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Capítulo I: Metodologia de Trabalho de Projeto

Anexo 2 Reflexão número 12 em contexto de creche

No âmbito da unidade curricular de Prática Pedagógica em Educação de Infância - Creche, a decorrer no Centro Infantil Moinho de Vento, desloquei-me à instituição, nesta semana, para intervir, de forma individual.

Nesta semana não foi possível cumprir a planificação relativamente ao dia de quarta- feira. Na terça-feira, o que estava previsto durar apenas a parte da manhã durou todo o dia, ou seja, nem todas as crianças conseguiram pintar os dois triângulos de um dos lados da parte da manhã. Assim, na quarta-feira, as crianças, em vez de colocarem os brilhantes nos triângulos já pintados, estiveram a pintar os triângulos do lado contrário ao que tinham pintado na terça-feira. Apesar de a planificação não ter sido cumprida, na minha opinião, teve mais sentido que cada criança pudesse pintar os triângulos ao seu ritmo em vez de estar a limitar o tempo das crianças para cumprir a planificação. Segundo Post e Hohmann (2004, p. 71), “cada bebé ou criança pequena tem uma forma única de agir ou de interagir de acordo com o seu próprio ritmo”. Considero, desta forma, que ao longo desta semana aprendi que devemos dar às crianças o tempo que estas necessitam para desfrutarem das propostas educativas que lhes são proporcionadas, deixando que as suas ações anunciem o fim dessa proposta, como é referido por Post e Hohmann (2004).

Para as atividades orientadas de terça-feira, as intencionalidades educativas eram as seguintes: 1) Permitir à criança identificar corretamente as cores - azul e amarelo; 2) Permitir à criança reconhecer a forma do triângulo; 3) Permitir à criança utilizar técnicas de expressão plástica – pintura; 4) Permitir à criança manusear o pincel; 5) Permitir à criança agarrar corretamente o pincel.

No que respeita ao reconhecimento da forma do triângulo, apesar de termos falado também em triângulos na semana anterior, quando voltei a mostrar esta figura e a questionar as crianças, na terça-feira de manhã, nenhuma respondeu corretamente. Desta forma expliquei que era um triângulo, dizendo que tinha três lados e contando-os, em conjunto com o grupo de crianças. Na parte da tarde voltei a questionar as crianças e, foi evidente que, algumas delas mostraram ter aprendido que a figura geométrica que mostrei era um triângulo e mostraram também perceber que tinha três lados, contando- os juntamente comigo.

8 Considero importante refletir, também, sobre o período de adaptação de uma das crianças que entrou para a instituição e para a Sala das Abelhas há três semanas, uma vez que, ao longo destes dois dias, foi notória uma evolução, comparativamente à semana passada.

De acordo com Post e Hohmann (20004), as crianças aprendem que podem confiar nas pessoas que cuidam delas e que podem contar com a ajuda destas para satisfazer as suas necessidades. Desta forma, a criança em questão costumava chorar no momento do acolhimento e no momento da sesta, chamando pela mãe e pelo pai. Porém, este comportamento não se verificou durante esta semana. A criança adormeceu sem que fosse necessário um adulto ao seu lado e sem chorar e, durante o dia, interagiu mais, tanto com as outras crianças do grupo como com os adultos, sem chorar e sem chamar pelos pais. No que diz respeito à alimentação, verifica-se também uma evolução, uma vez que a criança já come praticamente tudo o que está no prato, ainda que seja ao seu ritmo, e que seja necessário incentivá-la e ajudá-la a comer.

No que respeita ao momento da sesta houve também diferenças significativas no decorrer desta semana. Até à semana passada, havia apenas quatro crianças que choravam para adormecer. Contudo, ao longo desta semana não houve nenhuma criança que tivesse chorado no momento da sesta. Post e Hohmann (2004, p. 244) referem que “com o passar do tempo, através da observação, da tentativa e do erro e de dicas dadas pelos pais, o educador consegue descobrir como melhor ajudar cada criança a acalmar antes de adormecer”. Assim, duas das crianças que precisavam de alguém ao seu lado para adormecer já conseguem adormecer tranquilamente sem ser necessário que esteja um adulto ao seu lado. Relativamente às outras duas crianças, que normalmente chamam a auxiliar de ação educativa para adormecer, estas ainda não conseguem adormecer sem um adulto. No entanto, na terça-feira, consegui adormecê-las sem que chorassem, tendo sido apenas necessário que a educadora explicasse a uma das crianças que seria eu a adormecê-la.

A respeito do controlo dos esfíncteres, também são visíveis algumas diferenças, comparativamente com as semanas anteriores. Algumas crianças já têm noção do momento em que precisam de ir à casa de banho e de quando não conseguem aguentar, vindo ter comigo ou com outro adulto.

9 Ainda no que concerne às rotinas, há cerca de um mês, no âmbito da investigação da minha colega, introduzimos canções para o “bom dia”, para o momento de arrumar e para o momento de ir almoçar e lanchar. É notória também uma grande diferença, principalmente no momento de arrumar a sala. Quando foi introduzida a canção, as crianças ficaram apenas a olhar para nós, sem perceber que era para arrumar e foi necessário incentivá-las a fazê-lo. Nesta fase, basta apenas começar a cantar a canção e a maioria das crianças começa imediatamente a arrumar a sala.

Relativamente à canção do “bom dia”, numa primeira fase, a grande maioria das crianças não cantava a canção nem dizia “bom dia” quando era solicitada. Ao longo desta semana, apenas cerca de quatro crianças não disseram bom dia quando solicitadas, sendo que todas as outras responderam, ainda que falando muito baixinho e com vergonha.

Referências bibliográficas:

Post, J., & Hohmann, M. (2004). Educação de bebés em infantários: cuidados e

primeiras aprendizagens (2.ª ed.). (S. Baía, Trad.) Lisboa: Fundação Calouste

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