5. ARTIGO 01 – A ÁREA DE MEDIUNIDADE: REDE DE COAUTORIA E REDE
5.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.3.1. REDES DE COAUTORIA
Ao gerar a Rede de Coautoria, obtivemos uma rede com 672 vértices e 1018 arestas, sendo essa rede ponderada e não-dirigida. Como a rede que queremos estudar é de coautoria, retiramos os autolaços e os vértices de grau 0 para analisar os dados. Assim, foram excluídos 295 vértices (autores), o que representa que parte dos autores que publicam na área somente publicaram artigos científicos sozinhos, ou seja, sem coautoria. Dessa forma, nossa rede ficou com 377 vértices, 690 arestas, com 82 componentes (Figura 4).
Figura 4– Rede de Coautoria sem autolaços e sem vértices de grau 0.
Essa é a rede de interesse sem rótulos dos vértices. As cores representam componentes distintos, sendo a cor cinza representando todos os componentes que compõe menos de 1,5% da rede. O tamanho dos vértices
representa o seu grau e a espessura das arestas representa seu peso. Essa rede tem 82 componentes.
Fonte: Organizada pela autora a partir da análise documental e pelos dados da Rede
Os índices da rede de análise podem ser observados na Tabela 1, grau médio 3,66 e grau ponderado médio 4,33. O alto coeficiente de aglomeração (𝐶) existente mesmo com uma grande quantidade de componentes e baixa densidade (Δ) pode ser explicado, pois cada artigo publicado com três ou mais autores gera uma rede de 𝐶 = 1. Os índices observados de forma geral demonstram que a rede de coautoria não é conectada, portanto, os autores da área de mediunidade não estão realizando estudos em parceria, de forma geral.
Tabela 1 – Índices topológicos da Rede de Coautoria sem loop e sem vértice de grau 0.
Rede/Índices n E <k> <kp> C Δ L D Comp.
Coautoria 377 690 3,66 4,33 0,873 0,01 3,72 8 82
Fonte: Organizada pela autora a partir da análise documental e pelos dados da Rede
Em relação ao número de componentes, como já dito, a rede tem 82, sendo que o componente com maior quantidade de vértices representa apenas 28,65% do total. Mesmo com uma rede não conectada, consideramos importante evidenciar quais autores fazem parte do maior componente e qual o comportamento desse grupo de pesquisadores (Figura 5 e Tabela 2).
Figura 5 – Rede de Coautoria do maior componente da rede de interesse (28,65% da rede geral) Fonte: Organizada pela autora a partir da análise documental e pelos dados da Rede
Tabela 2 – Índices Topológicos da Rede de Coautoria do componente com mais vértices (28,65% da rede geral)
Rede/Índices n E <k> <kp> C Δ L D Comp.
Maior componente
108 336 6,222 7,77 0,837 0,058 3,513 8 1
Fonte: Organizada pelos autora a partir da análise documental e pelos dados da Rede
Na rede do maior componente, os 05 autores com maior grau ponderado são AMoreiraAlmeida (𝑘 = 50), GLucchetti (𝑘 = 38), PRHOBastos (𝑘 = 34), MAVBastosJr (𝑘 = 33) e DIandoliJr (𝑘 = 29), no que se refere a centralidade de intermediação os 05 principais autores são AMoreiraAlmeida (𝐶𝑏 = 0,624), GLucchetti (𝐶𝑏 = 0,321),
EOMaraldi (𝐶𝑏 = 0,317) CSAlvarado (𝐶𝑏 = 0,248) e AALOch (𝐶𝑏 = 0,139). A centralidade de intermediação tem uma função importante, pois é a medida que avalia o papel de conectar os vértices da rede. No caso dessa rede, os autores com alto grau de intermediação são aqueles que realizam pontes entre os grupos de pesquisadores.
Outra análise realizada trata-se dos autores que mais publicam em coautoria. Para obter quais são esses autores, calculamos os hubs da rede a partir da média ponderada. Foi utilizada a fórmula de Silva (et al., 2012): 𝑘𝑝 ≥ (< 𝑘𝑝 > + 1 . 𝑆𝑑), onde <kp> é o grau ponderado médio da rede e Sd seu desvio padrão. Neste caso filtramos a rede para 𝑘𝑝 ≥ 9,7 e geramos a rede hub (Figura 6).
Figura 6 – Rede de Coautoria dos vértices hubs
Fonte: Organizada pela autora a partir da análise documental e pelos dados da Rede
A Figura 6 apresenta os autores em que mais publicaram com coautoria na área de Mediunidade, o que pode indicar também uma maior relevância científica. A rede hub é significativa, pois demonstra a competência de articulação dos autores em se unir a outros pesquisadores e construir um estudo em cooperação.
É interessante notar que, apesar de não ter havido filtro em relação ao ano de publicação, todos os autores da rede hub iniciaram suas publicações no século XXI. Outro elemento interessante é que, até onde temos notícias, todos os autores estão vivos e continuam trabalhando em Universidades ou Institutos, o que demonstra que o comportamento da rede geral pode se alterar a medida em que novas publicações conjuntas por meio de parcerias forem realizadas.
A partir dessa rede, quisemos obter informação sobre os autores em relação a área de formação, Universidade/Instituto e cidade/país que trabalha, o que pode ser observado no Quadro 1.
Quadro 1 – Formação, Grau ponderado do vértice, Universidade/Instituto e Cidade, País dos principais autores da área de Mediunidade
Autor Grau Universidade/Instituto Cidade, País
AMoreiraAlmeida 50 Universidade Federal de Juiz de Fora Juiz de Fora, Brasil Glucchetti 38 Universidade Federal de Juiz de Fora Juiz de Fora, Brasil PRHOBastos 34 Universidade do Mato Grosso do Sul Campo Grande, Brasil MAVBastosJr 33 Universidade do Mato Grosso do Sul Campo Grande, Brasil
DiandoliJr 29 UNIDERP Campo Grande, Brasil
EOMaraldi 28 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo São Paulo, Brasil
ACunha 19 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
MHonda 18 National Center of Neurology and Psychiatry Kodaira, Japão NKawai 18 Foundation for Advancement of International
Science
Tsukuba, Japan
LFNeto 16 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
ASCosta 16 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo São Paulo, Brasil ESHamazaki 16 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo São Paulo, Brasil
DFlores 16 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
TOohashi 16 Foundation for Advancement of International Science
Tsukuba, Japan JGOOzaki 15 Sonimed – Medicina Diagnóstica Campo Grande, Brasil RBoshi 15 Universidade do Mato Grosso do Sul Campo Grande, Brasil
CSAlvarado 14 Virginia University Charlottesville, Estados Unidos
JBeischel 14 Windbridge Research Center Tucson,Estados Unidos
SNakamura 14 Japan Science and Technology Corporation Kawaguchi, Japão IHSOsorio 14 Universidade do Mato Grosso do Sul Campo Grande, Brasil
DRadin 13 Institute of Noetic Science Califórnia, Estados Unidos
FRMachado 13 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
ESFreire 12 Universidade Federal de Juiz de Fora Juiz de Fora, Brasil
AJRock 12 University of New England New South Wales, Australia
HWahbeh
12 Institute of Noetic Sciences e School of Medicine, Oregon Health & Science University
Califórnia, Estados Unidos ADelorme 12 Institute of Noetic Sciences Califórnia, Estados Unidos
MBoccuzzi 11 Windbridge Research Center Tucson, Estados Unidos
AALoch 11 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
PETressoldi 11 Università di Padova Padova, Italy
YNakatani 11 Hosei University Tokio, Japão
CARoe 10 University of Northampton Northampton, Inglaterra
JFPPeres 10 Universidade de São Paulo São Paulo, Brasil
LStorm 10 United States Environmental Protection Agency Estados Unidos ENishina 10 National Institute of Multimedia Education Chiba, Japão
Fonte: Dados organizados pela autora
Os dados do Quadro 1 demonstram as principais Universidades ou Institutos que estudam a temática da mediunidade no mundo. Vale o destaque para a presença de muitos brasileiros como autores centrais da área.
O princial autor da rede, AMoreiraAlmeida, realizou em sua tese de doutorado a investigação o perfil dos médiuns espíritas e desde então tem liderado pesquisadas no campo;
fundou e é coordenador do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde na Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil; tem assumido uma posição relevante nos estudos em mediunidade, o que pode ser observado na rede de coautoria, e levado o Brasil a destaque internacional na área.