-forastieri/. Acesso em 28 de setembro de 2013.
Os coletivos conectados a rede FdE atuam com diversos gêneros musicais, com maior destaque para o rock/pop independente. No entanto existem coletivos de jazz, blues, rap, samba, choro, música instrumental brasileira, entre outros, e dependendo da localidade dos agrupamentos, os gêneros podem variar ainda mais.
O FdE veio se desenvolvendo durante os anos estabelecendo parcerias com várias instituições e entidades sociais públicas e privadas, além de criar seus próprios „braços‟ políticos de atuação, como a Universidade Fora do Eixo62, O Observatório Fora do Eixo63, o Banco Fora do Eixo64, e a Mídia Ninja65 - Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação.
O grupo passou a se fazer presente em debates sobre políticas culturais no Brasil todo por meio da participação de integrantes dos coletivos locais que „representavam a si mesmos e ao FdE, enquanto os fundadores da rede estabeleciam alianças com os órgãos e instituições de maior abrangência‟ (Garland, 2013). O Pablo Capilé vem desde então sendo um participante ativo nas reuniões do Minc, discutindo propostas abertamente com os ministros Gilberto Gil, Juca Ferreira e Marta Suplicy, além do ex-presidente Lula e a atual presidenta Dilma Roussef. Assim como ele, o Felipe Altenfelder, o Talles Lopes, o Rafael Vilela, o Filipe Peçanha, assim como outros fundadores dos coletivos locais que obtém sucesso no desenvolvimento da sua cena, também são convocados para reuniões, para ministrar palestras em entidades culturais, como o Itaú Cultural, por exemplo, para participações em debates em universidades, entre outras atividades.
Além do governo, o FdE passou a atuar juntamente com os coletivos do mainstream musical brasileiro, sendo convocado para reuniões com Caetano Veloso, Chico Buarque, Otto, Lenine, Erasmo Carlos, com os produtores Cláudio Prado, Penna Schmidt, entre muitos outros, para participar das articulações de reivindicação das mudanças
62 Para mais informações sobre a Universidade Fora do Eixo, ver:
http://foradoeixo.org.br/universidade/. Acesso em 28 de setembro de 2013.
63 Para mais informações sobre o Observatório Fora do Eixo, ver:
http://observatorioforadoeixo.wordpress.com/. Acesso em 28 de setembro de 2013.
64 Para mais informações sobre o Banco Fora do Eixo, ver:
http://foradoeixo.org.br/banco/. Acesso em 28 de setembro de 2013.
65 Para mais informações sobre a Mídia Ninja, ver:
http://foradoeixo.org.br/2013/08/23/midia-ninja-coloca-o-eixo-em-xeque-por- humberto-pereira-da-silva/. Acesso em 28 de setembro de 2013.
dos direitos de arrecadação do ECAD - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais, assim como exigir coletivamente uma maior transparência das ações desta entidade.
Após a saída de Gilberto Gil do Minc em 2008, assumiu Juca Ferreira que também é muito elogiado pelos integrantes do FdE. Ele atuou no ministério até 2011 seguindo os princípios básicos do programa criado durante o período do Gil. No entanto, as coisas mudaram com a entrada da então nova ministra Ana da Hollanda, em setembro de 2011, período em que o FdE se destacou por ter criticado fervorosamente a sua atuação, criando o movimento „Fora Ana de Hollanda66‟, que associado a manifestos de outros ativistas, desencadeou na saída da ministra exatamente um ano depois de ter assumido o cargo. Entre as várias discordâncias do FdE sobre a atuação política de Ana de Hollanda à frente do Ministério da Cultura, talvez uma das que mais nos interesse é um aspecto que diz muito sobre o ethos das redes colaborativas. O FdE defende basicamente a ideia de cultura livre e economia solidária, e a ex-ministra logo que assumiu a pasta declarou que estaria em „defesa dos autores‟, ou seja, brigando pela manutenção da lei de direitos autorais vigente.
Entre estas e tantas outras atuações do FdE passaram a surgir críticas cada vez mais incisivas ao movimento, relacionadas aos seus aspectos mais „conceituais‟, isto é, os ataques eram diretamente as ideologias do grupo e suas formas de organização e atuação, que contrariam o status quo.
É interessante atentarmos para o fato de que a organização dos coletivos e redes se dá paralelamente à criação e estruturação de uma política nacional que visa estabelecer um mercado cultural, portanto não existe algo pronto, é necessário construir o cenário. É o que vive repetindo o Pablo Capilé.
„O FdE vem se desenvolvendo desde então como