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DECRETO Nº 313 DE 4 DE JULHO DE 1900

Aprova o regulamento para execução da lei nº 28 de 5 de outubro de 1899.

O Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista a necessidade de consolidar as disposições concernentes ao serviço das terras públicas, legitimação de posses, medição, conservação e alienação das terras devolutas, e de prover acerca do regime colonial e florestal do Estado, resolve, usando da atribuição que lhe confere o nº 4 do artigo 20 da Constituição, aprovar e mandar que seja executado o Regulamento que com este baixa, organizado e assinado pelo Doutor João José Pereira Parobé, Secretário dos Negócios das Obras Públicas.

Palácio do Governo, em Porto Alegre, 4 de julho de 1900.

A. A. Borges de Medeiros João José Pereira Parobé

REGULAMENTO

A QUE SE REFERE O DECRETO N. 313, DE 4 DE JULHO DE 1900

Dispõe sobre os serviços das terras públicas, legitimação de posses, medição, conservação e alienação das terras devolutas; e provê acerca do regime colonial e florestal do Estado.

[...]

PARTE TERCEIRA

REGIME FLORESTAL

Art. 166 – Constitui o regime florestal o conjunto de disposições atinentes à conservação, exploração e criação das matas.

Art. 167 – Denomina-se florestas, sob o ponto de vista legal, não só as matas propriamente ditas, mas também o mato de corte, os espinheirais, os aluviões e pastagens cobertas de mato, qualquer que seja a sua extensão.

Art. 168 – São florestas protetoras todas aquelas que, estando situadas nas altitudes, sobre encostas escarpadas, em pontos culminantes arestas, cumes de montanhas, declives; ou que achando-se localizadas nas regiões das nascentes, em desfiladeiros e barrancos à beira de rios e arroios; ou que, suprindo, enfim, a insuficiência das matas de uma zona, servem de proteção contra as influências climatéricas, as assolações dos ventos, a queda das pedras, os alimentos do terreno ou depressões, as enxurradas ou inundações.

Art. 169 – As florestas protetoras são públicas ou privadas: sobre umas e outras pode o Estado exercer a sua superior vigilância, a fim de prevenir as alterações do clima e conservar a fertilidade da terra, tendo em vista que a cultura agrícola do solo da floresta nem sempre compensa os prejuízos que resultam:

a) Da decomposição dos princípios orgânicos e esgotamento do terreno;

b) Da lavagem das terras pelas águas pluviais, sobretudo nas declividades rápidas;

c) Da multiplicação de insetos nocivos às culturas florestais.

CAPÍTULO II

FLORESTAS PROTETORAS

SECÇÃO I

DELIMITAÇÃO

Art. 170 – Dentro de um prazo razoável, far-se-á a delimitação de toda a área florestal que, nos termos do artigo 168, revestir de caráter de protetora.

Art. 171 – A operação relativa à delimitação será anunciada seis meses antes, por meio de editais afixados na sede dos municípios e publicados na imprensa da capital do Estado. Findo o prazo do edital, proceder-se-á à delimitação, com a assistência ou não dos interessados.

Art. 173 – No decurso desse tempo, é lícito aos interessados formular qualquer oposição, motivada e escrita, aos atos de delimitação. Apreciando os fundamentos das reclamações recebidas, decidirá o Governo como for de justiça e equidade.

Art. 174 – A interposição do recurso administrativo não prejudica o direito de ação, perante os tribunais competentes e na forma da legislação ordinária, tendo por objeto as contestações que a delimitação suscitar.

Art. 175 – No que forem aplicáveis, serão observadas no processo de delimitação as mesmas regras instituídas para o serviço de medição, conforme dispõe a parte Primeira deste Regulamento.

SECÇÃO II ROÇADOS

Art. 176 – Nenhuma floresta protetora deve ser convertida definitivamente em campo, prado ou pastagem sem prévio conhecimento do Governo.

Art. 177 – Não dependem da observância da formalidade anterior os roçados destinados ao beneficiamento da propriedade ou à sua exploração usual.

Art. 178 – Na hipótese de que trata o art. 176, o proprietário deverá significar a sua intenção com a possível antecedência, quer mediante comunicação direta ao Governo, quer por intermédio das intendências municipais ou de quaisquer agentes ou funcionários do Estado.

Art. 179 – O Governo, depois de certificar-se exatamente do estado e da situação das matas, manifestará ao proprietário o seu juízo sobre a inconveniência do roçado quando a conservação delas se tornar necessária:

a) À manutenção das terras sobre as encostas e montanhas;

b) À defensiva do solo contra as erosões e transbordamento dos rios, arroios ou torrentes

c) À existência das nascentes e cursos d’água; d) À defesa do território na parte da zona fronteiriça; e) À salubridade pública.

Art. 180 – Se o roçado é manifestamente prejudicial, por se verificar algum dos impedimentos do artigo antecedente, advertir-se-á o proprietário sobre a conveniência de seu ato. Quando nenhuma notificação se lhe fizer, dentro de dois meses a contar da data da declaração a que se refere o art. 179, entender-se-á que o ato merece aprovação tácita.

SECÇÃO III EXPLORAÇÃO

Art. 181 – De ordinário não são suscetíveis de exploração regular as florestas protetoras que não têm atingido a plenitude de seu desenvolvimento normal. Também só devem ser exploradas aquelas que são próprias ao uso a que se as destinar, quando deles nenhum prejuízo resultar.

Art. 182 – Tanto quanto for possível, traçar-se-á o limite da exploração anual mediante um plano organizado sobre bases certas, no qual se atenderá, a um tempo, à conservação da economia florestal e às necessidades do uso ou consumo público.

Art. 183 – Os cortes de madeira são ordinários ou extraordinários: os cortes ordinários são os que servem aos usos e benfeitorias necessárias ou úteis dos prédios rústicos; os cortes extraordinários são os que se destinam ao comércio ou a outros quaisquer fins.

Art. 184 – Os cortes ordinários podem se efetuar em qualquer estação; os cortes extraordinários, porém, devem sempre ser evitados no período que decorre de 23 de setembro até 20 de março.

Art. 185 – Quando mais desfavoráveis são as condições do solo e do clima, tanto mais prejudiciais são os cortes muito extensos.

Art. 186 – Na ordem da sucessão dos cortes, ter-se-á em vista especialmente favorecer a regeneração da floresta e premuni-la contra a violência dos ventos. Art. 187 – A conservação da floresta requer o replantio sistemático de todos os cortes e clareiras que se fizerem, ao menos que se julgue preferível transformar definitivamente em mato uma outra superfície equivalente de campo, prado ou pastagem.

Art. 188 – De 10 em 10 anos ou de 20 em 20 anos, no máximo, rever-se-á o plano da economia florestal para o fim de regular-se a exploração normal prevenindo-se as antecipações sobre o crescimento ou os abusos do gozo além de uma certa quantidade anual.

Art. 189 – A exploração deve ser sempre proporcional ao crescimento médio.

Nenhuma antecipação sobre a produção anual é conveniente, salvo o caso de compensação proveniente de economias efetuadas nos anos precedentes.

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