Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base em Stahl (1997) disponibilidade de
QUEREM CRIAR UTILIZANDO FERRAMENTAS DE SEU TEMPO
4 ENSINAR E APRENDER EM REDES SOCIAIS ONLINE: O FACEBOOK COMO AMBIENTE DE APRENDIZAGEM
4.2 REDES SOCIAIS E A NOVA ORDEM COMUNICACIONAL
O ser humano, sob uma concepção histórica, sempre necessitou da convivência em grupo para garantir sua sobrevivência diante das adversidades. A partir da convivência social, ele também desenvolveu e aprimorou formas comunicativas que permitiram a interação entre seus pares e, como consequência, propiciaram a criação de comunidades, grupos e, por fim, de redes formadas por interesses e necessidades comuns.
O estudo da sociedade segundo o conceito de rede não é novo e tem fomentado estudos e pesquisas nas ciências desde o século XX, sendo inicialmente abordados por matemáticos e posteriormente adotados pelos ramos das Ciências Sociais, conforme Recuero (2009). Os trabalhos de Ithiel Pool e Manfred Kochen foram alguns dos primeiros a apresentar dados acerca das redes sociais. E isso ainda em 1978!
Dentre as mudanças que a criação da internet propiciou, destaca-se a “possibilidade de expressão e sociabilização através de ferramentas de comunicação mediada pelo computador” (RECUERO, 2009, p. 24), tais como a organização de grupos a partir de redes online, o que ocasionou um vertiginoso crescimento da própria internet:
Redes sociais complexas sempre existiram, mas os desenvolvimentos tecnológicos recentes permitiram sua emergência como uma forma dominante de organização social. Como uma rede de computadores conecta máquinas, uma rede social conecta pessoas (WELLMAN apud RECUERO, 2009, p. 93).
Assim, tem-se um considerável avanço na formação e manutenção dessas redes a partir do formato de computadores pessoais, num processo lento a princípio, mas que tem se intensificado nos últimos quinze anos graças aos avanços da web 2.0.
Desde a década de 70, nos Estados Unidos, pessoas se agregavam ao redor de computadores, criando as chamadas Comunidades Mediadas por Computadores (CMC): “as primeiras formas de agregações eletrônicas são formadas a partir do momento em que instituições universitárias, pesquisadores e alunos começam a trocar mensagens pela então nascente internet através de e-mails e listas de discussão”, cujo debate foi popularizado pelo jornalista Howard Rheingold, no seu livro Virtual Communities, em 1993 (LEMOS e LÉVY, 2010, p. 103).
Os primeiros grupos de discussão surgem nos anos 80 e sua base girava em torno do compartilhamento de conhecimentos sobre determinado tema ou tópico de interesse (RHEINGOLD, 1996, apud LEMOS; Lévy, 2010). Um dos primeiros grupos virtuais surgiu em 1985, o WELL (Whole Earth Lectronic Link), cuja comunicação entre os integrantes baseava-se em teleconferências via computador, conversas públicas e troca de e-mails, afirma Rheingold (1996), citado por Medeiros (2005). A utilização dessa rede não era gratuita e seus usuários adquiriam um pacote que lhes dava direito a participar dos fóruns, a um endereço de e-mail e à criação de uma página individual.
Em relação aos estudos relacionados às comunidades e grupos virtuais, é importante citar a dissertação de mestrado de Santos (2008), intitulada: “Projeto Kidlink: educação e cidadania no ciberespaço – um desafio para a educação”, do Programa de Pós-graduação da UFS, onde ele discute a importância destes para o nascimento de novos costumes e transformações culturais. Em relação à educação, o pesquisador destaca o valor agregado a partir da formação e do trabalho em grupo para o processo de colaboração. Em sua pesquisa, Santos trata do Projeto Kidlink, uma proposta de formação de comunidade virtual com o intuito, principalmente, de promover o diálogo global entre jovens de faixa etária entre 10 e 15 anos acerca de educação e outros assuntos, em fóruns específicos e abertos a pais, professores e demais membros da comunidade educacional. Além das listas de discussão, foram também fundamentais as proposições de projetos desenvolvidos nas escolas, pensados coletivamente. No Brasil, um dos benefícios do Projeto foi a promoção da inclusão digital aliada à aprendizagem, cuja estrutura pode ser utilizada como Comunidade Virtual de Aprendizagem. A partir da web 2.0, as então comunidades e grupos virtuais foram se expandindo, agregando outras funcionalidades e recursos e abrindo espaço para interfaces mais interativas, com maior funcionalidade e atratividade. Adquiriram então um formato mais parecido com o
que se conhece na atualidade e, de comunidades virtuais, passaram a ser conhecidas por “redes sociais”. O grande diferencial das redes sociais e que as distingue das instituições ou dos grupos, é o fato de que elas podem fazer circular através de seu canal notícias, conselhos e interesses entre uma comunidade que já partilha certas atividades e age coletivamente. As comunidades virtuais representam, portanto, a primeira idade das redes, afirma Santaella (2010).
Por que redes? A expressão é uma metáfora, relacionada à interligação entre seus membros, comparada às tramas ou tecitura de uma rede, onde os elos são feitos a partir de nós e laços entre os fios, o que, no caso das redes sociais envolvendo pessoas, se caracteriza por “um conjunto de atores e suas relações” (RECUERO, 2009, p. 69). A partir desta metáfora, é possível compreender mais claramente os fenômenos atuais da comunicação mediada pelo computador, os quais tornaram mais complexas as formas e os fluxos comunicacionais (e que vão agora além do próximo, do conhecido, dos limites geográficos), como afirma Recuero, permitindo ainda observar os padrões de conexão entre os grupos sociais a partir das relações entre seus integrantes e sua estrutura social.
Para Santaella (2013), as redes sociais se constituem como o quarto grande marco da evolução dos computadores. O primeiro diz respeito aos semicondutores, o segundo ao computador pessoal e o terceiro corresponde à internet. A divisão destaca o papel das redes sociais e sua presença na agenda de preocupações do governo, empresas, mercado e também da educação.
Percebe-se, portanto, uma relação recíproca entre os avanços da internet mediante a web 2.0 e o crescimento e fortalecimento das redes sociais e, em contrapartida, a expansão das redes tem sido a principal causa do crescimento da própria web. Isso porque a interação mediada pelo computador promove e mantém relações complexas e estas é que são as responsáveis pela manutenção das redes sociais na internet, gerando os laços sociais (que podem ser fortes ou fracos):
Laços fortes são aqueles que se caracterizam pela intimidade, pela proximidade e pela intencionalidade em criar e manter uma conexão entre duas pessoas. Os laços fracos, por outro lado, caracterizam-se por relações esparsas, que não traduzem proximidade e intimidade. Laços fortes constituem-se em vias mais amplas e concretas para trocas sociais, enquanto os fracos possuem trocas mais difusas (RECUERO, 2009, p. 41).
Laços, então, se explicam como conexões entre os atores sociais, o que se dá mediante conversações ou contatos estabelecidos. Laços fortes denotam intimidade, proximidade entre pessoas e grupos; já os fracos conectam conhecidos, com grau menor de intimidade e/ou
aprofundamento (FRAGOSO; RECUERO; AMARAL, 2011); porém, não se deve menosprezar os laços fracos, pois são eles os estruturadores das redes sociais, os que “conectam os grupos, constituídos de laços fortes, entre si” (RECUERO, 2009, p. 41).
Nesse sentido, a interação se constitui como fator de continuidade da rede. Enquanto os atores representam os nós da rede, suas conexões podem ser expressas de maneiras variadas e são elas, afirma Recuero (2009), que são o cerne das redes sociais, a estrutura que as sustenta. Por isso, interação é a “ação que tem um reflexo comunicativo entre o indivíduo e seus pares, como reflexo social” (RECUERO, 2009, p. 31) e sem a recepção não há interação social, ou seja, um indivíduo sozinho jamais representará uma rede. É preciso que exista o outro nessa relação para que a rede social online se sustenha, o que não implica em substituição das formas tradicionais de comunicação, as quais vão se somando a estas a fim de incrementar as relações coletivas.
Por isso, concorda-se com Santaella (2010) quando afirma que a internet se constitui em uma via eficaz para o envolvimento entre os grupos. Ela não é condição sine qua non para a existência dos grupos nem vetor capaz de eliminar as relações sociais face a face, mas é facilitadora, compexificadora e potencializadora das relações já existentes e/ou futuras. Isso porque as redes são dinâmicas, estão em constante transformação (RECUERO, 2009). Ao estudá-las a partir da interação entre seus integrantes e dos laços que estes estabelecem, afirma Recuero (2009), é preciso compreender a existência da vida concreta de um indivíduo, que utiliza a comunicação mediada por computador para manter ou criar novos laços.
Nesse sentido, Lévy considera que, “do mais básico ao mais elaborado, três princípios orientaram o crescimento inicial do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva” (1999, p. 127).
[...] longe de serem frias, as relações online não excluem as emoções fortes. Além disso, nem a responsabilidade individual nem a opinião pública e seu julgamento desaparecem no ciberespaço. Enfim, é raro que a comunicação por meio de redes de computadores substitua pura e simplesmente os encontros físicos: na maior parte do tempo, é um complemento ou um adicional (LÉVY, 1999, p. 128).
Santaella e Lemos (2010) destacam a complexidade dessas relações entre os agentes comunicativos, pois elas são capazes de produzir o que as autoras chamam de mente coletiva, ou “ecologia cognitiva”, pois dizem respeito à “diversidade e a mistura entre razão, sentimento, desejo, vontade, afeto e o impulso para a participação, estar junto [...]” (idem, p. 25), emoções que se potencializam a partir das possibilidades de comunicação real, diferente das formas
anteriores, em que a comunicação assíncrona demorava horas, dias ou mais para se efetivar, decorrendo, nesse processo, a efemeridade dos acontecimentos. Nas formas síncronas, via telefone, o fator financeiro se configurava como um empecilho relevante. Com a internet e, na atualidade, com a mobilidade, as relações ganharam status da ubiquidade, do aqui, agora, em qualquer lugar, em qualquer tempo e, assim, “[...] pensar, agir, sentir não dispensam hoje a ecologia cognitiva e afetiva que brota dos fluxos nas redes ubíquas de comunicação” (SANTAELLA; LEMOS, 2010, p. 53).
As redes são, compartilhando da perspectiva de Santaella (2013), espaços de convergências, que se apoiam sobre três conceitos: a convergência midiática, a cultura participativa e a inteligência coletiva. A convergência midiática está relacionada às variadas interseções entre mídias, indústrias, conteúdos e audiências; a cultura participativa surge a partir da figura dos prossumidores, que são produtores e consumidores ao mesmo tempo, os quais desempenham papéis importantes na construção, distribuição e recepção dos conteúdos; a inteligência coletiva, como já discutido anteriormente, significa construção recíproca do conhecimento em tempo real, criando novas comunidades de conhecimento, numa concepção levyniana apresentada por Santaella (2013, p. 317).
Nas redes, qualquer um pode ser produtor, autor, usuário, organizador, o que o torna um “prossumidor”, (SANTAELLA, 2013). Assim, quanto mais o indivíduo interage, maior a dinâmica das redes sociais e mais perto se está do processo de inteligência coletiva, ubíqua, um produto das pessoas e suas competências, potencializado no ciberespaço. Nesse espaço, salienta Lévy (1996, p. 113), “cada um é potencialmente emissor e receptor num espaço qualitativamente diferenciado, não fixo, disposto pelos participantes, explorável”.
Assim, uma rede acontece “quando os agentes, suas ligações e trocas constituem os nós e os elos de redes caracterizadas pelo paralelismo e simultaneidade das múltiplas operações que aí se desenrolam” (SANTAELLA, 2003, p. 89). O destaque vai para o valor que os conteúdos gerados nessas plataformas adquirem, num sentido histórico, etnográfico e sociológico, porque “retratam as vidas e o dia a dia dos participantes” (idem, p. 315), sendo até mesmo confundidos com a realidade ou funcionando como partes complementares do cotidiano, gerando uma grande explosão participativa, como afirma Santaella.
De acordo com dados do Netview, do IBOPE Media, em janeiro de 2013, dentre os 53,5 bilhões de usuários de internet, 46 milhões navegam em páginas agrupadas na subcategoria comunidades, que incluem blogs, microblogs e fóruns. Isso equivalente a 86% dos internautas ativos da internet no período, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior, 2012 (IBOPE, 2013).
Destaca-se que as comunidades, grupos ou, mais precisamente, redes sociais, são construídas em espaços, mais conhecidos por sites, os quais são construídos, conforme Lévy (1999), a partir das afinidades entre interesses, conhecimentos e projetos mútuos, baseados na cooperação entre os indivíduos que desenvolvem um sentido de moral social, a qual rege as relações estabelecidas no ambiente.
Santaella, por sua vez, denomina tais espaços como plataformas, as quais “instauraram uma cultura participativa, onde cada um conta e todos colaboram, portanto, uma cultura integrativa, assimilativa, cultura da convivência que evolui de acordo com as exigências impostas pelo uso dos participantes” (SANTAELLA, 2013, p. 117), as quais representam, assim como a expressão site, espaços que suportam a interação e comunicação entre pessoas, em grupo. Nesta pesquisa serão utilizadas, em situações anafóricas, ambas as denominações, já difundidas na literatura da área, embora considere-se mais pertinente o termo plataforma, a fim de diferenciá-la de outros sites que não permitem a criação de um perfil ou página pessoal, onde não há a possibilidade de se constituírem redes sociais.
Estas plataformas (ou sites) podem ser de dois tipos: estruturadas e apropriadas (RECUERO, 2009). Dentre as estruturadas, tem-se o Orkut, Facebook, Linkedin, entre outros, cuja característica está na exposição e publicação das redes sociais de seus atores. As apropriadas, por sua vez, são sistemas que não foram pensados para a publicação das redes sociais, mas que, a partir da utilização dos usuários, foram-se adaptando para esse fim, como o caso do Twitter, dos Weblogs e do Fotolog. Neste trabalho, a plataforma de rede social utilizada é do tipo estruturada, o Facebook, sobre o qual se falará mais adiante. Recuero (2009) salienta que, embora atuem como suporte para as interações que constituirão as redes sociais, os sites ou plataformas não são redes sociais em si, pois são os atores que as utilizam que constituem as redes.
Diante do exposto, compreende-se o valor das redes sociais que se constroem e evoluíram a partir de sua organização em plataformas, graças às possibilidades de coordenação em tempo real entre usuários, passando pela possibilidade de entretenimento, contatos profissionais e marketing até os aplicativos e a mobilidade dos dias atuais (SANTAELLA e LEMOS, 2010). Acredita-se que esse processo de comunicação e inteligência tende a evoluir, fomentado pela comunicação móvel, num movimento rumo a novos contextos físicos e sociais, compartilhando-se desta visão de Santaella (2010, p. 18): “Tudo indica que o destino da inteligência é crescer e se espalhar pelo mundo circundante. É para essa direção que caminham as inovações atuais”.
4.2.1 Redes Sociais e ensino: possibilidades e desafios
As possibilidades e experiências promovidas pelos avanços da web 2.0 e, consequentemente, pelas redes sociais no âmbito das relações pessoais, não ficaram restritas a estas últimas, mas têm se apresentado como fértil campo para pesquisas e práticas relacionadas à educação e às práticas a ela relacionadas. De acordo com o estado da arte desta pesquisa, foram sessenta e quatro pesquisas de mestrado e doutorado relacionadas ao uso das redes sociais e, destas, trinta e sete foram especificamente direcionadas e desenvolvidas na área educacional. As primeiras pesquisas encontradas que tratam de redes sociais online datam do ano de 2005 e, dentre as plataformas de redes sociais descritas nas pesquisas, as mais utilizadas são o extinto Orkut, os Blogs e o Facebook.
Embora as pesquisas evidenciem as possibilidades de uso das redes na educação, destaca-se a figura do docente neste cenário, pois ele é “o sujeito que torna possível estas experiências e transforma estas possibilidades em prática pedagógica de ensinar e aprender” (RAMOS; LINHARES; BATISTA, 2012, p. 129). Sem a iniciativa docente em busca de atualização e de mudanças em sua prática, as redes sociais permaneceriam no fim para o qual foram pensadas: interação e comunicação pessoal.
Inicialmente, é pertinente os questionamentos: Por que inserir o uso de plataformas de redes sociais na educação? Quais as possibilidades e desafios que o docente pode antever desse uso? A partir destes, espera-se delinear um cenário que leva à reflexão sobre o uso das plataformas de redes sociais na educação e que, além de estabelecer os aspectos positivos, não mascare alguns cuidados necessários quando se trata de navegação pelo ciberespaço.
A relevância de se aliar o ensino às redes sociais se dá, principalmente, por sua capacidade de romper barreiras, reafirmando a aprendizagem que pode acontecer em qualquer lugar, em espaços variados, em todo o tempo, não exclusivamente em sala de aula, como defende Fava (2011). A interação exerce um papel protagonista nas relações sociais, o que, no caso das redes sociais online, só vem agregar valor ao processo de ensino e aprendizagem, tanto pela grande adesão dos indivíduos, principalmente jovens, quanto pela quebra das barreiras geográficas e sociais que o ciberespaço favorece. É fato que a sociedade aderiu às novas formas comunicacionais fomentadas pelas redes sociais, então, por que não buscar compreender a complexidade das relações que emergem desses ambientes e sua influência na vida do indivíduo e, principalmente, na vida do estudante em formação?
Educação se faz a partir das relações do indivíduo consigo mesmo e com o outro e, por isso, os processos de ensino e aprendizagem devem considerar as novas dinâmicas
potencializadas a partir da comunicação e conexão em redes e as possibilidades de contato com “bases de dados, infovias e redes informacionais e pessoais” (SANTAELLA, 2013, p. 125) que se disponibilizam no ciberespaço. O “eu” de cada indivíduo não pode ser delimitado como aquilo que se esconde dentro de um corpo e mente particulares e, quando se reflete sobre os caminhos da educação, fica evidente a importância das novas formações subjetivas que perfazem o ser da atual sociedade, elenca Santaella. No caso das redes sociais, “deve-se investigar o potencial e as contribuições que a cultura colaborativa e participativa pode trazer para a aprendizagem” (idem).
Redes são espaços em constante modificação e que têm na oferta de informação em atualização constante o primeiro ponto a ser levado em consideração quando se fala em fortalecer a aprendizagem a partir de seu uso (SANTAELLA, 2013). Porém, para que seja positivamente utilizada, é preciso que haja a devida orientação, especialmente para estudantes ainda imaturos. Saber localizar conteúdos com capacidade seletiva e avaliativa, a fim de utilizá- los eficazmente, é um trabalho “refinado”, afirma a autora (idem, p. 305), por isso o suporte fornecido pela educação formal torna-se fundamental para que os processos de busca, seleção e avaliação (habilidades típicas do leitor imersivo) possam ocorrer com segurança.
Por isso, é preciso pensar na utilização de recursos disponíveis na internet que sejam comuns ao cotidiano de alunos e professores como uma saída para resolver os problemas docentes relacionados ao domínio de softwares e recursos mais avançados. Quando se leva em consideração o crescimento e aperfeiçoamento das redes sociais, tem-se uma alternativa que pode atender a essas necessidades que já fazem parte de seu cotidiano e não demandam capacitação ou conhecimento técnico.
Para Amiel (2012), as práticas pedagógicas e os recursos utilizados no processo de aprendizagem podem partir de novos ambientes, tornando-os aptos à prática educativa. Nesse caso, o professor tem à sua disposição uma diversidade de ambientes que não foram pensados para a educação, mas para trocas sociais interativas, a exemplo do Facebook, Orkut, Twitter, My Space, Flikr, dentre outros, podendo adaptá-los e utilizá-los em suas aulas, como recursos didáticos e/ou plataformas de aprendizagem a distância.
Adaptabilidade e flexibilidade devem ser características intrínsecas ao processo de uso das TDIC e saber utilizá-las da melhor forma, atendendo às especificidades da turma e ao contexto adequado, explorando todo o potencial possível, é sinônimo de uma valiosa competência: a criatividade. Sobre ela, Schneider discorre:
A criatividade pode ser definida como a capacidade de combinar. Assim, para se combinar com destreza é preciso ter o que combinar – ou seja, nós de informação – e ter a aptidão de juntar coisas na rede semântica que façam sentido. Nesse mundo onde a prestação de serviços passou a ser um importante meio de trabalho e renda, muitas vezes um simples melhoramento em coisas que já existem é suficiente para torná-las atraentes. Por exemplo, entrega a domicilio, customização de produtos e informações, uma simples repaginação em produtos etc. (SCHNEIDER, 2013, p. 96).
Mais uma vez, destaca-se o papel docente para o desenvolvimento e aquisição de resultados positivos a partir de práticas pedagógicas que vão além das metodologias tradicionais de ensino, não pelo mero intuito de se mostrar moderno, de sair do lugar comum, mas porque a aprendizagem precisa ser significativa. Apresentar sentido na vida de muitos estudantes da geração atual é o um grande desafio a ser vencido pela educação, conforme discutido na segunda seção deste trabalho, quando se apresentaram algumas considerações feitas por Sibilia (2012) sobre a escola como um espaço consolidado para a aquisição do conhecimento, mas que vem perdendo relevância na vida dos estudantes, motivo pelo qual precisa ser repensada.
Dentro dessa perspectiva, o uso de plataformas de redes sociais vem ganhando destaque, com diversas experiências já consolidadas discutidas por pesquisadores como Pinto et al. (2012), que apresentam situações, no Brasil e fora dele, em que as redes sociais foram utilizadas para fins educacionais e cujos resultados reafirmam a efetividade da prática e a necessidade de se estabelecerem metodologias que dialoguem com as inúmeras possibilidades de