2.5 REGIMES DE BENS
2.5.3 Regime da comunhão parcial de bens
O regime da comunhão parcial de bens está previsto no artigo 1.658 do Código Civil, “No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes”. (BRASIL, 2016c). Deste modo os bens adquiridos após o casamento serão comuns ao casal. “Cada esposo guarda para si, em seu próprio patrimônio, os bens trazidos antes do casamento”. (VENOSA, 2014, p. 355). Por consequência da
norma são criados três patrimônios, o trazido por cada um dos cônjuges antes do casamento e o patrimônio comum adquirido após o matrimônio, em caso de dissolução é retirado o patrimônio particular de cada cônjuge e dividido o patrimônio comum. (VENOSA, 2014).
O artigo 1.659 do Código Civil prevê as exclusões de bens da comunhão no regime da comunhão parcial. Conforme o “Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I – os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar”. (BRASIL, 2016c). Deste modo são incomunicáveis os bens que foram adquiridos antes do casamento, bem como aqueles que forem recebidos por doação ou herança durante o casamento, “quando o cônjuge vende um bem incomunicável e com o produto desta venda adquire outro de igual valor, e este novo bem adquirido por sub-rogação do preço ou permuta também não se comunica”. (MADALENO, 2013, p. 744).
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] II – os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares”. (BRASIL, 2016c). Como anteriormente, no caso da venda de um bem particular o que for adquirido com o produto de sua venda se torna incomunicável “por se tratar de aquisição sub-rogada, salvo no que exceder a sub-rogação”. (MADALENO, 2013, p. 745). No caso de ser complementada a nova aquisição com patrimônio comum esta parte será comunicável.
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] III – as obrigações anteriores ao casamento”. (BRASIL, 2016c). De mesmo modo que os bens adquiridos antes do casamento, “também não se comunicam as obrigações particularmente assumidas pelos cônjuges, pois integram o acervo de cada qual”. (GONÇALVES, 2013a, p. 475, grifo do autor).
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] IV – as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal”. (BRASIL, 2016c). Ou seja, só responde pelo ato ilícito quem lhe deu causa, conforme exemplificam Tartuce e Simão “se o marido embriagado bate o carro só será por ele reparado”. (2013, p. 128).
Se houver constrição judicial ao patrimônio comum poderá o cônjuge inocente proteger sua meação opondo embargos de terceiro. (GONÇALVES, 2013a).
Em caso de proveito comum se comunicam as obrigações, ou seja, se “o marido pratica um crime de estelionato e com os recursos do ilícito penal adquire bem familiar ou paga uma cirurgia para a esposa”, (MADALENO, 2013, p. 748) havendo deste modo a responsabilidade solidária do casal.
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] V – os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão”. (BRASIL, 2016c). Os bens de uso pessoal também abrangem roupas, joias, celular, entre outros utilizados cotidianamente. “No entanto, alguns bens, mesmo sendo de uso particular, têm significativo valor econômico, e, embora utilizados por um dos cônjuges, se identificam como bens conjugais, como automóveis, computadores ou notebooks”. (MADALENO, 2013, p. 749). Já os livros e instrumentos de profissão devem ser indispensáveis ao exercício da atividade “como os livros e códigos do advogado e seu computador”. (MADALENO, 2013, p. 749). Sendo considerados dispensáveis ou seu montante ser parcela patrimonial considerável devem fazer parte da comunhão.
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] VI – os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge”. (BRASIL, 2016c). Este dispositivo segundo Gonçalves (2013) deve ser interpretado da forma que a não comunicabilidade seja relativa apenas ao direito de receber os proventos, considerando estes salários ou outras formas de remuneração, sendo que depois de recebidos devem fazer parte do patrimônio comum assim como os bens adquiridos com estes.
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: [...] VII – as pensões, meios- soldos, montepios e outras rendas semelhantes”. (BRASIL, 2016c). Estes benefícios que podem ser recebidos por um ou ambos os cônjuges, não são comunicáveis, Venosa demonstra de que se trata em cada item do dispositivo.
Pensão é a quantia paga periodicamente a alguém para sua subsistência, decorrente de lei, decisão judicial, contrato ou testamento. Meio-soldo é o valor pago pelo Estado aos servidores reformados das forças armadas. Montepio é a quantia paga pelo Estado aos beneficiários de funcionário falecido. (2014, p. 358).
Por se tratar de direito personalíssimo estes benefícios pertencem exclusivamente ao cônjuge beneficiário, não fazendo parte da comunhão. Em sentido contrário Gonçalves (2013a) aduz que assim como em relação aos proventos, os benefícios depois de recebidos por um dos cônjuges passam a fazer parte do patrimônio do casal, e de mesmo modo os bens com estes adquiridos.
Em contrário censo e ainda no regime da comunhão parcial, prevê o artigo 1.660 do Código Civil “Entram na comunhão: I – os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges”. (BRASIL, 2016c). São os bens que são adquiridos com os frutos do trabalho, sem levar em consideração se um ou ambos os cônjuges exercem atividade remunerada, ou seja, mesmo que um dos cônjuges se dedique exclusivamente ao lar, esta atividade representa seu esforço pessoal e contribuição para a comunhão, sendo a cooperação legalmente presumida neste regime de bens. (MADALENO, 2013)
“Art. 1.660. Entram na comunhão: [...] II – os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior”. (BRASIL, 2016c). Estes são os bens provenientes de loterias, sorteios, descobrimento de tesouro, entre outros de origem semelhante, e sendo assim para que haja comunicabilidade pode estar ausente o concurso de trabalho. “A norma também não leva em conta a procedência do dinheiro utilizado para a aquisição do bilhete premiado”. (MADALENO, 2013, p. 762). Sendo assim o simples fato eventual gera a comunicabilidade do por ele adquirido.
“Art. 1.660. Entram na comunhão: [...] III – os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges”. (BRASIL, 2016c). Os bens adquiridos nestas condições individualmente pelos cônjuges não se comunicam. “A exceção é a de o doador atribuir a liberalidade aos dois cônjuges, em comunhão, quando então manifesta de forma, clara, expressa e inequívoca essa sua vontade, não deixando nenhuma ambiguidade de ter endereçado o bem doado aos dois”. (MADALENO, 2013, p. 765). Desta forma fica caracterizada a comunicabilidade do bem.
“Art. 1.660. Entram na comunhão: [...] IV – as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge”. (BRASIL, 2016c). Como determina o dispositivo as benfeitorias realizadas nos bens particulares devem fazer parte da comunhão, “a benfeitoria em si não se torna comum e comunicável, mas deve ser reconhecido ao outro cônjuge não titular do bem um crédito por ocasião da liquidação da sociedade conjugal. (MADALENO, 2013, p. 765).
“Art. 1.660. Entram na comunhão: [...] V – os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão”. (BRASIL, 2016c). “Como
consequência lógica do sistema estabelecido, que impõe a separação quanto ao passado e a comunhão quanto ao futuro, ou seja, quantos aos bens adquiridos após o casamento”. (GONÇALVES, 2013a, p. 481). Deste modo os bens gerados a partir do bem comum ou particular, como por exemplo, o aluguel de um imóvel recebido durante a constância da união ou pendente na sua dissolução, deve fazer parte da comunhão.