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5 PESQUISA EXPLORATÓRIA JUNTO AOS ASSESSORES DE

6.2 Regional Noroeste

A visita ao Regional foi feita em 20 de março do ano de 2018, começando por Porto Velho. Pe. Eduardo Fabiano de Souza, vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico de Porto Velho, e também a secretária executiva do Regional Noroeste, Rita de Cássia Moura da Silva, nos receberam. O primeiro diálogo estabelecido foi sobre as condições estruturais do Regional, que, como já dito, têm implicações diretas sobre como os processos de circulação e recepção do Documento 99 são estabelecidos.

6.2.1 Resultados da visita - Regional Noroeste

- Participação: O Regional é composto por dioceses que estão localizadas a centenas de quilômetros de distância entre si, o que, por si só, já dificulta o encontro e participação de

22 Regional Noroeste concentra os Estados de Rondônia, Acre e Amazonas, tendo as dioceses: Arquidiocese de Porto Velho, Diocese de Cruzeiro do Sul, Diocese de Guajará-Mirim, Diocese de Humaitá, Diocese de Ji-Paraná, Diocese de Rio Branco e Prelazia de Lábrea

Sede do Regional: Porto Velho. Av. Pinheiro Machado, 1200. Presidente: Dom Bruno Pedron. Vice-presidente: Dom Joaquim Pertiñez Fernández. Secretário: Dom Benedito Araújo. Secretária-executiva: Rita de Cássia Moura da Silva Ferreira.

seus membros em iniciativas pastorais de conjunto. Quanto à Pastoral da Comunicação, o bispo referencial é Dom Joaquín Pertiñez Fernández, de origem espanhola, bispo de Rio Branco, a quem não pudemos visitar neste momento porque está a 511km de Porto Velho. Entre essas duas cidades não há voos diários diretos, e de carro, quando a estrada está transitável, apesar dos buracos e da chuva, leva-se em torno de 8 horas de viagem. Mas, para além da precariedade estrutural, o que mais se destaca na fala dos entrevistados do Regional é a inexistência de uma política de conjunto entre as dioceses do Regional que viabilize iniciativas pastorais permanentes, e isso inclui a comunicação que, por vezes, não é percebida como prioridade.

- Estruturas: O Regional Noroeste é a mais recente das circunscrições da CNBB, com apenas 8 anos de criação, e ainda não possui uma sede de representação exclusiva. O Regional foi criado a partir da subdivisão do Regional Norte 1, em primeiro momento decidido no ano 2000, durante a Assembleia do Regional Norte 1 em Manaus-AM. A decisão foi confirmada pela 39ª Assembleia Geral da CNBB ocorrida em Itaici, Indaiatuba-SP, no dia 19 de julho de 2001. O Regional ainda não possui uma rede articulada de mídia, mas tem retransmissoras de TVs católicas e emissoras de rádio, como a Caiari em Porto Velho, que viabilizam a comunicação nas longas distâncias pontuadas por pequenos vilarejos de moradores ribeirinhos. - Conhecimento do assunto: Pudemos verificar que o Diretório é desconhecido pelas autoridades locais. Com exceção da secretária executiva do Regional, Rita de Cássia, e da secretária de pastoral da Arquidiocese, Nádia Moura, nenhum dos demais entrevistados teve acesso direto ao documento ou mesmo conhecimento prévio ao seu conteúdo. A Arquidiocese, porém, possui um Plano de Pastoral 2017-202023, impresso em 26 páginas. O processo de elaboração desse documento arquidiocesano, segundo informações de Nádia Moura, contou com a participação de irmãs Paulinas, que ofereceram oficinas de comunicação e apresentação do Diretório aos agentes de pastoral da Arquidiocese. Mas o Documento 99 da CNBB não está referenciado no Plano Arquidiocesano de Pastoral, embora o Plano cite outros documentos da CNBB como o 102 (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015 – 2019), o 47 (Educação, Igreja e Sociedade) e o 110 (Estudos da CNBB para a Educação). O Plano Arquidiocesano de Pastoral possui 3 prioridades que agrupam uma média de 4 projetos cada uma. A comunicação aparece no terceiro projeto da primeira prioridade, conforme o título “PROJETO 03 - Comunicação: instrumento para a Evangelização” apresentado da página 15 a 17 do Plano Pastoral. No tópico do projeto sobre o conteúdo a ser trabalhado, diz-se apenas “documentos da Santa Sé e da CNBB sobre os Meios de Comunicação”, não fazendo qualquer

referência a documentos específicos, nem aos pontifícios, nem mesmo ao Documento 99 da CNBB. Observando o próprio título do projeto, em que a comunicação é vista como instrumento, evidencia-se uma referência já ultrapassada do lugar da comunicação na Igreja Católica, apontando assim a carência de acesso com certa urgência às reflexões presentes no Diretório de Comunicação, que compreende a missão evangelizadora como prática comunicativa, colaborativa, participativa.

- Resultados observados: O Regional pareceu bastante desarticulado e ainda carente de apoio na aproximação ao Diretório e seu conteúdo. Os entrevistados e outros colaboradores pastorais demonstraram-se abertos, receptivos e dispostos a receber ajuda no processo de acesso ao conhecimento das propostas do Documento 99 e nos solicitaram apoio nesse sentido.

6.2.2 Entrevistas Regional Noroeste

No dia 21 de março, visitamos a Rádio Caiari AM de Porto Velho, de propriedade da Arquidiocese e entrevistamos o seu administrador, Pe. Geraldo Siqueira, que nos deu um depoimento sobre os desafios à frente da rádio, que está em fase de total reestruturação, migrando da modulação AM para FM e exigindo altos investimentos em recursos financeiros e humanos, ambos escassos na simplicidade da capital rondoniense. Em seu depoimento, ele apontou que o documento ainda é desconhecido pelos profissionais e agentes da comunicação católica local e precisa ser divulgado e promovido na região.

Também fez parte do itinerário em Porto Velho a visita à Cúria Arquidiocesana. Nesta ocasião, entrevistamos o Pe. João Marcos da Silva, coordenador de Pastoral da Arquidiocese e sacerdote diocesano de Volta Redonda, Rio de Janeiro, e desde 2015 está destacado para Porto Velho, prestando colaboração pastoral com a Arquidiocese. Em seu depoimento, foi relatado que não teve contato com o Documento 99 da CNBB, e com isso também ainda não conhece o conceito de Educomunicação. Pudemos verificar no processo que a coordenação de Pastoral está se reorganizando e buscando estruturar um caminho de reestabelecimento da Pastoral da Comunicação, que já existiu precariamente e que depois desapareceu. Essa é a perspectiva atual nesse âmbito.

Na tarde deste mesmo dia, também na Cúria Arquidiocesana, visitamos o Tribunal Eclesiástico de Porto Velho e entrevistamos o Pe. Eduardo Fabiano de Souza, Vigário Judicial da Arquidiocese. O padre Eduardo é paulista de Novo Horizonte, mas pertence ao clero de Porto Velho, ordenado sacerdote há doze anos. Segundo ele, o impacto que o documento tem provocado no seu serviço pastoral ocorre via outros documentos eclesiais que acabam sofrendo

influência do Diretório de Comunicação em suas perspectivas de trabalho. Mas o conteúdo do próprio documento em si e o conceito de Educomunicação, ainda são para ele desconhecidos.

Ao fim da tarde deste dia, entrevistamos o Pe. Filip Cromheecke, belga, Vigário Geral da Arquidiocese de Porto Velho e diretor espiritual do Seminário São João XXIII. Ele é o padre que assume a voz pela Arquidiocese na ausência do Arcebispo, que naquele momento se encontrava ausente. Apesar das inúmeras atividades pastorais, comuns aos poucos padres no Regional e na Arquidiocese, padre Filip confidenciou-nos que sua preocupação maior é contribuir para a formação de padres nativos da Amazônia, porque a Igreja local ainda conta com a presença de muitos padres de fora e que não se mantêm na região, trazendo instabilidade para um trabalho pastoral permanente. Quanto à sua experiência com o Documento 99 da CNBB, padre Filip afirmou que também ainda não teve contato e nem sequer sabia da existência do documento, e consequentemente, também não tinha conhecimentos no que se refere ao seu conteúdo e à presença do conceito de educomunicação e seu sentido para as práticas comunicativas da Igreja. Quanto à Pastoral da Comunicação, há perspectiva de reassumirem seus trabalhos a partir dos planos de pastoral da Arquidiocese.