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A ideia de um Programa exclusivo para alavancar a cooperação entre empresas, no entendimento de Verschoore (2004c), um dos idealizadores do Programa Redes de Cooperação, partiu de duas premissas básicas: a primeira está calcada na percepção de que a integração constitui-se em uma das poucas alternativas viáveis para a sobrevivência e o crescimento das PMEs; e a segunda, na concepção de uma política pública que deriva da percepção de que o êxito da cooperação interorganizacional necessita de um sustentável amparo institucional para não correr risco na sua concretização e frustração nos resultados esperados.

Para que tal Programa alavancasse, técnicos do Departamento de Desenvolvimento Empresarial da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (SEDAI) aceitaram enfrentar o desafio de criar e implantar o Programa Redes de Cooperação no estado do Rio Grande do Sul. Esse programa visava ao alcance do seguinte objetivo: “[...] promover estratégias empresariais conjuntas na forma de Redes de Cooperação, a colaboração mútua entre empreendimentos e instituições e o fomento a uma maior integração entre o Estado e as diversas esferas da sociedade” (SEDAI, 1999, p. 1).

Dessa forma, o Programa Redes de Cooperação foi efetivamente iniciado no ano de 2000, tendo como parceiro na formação e na caminhada o Centro Universitário Feevale, que participava com sete consultores e com uma metodologia para a composição de Redes. Em decorrência desta dedicação, no ano de 2001, sete Redes haviam sido lançadas no mercado, abarcando segmentos variados, como comércio de material de construção e de indústria de móveis. Nos anos que se sucederam, o objetivo inicial de formar dez Redes superou as expectativas, e isto em função do modelo de operacionalização adotado, bem como pelas parcerias com outras universidades. Prova disso é que até o ano 2003, o Programa Redes de Cooperação havia criado 43 Redes de Cooperação, abrangendo em torno de mil estabelecimentos e dez mil postos de trabalho diretos, em segmentos como serviços, comércio varejista e a indústria (VERSCHOORE, 2000).

Importante lembrar que a primeira edição do Programa Redes de Cooperação ocorreu em março de 2003. Um momento marcado pela troca de Governo do Estado, saía Olívio Dutra (gestão 1999-2003), e entrava Germano Rigotto (gestão 2003-2007). Temia-se a não continuidade do Programa, no entanto, Rigotto manteve as políticas públicas geradas a partir do Programa em decorrência de elas estarem dando certo, e terem conquistado resultados visíveis, principalmente para PMEs (TÉCNICO EXTENSIONISTA X, 2013).

Mesmo assim, houve uma pequena pausa entre a primeira edição e a retomada do Progama, correspondente a um pouco mais de um ano. A segunda edição dessa política pública do Governo do Estado aconteceu no início de 2004, conforme convênio acertado em dezembro de 2003, tendo como pontos a serem observados: metas de acompanhamento, suporte e expansão nas dezoito Redes constituídas até o momento (EX-COORDENADOR DO PROGRAMA REDES DE COOPERAÇÃO NO ESTADO DO RS, 2014).

Devido aos esforços de aprimoramento do Programa pela equipe da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (SEDAI), em dezembro de 2003, foram assinados novos convênios de operacionalização com sete universidades: Federação de Estabelecimen-to de Ensino Superior Novo Hamburgo (FEEVALE), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Universidade Católica de Pelotas (UCPEL), Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) e Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Esta nova etapa conservou a essência inicial, aperfeiçoando as principais particularidades para o sucesso das Redes, como a metodologia utilizada e a capacidade técnica dos consultores em permanecer atuando junto às empresas ligadas às Redes.

Em seguida, para melhor amparo às PMEs no estado do Rio Grande do Sul, foi publicado, em 17 de março de 2004, o Decreto Lei nº 42.950, o “Programa Redes de Cooperação”. Esse programa é coordenado por técnicos da SEDAI, e visa, entre outros objetivos, manter a individualidade e a autonomia decisória das empresas, porém, em conjunto, desenvolver ações no sentido de superar fragilidades inerentes às empresas envolvidas.

Nessa etapa, para fins de esclarecimento, com a reforma administrativa promovida no início da administração do Governador Tarso Genro (Lei 13.601, de 1º de janeiro de 2011), a SEDAI é extinta, e o Programa Redes de Cooperação torna-se uma das atividades da Secretaria de Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (SESAMPE) e da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI).

Enquanto se manteve, até o final de 2004, o Programa Redes de Cooperação havia constituído 120 Redes e englobado mais de 3 mil empresas no estado do Rio Grande do Sul. Com a saída da UFSM e da PUC-RS do Programa Redes de Cooperação, a UNIJUÍ e Faculdade Porto-alegrense (FAPA) abarcaram as Redes que antes eram atendidas por essas universidades (UFSM e PUC-RS). O Programa Redes de Cooperação em desenvolvimento entre SEDAI e UNIJUÍ compreendia primeiramente quatro Conselhos Regionais de

Desenvolvimento do Rio Grande do Sul - COREDE’s: Noroeste Colonial, Fronteira Noroeste, Missões e Alto Uruguai (CONSULTOR X, 2014).

Assim que o Programa Redes de Cooperação buscou concretizar a implementação e materialização de políticas públicas com base em PMEs, de modo que estas estivessem em contato com diversas formas de integração e, consequentemente, de cooperação uma com a outra. Pelos seus resultados, esse programa se consolida como uma fundamental prática na área da gestão pública ao possibilitar, principalmente às PMEs, a sobrevivência no ambiente empresarial no qual atua.

Desde o início do Programa Redes, o objetivo do governo era o de promover a união entre micro e pequenos empresários gaúchos em Redes horizontais de cooperação para somar força e garantir competitividade para os empreendimentos, aumentar a cooperação entre empreendimentos e instituições e promover uma maior integração entre o Estado e as distintas esferas da sociedade (RIO GRANDE DO SUL, 2001).

Nesta dissertação de mestrado, procede-se à análise de Redes de Cooperação supermercadistas, com nomenclatura horizontal. Desse modo, para a SEDAI (RIO GRANDE DO SUL, 2001, p. 2-3), o programa foi desenvolvido levando em consideração:

1. as dificuldades de sobrevivência das empresas de pequeno porte e micro empresas encontradas no mercado local e regional;

2. a importância de elaboração de políticas para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas do estado;

3. a relevância da parceria entre o poder público e a iniciativa privada para a estruturação de mecanismos de apoio aos pequenos empreendedores;

4. a fundamental importância da elaboração de um programa que sirva de efeito multiplicador e que gere o desenvolvimento das empresas e das regiões em que estejam inseridas;

5. a criação de formas de cooperação entre pequenos empreendimentos que viabilizem seu melhor posicionamento no mercado em que atuam;

6. a possibilidade de incremento dos resultados dos negócios, gerando, ao mesmo tempo, melhor distribuição de renda e geração de empregos no estado.

Neste sentido, a ideia central do Programa Redes de Cooperação é reunir empresas com interesses comuns em Redes de Cooperação, constituindo-se uma entidade juridicamente estabelecida, sem quotas de capital, que mantém a independência legal e a individualidade de cada empreendimento participante. Portanto, o Programa tem se destacado pela sua potencialidade no fortalecimento das micro e pequenas empresas (Decreto nº 45.273, de 04.10.07), por garantir melhores condições de concorrência frente às atuais exigências competitivas dos mercados (SESAMPE, 2013a).

O Programa também espera das empresas associadas redução e divisão de custos e riscos, conquista de novos mercados, qualificação de produtos e serviços e acesso a novas tecnologias. Objetiva, ainda, fomentar a cooperação entre empresas, gerar um ambiente propício e instigante ao empreendedor, fornecendo apoio técnico necessário à formação, consolidação e desenvolvimento deste (SESAMPE, 2013a).

Já na etapa prática de todo este processo, isto é, no que tange a participação do governo do estado, no Programa Redes de Cooperação, bem como a atuação das universidades conveniadas (convênio, firmado anualmente), busca-se estabelecer as metas de formação e acompanhamento de Redes. De mesma forma, a soma de recursos financeiros que serão transferidos pelo Estado às universidades para o desenvolvimento do Programa, bem como demarcações sobre constituição de Redes, número de consultores e cursos de aperfeiçoamento na área empresarial. Dessa forma, o ponto central da atuação e/ou participação do governo do estado concretiza-se a partir do repasse da metodologia de trabalho a ser executada e dos valores financeiros utilizados (CONSULTOR X, 2014).

O Programa Redes de Cooperação desenvolveu uma metodologia específica a ser aplicada para a formação de Redes, expressa em forma de um manual contendo as metas para tal. Dessa forma, é oferecido às Redes, durante um período mínimo de doze meses, suporte técnico sem custo, auxílio administrativo, capacitação empresarial e atendimento de demais necessidades, que competem a cada Rede criada, de forma individual.

A metodologia aplicada para a formação de Redes está composta pelas seguintes etapas, conforme expõe Ex-Supervisor Regional do Programa Redes de Cooperação na Unijuí, que atuou nos nove anos anteriores como consultor, e no último ano do convênio, em 2010, como supervisor regional (importante salientar que cada supervisor regional possuía a descrição das suas etapas particulares para formação de Redes):

1. Prospecção realizada pelo consultor, que remete ao primeiro contato com as empresas desejadas para formar a Rede, ou seja, o convite formalmente realizado a estas.

2. Reunião de sensibilização, quando se apresentam para as empresas os objetivos da formação de uma Rede, bem como o papel do Programa Redes de Cooperação neste processo. Dessa forma, para melhor adesão das empresas integrantes de outras Redes já formadas, participavam da reunião para exporem suas experiências.

3. Confraternização social, com a participação das famílias dessas empresas, uma possibilidade de se conhecerem melhor.

4. Estruturação da Rede, momento em que se levantavam as forças, fraquezas, ameaças, e oportunidades da Rede, sendo esta uma etapa de sensibilização da parte das

empresas, visto que menciona-se que aproximadamente eram convidadas 200 empresas, e destas apenas 20 aceitavam participar da formação da Rede. Para esta formação, o mínimo de empresas era quinze.

5. Criação da marca da Rede com o consentimento de todos os participantes. Para a SESAMPE (2013a), esta etapa é realizada com auxílio de agência especializada em publicidade empresarial, sendo realizada a apresentação da Rede, e seu potencial como comprador e parceiro aos potenciais fornecedores.

6. Formatação jurídica, onde apresentavam-se os fundadores da Rede (caracterizados por pessoas que aceitaram estar neste processo deste o início), e posteriormente, se apresentava o estatuto social, regimento interno, e código de conduta.

7. Registro da Rede, a partir do CNPJ.

8. Lançamento da Rede, com a participação de todos os envolvidos, como supervisor regional do Programa na universidade, consultores, presidente do Programa Redes, assim como as empresas associadas à Rede criada.

9. Capacitação empresarial proporcionada às empresas participantes da nova Rede recém criada, nas áreas administrativa e de gestão, de modo que as empresas participantes da Rede pudessem dispor de ferramentas similares na gestão dos seus negócios.

10. Plano de ação, composto e apoiado em quatro pilares fundamentais para a alavancagem da Rede no mercado: negociação, expansão, marketing, e inovação, executado pelos empresários participantes. O foco principal era consolidar a Rede criada, capacitando os gestores, abrindo espaço para troca de informações e experiências entre estes etc.

11. Expansão da Rede, retomada a primeira etapa desta metodologia, de chamamento/convite a novas empresas para tornarem-se associadas da Rede. Também, proporciona-se o trabalho de sensibilização para a cooperação entre empresas, regional e setorialmente, objetivando a eficácia coletiva no que tange ao atingimento de objetivos, mutuamente.

12. Desenvolvimento de ações sociais em parcerias, por exemplo, com a Unijuí, a qual disponibilizava alunos dos cursos de Educação Física e Enfermagem, e estes se deslocavam para as empresas onde verificavam a pressão arterial, faziam alongamentos etc.

Em cada região atuam um supervisor regional, consultores e estagiários. O supervisor é responsável pelo cumprimento das ações dos consultores e pelas metas estipuladas em comum acordo com a coordenação estadual do Programa Redes.

Nas etapas que se sucedem para a manutenção e permanência da Rede no mercado, os consultores tornam-se peças fundamentais, visto que são eles que iniciam o contato com os empresários, convidando-os a participar de reuniões nas quais se explanam os principais objetivos da Rede, benefícios, procedimentos para entrada etc., bem como apresentam a estrutura do Programa e instigam o pensamento e o agir cooperativo (TÉCNICO EXTENSIONISTA X, 2013).

Para a SESAMPE (2013a), os consultores atuam como facilitadores de atividades do grupo e identificam as possibilidades de ações conjuntas para resolução de problemas comuns e para a potencialização de oportunidades do grupo.

Após o término do período de acompanhamento integral dos consultores às Redes, estes amparam as Redes na construção do plano de longo prazo, e, a partir daí, estas começam a dar os primeiros passos a partir da nova estrutura organizacional, contanto com um auxilio técnico infrequente, auferindo e atendendo demandas eventuais (CONSULTOR X, 2014.

Concomitante, as Redes passam a atuar com ferramentas coletivas, como central de negócios, que permite conquistar condições vantajosas de compra; marketing compartilhado, que possibilita desenvolver campanhas publicitárias, fortalecendo marcas e firmando um conceito comum; central para alianças, que estabelece parcerias com fornecedores, distribuidores, prestadores de serviços, consultorias etc. (SESAMPE, 2013a).

Nesta ordem, o Programa Redes de Cooperação

possui abrangência estadual e é coordenado pela Secretaria da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa - SESAMPE, através do Departamento de Apoio à Microempresa e Empresas de Pequeno Porte, sendo executado regionalmente de forma articulada com as Universidades. Através de parcerias, as universidades disponibilizam os consultores, sua infra-estrutura para execução do Programa, tais como salas para reuniões, equipamentos, organização de eventos, materiais, etc. A supervisão em cada região é realizada por técnico especialmente destacado pela Universidade para tal, sendo o responsável pelo cumprimento das ações dos consultores e pelas metas estabelecidas em conjunto com a Coordenação Estadual (SESAMPE, 2013a).

O Programa Redes é uma política pública do Governo do Estado, onde busca, preferencialmente, auxiliar as PMEs na sobrevivência, no ambiente empresarial em que operam. Também busca garantir resultados e benefícios que possibilitem uma melhora no crescimento destas empresas.

2.2 Resultados e Benefícios obtidos pelo Programa Redes de Cooperação no Estado do