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A metodologia aplicada em nosso estudo permitiu a análise da eficiência técnica e do desempenho da nova política pública, que introduziu o terceiro setor e outras formas organizacionais como agentes gestores do aparelho de saúde pública, a partir da análise dos dados e dos indicadores dos recursos aplicados e produtos gerados no processo produtivo de cada hospital da nossa amostra.

A análise realizada em nosso estudo possibilitou verificar claramente a consistência das políticas públicas introduzidas, e, ao mesmo tempo avaliar a produção dos serviços hospitalares durante o período do estudo.

Estudos como o nosso fornecem ferramentas importantes aos gestores públicos e a toda sociedade, pois facilitam o accountabilty governamental no que diz respeito à política de saúde e à produção de serviços de saúde.

8.2 CAPACIDADE INSTALADA

A análise da capacidade instalada revelou que os hospitais sob modelo de gestão da administração direta, apresentaram área física por leito ativo inferior aos dados encontrados na literatura.

8.3 RECURSOS HUMANOS

O percentual da folha de pagamento, em relação as despesas totais varia de acordo com o modelo de gestão, em nosso estudo, a modelo de gestão mista encontram-se na média da literatura, enquanto que os demais modelos de gestão apresentam valores inferiores aos da literatura.

Esta variação se relaciona com o percentual de terceirização, sendo que o índice de terceirização, bem como seu perfil diferem dentre os modelos de gestão estudados.

8.3.1 RELAÇÃO FUNCIONÁRIO LEITO

Em nosso trabalho os hospitais universitários não apresentam número de funcionário por leito superior ao dos demais hospitais estudados, mesmo quando são computados nesse número os médicos e os residentes.

De maneira geral, os dados obtidos em nosso estudo são semelhantes aos encontrados na literatura recente relacionada ao número de funcionários por leito nos hospitais sob diferentes modelos de gestão.

Nosso estudo comprovou que o amplo uso de funcionários de terceiros afeta a aferição do número de funcionários por leito sendo que o menor índice de terceirização foi encontrado nos hospitais sob o modelo de gestão da administração mista.

8.4 DADOS DE PRODUÇÃO

Em relação à taxa de ocupação dos hospitais sob modelo de gestão da administração por OSS encontramos para o ano de 2000 valores inferiores aos sugeridos pela literatura.

No que concerne à média de permanência percebemos ligeira diminuição dos valores dos dados obtidos em nosso estudo com relação aos dados da literatura.

No que se refere às consultas ambulatoriais e atendimentos em regime de urgência e emergência verificou-se em todos os modelos de gestão no período de estudo, mostraram acréscimo desses procedimentos os quais são mais freqüentes nos hospitais universitários.

Em nossa pesquisa, a análise do número de cirurgias revelou valores menores que os encontrados na literatura para os hospitais do modelo de gestão da administração direta e administrados por OSS.

8.5 VARIÁVEIS PARA GERAÇÃO DO RANKING DE EFICIÊNCIA

A metodologia utilizada em nosso estudo permitiu redução significativa no número de variáveis e a obtenção do maior poder explicativo possível em relação aos dados disponíveis.

8.6 RANKING DE EFICIÊNCIA TÉCNICA

Em nosso trabalho a elaboração de rankings de eficiência técnica tornaram possível a diferenciação entre a produtividade e a eficiência técnica dos hospitais.

Verificamos que o modelo de gestão por OSS implementado no Estado de São Paulo, auxiliou na melhoria da eficiência produtiva dos serviços públicos hospitalares, tendo em vista que em todos os rankings gerados esses hospitais compõem o rol daqueles considerados tecnicamente eficientes.

Infelizmente a falta de padronização entre os dados da literatura nacional e internacional dificulta a comparação direta dos resultados do ranking de eficiência técnica.

Em que pese a existência de estudos sobre a produtividade hospitalar, pouca atenção tem sido destinada à avaliação da eficiência técnica dos hospitais brasileiros dificultando assim a comparação adequada dessas intituições.

8.7 RETORNOS DE ESCALA

O resultado constante ou crescente dos retornos de escala revelou que para todos os modelos de gestão estudados o investimento realizado para a produção de serviços hospitalares permitiu ao Estado maior efetividade na alocação dos fundos públicos.

8.8 TESTE DE HIPÓTESE

8.8.1 EFICIÊNCIA TÉCNICA E MODELOS DE GESTÃO

Encontramos evidências de que o modelo de gestão por OSS apresenta maior eficiência técnica que os demais, tendo em vista o valor decrescente de p nos testes estatísticos efetuados em nosso trabalho no período do estudo.

Entretanto, os resultados encontrados em nossa pesquisa não permitem que, para a maioria dos modelos de DEA aplicados, seja possível, estatisticamente, rejeitar a hipótese de que a eficiência técnica dos hospitais do modelo de gestão por OSS seja igual aos demais.

Os resultados encontrados na aplicação dos testes estatísticos podem ter sido determinados por fatores como o pequeno número de hospitais em estudo, ou pelo fato dos hospitais sob o modelo de gestão por OSS terem sido inaugurados no final da década de 90 e portanto ainda não estarem devidamente consolidados do ponto de vista produtivo.

8.8.2 EFICIÊNCIA E PORTE HOSPITALAR

Em nosso estudo não encontramos evidência estatística de que um hospital com menor número de leitos é mais eficiente do que outro com maior número de leitos. A literatura nacional e internacional sobre esse ponto apresenta controvérsias. Assim, mais estudos são necessários para melhor compreender qual a real influência do porte para a eficiência técnica dos hospitais públicos do Estado de São Paulo.

8.8.3 HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS E EFICIÊNCIA

Os hospitais universitários sob o modelo de gestão da administração mista pertencentes à amostra de nosso estudo não apresentaram eficiência técnica inferior aos demais hospitais sob gestão dos modelos de administração direta e de administração por OSS como poderia ser esperado.

8.9 LIMITAÇÕES DO ESTUDO

Tendo em vista as limitações deste estudo referidas na seção de metodologia, outras pesquisas devem ser feitas incorporando a dimensão da complexidade dos cuidados dispensados aos pacientes, o papel e a importância da terceirização nos hospitais e a utilização de parâmetros ou metodologias que tornem factível a comparação dos resultados desses estudos com o contexto internacional. Por fim, em uma nova linha de pesquisa deveriam ser consideradas as características relativas à infra-estrutura física utilizada na produção hospitalar.

8.10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esperamos que esse trabalho possa contribuir para a organização e a disseminação das informações dos diferentes modelos de gestão implementados na gestão hospitalar do Sistema Único de Saúde, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e, em especial que permita introduzir novos métodos

objetivos de avaliação da eficiência hospitalar como ferramenta indispensável à moderna Administração de Saúde e à elaboração e definição de Políticas Públicas aplicadas ao Setor Saúde.

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