I- Procedimentos para a Manipulação de Microorganismos Patogênicos e/ou
1.3. Regras Básicas para o Trabalho em Laboratório
Considere todo equipamento como infeccioso
Trabalhe com atenção e sem tensão.
Sinais de aviso indicando o nível de risco dos agentes em uso devem ser colocados na porta do laboratório.
Todo acidente deve ser relatado por escrito ao supervisor do laboratório para posterior notificação oficial. Cuidados médicos devem ser providenciados imediatamente.
Acidentes Biológicos na FIOCRUZ
De acordo com o Artigo. 211/214 da Lei nº 8112/90 do R.J.U., todo acidente de trabalho deverá ser notificado (vide Anexo). O trabalhador envolvido em acidente biológico deverá ser atendido e se preciso, medicado com urgência (indicado até 2 horas após o acidente, segundo projeto de Norma Regulamentadora # 32 sobre a “Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde”). Para isso, o trabalhador acidentado deverá procurar (ou ser encaminhado) ao médico plantonista mais próximo. O NUST (Núcleo de Saúde do Trabalhador) deverá ser notificado de todos os acidentes.
Todo pessoal de laboratório deve:
• Conhecer as regras para o trabalho com agente patogênico;
• Conhecer os riscos biológicos, químicos, radioativos, tóxicos e ergonômicos com os quais se tem contato no laboratório;
• Ser treinado e aprender as precauções e procedimentos de biossegurança;
• Seguir as regras de biossegurança; evitar trabalhar sozinho com material infeccioso: uma segunda pessoa deve estar acessível para auxiliar em caso de acidente;
• Ser protegido por imunização apropriada quando disponível;
• Manter o laboratório limpo e arrumado, devendo evitar o armazenamento de materiais não pertinentes ao trabalho do laboratório;
• Limitar o acesso aos laboratórios, restringindo-o nos laboratórios de níveis de contenção 3 e 4. Não permitir crianças no laboratório. Esclarecer mulheres grávidas ou indivíduos imunocomprometidos que trabalham ou entram no laboratório quanto aos riscos biológicos;
• Usar roupas protetoras de laboratório (uniformes, aventais, jalecos, máscaras) que devem estar disponíveis e ser usados inclusive por visitantes;
• Usar luvas sempre que manusear material biológico. Luvas devem ser usadas em todos os procedimentos que envolverem o contato direto da pele com toxinas, sangue, materiais infecciosos ou animais infectados. Anéis ou outros adereços de mão que interferem com o uso da luva devem ser retirados. As luvas devem ser removidas com cuidado para evitar a formação de aerossóis e descontaminadas antes de serem descartadas. Trocar de luvas ao trocar de material. Não tocar o rosto com as luvas de trabalho. Não tocar com as luvas de trabalho em nada que possa ser manipulado sem proteção, tais como maçanetas, interruptores, etc.;
• Usar sempre avental ou jaleco ao manipular material sabidamente ou potencialmente patogênico. Retirar o jaleco ou avental antes de sair do laboratório. Não usar sapatos abertos;
• Utilizar protetores de face e/ou olhos quando necessário proteger-se de respingos, substâncias tóxicas, luz UV ou outras irradiações;
• Não aplicar cosméticos. Não retirar canetas ou qualquer outro instrumento do laboratório sem descontaminar antes. Não mastigar lápis/caneta e não roer as unhas;
• Evitar o uso de lentes de contato. Se houver necessidade de usá-las, proteja os olhos com óculos de segurança. Cabelos compridos devem estar presos durante o trabalho. O uso de jóias ou bijouterias deve ser evitado;
• Lavar as mãos sempre após manipulação com materiais sabidamente ou com suspeita de contaminação. Lavar as mãos sempre após remoção das luvas, do avental ou jaleco e antes de sair do laboratório;
• Nunca pipetar com a boca. Usar pera ou pipetador automático;
• Restringir o uso de agulhas, seringas e outros objetos perfuro-cortantes. Extremo cuidado deve ser tomado quando da manipulação de agulhas para evitar a autoinoculação e a produção de aerossóis durante o uso e descarte. Nunca tente recapear agulhas. As agulhas ou qualquer outro instrumento perfurante e/ou cortante devem ser desprezados em recipiente resistente, inquebrável, de abertura larga. Quando os recipientes estiverem cheios, devem ser autoclavados ou incinerados; • Não transitar nos corredores com material patogênico a não ser que esteja
• Não fumar, não comer, não beber no local de trabalho onde há qualquer agente patogênico. Não estocar comida ou bebida no laboratório;
• Nunca usar vidraria quebrada ou trincada;
• Descontaminar a superfície de trabalho. A descontaminação da bancada e dos materiais utilizados deve ser feita ao término do trabalho ou, no mínimo, diariamente; • Descontaminar todo material líquido ou sólido antes de reusar ou descartar.
• Todos os procedimentos técnicos devem ser realizados com o mínimo de produção de aerossóis.
Cultivo de Microorganismos - Cuidados especiais
• Abrir, cuidadosamente, tubos e frascos evitando agitá-los; • Identificar claramente todos os tubos e frascos;
• NUNCA usar vidraria trincada ou quebrada;
• Manipular os tubos, frascos, pipetas ou seringas com as extremidades em direção oposta ao operador;
• Desprezar sobrenadantes ou conteúdo de pipetas sobre material absorvente embebido em desinfetante contido em um frasco de boca larga (p.ex. Becker) no sentido de evitar a formação de aerossóis;
• Colocar um tampão de algodão hidrófobo na extremidade das pipetas, que entra em contato com a pera ou o pipetador automático;
• Limpar toda a área com solução desinfetante após o término do trabalho.
Uso de Animais de Laboratório - Lembretes Importantes
Aplicam-se também ao trabalho com animais vertebrados ou invertebrados silvestres, vetores de microorganismos patogênicos:
• Considerar como potencialmente infectado todo animal silvestre, vertebrado ou invertebrado;
• Os procedimentos, equipamentos de proteção e as instalações deverão ser cuidadosamente escolhidos, sempre de acordo com o agente patogênico, a espécie animal envolvida e o tipo de ensaio a ser desenvolvido, demandando medidas de contenção compatíveis.
• Seguir as diretrizes, padrões, regulamentos e leis relativas aos cuidados e manuten- ção dos animais em experimentação;
• Assegurar que todos os profissionais que tenham contato com estes animais e/ou com os descartes oriundos de atividades a eles relacionadas, estejam familiarizados com os procedimentos, os cuidados necessários e riscos envolvidos. Providenciar, quando necessário, imunizações e a avaliação sorológica destes profissionais;
• Os animais devem ser mantidos em gaiolas que evitem fuga, nos casos de roedores deve se dar especial atenção as tampas das gaiolas
• Todas as gaiolas devem possuir ficha de identificação que contenha as seguintes informações: número de animais, linhagem, sexo, idade, peso, data da infecção, iden- tificação do microorganismo inoculado, cepa, via e dose de inoculação, bem como o nome do pesquisador responsável e telefone;
• Relatar e notificar todo e qualquer acidente, provenientes do manuseio dos animais ou gaiolas;
• Quaisquer animais encontrados fora das gaiolas e que não possam ser identifica- dos devem ser sacrificados e suas carcaças autoclavadas. Na eventualidade do ani- mal escapar das imediações do laboratório, as autoridades competentes deverão ser prontamente notificadas;
• Após o término do ensaio com os animais, todos os materiais que tiveram contato com os animais infectados deverão ser descontaminados prefen- cialmente por autoclavação, porém pode-se utilizar outros procedimen- tos de descontaminação adequados aos microorganismo em questão. .
Material Humano - ATENÇÃO!
• O Pesquisador Principal deve avaliar, previamente, o potencial de risco do material de origem humana, já que existe a possibilidade de contaminação com agentes patogênicos, mesmo na ausência de sintomatologia clínica;
• É sempre bom lembrar: As pesquisas envolvendo seres humanos devem atender às exigências éticas e científicas e devem ter o parecer de um Comitê de Ética em Pesquisa (Resolução CNS 196/96).
• Prions podem continuar “infecciosos” mesmo após autoclavação. Cuidados especiais devem ser tomados na manipulação de material oriundo de sistema nervoso central, retina, nervo ótico, amídalas, tecidos linforeticulares (primatas humanos e não huma- nos, bovinos, ovinos, caprinos, etc.) Sabe-se que materiais cirúrgicos podem transmitir prions após procedimentos rotineiros de descontaminação, incluindo tratamento com
solventes orgânicos, formol, detergentes e autoclavação convencional (20 min / 121ºC). Os procedimentos de descontaminação para Prions indicados atualmente são:
- Aquecimento de metais até incandescência
- Incubação em NaOH 2M por 1 hora antes da autoclavação convencional (Taylor et al. J Gen Virol 83:3199-3204, 2002)
- Tratamento com proteinase K (50ug/ml) + Pronase (2mg/ml) + dodecil sulfato de sódio 4% por 1 hora / 40oC (Jackson et al. J Gen Vir 86:869-78, 2005)