3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.4. Reflexão acerca dos métodos de estimativa da profundidade do solo
A profundidade do solo é um dos parâmetros de mais difícil estimativa e suas variações temporal e espacial ainda não são completamente compreendidas pela comunidade
científica. Ademais, este é um parâmetro que exerce controle sobre processos pedológicos, geomorfológicos e hidrológicos, e, justamente por isso, é essencial para a aplicação de inúmeros modelos (hidrológicos, de estabilidade de encostas e de evolução da paisagem, entre outros). Desta maneira, o estudo e desenvolvimento de técnicas para estimativa deste parâmetro é uma importante tarefa que ainda está em desenvolvimento.
Os métodos de campo para estimativa da profundidade do solo foram divididos em métodos de referência e métodos geofísicos. Os métodos de campo geralmente geram informações pontuais ou relativas a perfis do solo. Os métodos de referência, embora sejam os mais rudimentares dentre eles, sempre devem ser conduzidos a fim de validar as informações geradas através dos demais métodos, sejam eles geofísicos ou matemáticos. Isso fica evidenciado pela constatação de que mesmo os trabalhos desenvolvidos através das técnicas mais atuais ainda necessitam de dados de referência para confirmação.
Diversos métodos de exploração geofísica podem ser utilizados para a estimativa da profundidade do solo. Cada método demonstra características específicas de aplicação, detalhamento de informações e determinadas limitações. Porém, os métodos geofísicos eletromagnéticos, representados principalmente pelo GPR, apresentam uma grande aplicabilidade atualmente. Além disso, passam constantemente por avanços, tornando-os ainda mais promissores. A possibilidade de empregar diferentes antenas, com diferentes alcances, permite o uso do GPR para diversas finalidades no estudo do solo. A habilidade do método em identificar formas na subsuperfície permite que este seja utilizado no mapeamento de estruturas de diversos tamanhos. As limitações do método referem-se principalmente a atenuação do sinal ocasionado pela presença de água, que limita o alcance e a quantidade de observações que podem ser extraídas de uma imagem.
Entretanto, por mais promissor e eficaz que sejam as técnicas de campo de estimativa da profundidade do solo, atualmente estas estão limitadas a informações pontuais ou relativas a áreas limitadas. Nos processos de modelagem de movimentos de massa, por exemplo, é necessário que os valores de profundidade do solo sejam estimados para áreas maiores, por exemplo, bacias hidrográficas. Assim, os métodos de campo podem ser utilizados para validar outros métodos de estimativa da profundidade do solo capazes de gerar informações para toda a área, isto é, os matemáticos.
Os métodos matemáticos para tal finalidade foram classificados em estatísticos, empíricos e baseados em processos. Os métodos estatísticos avançaram muito nas últimas décadas, principalmente devido à evolução dos softwares SIG, o que possibilitou a fácil aplicação das ferramentas de geoestatística. Assim, diversos atributos passaram a ser
considerados nestas análises, na tentativa de relacioná-los com a profundidade do solo. Desta maneira, os modelos estatísticos demonstram atualmente uma imensa capacidade de estimar a distribuição espacial da profundidade do solo. Entretanto, a aplicação destes modelos requer uma grande quantidade de dados mensurados (tanto em relação às variáveis preditoras, quanto à variável estimada), para que seja possível estabelecer as relações existentes. Além disso, sempre que tal método for aplicado a uma nova área de estudo, uma nova formulação do modelo deve ser elaborada.
Os métodos empíricos são de fácil aplicabilidade. Os modelos empíricos baseados em relações que expressam os processos físicos relacionados à formação dos solos, mesmo sem o uso explícito de equações fisicamente embasadas, vêm apresentando resultados satisfatórios. Porém, aqueles que não se constituem de tentativas enfáticas de representar os processos físicos atuantes no estabelecimento da profundidade do solo, têm fracassado. Desta maneira, percebe-se que quanto mais o modelo empírico aproxima-se de um modelo fisicamente embasado, melhores são seus resultados. Assim, conforme Godt et al. (2008), em ambientes onde as taxas de produção e transporte do solo podem ser bem definidas, o uso de modelos baseados em processos tende a exibir melhores resultados. Portanto, a aplicação dos modelos empíricos torna-se mais adequada para locais onde o equacionamento dos processos físicos atuantes ainda não foi elaborado, parametrizado e/ou testado; ou onde existe uma limitação de dados de campo necessários para aplicação de outros tipos de modelagem.
Os modelos baseados em processos têm a característica de utilizar equações fisicamente embasadas relativas aos mecanismos de produção, transporte e estabilidade dos solos. Assim, para locais onde existem dados de qualidade (topográficos, pedológicos, geológicos, entre outros) e já foram definidas as LTGs referentes aos processos atuantes, há um bom desempenho destes modelos. Entretanto, é importante lembrar que os modelos baseados em processos geralmente descrevem a evolução da profundidade do solo em termos de escalas geomorfológicas de tempo. Por isso, muitos processos estocásticos abruptos, tais como os movimentos de massa, que influenciam drasticamente no padrão de distribuição da profundidade do solo ainda não foram objetos de LTGs. Desta maneira, ainda existe a necessidade de se avançar no estudo destes processos para alavancar o desenvolvimento de novas LTGs, possibilitando a elaboração de um modelo mais abrangente. O estabelecimento de limites de profundidade do solo baseados em características geomorfológicas, hidrológicas e de resistência dos solos pode ser importante para o aprimoramento das LTGs e consequentemente dos MEPs. Por isso, o presente trabalho desenvolveu uma teoria que tenta
estabelecer estes limites, a fim de contribuir não só para elaboração de uma LTG, mas também para a otimização da modelagem de escorregamentos.
3.5. Efeito da profundidade do solo na estabilidade das encostas e modelagem de