Quando se iniciou este novo ciclo de PES, estávamos nervosas e ansiosas, pois tínhamos presente a noção de que os tempos que se aproximavam envolviam muito trabalho e dedicação. O nosso desejo era que tudo corresse o melhor possível e que conseguíssemos responder às diversas adversidades e desafios que surgissem de forma competente e responsável.
O período de observação permitiu perceber os mecanismos, as carências/necessidades do contexto. Por outras palavras, ajudou-me a identificar e compreender aspetos importantes sobre a realidade escolar da turma do 1.º Ciclo onde iria realizar o meu estudo futuro. Estas duas semanas foram a base para a escolha do tema para este relatório. Assim, a primeira intervenção relacionou-se com esta temática e foi a partir dela que ganhei força e entusiasmo para iniciar e este projeto. Nesta intervenção sentia algum nervosismo e receio de não conseguir atingir os objetivos definidos. Todavia, no final fiquei satisfeita porque ambas as partes conseguiram atingi-los. Este sentimento com o decorrer do processo foi-se superando, pois com o apoio da minha colega de estágio e da professora cooperante, as adversidades das várias intervenções promovidas, assim como a minha dedicação e empenho, contribuiu para que todo o processo se desenvolvesse da melhor forma possível.
A prática, neste percurso, ajudou-me a perceber e compreender de uma forma mais consciente o papel fundamental do professor no processo de ensino-aprendizagem das crianças, assim como, a influência do mesmo no desenvolvimento de atitudes mais ou menos positivas nas crianças, a relevância de promover atividades que desenvolvam a sua autonomia e crescimento ao nível da sua formação. Esta também me auxiliou na perceção da importância da planificação de atividades que despertem ou que vão ao encontro dos interesses e curiosidades das crianças pois, desse modo, estes são como um impulso para o desenvolvimento de aprendizagens significativas. Estes aspetos inicialmente para mim foram desafios que se desdobraram em aprendizagens desenvolvidas. Tais desafios e a procura de estratégias para os solucionar ajudaram-me a crescer profissional e pessoalmente, desenvolvendo aprendizagens contínuas, pertinentes em relação a cada situação encontrada.
Com o decorrer das intervenções senti a necessidade de desenvolver algumas estratégias na gestão do grupo, pois este foi talvez o grande obstáculo. Na generalidade, a turma apresentava dificuldades em esperar pela sua vez e a respeitar o outro. Para tal, diversas vezes
se abordou as regras da sala. Contudo, como não estava a resultar, considerou-se a alteração da disposição da sala em ‘U’ para grupos de quatro elementos, para que desse modo, as crianças desenvolvessem competências autonomamente no trabalho colaborativo e no respeito pelo próximo. Para além da disposição da sala, as atividades em grupo começaram a ser mais frequentes. Esta insistência contribuiu para que gradualmente as crianças fossem interiorizando formas de se relacionar com o outro, melhorando o seu comportamento e postura.
Sendo a turma em questão uma turma heterogénea, com diferentes ritmos de aprendizagem e com diferentes exigências, para além da preocupação em responder às diversas necessidades das crianças, aprendi a articular e ajustar as minhas práticas, não apenas ao grupo em geral mas também às crianças com NEE, possibilitando a sua participação nos diversos momentos promovidos.
Com a intenção de contribuir para um ensino de qualidade e querendo-me afastar da ideia de “Lição de Coisas”, retratada neste relatório, o desafio de planificar atividade diferentes, que envolvessem originalidade e que integrassem as diferentes áreas curriculares foram uma aprendizagem desenvolvida neste percurso. Para tal, implicou pesquisa de atividades, preparação e procura de material.
Em todo este processo, considero que os momentos de reflexão, individual e em conjunto, foram cruciais para a minha formação, assim como para a preparação das atividades, pensando sempre nas crianças, nos seus interesses e necessidades, e na constituição das diversas fases das atividades para que envolvessem a construção de novas aprendizagens.
Durante o estágio, tive sempre bem presente a ideia de que a criança deve ser o centro da atenção do professor e de que o professor devem ser o alicerce, com enormes responsabilidades na sua educação e formação. Desse modo, as intervenções em torno das ciências experimentais e das restantes áreas curriculares contribuíram para que as crianças desenvolvessem várias competências e aprendizagens. Entre elas, as crianças aprenderam a pensar/refletir sobre fenómenos das ciências, como forma de chegarem às hipóteses conclusivas, e a relacioná-las com a realidade envolvente; tornaram-se crianças mais ativas na construção do seus conhecimentos a partir da exploração, manipulação, experimentação e diálogo sobre fenómenos da ciência; desenvolveram competências de cidadania, ou seja, desenvolveram estratégias que os ajudem a conviver e a interagir com o outro, a colaborar e cooperar com os outros e a
respeitar os diferentes ritmos de trabalho.
Com o recurso às atividades realizadas as crianças desenvolveram ainda competências relativas a outras áreas de conteúdo, como a escrita a partir dos registos das atividades, a comunicação oral e a adequação do discurso nos diálogos desenvolvidos. A nível da matemática, o raciocínio mental com a execução de cálculos mentais, noções de medida, uso da régua, formação de conjuntos (ao classificar as sementes semelhantes). A nível das expressões plásticas, o desenho como forma de registo do observado aliado à escrita.
Em suma, no final de todo o processo sinto-me satisfeita por neste curto período de tempo ter contribuído para o desenvolvimento e crescimento das crianças desta turma, a vários níveis, pois desse modo, o mesmo se reflete em mim, no meu crescimento e evolução.
O meu crescimento e evolução não cessaram com o terminar deste percurso, antes pelo contrário, ainda agora começou a caminhada para a minha evolução. Cada desafio/dificuldade surgida no decorrer da mesma, terei de ser eu, de forma autónoma, capaz de as ultrapassar. Termino com a consciência da relevância da formação contínua dos professores para atingir o sucesso o que consequentemente contribui para o sucesso e qualidade do ensino.