Currículo realizado e seus efeitos
COLEARN 2.0 REFLETINDO SOBRE O CONCEITO DE COAPRENDIZAGEM VIA REAS NA WEB 2
Alexandra Okada (The Open University – Knowledge Media Institute)
Resumo
Este artigo visa discutir sobre o conceito de Aprendizagem Aberta Colaborativa na web 2.0 através do termo CoAprendizagem (COLEARN 2.0) e apresentar alguns projetos internacionais com foco em Recursos Educacionais Abertos (REA). Os conceitos apresentados neste artigo tem como base a revisão literária que vem surgindo recentemente na área de “Open Educational
Resources”, e são fundamentados também em pesquisas e estudos
compartilhados por estes projetos internacionais.
Introdução
As redes sociais via tecnologias Web 2.0 estão transformando o modo como comunicamos com outras pessoas, como podemos adquirir e assimilar informações, bem como a forma como construímos conhecimento. Este universo colaborativo em rede possibilita a sensação de "estarmos sempre em
contato ou acessíveis" para a "partilha, reconstrução e reutilização de informações". Redes de usuários, sejam institucionais, acadêmicas ou
informais, agora podem criar as suas próprias comunidades, trocar informações em conjunto e compartilharem conteúdos e experiências seguindo princípios de acesso aberto (Willinsky, 2006), criando assim novas oportunidades para aprendizagem aberta colaborativa via web 2.0 (Okada et al, 2011).
Com a expansão de diversas iniciativas acadêmicas e governamentais visando a ampliação de Recursos Educacionais Abertos (REAs) (Atkins et al, 2007), diversos tipos de materiais para ensino e aprendizagem com conteúdo aberto estão surgindo em diversos formatos. Materiais pedagógicos interativos e mais atrativos podem ser remixados, tais como: arquivos de texto, audio, slides, vídeo, imagem e som. Várias tecnologias gratuitas para criação de REAs estão surgindo e permitindo que usuários possam reconstruir e compartilhar novos REAs dinamizando as formas de ensinar e aprender. Os
120 REAs provenientes desta economia mista de “conteúdos oficiais” disponibilizados por Instituições Acadêmicas e também “conteúdos gerados por usuários” exercem um papel fundamental para disseminar o acesso amplo às informações e formas de construir e compartilhar conhecimento.
Entretanto, diversas pesquisas ressaltam vários desafios para utilização das redes sociais e REAs para efetivar a aprendizagem colaborativa. Várias pesquisas destacam que o uso de redes sociais em ambientes formais de aprendizagem tem sido aplicados para ampliar comunicação e compartilhar de informações básicas, incluindo entretenimento e lazer; porém, poucos casos trazem evidencia do uso efetivo das redes sociais e da web2.0 para construção coletiva do conhecimento (Connolly & Scott, 2009).
O objetivo deste artigo é refletir sobre o conceito de coaprendizagem (colearn 2.0) via Aprendizagem Aberta Colaborativa com as redes sociais na web 2.0 e apresentar alguns projetos internacionais sobre Recursos Educacionais Abertos (REA). Neste estudo, considera-se que a reflexão sobre o conceito de “coaprendizagem 2.0” é fundamental para subsidiar pesquisas sobre aprendizagem aberta via REAs e construção colaborativa do conhecimento na web 2.0.
Os conceitos apresentados neste artigo tem como base a revisão literária que vem surgindo recentemente na área de “Open Educational
Resources” e “Social Learning Networks”, e são fundamentados também em
pesquisas e estudos compartilhados por estes projetos internacionais.
Referenciais sobre REA na Web 2.0
O termo Recursos Educacionais Abertos foi criado pela UNESCO em 2002 (Caswell et al, 2008) e abrange qualquer material educativo, tecnologias e recursos oferecidos livremente e abertamente para qualquer um uso e, com algumas licenças para remixagem, aprimoramento e redistribuição. O termo “conteúdo aberto” foi usado inicialmente por David Wiley para se referir a todos os tipos de materiais (músicas, vídeo, som e texto) que estão disponíveis para uso em um ambiente aberto, com licença para utilização, adaptação e compartilhamento (Wiley, 2000). Conteúdo aberto (Cedergren, 2003) podem
121 não ter necessariamente uma finalidade educativa. O conceito de REA surgiu para destacar a produção de conteúdo aberto com objetivos de aprendizagem.
Nestes últimos anos vários repositórios de REAs (tabela 1) tem possibilitado amplo acesso de materiais de aprendizagem e alguns deles também tem disponibilizado tecnologias para aprendizagem colaborativa.
Repositórios de REAs URL Local
Open.Michigan open.umich.edu/ Michigan (USA) OpenCourseWare ocw.mit.edu/ MIT (USA) Open Yale Courses oyc.yale.edu YALE (USA)
Open Learning Initiative oli.web.cmu.edu/openlearning/ Carnegie Mellon (USA) Keio Open Courseware ocw.dmc.keio.ac.jp Keio (JAPAN)
OpenCourseWare Sevilla ocwus.us.es Sevilla (SPAIN) Open Training Plataform opentraining.unesco-ci.org/ UNESCO (France) KnowledgeHUB http://khub.itesm.mx Monterrey Mexico USQ OpenCourseWare ocw.usq.edu.au/ Queensland Australia
KOREA
OpenCourseWare ocw.korea.edu/ocw Korea OER Africa www.oerafrica.org/ Africa OpenLearn openlearn.open.ac.uk e
122 Tabela 1 – Alguns exemplos de Repositórios de Recursos Educacionais
Abertos
Um dos fatores essenciais para o crescimento de vários repositórios é a sustentabilidade dos projetos de REAs tanto em relação ao processo de produção e compartilhamento destes recursos, como também de uso e reuso pelos seus usuários (educadores e aprendizes) (Duncan, 2003; Downes, 2003;Wiley, 2007).
A rápida expansão de projetos sobre recursos educacionais abertos (REAs) tem propiciado a participação cada vez maior de diversas instituições e comunidades acadêmicas que estão divulgando suas produções na web (Lane, 2008). Cursos online, atividades pedagógicas e materiais de estudo produzidos por universidades em diversos países compartilhados gratuitamente no ciberespaço têm favorecido uma grande quantidade de usuários da web.
A Tabela abaixo apresenta diversos projetos internacionais com foco em REA, muitos deles financiados pela comunidade européia.
Projeto Descrição Audiência
OPENLEA RN
Repositório e Área experimental para reutilização, remixagem e compartilhamento de REA
Qualquer usuário interessado em materiais de cursos do Ensino
COLEARN Comunidade online de pesquisa aberta parte do projeto de pesquisa “Open sensemaking communititeis” – iniciativa do Knowledge Media Institute OU –UK .
Aberta para qualquer interessado em compartilhar teorias, práticas, pesquisas, REAs, projetos e publicações colaborativas.
123 ICOPER Rede de Melhores Práticas
para compartilhamento de Recursos Educacionais Interoperáveis no Ensino Superior com foco no
desenvolvimento de competências Instituições de Ensino Superior, Provedores de Tecnologias e Organizações voltadas para desenvolvimento de padróes e especificações para REAs
OLNET Grupo de Pesquisa
direcionado para investigar e compreender como REA pode contribuir como novos modos de aprender num mundo mais aberto
Comunidade de
pesquisadores de REA, desenvolvedores,
tecnologistas e consultores
OLCOS Observatório de Conteúdos e Serviços de Aprendizagem Online Aberta cujo obetivo é promover a a criação, partilha e reutilização de Recursos Educacionais Abertos (REA)
Comunidade de pesquisas e usuários interessados em REA
STEEPLE Rede sustentável para Integração de podcastings educacionais, com suporte e apoio para Instituições do Ensino Superior
Instituições Educacionais de UK e usuários com interesse em publicação de arquivos de mídia digital incluindo REA
OPENSC OUT
Integração de conteúdos, práticas e tecnologias para gestão de conteúdos educacioanais na área de Administração e Negócios
Comunidade Aberta na area de Administração e Negócios para disseminacao de servicos e tegenologias de REAs
124 Tabela 2 – Alguns projetos relacionados com Recursos Educacionais
Abertos
Os diversos projetos colaborativos para pesquisa, integração e aprimoramento de REAs tem contribuído e também sido bem favorecido com as tecnologias da web2.0 para interação, comunicação e construção coletiva. A web 2. 0 tem expandindo a socialização de informações e abertura da aprendizagem via diversas mídias. O´Reilly (2007) destaca a grande marca da web 2.0 como uma plataforma participativa diferente da web anterior – web1.0 denominada como uma interface de navegação. Com a web 2.0, os usuários podem construir muito mais como criadores participativos do que apenas “navegarem” na internet como leitores passivos. A tabela 3 apresenta um comparativo da web2.0 com a web 1.0. Com a web 2.0, várias produções são construídas e compartilhadas por qualquer usuário em diversos formatos tais como textos, apresentações, vídeos, audios e aplicativos.
WEB 1.0 WEB 2.0
Web Informacional Colaborativa
Foco Instrucional Construção coletiva
Conteúdo Navegação Gerado por qualquer
usuário
Acesso Leitura Publicação
Compartilhada
Recursos Navegadores Aplicações web
Exemplos Enciclopédias Wikis, blogs, lms, ...
Recursos HTML, portais
(taxonomy) (folksonomy) XML, RSS, API Característi
cas
Formulários, Diretórios,
hipertexto
Espaços abertos para
re-edição e
remixagem
Usuários Leitores passivos Co-autores colaborativos Deficiência s Escalabilidade Interação, Contexto Personalização, Portabilidade Interoperabilidade Tecnologia s Informação e comunicação Conhecimento coletivo e redes sociais
125 Aplicativos da web 2.0 para rede sociais (Tabela 4) permitem a gravação de perfis, com informações das mais diversas formas e tipos (textos, som, arquivos, imagens, fotos, vídeos, etc.) que podem ser acessados e visualizados por outras pessoas e seus contatos. Outra funcionalidade é a formação de grupos por afinidade para discussões e troca colaborativa de informações, estudos de casos, práticas e teorias visando aprendizagem social.
Interfaces Descrição URL
MyS
pace comunicação online através de uma rede interativa de serviço de rede social na web para fotos, blogs e perfis de usuário
http://myspace.c om
Ning plataforma online que permite a criação de
redes sociais individualizadas com http://www.ning.
Twitt
er permite aos usuários que enviem e leiam atualizações rede social e servidor para microblogging que pessoais de outros contatos
http://twitter.com
Face book
website de relacionamento social, qu einicialmente surgiu com estudantes do Harvard College
www.facebook.c om
Orkut rede social filiada ao Google com o objetivo de ajudar seus membros a criar novas amizades e manter relacionamentos.
www.orkut.com
Seco
ndLife alguns aspectos a vida real e social do ser humano. ambiente virtual e tridimensional que simula em com www.secondlife. Tabela 4 - Aplicativos da web 2.0 para rede sociais
Além disso, milhares de repositórios institucionais também podem ser acessados e informações mais recentes podem ser amplamente e rapidamente compartilhadas. Principalmente com a criação da licença de uso “(cc) creative
commons”, qualquer produção sob licença de uso (cc) na web pode ser
abertamente reutilizada desde que os usuários citem os autores, respeitando assim as autorias.
Vários repositórios (Tabela 5) têm sido disponibilizados não apenas com as contribuições de indivíduos, grupos e comunidades, mas também com produções institucionais de universidades e centros de pesquisas sobre Recursos Educacionais Abertos como pode ser observado abaixo.
126
Repositórios URL Local
Repository
Open Research http://repository.leedsmet.ac.uk/main/index.php UK Leeds - OpenEd repository http://openaccess.uoc.edu/webapps/o2/handle/106 09/4182/browse?type=title&submit_browse=Title UOC - Spain Connexions
Repository allterms=weakAND&search=Search http://cnx.org/content/search?words=oer+research& (EUA) CNX WikiEducator http://wikieducator.org/OER_Handbook/ Canada UNESCO
OER Community http://oerwiki.iiep.unesco.org/index.php/Main_Page UNESCO OER
Commons esearch http://www.oercommons.org/search?f.search=oer+r Estados Unidos ISKME Commonweal
th of Learning (COL) f.aspx http://www.col.org/resources/knowServices/Pages/k CANADA Open Research Online http://oro.open.ac.uk OU (UK) Creative Commons http://creativecommons.org/
Tabela 5 – Repositórios de pesquisas sobre REAs
Com o amplo acesso não apenas para navegar, mas também para reutilizar e
remixar, o espaço colaborativo da web 2.0 tem crescido aceleradamente, A
facilidade de acessar, compartilhar, trocar e reconstruir na web 2.0 é uma das grandes vantagens desta nova geração da internet na qual qualquer usuário – seja docente, pesquisador, ou um aprendiz - pode participar ativamente sem precisar de muitos conhecimentos técnicos.
Diversos aplicativos para aprendizagem aberta colaborativa têm oferecido novas oportunidades para o design e construção de recursos educacionais abertos, conforme descrito na tabela 4.
Aplicativos Finalidade URL
Flashmeeting Criar webconferencia http://flashmeeting.open.ac. uk/
Compendium Criar mapas http://compendium.open.ac. uk/
Cohere Criar mapas na web http://cohere.open.ac.uk/ Wikia Criar wikis www.wikia.com/
Wordpress Criar blogs http://pt-br.wordpress.com/ LabSpace
(baseado no Moodle) aprendizagem ou mini cursos Criar unidades de http://colearn.open.ac.uk/ SlideShare Compartilhar slides (upload
127 YouTube Compartilhar video (upload
e download) http://www.youtube.com Digg Reunir e compartilhar links
para notícias, podcasts e videos enviados pelos próprios usuários
http://digg.com/
Tabela 6 - Aplicativos para aprendizagem aberta colaborativa
Co-Aprendizagem 2.0 - Educação Aberta colaborativa online com REA
O conceito de co-aprendizagem 2.0 tem como foco a educação aberta colaborativa online com Recursos Educacionais Abertos na web 2.0. A co- aprendizagem 2.0 visa o enriquecimento da educação formal e também da educação informal via o uso de inúmeros recursos, tecnologias e metodologias para ampliar a inter-autonomia e participação ativa e colaborativa do aprendiz. A origem do conceito colearn 2.0 surgiu com as pesquisas no
Knowledge Media Institute da Open University no Reino Unido (KMi-OU) sobre
uso de interfaces tecnológicas da web 2.0 para co-aprendizagem via REAs. Nestes estudos (Tabela 7), observamos que a educação aberta colaborativa
online (OKADA, 2007; BUCKINGHAM SHUM & OKADA,2008; OKADA, 2009) têm propiciado ampla participação e co-autoria na reutilização e reconstrução de REAs.
Knowledge media tools to foster social learning (Okada et al 2009)
O objetivo deste estudo é investigar como as tecnologias de mídia conhecimento cria oportunidades de aprendizagem social. O movimento de REAs vem crescendo rapidamente, abrindo novas oportunidades para alargar a participação. Nesta pesquisa, os autores analisam alguns exemplos da comunidade COLEARN para promover construção colaborativa do conhecimento.
The role of mentoring in facilitating the process of repurposing OER (Santos & Okada, 2010)
O objetivo desta investigação preliminar é compreender os diversos papéis que mentores exercem em comunidades formais e informais para enriquecer coaprendizagem e coautoria de REAs. Os exemplos são analisados na comunidade COLEARN.
Fostering Open Sensemaking Communities by Combining Knowledge Maps and Videoconferencing (Okada et al 2008)
Neste trabalho, o objetivo é investigar como tecnologias em ambientes online de aprendizagem aberta. A abordagem teórica é baseada no conceito de sensemaking e colearn e analisa-se três cenários de coaprendizagem.
Knowledge
Cartography for Open Sensemaking Communities (Buckingham Shum & Okada, 2008).
A atividade de “sensemaking” construção de significados e coaprendizagem está no cerne dos objetivos do movimento de Recursos Educacionais Abertos. O objetivo deste trabalho é descrever os padrões de uso do Compendium, um aplicativo de mapeamento do conhecimento do projeto OpenLearn. Este trabalho analisa nove papéis desempenhados pelos mapas em ambientes abertos de coaprendizagem, e discute algumas das vantagens e dos obstáculos de adoção
128 que motivam o nosso trabalho em curso
Tabela 7 Alguns estudos realizados sobre coaprendizagem
A educação aberta colaborativa online tem sido considerada uma filosofia educacional importante para enriquecer a aprendizagem continuada e aprendizagem informal (Okada & Moreira, 2008) proporcionando maiores oportunidades de acesso e construção de conhecimentos via rede sociais. O rápido crescimento de Recursos Educacionais Abertos na web 2.0 favorecendo o acesso e uso livre de conteúdos e tecnologias para aprendizagem tem favorecido a aprendizagem aberta com base na reconstrução colaborativa, redistribuição compartilhada e aprimoramento coletivo numa espiral (Figura 1).
Figura 1 – Coaprendizagem 2.0 através de Recursos Educacionais Abertos na web 2.0
Observa-se esta espiral em diversas comunidades de coaprendizagem, pesquisa e projetos de REAs. Por exemplo, no projeto OpenLearn, percebe-se que uso livre de REAs do ambiente tem propiciado troca colaborativa sobre comentários de materiais nos fóruns de discussão, novas adaptações de unidades (como traduções, novos formatos, etc) e quando estes novos REAs são recompartilhados, o processo de reutilização, reconstrução e redistribuição reinicia-se com novos aprimoramentos.
129 Em vários projetos de pesquisa sobre REAs, na qual o KMi-OU tem participado, tais como OpenLearn, Colearn, Icoper, Olnet e OpenScout com tecnologias para construção colaborativa tais como FlashMeeting, WikiMedia, Compendium e Cohere nota-se que os recursos tecnológicos e as redes sociais são fundamentais para a expansão desta espiral em níveis mais elevados de reconstrução colaborativa. Quanto mais as produções colaborativas são compartilhadas de forma aberta, mais interações e reconstruções são realizadas de modo coletivo.
A transição da web 1.0 para web 2.0 (conforme ilustrada na Tabela 3) tem incentivado mudanças de práticas e formas de aprender visando autonomia, co-autoria e socialização. Esta transição exige uma mudança do conceito de “elearning” - aprender focado no simples acesso de recursos digitais eletrônicos, para o conceito de “colearning 2.0” - coaprender com base nas múltiplas coautorias via web 2.0 (Okada, 2010)
O rápido avanço das interfaces abertas colaborativas da web 2.0 para construção coletiva tem favorecido a rápida disseminação de conhecimento científico, materiais, tecnologias e metodologias de aprendizagem através Recursos Educacionais Abertos (REAs), sejam estes de autoria institucional ou popular. O conceito de REA – “open educational resources” (UNESCO, 2002) que emerge com a filosofia de abertura “openness” reinforça outras diversas concepções, tais como:.
Propriedade Intelectual Aberta (OpenIP) tem sido reinforçada via licenças abertas tais como Creative Commons que permite que esses materiais sejam compartilhados e remixado , desde que sua fonte seja reconhecida e as mesmas licença do Creative Commons são aplicadas quando a obra resultante é redistribuída.
Padrões Abertos para construção de materiais educacionais compreendem uma vasta gama de formatos tais como extensible mark- up (XML) que significa que os conteúdos neste formato são legíveis por máquina e pode ser facilmente processados por um vasto leque de programas. Estes formatos incluem Moodle, um conjunto de interfaces de código aberto baseado na comunidade para a aprendizagem, o IMS
130 pacote de conteúdo comum (IMS-CC + CP) que é amplamente utilizado para definir o conteúdo de aprendizagem, e o Sharable Content Object Reference Model, mais conhecido SCORM como um conjunto de normas técnicas que regem a forma como os conteúdos de aprendizagem online e sistemas de gestão de aprendizagem podem comunicar uns com os outros.
Comunidades Abertas são espaços coletivos aberto a todos incentivando a participação colaborativa formal e informal. Trata-se de grupos de pessoas com interesses comuns abertos para se comunicarem e colaborarem, partilharem materiais e idéias, e trabalhar juntos para criar novos recursos, bem como postar nos fóruns, feedbacks e comentários coletivos.
No entanto, apesar da evolução da web 1.0 para web 2.0 (O´Reilly, 2007), o simples uso de interfaces desta segunda geração da web não garantem avanços ou inovações nas práticas educacionais. Diversos estudos realizados indicam que muitas interfaces da web 2.0 são subutilizadas quando os referenciais adotados são baseados ainda na concepção adquirida da web 1.0, caracterizada pelas interfaces de acesso e navegação, tecnologias de informação e comunicação, e aprendizagem eletrônica (elearning) restrita ao “uso” e “consumo” de recursos digitais. A web 2.0 que surge para romper este velho paradigma de “transmissão” e “passividade”, é caracterizada por tecnologias do conhecimento e de redes sociais com interfaces abertas para colaboração, co-construção, co-autoria, co-parceria, e conhecimento coletivo. No entanto, para efetivar a quebra da educação focada no instrucionismo destacamos a importância de inovar o conceito de aprendizagem eletrônica (elearning) através do conceito co-aprender via web 2.0 (colearn 2.0) – referência seminal de nossas pesquisas (Okada, Connoly and Scott, 2010). Nossos atuais estudos focam a co-aprendizagem via REAs, na qual usuários podem atuar como “co-autores críticos”, expandir suas redes sociais e integrar aprendizagem, pesquisa e formação de forma colaborativa. Através de vários projetos internacionais nossas pesquisas baseiam-se na integração de referenciais teóricos e práticos para ampliação e inovação de REAs visando a
131 ampla participação na construção coletiva de conhecimentos através das interfaces da web 2.0.
A aprendizagem aberta via mídias colaborativas tem potencializado as práticas educacionais em uma dimensão mais significativa onde aprendizes são capazes de se guiarem no seu processo de aprendizagem de forma crítica, colaborativa e transformadora. Nossos estudos permitem enfatizar que esta autogestão da aprendizagem via espaços abertos colaborativos inclui não apenas a aprendizagem coletiva das redes sociais, mas também a aprendizagem personalizada centrada no aprendiz ativo crítico (Okada et al, 2009).
Neste sentido praticas educacionais de coaprendizagem via web 2.0 reconhecem:
aprendizes como agentes transformadores redes de coparticipação integrada com coautoria
a natureza emergente, social e colaborativa da aprendizagem metametodologias no processo do design educacional
diversidades de estilos e abordagens pedagógicas
metacurriculo como curriculo vivo, flexível, aberto a mudanças
conhecimento compartilhado e aplicado em situações vivas e contextos reais.
integração de eventos, recursos e oportunidades de coaprendizagens
Em diversos exemplos analisados em nossos estudos sobre ambientes de aprendizagem abertos indicam que aprendizes que sabem como usar recursos abertos e redes colaborativas para aprender são aprendizes comprometidos com seu próprio processo de aprender, capazes de fazer suas próprias escolhas, ampliar seus contatos, compartilhar reflexões e experiências, obter e avaliar feedback, investigar mais ao seu redor e ir em busca de aprender não só “o quê” e “onde”, mas também, “como” e “com quem”. (OKADA et al, 2010).
A co-aprendizagem via práticas educacionais abertas com REA vem enfatizando o socialização do conhecimento coletivo como uma construção social (Bruffee, 1999) aberta.
132 Figura 2 - desafios da aprendizagem aberta colaborativa online
No entanto, os desafios da aprendizagem aberta colaborativa online na educação formal são vários. A equipe pedagógica precisa oferecer oportunidades para construção coletiva, abertura para interação social, suporte para uso de novas tecnologias, software aberto e ações que possam guiar os