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Capítulo IV – Análise e interpretação dos resultados na investigação

4.1. Na Instituição

4.1.4. Reflexões sobre os contributos das atividades

O planeamento das atividades (apêndice XVII) teve de ser alterado devido ao interesse e comportamento dos elementos que constituíram as equipas, assim sendo as atividades realizadas foram: o jogo do mata, o jogo do polícia e ladrão, a dinâmica da vaca, e o decálogo de normas de grupo e definição de grupo fizeram-se na mesma atividade, pela respetiva ordem; os dois que restam no plano não foram realizados, tendo sido substituídos pelo futebol humano (a pedido das crianças).

Participaram nestas atividades 17 crianças e jovens, embora em contextos diferentes e não estando todos no mesmo jogo, tendo-se juntado no máximo 14 elementos numa atividade. Houve necessidade de alterar o planeamento devido à motivação demostrada, já que os jogos com demasiadas regras os desmotivava, como aconteceu com o mata, que obrigava ao trabalho em equipa e que todos estivessem envolvidos, e como a capacidade de cada um difere acabava por gerar alguma confusão e desinteresse. O jogo que se seguiu foi o do polícia e ladrão, que durou bastante mais tempo e com o qual estavam mais motivados, uma vez que existia mais disputa e a necessidade de trabalharem como grupo era mais reduzida – repetiram o jogo mais vezes que o que estava planeado, por pedido dos elementos em jogo. Após este jogo pediram para jogar futebol humano, tendo a orientadora dado autorização, contudo solicitaram a colaboração da mesma para apitar o jogo e ditar as regras, como tinha acontecido nos jogos anteriores – a formação de equipas foi-se tornando mais fácil ao longo dos jogos, tendo sido sempre feita alteração a cada mudança de jogo a pedido dos envolvidos.

Após o lanche realizou-se a dinâmica da vaca com cinco elementos e posteriormente elaborou-se um trabalho subordinado ao tema grupo. Na primeira dinâmica os jovens alteraram bastante o que lhes era transmitido por mímica e ficaram surpresos com o resultado final; já na última atividade, tendo em conta o número de elementos e o espaço que dispúnhamos a orientadora optou por não lhes colocar as folhas nas costas mas sim baralha-las na mesa e cada um retirava uma e o grupo interpretava; com

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esses desenhos procedeu-se à elaboração de um cartaz onde também ficaram escritas cinco normas que os elementos consideraram importantes para o funcionamento de um grupo.

Tendo em conta a tarde de atividades consideramos que se possa fazer um balanço positivo, apesar da existência de conflitos e agressões físicas e verbais, que ocorreu sempre que se procedeu à investigação. Os jovens viram-nos como um elemento com autoridade, solicitando autorização para fazer algo diferente do estipulado e colaboraram com entusiasmo nas atividades propostas – houve muitos que demostraram logo vontade em participar, mesmo sem saberem do que se tratava, posteriormente outros quiseram-se juntar. Nas atividades no exterior apesar de ter havido mais interessados também ocorreram mais conflitos, por diversos motivos, sobretudo relacionados com os jogos contudo sempre que os chamávamos a atenção cessavam a discussão, exceto uma vez que nos encontrávamos sozinhos no campo e começou a ocorrer um conflito num extremo mas que não nos foi possível detetar, e mesmo tendo chegado à agressão, mal intervimos acabou. Durante o jogo um dos jovens chutou a bola para fora do campo, tendo sido de imediato ordenado a ir buscá-la, o que fez sem qualquer tipo de reclamação. Na sala as atividades ocorreram com mais normalidade, não foi necessário chamar ninguém à atenção e não houve nenhuma desordem; todos demostraram interesse e elogiaram o resultado final, já que eles próprios consideravam que não tinham aptidões para o elaborar. Quando foram escolhidos os jovens para participar nas atividades na sala a maioria queria ir, mesmo não sabendo do que se tratava, acabaram por ser escolhidos apenas cinco para evitar conflitos – enquanto decorria esta atividade, no exterior ocorreu uma agressão de um jovem mais velho que defendeu o irmão que estava a ser agredido por outro.

De uma forma geral, consideramos que as atividades trouxeram benefícios ao grupo, tendo-se verificado uma crescente ordem, interesse e respeito ao longo das mesmas. Todos os envolvidos procuraram saber se iam voltar a ocorrer, se aconteceriam sempre todos os Domingos, se não poderíamos ficar até à noite e continuar a fazer jogos, afirmaram que gostaram muito e

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agradeceram a nossa presença, tendo em alguns casos pedido desculpas pelos comportamentos menos corretos e prometendo que nunca mais se “portariam mal”.

Em comparação às atividades observadas no período de observação fazemos um balanço positivo já que não houve desrespeito pelo orientador, as atividades iniciadas foram concluídas e houve interesse da parte das crianças e jovens. Pensamos que este facto se prende com os termos deixado completamente à vontade para se retirarem se quisessem, assim sujeitavam-se às normas se tivessem como objetivo jogar. Nas dinâmicas realizadas na sala perguntaram-nos se não lhes íamos dar nada, como doces, consideramos que isto acontece porque muitas vezes procuram atingir objetivos com estes jovens retribuindo com bens materiais – informei- os que não iriam receber nada, e coloquei-os à vontade para saírem mas quiseram ficar na mesma.

Consideramos que a animação sociocultural pode desenvolver um trabalho bastante positivo com crianças e jovens institucionalizados, já que, como foi possível observar com o desenvolvimento das atividades, é possível cativá- los, é possível fazê-los cumprir regras e horários (alguns não queriam ir ao lanche para jogarem mas acabaram por aceitar a ordem) e, como foi observado, onde há uma maior falha é no funcionamento como grupo, apesar de gostarem uns dos outros há constantemente conflitos e surgem discussões dos motivos mais insólitos, o que também foi possível ver reduzido com a nossa supervisão, ou seja, um animador sociocultural seria uma mais-valia para estes menores, sobretudo por proporcionar a integração, inicialmente no próprio grupo e posteriormente nos exteriores, com os quais contactam diariamente, e dos quais fazem também parte.

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