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6. RESULTADOS E DISCUSSÕES

6.1. Registro da pauta formativa

Nesse momento da pesquisa, então, foi feita uma análise comparativa entre as pautas formativas desenvolvidas nos anos de 2018, sob responsabilidade da coordenação da escola, de 2019, de responsabilidade do parceiro externo e de 2020, cujo encaminhamento se deu, outra vez, pela unidade escolar, na figura da coordenadora pedagógica. Ambas com foco no formato dos registros, nos conteúdos, nos objetivos da formação, na gestão de tempo, materiais e espaço e na finalização e encaminhamentos.

Ao se considerar as pautas formativas propostas para o ano de 2018, em que a coordenação da escola era responsável e cuja estrutura se constituía por meio da entrega de uma filipeta para os professores constando, em formato de lista, os itens que seriam contemplados, seguido da orientação de que essa marcação escrita fosse arquivada, pode-se dizer que havia a intenção da unidade escolar em sinalizar quais seriam as etapas que seriam seguidas para os percursos formativos previstos para aquelas datas.

A partir destas pautas, entende-se que há uma iniciativa da escola em arquivá-las, seja essa preocupação pautada na memória de qualidade da escola, ou melhor, na tentativa de se criar uma repositório e registro do que a escola constrói como documentação pedagógica a fim de uma revisitação e retroalimentação na formação docente, seja ela para a garantia da coordenação no que diz respeito ao cumprimento de sua função e atividade escolar docente no horário de trabalho. Em todos os casos, a indicação de arquivamento era evidente.

As pautas de 2018, por estarem organizadas em formato de lista, dão a entender que existe uma hierarquização dos pontos que seriam tratados, como se houvesse grau de

importância e que o foco estaria no atendimento desses itens na fala da pessoa responsável pelo HTPC.

Já, diante dos registros sobre as pautas do ano de 2019, cuja forma se estruturava a partir das indicações do parceiro externo e havia o tema do HTPC, uma epígrafe, contextualização do encontro, seguindo com os objetivos; sinaliza-se que nessa etapa da formação, o proponente fez questão de indicar, além dos itens já descritos, quais eram as expectativas previstas para cada encontro, uma vez que por meio do detalhamento de desenvolvimento dessa pauta, infere-se que cada ação formativa estaria voltada para o alcance de cada um dos objetivos que foram declarados.

Ainda sobre as pautas de 2019, aponta-se que essas eram impressas e entregues aos professores e que tinham os momentos de execução bem marcados, tais como a leitura, a problematização, o estudo da prática pedagógica, a sistematização, a proposta de continuidade, a avaliação do encontro e a indicação de materiais e fontes, referências estas que dariam dimensão para os sujeitos do que aconteceria em cada parte da formação, evidenciando a organização do HTPC, porque o início, meio e fim estavam bem definidos.

Tratando-se das pautas elaboradas para o ano de 2020, indica-se que o proponente, no caso a coordenação da escola, por meio de um grupo do whatsapp, criou a pauta no aplicativo

"canva" e disponibilizou para a equipe o arquivo, em formato de lista, que contemplava os itens que seriam tratados na reunião.

Essas pautas, embora estivessem digitadas e com layouts digitalizados e em pdf, assemelhavam aos moldes do ano de 2018, por serem colocadas em tópicos, de forma hierarquizada de aplicação, que reforçava, mais uma vez a ideia de que o ponto crucial dessa pauta estaria no que deveria ser tratado, indicando que o conteúdo da reunião seria o ponto de partida e de chegada da formação.

Em comparação aos grupos de pautas utilizados nos anos de 2018, 2019 e 2020, considera-se como elemento de aproximação entre a elas o cuidado em demonstrar quais elementos seriam contemplados em cada dia de trabalho coletivo e a sequência pela qual eles seriam executados, porque tanto a unidade escolar, na figura da coordenação ou da direção, quanto o parceiro externo, apresentaram para os sujeitos envolvidos no HTPC as pautas formativas como trajeto.

Em primeira observação, parece que se configuram mudanças, inicialmente no tamanho destas pautas formativas e, em seguida, na pertinência dos conteúdos, entretanto, infere-se que o que permaneceu foi o foco na organização de pautas que estivessem constituídas a partir dos “conteúdos”, que teriam sido determinados pela instituição, fosse

esta do parceiro externo, ou a secretaria de educação. A preocupação aqui do Sujeito 2 revela-se no aprofundamento de temáticas e não nas estratégias formativas.

Em relação às pautas de 2019/2020 no sentido progressista do processo, como é que eu posso explicar isso? Ah… as pautas começaram em 2019 como a questão mais de conhecimento ou de aprofundamento do espaço, do território de acolhimento, em 2020 ela possibilitou aprofundar um pouco mais a discussão acerca das temáticas que diziam respeito a intervenção docente, junto às crianças e o processo de aprendizagem e ensinagem.

Quando se faz a comparação entre o que se propunha antes da implementação do programa em estudo e depois dele, fica evidente que a coordenadora, após 2019, preocupou-se em ocupar sua equipe de trabalho com temas que faziam parte das rotinas diárias do docente, com os conteúdos, já que se propunha a retomada dos documentos orientadores e encaminhamentos sobre planejamento e registros.

Os sujeitos envolvidos neste processo, como o Sujeito 1, reforçam que havia foco nos temas, retomando a ideia de conteúdo como fim, por ele e para ele mesmo e esvaziando o espaço para as estratégias formativas, que usariam os temas como meios potencializadores da formação docente.

Embora essas pautas tenham sido “organizadas” em 2019/2020…é… hoje eu percebo essa falta nos planejamentos na atividade permanente ,né? Na vivência permanente, tipo uma organização de leitura, da importância desse comportamento leitor… da… da procriação literária, de ter uma sequência didática

Outra informação é que, ao se comparar as proposituras feitas pela coordenação da escola, nota-se que antes do programa, expressões como “Leitura dos comunicados da SME”

eram recorrentes e, anos depois, estas foram substituídas por encaminhamentos do Pedagógico, que aparentemente se estruturam da mesma forma, porque se baseavam no que seria feito e não se observava como fazê-lo. O curioso a respeito desta observação é que a percepção do Sujeito 5 também é de enxergar pouca transformação, uma vez que relata

Eu posso dizer que eu percebo uma mudança muito sutil… é …uma mudança ainda muito tímida, né? Mas acho que é natural, porque quando a gente pensa em como esses processos se estabelecem, a gente sabe que é por meio de uma construção, que é gradativa, que realmente é devagar, que precisa, né? A gente tem muitas coisas ainda para serem bem compreendidas para ter uma mudança mais expressiva dessa prática, mas alguns aspectos eu consigo perceber, né? Então, a gente vê uma preocupação dos professores em agregarem esse momento do HTPC, algumas estratégias, como uma leitura, o momento deleite, um momento cultural, de pessoas que se importam, por exemplo, em privilegiar um momento para estudo, já abandonaram algumas práticas como por exemplo, deixar os professores lá, livres, discutindo qualquer assunto, ou às vezes falando até de ações que não são

pertinentes ao espaço escolar, então eu percebo já essa preocupação, né? Com estudo, embora, ainda não exista um processo de garantia, uma sequência formativa, onde organizar esse momento de estudo, a partir de um levantamento, de anseios, de quais são as reais necessidades de um determinado grupo, mas eu acho que são alguns aspectos bem mais simples assim, mas houve uma mudança tímida mas eu percebo sim

Ainda a respeito do conteúdo das pautas formativas, percebe-se que estas, quase que em sua totalidade, possuíam caráter de transmissão, já que se estruturam na “passagem” dos assuntos para os professores em formação, o que revelava uma necessidade de cumprimento de quantidade de tarefas e não na qualidade delas.

Observando as pautas formativas dos três anos, pondera-se que os processos formativos, aparentemente, limitam-se ao tópico de formação: conteúdo. Entretanto, Placco e Souza (2018), defendem a ideia de que a formação deve ser concebida numa perspectiva viva, de reflexão, de questionamento da realidade em que todos os sujeitos envolvidos possam compreender que formação continuada docente não pressupõe apenas a experiência, tampouco a prescrição, mas sim a problematização, já que por meio desta última se pensa, reflete, questiona, discorda e propõe.