Âmbito Municipal/RJ Lei Orgânica do Município do Rio de
5. REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO
5.5 Regime Tarifário
5.5 Regime Tarifário
O regime tarifário instituído pelo PLANASA estabelecia que as tarifas de saneamento deveriam ser suficientes para cobrir a totalidade dos custos de serviço. Além disso, as tarifas deveriam garantir, às companhias estaduais em condições eficientes de operação, uma remuneração adequada sobre seu investimento reconhecido, visando ao alcance do equilíbrio econômico e financeiro. Com efeito, o modelo de gestão adotado pelo PLANASA consistia na minimização das aplicações a fundo perdido, de forma a se obterem economias de escala e maior eficiência na gestão empresarial, uma vez que o BNH condicionava a aprovação dos projetos à sua viabilidade econômica e financeira (SOARES et al., 2003).
O paradigma principal do modelo adotado previa que os municípios supostamente deficitários seriam subsidiados pelos municípios superavitários, partindo do pressuposto que grande parcela dos municípios não teria capacidade financeira para ser auto-suficiente via tarifa. Esse mecanismo, conhecido como subsídio cruzado, ao fixar uma tarifa única para todo estado exigia a viabilidade somente para as companhias estaduais, ou seja, a viabilidade global do conjunto de sistemas operados por cada empresa (COSTA; OLIVEIRA E RUTKOWSKI; PEREIRA et al., apud SOARES et al., 2003).
Essa estrutura de financiamento, baseada no sistema tarifário instituído pelo PLANASA e ainda em vigor, possui dois problemas cruciais (PEREIRA et al., apud SOARES et al., 2003):
• os consumidores de municípios que têm serviços economicamente equilibrados subsidiam os de outros municípios, procedimento que contribui para inviabilizar os investimentos
necessários. Ademais, esse modelo não permite identificar, com transparência, o destino dos subsídios, pois promove tal benefício a todos os usuários de um determinado serviço,
independente do nível de eficiência operacional.
• o modelo não permite tampouco quantificar as transferências, de modo que encobre a ineficiência e induz a desperdícios, uma vez que não sinaliza o real valor econômico dos serviços.
Certamente, uma política de tarifas realista é condição necessária para o equilíbrio econômico e financeiro das empresas e a conseqüente possibilidade de manutenção e expansão dos investimentos, sem os quais não é possível realizar qualquer tipo de planejamento (ARRETCHE, apud SOARES et al., 2003).
Baseada em parâmetros de qualidade e de eficiência, a tarifa, deve ser estabelecida e regulada, de modo a não só cobrir todos os custos, mas também com o objetivo de garantir o acesso de todos aos serviços, estimular a realização dos investimentos e induzir à redução do desperdício (MENDES; PEREIRA E ABICALIL apud SOARES et al., 2003).
De acordo com o contexto econômico, a solução tecnicamente mais eficiente para o equilíbrio entre a oferta e a demanda nem sempre corresponde ao investimento na ampliação em infra-estrutura, principalmente nos países em desenvolvimento, mas no emprego de estratégias alternativas para o controle da demanda.
KELLMAN5.7 (2002, p. 73), por sua vez, preconiza que "o déficit brasileiro no setor saneamento, poderá ser mitigado com o aumento da qualidade do gasto público, através da criação do Fundo Nacional de Saneamento - FNS, formado a partir de recursos que atualmente são alocados pelo Governo Federal para obras de saneamento. Kelman propõe que os recursos do FNS não sejam aplicados no pagamento de empresas construtoras de infra-estrutura ou fabricantes de equipamentos. Ao contrário, os recursos do FNS deverão servir para pagar às empresas prestadoras de saneamento por serviços comprovadamente prestados. Uma comunidade moradora de uma cidade ou bairro deverá satisfazer critérios de elegibilidade para que pudesse ser amparada por subsídios oriundos do FNS. Em particular, deveria ter disposição para pagar um preço unitário pelos serviços - a tarifa - compatível com sua capacidade de pagamento. Naturalmente, a tarifa seria inferior ao custo unitário do serviço, caso contrário não haveria necessidade do subsídio. A diferença entre o custo unitário e a tarifa deveria ser coberta pelo subsídio. O ideal seria fazer licitação para escolha do prestador do serviço, adotando-se o mínimo subsídio como critério de seleção. Nesta proposta, a receita da empresa vencedora da licitação resultaria da soma de duas parcelas: a proveniente dos usuários do serviço, calculada com base na tarifa, e a proveniente do Fundo, calculada com base no subsídio. O interesse do prestador de serviço seria o de minimizar o custo de implantação da infra-estrutura necessária para a prestação do serviço. Não o de maximizar, como ocorre atualmente".
Assim, o conhecimento do efeito do preço sobre a demanda de água é de grande importância, pois pode constituir-se em eficiente instrumento para o planejamento, a partir da obtenção de melhores dimensionamentos e maior eficiência na alocação de recursos (HANKE; NUCCI et al., apud SOARES et al., 2003).
O sistema atual tarifário, adotado no Brasil, para os serviços de água e de esgoto, considera que a tarifa média utilizada deve ser suficiente para cobrir o custo dos serviços prestados e a remuneração do capital investido, sendo a mesma obtida pela divisão do custo dos serviços mais a remuneração do capital, pelo volume faturado (MPO-SEPURB apud HESPANHOL et al., 2000).
Visando atender a necessidade de universalização dos serviços de saneamento, foi instituído um sistema de subsídios cruzados nas estruturas tarifárias, onde adota-se como princípio, que os usuários de maior poder aquisitivo subsidiam os de menor, assim como os
grandes consumidores subsidiam os pequenos, sendo utilizados os seguintes critérios para o estabelecimento das tarifas (MPO-SEPURB apud HESPANHOL et al., 2000):
• Determinação de tarifas diferenciadas segundo as categorias de usuários (residencial, comercial, industrial e público), sendo que a tarifa média do comércio e da indústria deve ser superior à tarifa média da empresa;
• As tarifas da categoria residencial são diferenciadas para as diversas faixas de consumo, devendo ser progressiva em relação ao volume tarifável. Em alguns estados esta
diferenciação também é utilizada para os setores comercial e industrial;
• Existência de uma cota mínima de consumo residencial, compreendendo o consumo de água e a coleta de esgoto, tendo como consumo mínimo o volume de 10 m3 mensais.;
A fixação das tarifas no Brasil é feita pelas companhias estaduais - CESB's, e empresas municipais de saneamento, mas seguindo a orientação dos governos estaduais e seus acionistas majoritários quando for o caso (HESPANHOL et al., 2000).
As tarifas praticadas pelas CESB's, principais prestadoras de serviços na área de saneamento básico no país, variam de região para região, sendo que, no Rio de Janeiro, pode-se citar as tarifas médias praticadas pela CEDAE e Empresa Águas de Niterói - município de Niterói, conforme demonstrado a seguir:
CEDAE5.8 - tarifa média de água: 0,83 R$/m3 tarifa média de esgoto: 0,91 R$/m3 custo do serviço: 0,72 R$/m3
Empresa Águas de Niterói 5.9 - tarifa social: R$ 0,44
tarifa de consumo domiciliar: R$ 0,90 tarifa comercial: R$ 3,06
tarifa industrial: R$ 4,23
volume comprado da CEDAE: 4.714 m3 volume faturado: 3.309 m3
5.8 Dados referentes: ano de 1997 R$ 1,00=US$ 0,93 MPO-SEPURB-IPEA (apud HESPANHOL, 2000)
5.9