Regulamento nº 94
Publicado em 7 de janeiro de 1885 Para o imposto de capitação de agregados.
O bacharel Raimundo Theodorico de Castro Silva, presidente da Província do Piauí, autorizado pelo art. 24 $ 4º do ato adicional, especialmente pelo art. 6º da Resolução Provincial nº 1108 de 17 de julho do ano próximo passado, resolve que se obseve o seguinte:
Regulamento CAPITULO 1º
Do imposto
Art. 1º. O imposto de capitação sobre os agregados de todos os proprietários de terra de criar e lavrar na província, a razão de dois mil reis por cada fogo ou família no sentido jurídico, será fixado, anualmente, em cada uma das freguesias da província, pelas respectivas coletorias. Art. 2º. O referido imposto será lançado e diretamente cobrado dos agregantes, como responsáveis, ficando porém, os mesmos para todos os efeitos da lei sub-rogados nos direitos da fazenda provincial, afim de haverem de seus agregados as respectivas importâncias em moedas correntes ou em serviço equivalente.
CAPITULO 2º
Do lançamento
Art. 3º. O lançamento será organizado, em todos os municípios da província, e pelos coletores e seus escrivão, anualmente, em o mês de novembro.
Art. 4º. No prazo de 60 dias, antes do estabelecimento do art. Antecedente, marcado para o lançamento, os coletores, por editais que farão publicar nas sedes das freguesias, convidarão todos os proprietários das terras de criar e lavrar, afim de que, por si, ao como administradores, tutores e curadores, venham apresentar, dentro do referido prazo, listas em duplicata dos seus agregados, das quais ficara um exemplar no poder do coletor, que passará recibo no outro que será entregue a parte; devendo vias as listas assinadas pelos proprietários ou seus procuradores, com declaração das fazendas, sítios, lugares, numero e nome dos agregados.
Art. 5º. Findo o prazo para o recebimento das listas, o coletos anunciando que vai proceder o lançamento, mandará lavrar, em livro para semelhante fim destinado, um termo em que mencionará quais os agregantes que forneceram as listas de que trata o artigo antecedente,
quais os que não cumpriram com esse dever, e se foram satisfeitas as publicações pelo mesmo exigidas.
Art. 6º. O coletor na falta de fornecimento das listas, fará, a revelia, lançar o agregante omisso, para cujo fim procurará informar-se de pessoas fidedignas e que tenham razão de saber do numero de agregados deste.
$1º. A despeito do fornecimento das listas, se o coletor tiver pleno conhecimento, ou por si ou por informação e denuncia, assinada por pessoa fidedigna, de que o numero de agregados é inferior ao que realmente o agregante possui, poderá alterar no lançamento, ficando salva a parte o direito de reclamar, no devido prazo.
Art. 7º. Não estão compreendidos na disposição da lei- para os efeitos do lançamento, os terrenos situados na décima urbana, nos arredores das cidades, vilas e povoações, ate um quilometro dos mesmos.
$1º. Os que residem nesses terrenos e lavrarem ou criarem em outras terras sujeitas ao imposto do art 1º da lei, também se consideram agregados.
Art. 8º. Não se contemplarão no lançamento, por não serem considerados agregados:
$1º. Os vaqueiros, os administradores de estabelecimentos agrícolas ou rurais de qualquer espécie e seus auxiliares, e os fâmulos ou criados de servir.
$2º. Os ascendentes e descendentes, irmãos e afins nos mesmos graus de agregantes. Art. 9º. Alem do imposto estabelecido no art. 1º da lei, ficam sujeitos ao lançamento e pagarão mais o de mil reis por fogo ou família, os proprietários de terrenos rurais de valor inferior a vinte e cinco mil reis, e os rendeiros que não estiverem sujeitos a contribuição geral, provincial ou municipal de outra espécie.
$ 1º. Ficará o possuidor sujeito ao imposto deste artigo, caso sejam as braças de terra de 50 para menos, embora figurem valor superior a vinte e cinco mil reis, ainda que pelas escrituras de venda, doação ou pelos inventários determine-se o numero de braças de terreno vendido.
Art. 10º. Concluído o lançamento, emprazo que não exceda a 30 dias, e depois de lavrado o termo de encerramento, o coletor mandará publicar, por edital e pela imprensa, onde houver, o seu resultado, afim de que venham os interessados reclamar, dentro de 30 dias, improrrogáveis contados da conclusão do lançamento, contra este.
$1º. Não gozarão do direito de reclamação- os proprietários que deixarem de remeter as listas de que trata o art. 4º do presente regulamento, e cujo lançamento fora feito a sua revelia.
$2º. Na hipótese do $ antecedente, ficará, porém, salvo a parte o direito de recurso para a junta administrativa, provando a mesma com justificação jurada- que teve justo impedimento que a forçou a não apresentar em tempo as listas.
Art. 11º. O proprietário, que houver fornecido as listas, mas que forem elas alteradas pelo coletor, e que dentro do prazo do art. 10º não houver reclamado, perante o mesmo contra a alteração, não terá direito de recorrer para a junta administrativa.
Art. 12º. Findo o prazo para as reclamações, fará o coletor remessa da copia do lançamento ao tesouro provincial, depois de satisfeitas todas as prescrições estabelecidas no presente regulamento.
CAPITULO 3º
Dos recursos
Art. 13º. Da decisão contraria as partes, dada pelos coletores, cabe recurso para o tesouro provincial, o qual será interposto, depois de findo o prazo do art. 10º. Dentro de 30 dias, para os que se acham compreendidos no $2º do mesmo artigo; devendo vir logo a petição do recorrente por intermédio do coletor, que a informará e a remeterá imediatamente ao tesouro, ou a entregará a parte, caso a exija.
Art. 14º. Nenhum recurso será atendido- se as provas não consistir em justificação jurada em juízo competente, e que não venha a petição, alem de informada pelos coletores, selada e assinada pelo recorrente, ou por procurador legalmente constituído, e no prazo do art. 10º. Art. 15º. Recebido o recurso pelo tesouro, e depois de informação da contadoria a seção do contencioso, será resolvida pela junta administrativa, ate o fim do mês de fevereiro.
Art. 16º. Esgotado o prazo para o recurso, será alterado, e feitas as anotações precisas no lançamento, independentemente de qualquer publicação, a não ser a comunicação ao coletor, para dar ciência ao recorrente.
CAPITULO 4º
Da cobrança
Art. 17º. Concluído o prazo para o recurso e decisão deste, se promoverá, depois de decorridos 30 dias, a cobrança do imposto de capitação sobre os agregados, a qual será realisada em dinheiro na coletoria e município, do dia 1º a 30 de abril de cada ano, para o que 30 dias antes os coletores farão publicar editais, convidando os contribuintes a virem satisfazer seus débitos.
Art. 18º. O contribuinte que dentro do prazo do artigo antecedente satisfazer o seu debito, não ficará sujeito a imposição de multas de natureza alguma; porém, o que não realizar- além da importância em que estiver coletado, pagara mais a multa estabelecida pelas leis em vigor.
CAPITULO 5º
Das multas e penas
Art. 19º. Os coletores e escrivão que forem omissos no cumprimento de seus deveres, para a boa regularidade e fiel observância do presente regulamento, ou pela demora, com a qual possa trazer prejuízos as partes, ficarão sujeitos a multa de cinquenta a cem mil reis, imposta pela junta administrativa, conforme a natureza da falta; não isentando ela os mesmos da responsabilidade criminal, que no caso couber e da exoneração, se merecerem.
Art. 20º. As multas impostas farão parte das rendas provinciais, e serão cobradas executivamente pela demora do pagamento, que deverá ser feito no prazo improrrogável de 90 dias.
CAPITULO 6º
Das disposições gerais
Art. 21º. Perceberão os coletores e seus escrivãos, pelo recebimento que fizerem, as porcentagens que lhes estão marcadas no regulamento que rege as coletorias.
Art. 22º. Revogam-se as disposições em contrario.
Palácio do Governo do Piauí, aos 7 dias do mês de janeiro de 1885. Raymundo Theodorico de Castro Silva. (L. do S)
Raymundo Virgilio da Rocha Tote, o fez,
Selado e publicado o presente regulamento nesta Secretaria do Governo do Piauí, aos 7 dias do mês de janeiro de 1885.
O secretário, Francisco Augusto Pereira da Costa.