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3.9 VISÃO GERAL DA ISO 31000

5.1.2 Processo de gestão de riscos

5.1.2.6 Registro do processo de gestão de riscos

A ISO propõe que todas as atividades devem ser rastreáveis, sendo os registros fundamentais para a melhoria dos métodos e ferramentas, bem como para todo o processo.

A PNSB instituiu na Seção III o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), para estabelece a necessidade de informatizar o registro de todas as informações relativas à coleta, tratamento, armazenamento e recuperação das informações, contemplando barragens em construção, em operação e desativadas.

Convém que as instituições envolvidas no processo tenham a mesma base de dados e programas que conversem entre si, a fim de gerar uma base sólida e que, de fato, possibilite o registro e o monitoramento de todo o processo.

No âmbito do empreendedor, este deve garantir que todo o seu processo seja documentado e que essa documentação esteja disponível para os órgãos fiscalizadores, conforme prevê a PNSB.

Para permitir uma visualização gráfica, apresenta-se o Quadro 11 que contém um resumo do que foi tratado na seção 5.1.2.

Quadro 11 – Sistematização proposta para o processo do PGSBH

PGSBH (Plano de Gestão de Segurança de Barragens Hidrelétricas)

ISO31000 PNSB Proposta

Comunicação e

consulta Art. 4º, incisos II e IV Art. 15 inciso V

Plano de comunicação e consulta à população antes da tomada de qualquer decisão, criando um canal de comunicação de mão dupla entre o órgão e a sociedade, garantido-se a preservação da identidade do

indivíduo, com cautela sobre as informações divulgadas.

Elaboração de um plano de comunicação com ações contínuas e que interaja com a população, estimulando o debate e criando soluções para o caso de acidentes.

Estabelecimento dos contextos

internos e externos

A lei não regulamenta especificamente a

questão

Conhecimento profundo de todas as instituições participantes,

principalmente porque envolve, pelo menos três instituições (ANA, Aneel e CNRH). Deve-se evitar sobreposição de funções e zonas de

sombreamento entre e dentro das instituições. Os órgãos devem conhecer profundamente seus processos, mapeando os processos críticos

relacionados por exemplo, a aprovação e fiscalização de

empreendimentos, identificando lacunas e conflitos a fim de facilitar ações corretivas e a identificação de responsáveis pelas atividades

Deve-se primar pelo conhecimento profundo da literatura, o

monitoramento do ambiente externo, a elaboração de cenários futuros, designando pessoal específico para essa tarefa.

O empreendedor deve também procurar conhecer bem os seus processos, identificando o que existe de documentação, ações, projetos, atividades e funções relacionadas à questão para então, atribuir responsabilidades, elaborar instruções, e definir um organograma em consonância com os objetivos do PSB.

Definição de

critérios de risco Art. 7º

Definição dos valores a serem utilizados para frequência e consequência e nível de risco aceitável;

Definições das categorias de risco e o tratamento a ser dado a cada uma das categorias.

Os empreendedores devem contar com equipe especializada e devidamente capacitada para fazer o enquadramento do barramento conforme a classificação proposta pelo órgão fiscalizador, de forma a retratar a classificação de maneira mais real possível, considerando a subjetividade inerente de alguns parâmetros.

Identificação dos riscos

A lei não regulamenta especificamente a

questão

As instituições não interferem neste momento do processo

O empreendedor deve buscar na literatura todas as fontes de risco bem como as técnicas utilizadas para identificá-las, a fim de gerar uma lista adaptada à realidade do barramento sob sua responsabilidade.

Análise de riscos A lei não regulamenta especificamente a questão

As instituições não interferem neste momento do processo. O empreendedor deve definir quais as melhores ferramentas que se adaptam à sua realidade, e contar com equipe especializada e altamente capacidade.

Avaliação de

riscos Art. 17 inciso VII e X Art. 11

As instituições devem receber os PSB e verificar a conformidade Cabe ao órgão fiscalizador e orientar as medidas de prevenção e fiscalizar os pontos considerados críticos, com vistas a evitar acidentes.

O empreendedor deve definir o tratamento e a prioridade a ser dado a cada risco identificado, em função do contexto externo estabelecido. Tratamento de

riscos

A lei não regulamenta especificamente a

questão

O órgão fiscalizador deve acompanhar o tratamento dispensado aos riscos a fim de torná-los aceitáveis.

O empreendedor deve comunicar ao órgão fiscalizador os riscos encontrados, definir o tratamento a ser dado, e aplicá-lo.

PGSBH (Plano de Gestão de Segurança de Barragens Hidrelétricas)

ISO31000 PNSB Proposta

Monitoramento e

análise crítica Art. 16 Art. 10

O órgão regulador deverá verificar a evolução dos riscos e das medidas tomadas pelo empreendedor.

É necessário incorporar a cultura de gestão de segurança de barragens entre as instituições, promovendo reuniões periódicas entre elas a fim de verificar se os parâmetros e as classificações determinados continuam atendendo as expectativas.

O empreendedor deverá estabelecer um programa de monitoramento periódico para avaliar as mudanças de contexto, verificar se a definição das fontes de risco continuam adequadas bem como as probabilidades atribuídas e as consequências; se o tratamento dos riscos está

proporcionando resultados satisfatórios e se a comunicação está bem feita e chegando de maneira adequada aos interessados. O empreendedor deve, portanto, definir quem fará esta análise crítica.

A PNSB em seu art. 10 prevê especificamente que a revisão periódica tem objetivo de verificar o estado geral de segurança da barragem, considerando o atual estado da arte para os critérios de projeto,

atualização dos dados hidrológicos e alteração das condições a montante e a jusante da barragem. Registro do processo e avaliação de riscos Seção III Art. 17

Convém que as instituições envolvidas no processo tenham a mesma base de dados e programas que conversem entre si, a fim de gerar uma base sólida e que, de fato, proporcione o registro e o monitoramento de todo o processo.

No âmbito do empreendedor, este deve documentar todo o seu processo e manter disponível para os órgãos fiscalizadores conforme prevê a PNSB.

As sugestões e propostas de melhoria que resultaram na criação do Plano de segurança de barragens hidrelétricas levaram em consideração o que já está previsto na PNSB e nas exigências da ISO 31000 e nos estudos pesquisados.

Ao se fazer essa comparação e verificar as possíveis lacunas para elaboração do plano pode-se constatar o quão abrangente está a política recém-aprovada no Brasil.

A ISO tem a característica de ser uma norma bastante didática que facilitou o entendimento e a proposição do plano.

O plano proposto fornece orientações factíveis de serem implementadas considerando as estruturas já existentes bem como modernas técnicas de avaliação de risco.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estado da arte da gestão de risco de rupturas de barragens no Brasil é ainda insipiente, e há dificuldade em se encontrar roteiro de gestão de risco para barragens que possibilita de forma sistemática sua aplicação. Porém uma crescente força vinda da sociedade e também de fontes financiadoras têm colocado segurança de barragens em primeiro plano. A tese de Menescal (2009) traz um avanço para a literatura ao incorporar a gestão de risco de barragens no âmbito governamental e servir de subsídio para a publicação da Lei nº 12.334/2010, apesar do relativo atraso em relação a outros países, apresentando um evidente progresso na legislação brasileira, uma vez que fornece diretrizes e obrigações que com certeza irão auxiliar no planejamento e nas ações relativas à segurança das barragens nacionais.

A partir dos resultados do estudo comparativo realizado no capítulo cinco desta dissertação foi possível constatar que a Lei nº 12334/2010 está bem estruturada e completa. No entanto, verificou-se a necessidade de se estabelecer mecanismos que permitam capturar as não conformidades das ações em relação ao determinado pela lei. A Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) está bem adequada ao conceito de gestão de risco, restando a sua implementação aos órgãos fiscalizadores, que deverão exigir dos responsáveis pelas barragens ações efetivas de segurança.

Impõe-se, portanto, a necessidade de se implementar uma efetiva gestão de risco ambiental na ruptura de barragens, sendo primordial o envolvimento de todos os intervenientes no processo, incluindo a equipe de profissionais nomeados pelo empreendedor responsável pela segurança da barragens. Destaca-se que esses profissionais devem possuir experiência e comprovado conhecimento e familiaridade com a realidade e todas as suas variantes, relacionadas à fiscalização da segurança de barragens.

Essa fiscalização deverá tomar por base o Plano de Segurança de Barragens (PSB) e os relatórios de inspeção elaborados pelos empreendedores. Com base nesses documentos e no contexto encontrado, os órgãos poderão avaliar a evolução e o tratamento dispensado aos riscos pelos empreendedores momento em que poderão indicar pontos a serem melhorados e, por consequência aprimorar e tornar mais eficiente os serviços de fiscalização das obras, contribuindo para a minimização dos riscos.

Os estudos levam a concluir pela necessidade da revisão periódica dos parâmetros estabelecidos pelo órgão fiscalizador e pela importância da capacitação de seu corpo técnico a

fim de mantê-los atualizados sobre as modernas ferramentas de gestão de risco. Dessa forma, será possível uma atuação mais eficiente junto ao empreendedor.

Ressalta-se também ser primordial a implementação do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), sistema que deverá facilitar a obtenção de um registro único e sistemático das ocorrências bem como um controle dos barramentos, que será utilizado pelos diversos órgãos além do empreendedor, que deverá também inserir dados no sistema. Importante também é a expectativa de uma atuação mais proativa do empreendedor, que deverá se articular com os responsáveis por outros empreendimentos da cascata uma vez que dano em algum barramento poderá afetar os outros, gerando o efeito dominó, fato que também deve ser considerado na gestão dos riscos.

Relativamente aos órgãos fiscalizadores e ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) é fundamental que estes determinem mecanismos de controle e indicadores possíveis de avaliar a eficiência da aplicação da PNSB.

De acordo com a ISO, é primordial também que o sistema governamental e as empresas incorporem a gestão de risco em seus processos, criando uma cultura de gestão e incorporando a sociedade nas discussões. Se as instituições reconhecerem os riscos inerentes do empreendimento, estabelecerá, mais facilmente, laços de confiança com a sociedade.

Especificamente com relação à Aneel, esta agência deve estabelecer padrões de segurança para os barramentos em função do dano potencial, tendo sempre em mente que, conforme revisão da literatura, os pequenos barramentos também devem ser considerados, uma vez que estes têm apresentado diversos problemas. Além disso, a Aneel deve se apoiar na afirmação de que o setor elétrico tem o melhor padrão de controle de segurança de barragens, para ser reconhecida também pela sua capacidade de antever situações emergenciais e trabalhar para evitá-las. Deve usar essa qualidade a seu favor, exigindo a utilização do que há de mais moderno em segurança de barragens dos empreendedores sob sua fiscalização.

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