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Conceito transversal e onipresente no cenário da comuni-cação e da informação contemporâneas, mas que tem sua origem na própria essência do ser humano, ao pre-encher suas necessidades básicas de sociabilidade. A so-ciabilidade em rede é um conceito fundante que perpas-sa diferentes domínios de conhecimentos, das mídias, dos campos sociais, dos grupos e comunidades. Tem suas bases teórico-epistemológicas nas Ciências Sociais, a partir da so-ciologia, da antropologia, das ciências políticas e da co-municação. Redes sociais são estruturas abertas, flexíveis e localizadas em quaisquer territórios, que estabelecem vínculos e elos entre seus componentes e criam uma dinâ-mica de relações que reforçam capacidades coletivas de atuação, compartilhamento, aprendizagem, captação de recursos e mobilização. A dinâmica de uma rede social é continuamente alavancada pela evolução das técnicas e tecnologias que permeiam a sociedade, resultando numa complexa estrutura de fluxos de poder e influência. Com o advento das tecnologias digitais de informação e comuni-cação – TICs, a metáfora de rede tem sido utilizada para o estudo das relações de sociabilidade que se desenvolvem na rede mundial de computadores – a internet, ainda que não seja um conceito exclusivo da digitalização.
Referências
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2008.
Elizabeth Nicolau Saad Corrêa
RELAÇÕES DE PODER r
Reges Toni Schwaab
Por serem lugares socialmente reconhecidos, os espaços de comunicação – meios, organizações, sujeitos em posições di-tas hegemônicas – participam com muitos atributos no ima-ginário sobre quem pode nomear e dizer sobre o social. Tais aspectos instalam um ambiente para a disputa de sentidos e geram situações de contrainformação. No estudo da co-municação, ao considerar as relações de poder, nos cabe mirar atentamente jogos individuais e coletivos de disputa, especialmente por poder dizer: movimentos de legitimação e deslegitimação, quem, quando e onde se pode dizer, com quem o “eu” sujeito “quer dizer”, ou seja, deixar ou não ver com quem está associado. No pensamento sobre os cam-pos sociais, apoiados em Pierre Bourdieu, também conse-gue-se observar os locais de ação e reação dos agentes da comunicação e suas disposições, em parte adquiridas pela experiência no entremeio dos demais campos. Segundo ele, são esses agentes que constroem – simbolicamente – as rela-ções de forças e lutam para manter uma ideia e um contra-to credível sobre elas, ademais de apoiar-se e tentar manter a qualidade de aderência do seu capital. Em outra via, à luz do pensamento de Michel Foucault, podemos ler a comuni-cação e as relações por uma associação: a verdade está ligada a sistemas de poder, que a produz e apoia, e a efei-tos de poder que ela induz e que a reproduzem. Ainda hoje, inclusive na oferta de possibilidades de interação comuni-cativa, há determinadas regras e opções definidas prévia e unilateralmente por parte dos atores do processo. O mapa das vias em rede se capilariza mas o surgimento de outros espaços e modalidades de dizer pode não implicar em total quebra dos regimes de poder já identificados. Podemos ver que as pesquisas inaugurais em comunicação não surgiram de uma lógica estendida, mas concebendo polos opostos
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em desiquilíbrio de emitir e receber. Mesmo não apagados em completo, afortunadamente esses pressupostos recebe-ram a devida crítica, e a noção de poder emerge como central no redesenho de paradigmas do campo: o poder dos sujeitos na leitura da recepção ativa e a alternância de papéis em lógicas múltiplas sobre os sentidos do social são exemplos. Contemplar os processos de comunicação desde os sujeitos e as relações de poder tem a ver com tensiona-mentos complexos: cotejar a diferença convertida em de-sigualdade, escutar a ressonância de sistemas de represen-tação e os usos de efeitos de pluralidade em circuitos que intentam controle, assim como a não acolhida da dimensão cidadã para idealizar trocas. Um mecanismo investigativo eficiente é pensar se a comunicação é da ordem do “com”
ou quer, pela perspectiva de “dar voz”, acabar ocupando o lugar de fala que seria do outro. Destramar as relações de poder na comunicação e permitir sua horizontalidade genu-ína requer não desejar falar pelo outro, mas acolher sua voz no movimento encadeado de falar em conjunto. Ao estudar as relações de poder, é igualmente importante ter clareza do dispositivo teórico acionado, com apropriação concei-tual que permita sair de uma chave meramente descritiva e aportar em uma análise que evidencie os paradoxos.
Referências
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
CITELLI, Adilson; et al. (org.) Dicionário de Comunicação: escolas, teorias
RELAÇÕES PÚBLICAS r
Jones Machado
Trata-se de um termo polissêmico, que se refere tanto ao cesso, à função, à atividade, quanto ao profissional e à pro-fissão responsável pela gestão da comunicação nas/das or-ganizações e pela administração dos relacionamentos com os públicos por meio de ações e estratégias planejadas. As relações públicas buscam equilibrar os interesses das entida-des, corporações, instituições e dos públicos, negociando mediante processos de comunicação específicos desenha-dos a partir da interpretação do cenário posto. As organiza-ções não conseguem alcançar seus objetivos sozinhas, pois elas estão inseridas em contextos sociais, culturais, políticos e econômicos em que os públicos também têm interesses nas empresas, instituições e ONGs. Por isso, as Relações Públicas se fazem necessárias em organizações de todos os setores da sociedade e, a partir de instrumentos pensados e defini-dos para cada contexto - a exemplo da organização de um evento, do desenvolvimento de projetos sociais, culturais e esportivos, da realização de assessoria de imprensa, da pro-paganda institucional ou da criação de vídeos institucionais - os profissionais dessa área posicionam marcas, empresas, personalidades da música, produtos, jogadores de futebol, a fim de resguardar a credibilidade destes, bem como gerir a construção da imagem e da reputação ao longo dos anos.
Referências
GRUNIG, J. E.; FERRARI, M. A.; FRANÇA, F. Relações Públicas: teoria, contexto e relacionamentos. 1. ed. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2009.
KUNSCH, M. M. K. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus, 2003.
SIMÕES, R. P. Relações Públicas: função política. 2°ed. Novo Hambur-go/RS: Sagra, 1987.
Caroline Delevati Colpo