Como resultado de pesquisa, este artigo apresentou um modelo de qualidade de experiência, pautado em uma abordagem interdisciplinar. Inicialmente foi realizada uma revisão integrativa, evidenciando-se que muitas pesquisas ainda necessitam ser realizadas para que o nível de satisfação da experiência do usuário, no uso de um serviço multimídia, possa ser contemplado.
A maioria das pesquisas existentes não trabalha a QoE numa perspectiva interdisciplinar, focando-a fundamentalmente como uma extensão da QoS, onde apenas os parâmetros tecnológicos dos níveis (físico, enlace, rede, transporte e aplicação) são mapeados para o nível de satisfação do usuário. Essa maneira disciplinar de predizer o nível de satisfação da QoE do usuário contradiz com a pesquisa de opinião apresentada e com os principais conceitos de QoE existentes na literatura.
Ao preocupar-se com a visão da qualidade do serviço sob a perspectiva do usuário, a QoE deve ser conceituada como um constructo multidimensional, que engloba as dimensões humanas, conteúdo, contexto e tecnológica. Baseado neste pressuposto, evidenciou-se o objeto de estudo como um elemento complexo, dependente da interação de elementos provenientes de várias áreas do conhecimento.
Todos os fatos citados levaram os autores a refletir que a proposição de novos modelos de QoE deve estar fundamentada na interdisciplinaridade. E com este olhar, o modelo foi conceitualmente definido, buscando aparatos, principalmente, das seguintes áreas: Psicologia, Ciência da Cognição, Engenharia e Mídia do Conhecimento, Computação Sensível ao Contexto e TIC. Todas essas áreas permitem o desenvolvimento da pesquisa de forma articulada, fundindo-se num só propósito: construir um modelo de QoE dinâmico que, ao ser inserido numa plataforma de serviços convergentes, provê artefatos para que o mecanismo de
inteligência possa correlacionar aspectos hedônicos e pragmáticos do usuário, com aspectos da QoS, do conteúdo e do contexto.
O modelo foi enriquecido com um motor semântico, capaz de reconhecer a experiência do usuário no uso do serviço e mapear as informações das diferentes dimensões em bases de conhecimento. Outras informações, tais como status do desempenho da rede e avaliações do usuário no uso do serviço, são capturadas e armazenadas na KB. Com todas essas informações, é possível alocar recursos, definir as entradas nas tabelas de encaminhamentos nos comutadores por fluxos, bem como descobrir novos fatos, como, por exemplo, não permitir que a QoE do usuário seja afetada por degradação dos parâmetros de QoS da rede.
Por ser dinâmico e permitir configurar e garantir a QoS para atender as diferentes necessidades dos usuários, diante de um contexto, o modelo necessita de uma arquitetura funcional flexível. Nesse sentido, foi apresentada uma arquitetura em camadas, com componentes semânticos e componentes que suportam o protocolo aberto OpenFlow das redes SDN. Foi apresentado um cenário para provisão e entrega de VoD, levando em consideração a experiência do usuário.
Como trabalhos futuros, novos experimentos devem ser realizados para ofertar outros serviços e com isso capturar outras dimensões da QoE, principalmente aquelas relacionadas aos fatores humanos. Além disso, pretende-se idealizar outro cenário para prover QoS entre diferentes domínios administrativos.
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