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TÓPICO 1 – JORNADA DE TRABALHO

2.2 REGISTRO DA JORNADA DE TRABALHO

O registro da jornada de trabalho poderá ser realizado de diversas formas, através de registro manual, registro mecânico ou, ainda, ponto eletrônico. Sobre o assunto, salientamos a importância da aplicação do princípio da razoabilidade na marcação de cartões de ponto.

Tal assunto possui extrema relevância no tocante às horas extraordinárias, pois é através dele que se analisa o tempo acima da jornada de trabalho, podendo ser considerado hora extra. Mas, será que qual tempo a mais será considerado hora extra? Ou, quanto tempo excedente às oito horas diárias se presta ao cômputo de jornada extraordinária? Um minuto, cinco, dez? Qual seria o razoável para a solução de tal questionamento?

De acordo com Homero da Silva (2009a, p. 10):

O Tribunal Superior do Trabalho houve por bem fixar em cinco minutos, afinal, a dosagem média da razoabilidade. Abaixo desse limite despreza-se a fração, compreendida como uma pequena caminhada do trabalhador até o relógio de ponto ou um ajuste ou outro no maquinário a ser desligado. Acima desse limite, todavia, temos de conceber a fração como tempo à disposição do empregador, pois, se somarmos, por exemplo, dez minutos de entrada antecipada com dez minutos de saída retardada, teremos uma atividade de vinte minutos, o que, para muitos processos produtivos e de atendimento ao público, equivale a uma eternidade e não há motivo algum para ser desprezada.

Ainda, o parágrafo 1º do artigo 58 estabelece que:

“Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários (grifos nossos).

Assim, o limite diário é de DEZ (10) minutos e por registro do cartão-ponto o limite é de cinco minutos. Se exceder a isso, tudo deve ser somado como hora extraordinária.

Podemos perceber que existem dois limites que não podem ser ultrapassados:

1) DIÁRIO, que é de 10 minutos, variação não superior a 05 minutos para cada registro do cartão-ponto. Exemplifica-se:

Empresa: Fábrica de Móveis Félix Ltda.

Funcionário: José Henrique.

Jornada diária: 8h e 44 semanais. Horário de trabalho: Segunda a sexta-feira:

Manhã: 8h às 12h/Tarde: 14h às 18h/Sábado: Manhã: 8h às 12h.

Observação sobre o horário: José Henrique “bate” o cartão quatro vezes.

O limite diário de variação permitido é de dez minutos. Contudo, não pode ultrapassar cinco em cada batida. Se ultrapassar isso será considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal (Súmula 366 do TST).

Analisando o cartão-ponto da primeira semana, temos os seguintes registros:

● Entrada: 08h00m terceiro, dois minutos e; no quarto, três minutos. Nenhum superou os cinco minutos ou o total de dez minutos. Portanto, sem hora extra a ser considerada.

Está dentro da variação permitida.

• Em 15.05.2018, não houve alteração no primeiro registro; no segundo, acumulou três minutos; no terceiro registro, um minuto (até agora tudo certo, dentro do permitido). Contudo, no quarto registro, superou os cinco minutos por “batida”, portanto, tudo deve ser considerado como extra, até aqueles anteriores que não superaram cinco.

• Em 16.05.2018, apesar de nenhum registro ter superado os cinco minutos permitidos por “batida”, superaram os 10 minutos diários, portanto, conforme preceitua a Súmula 366 do TST, tudo deve ser considerado como extra.

• Em 17.05.2018, em um único registro constam dez minutos, excedendo assim a outra permissão, a de no máximo cinco minutos por “batida”. Os dez minutos devem ser diários, no total do dia. Assim, tudo deve ser considerado como hora suplementar (hora extra).

• Em 18.05.2018, na entrada, José Henrique chegou três minutos atrasado, que devem ser compensados com os minutos do meio-dia (zerou). À tarde, chegou cinco minutos mais cedo e saiu cinco minutos mais tarde, não ultrapassou o limite de cinco minutos por registro, nem o diário de dez minutos, portanto, dentro da variação permitida.

No sábado, 19.05.2018, para completar as 44 horas semanais, José Henrique trabalha apenas no período da manhã. Terá direito a 18 minutos de hora extra, justamente porque no primeiro registro superou os cinco minutos de variação permitida por “batida”, sendo assim, a Súmula 366 do TST determina que devemos levar em conta todo excedente do dia, mesmo que seja inferior a 10 minutos.

DICAS

SÚMULA 366 do TST: CARTÃO DE PONTO. REGISTRO. HORAS EXTRAS.

MINUTOS QUE ANTECEDEM E SUCEDEM A JORNADA DE TRABALHO. Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário do registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Se ultrapassado esse limite, será considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal, pois configurado tempo à disposição do empregador, não importando as atividades desenvolvidas pelo empregado ao longo do tempo residual (troca de uniforme, lanche, higiene pessoal etc.). Disponível em: <http://www.tst.jus.br/

sumulas>. Acesso em: 15 maio de 2018.

Ainda sobre esse tema, acrescentamos que seria quase impossível o registro de oito horas diárias exatas, se não houvesse um adiantamento ou atraso do empregado, e justamente por isto, a Súmula 338, inciso III, dispõe sobre a inadmissão de cartões-ponto com marcação uniforme, também denominada britânica ou invariável. Para o Tribunal Superior do Trabalho, cartões de ponto sem qualquer variação (britânicos) não possuem validade probatória.

Percebemos que o ônus da prova das horas laboradas recai sobre o empregador e, em consequência disto, surge a primordial importância do registro da jornada de trabalho, nas empresas com mais de dez empregados. O registro poderá ser efetuado de três formas à escolha do empregador: manual, mecânica ou eletrônica.

• Registro manual: o registro manual consiste no controle realizado de forma escrita pelo empregado em uma folha ou livro apropriado para o registro, devendo o empregado transcrever de forma fiel os horários de entrada e saída.

• Registro mecânico – cartão-ponto: trata-se da união de um relógio mecânico e cartões-ponto preenchidos de acordo com o horário registrado nesse relógio.

No cartão-ponto do empregado deverão constar os dados do empregador.

• Ponto digital ou eletrônico: atualmente, um dos sistemas mais disseminados, no qual o empregado possui um cartão ou crachá com tarja magnética, que, ao ser posicionado no relógio digital, efetua a sua leitura e registro de entrada e saída no sistema.