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2.1 REDES DE EMPRESAS

2.1.2 Redes Horizontais de Empresas

Diversos autores têm pesquisado e discutido sobre o tema de redes horizontais de empresas. Alguns dos estudos mais citados voltados à temática podem ser encontrados nos estudos de Porter (1998), que apresenta os clusters em nova forma de economia; Cassarotto Filho e Pires (2001), que abordam o desenvolvimento local a partir de redes de pequenas e médias empresas; Verschoore e Balestrin (2006), que elaboram um estudo quantitativo em uma rede brasileira do Sul do Brasil, analisando os fatores competitivos das redes de empresas; Hoffmann, Morales e Fernández (2007), que falam sobre as tipologias das redes de empresas aplicadas em uma indústria de cerâmica de revestimento; Amato Neto (2008), que aborda sobre redes de cooperação produtiva e clusters regionais; Carvalho (2010), que realizou um estudo exploratório com as redes de cooperação com foco em inovação.

As redes horizontais de empresas são constituídas com o propósito de sustentar os atores da rede pelo suprimento compartilhado de serviços técnicos e colaboradores, além de oferecer suporte de apoio ao negócio. Possuem como características fundamentais a proximidade geográfica e a cooperação que auxiliam no avanço estrutural e regional (CARVALHO, 2010; McDONALD; VERTOVA, 2011; PEREIRA, 2015).

Das estruturas de redes de empresas, as horizontais são consideradas como sendo uma das mais complexas de se compreender, devido ao mesmo tempo que são concorrentes diretas elas estão se ajudando e cooperando. Tais redes são caracterizadas pela junção de empresas que visam, por meio da cooperação, o alcance de objetivos preestabelecidos. Comumente, são formadas por PMEs que se destinam a alcançar a excelência no mercado nas quais estão inseridas, sendo este um mercado cada vez mais exigente e competitivo (VERSCHOORE; BALESTRIN, 2006; ABODOR, 2011; CAMPOS, 2016).

Para Pereira, Venturini e Visentini (2006), os atores que atuam em redes horizontais estão em busca do cumprimento de objetivos e metas compartilhadas, além de estabelecerem uma relação de longo prazo com o intuito de amplificar seus diferenciais competitivos. O estudo de Hoffmann, Morales e Fernández (2007) reconhece que as redes horizontais possuem um número expressivo de empresas que atuam em um mesmo segmento de mercado, concentradas geograficamente próximas, e que por diversas vezes deixam a competição de lado para ganhar força e posicionamento no mercado, passando a ser cooperadas.

Amato Neto (2008) ressalta que as redes horizontais são concebidas a partir de ações de cooperação entre as empresas, não sendo necessariamente de um mesmo setor, mas que de alguma forma estas empresas se complementam. Para Petter (2012), as empresas que atuam em redes de cooperação horizontal são propensas a expandir sua capacidade produtiva, além de possibilitar a formação de novos negócios. Três fatores-chave estão diretamente relacionados com a formação das redes horizontais de empresas (AMATO NETO, 2009):

(i) diferenciação que está relacionada com a obtenção de benefícios inovadores para os atores que atuam em redes;

(ii) flexibilidade relacionado à produção e inovação, sendo caracterizada como uma das primazias da rede horizontais de empresas, e por fim;

(iii) interdependência entre empresas que vislumbram um mecanismo capaz de predizer a formação de redes por meio de uma adoção de uma unidade organizacional.

Algumas características particulares podem ser encontradas em uma rede horizontal de empresas, sendo algumas delas definidas por Verschoore e Balestrin (2006) como:

(i) proximidade geográfica;

(ii) atuação dentro de um mesmo segmento de mercado;

(iii) os relacionamentos ocorrem de forma não orbital (não hierárquica), predominando a relação de confiança mútua e;

(iv) a formalização das redes é do tipo base não contratual (informal), ou seja, as redes horizontais não dispõem de contratos para regras básicas de relacionamentos e governança.

Quando se unem em forma de redes horizontais, as empresas buscam beneficiar-se a partir do compartilhamento do uso de tecnologias e recursos, tornando- as assim mais eficientes e competitivas. As vantagens competitivas obtidas pela formação de redes horizontais fazem com que a região nas quais estão concentradas se desenvolvam, uma vez que movimentam diversos setores importantes da economia local (PORTER, 1998; HOFFMANN; MORALES; FERNÁNDEZ, 2007; CAMARINHA-MATOS; AFSARMANESH, 2008).

Existem algumas vantagens em se atuar em redes horizontais de empresas, sendo: nas intermediações das aproximações geográficas podem nascer novas alianças e estratégias; a cooperação entre as empresas podem fazer com que sejam ampliadas vantagens organizacionais, que podem ser revertidas em um desempenho ambiental e social mais eficiente; as empresas possuem autonomia em suas decisões internas (LENZ; VINHAS; HANSEN, 2007; VANCHON; KLASSEN, 2008; BEUGELSDIJK; MACCAN; MUDAMBI, 2010; JUNQUERA; PAOLA, 2010).

Os contatos entre as empresas que atuam em redes horizontais acontecem por meio da atuação na cadeia produtiva em que estão inseridas. Estas redes estabelecem uma base consistente para a competitividade no ambiente empresarial que se encontra cada dia mais exigente e turbulento, propiciando às empresas a busca por novas possibilidades de negócios (WU; SHIH; CHAN, 2009; CAMPOS, 2016).

Na visão de Amato Neto (2008), a formação e progresso de uma rede horizontal está condicionada ao estabelecimento de uma cultura de confiança entre todas as empresas envolvidas na rede, sendo assim capazes de distender suas atividades conforme planejadas. Uma das maiores dificuldades no desenvolvimento da rede está no baixo grau de planejamento, que recaí sobre apenas um ator da rede quando na verdade deveria ser distribuído entre todos os agentes que compõem a rede.

Wegner (2011) desenvolveu um esquema gráfico que apresenta de forma simplificada como funciona a formação de uma rede horizontal de empresas, sendo apresentada na Figura 2.

Figura 2 - Etapas para formação de uma Rede Horizontal de Empresas

Fonte: Wegner (2011, p. 33).

De acordo com Wegner (2011), para formação e desenvolvimento das redes horizontais (interorganizacionais) faz-se necessário conhecer as tantas perspectivas de todos os atores a fim de compreender quais são seus propósitos e objetivos perante a formação da rede, sendo que estas perspectivas tendem a mudar com o passar dos anos. O autor ressalta que dentro de uma mesma rede pode haver atores com diferentes tipos de participação, com diferentes perspectivas e objetivos, o que muitas vezes desacelera o desenvolvimento da rede.

Reforçando, Bodyy, Macbeth e Wagner (2000), e Bonatto (2015) salientam sete indicadores que auxiliam no desenvolvimento de uma rede, a saber: (i) processos de negócios; (ii) pessoas; (iii) confiança; (iv) tecnologia; (v) estrutura; (vi) recursos financeiros e, por fim, (vii) cultura. Quanto mais indicadores a empresa da rede possuir, maiores chances ela terá de ser competitiva, e de conseguir melhores resultados financeiros, estratégicos e organizacionais.

Alguns dos indicadores elencados pelos autores são vistos com profundidade dentro da temática do capital social; logo o próximo tópico (2.2) tem por objetivo caracterizar o que é o capital social, bem como quais são suas principais dimensões e variáveis.