4. A Intervenção Educativa na Prática de Ensino Supervisionada
4.5 Relação com a Família e Comunidade na PES
A participação da família e comunidade no contexto pré-escolar e no processo educativo é um dos objectivos pedagógicos definidos pelo Ministério da Educação para a Educação Pré-Escolar por se considerar que, a família e a instituição são dois
109 contextos sociais que contribuem para a educação de uma criança. (Decreto-Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro: Lei Quadro da Educação Pré-Escolar)
A interacção com os pais em qualquer fase de desenvolvimento é importante, no entanto, na Creche, acentua-se a importância desta participação, porque as crianças ainda se encontram bastante ligadas aos pais. Quando a criança vai pela primeira vez para a Instituição, ninguém a conhece melhor do que os pais, por isso é fundamental haver um elo de ligação entre pais e equipa educativa, com o intuito de promover o bem-estar das crianças e a sua integração na sala.
Tal como Post e Hohmann (2007) afirmam, existem bastantes benefícios quando existe envolvimento dos pais com a instituição, porque fortalece a confiança e o respeito que têm entre si, ou seja, entre pais e equipa educativa, e ao mesmo tempo aumenta a sua capacidade de actuar juntos no sentido de proporcionar cuidados e educação às crianças. Isto contribui para que as crianças se sintam tranquilas, por verem que os pais também se sentem bem na Instituição.
Segundo Hohmann e Weikart (2009) existem algumas estratégias para envolver os pais na instituição. Dentro de um conjunto de estratégias destaca-se a criação de um ambiente acolhedor para que eles se sintam apoiados, partilhar observações das crianças com os pais de forma a eles darem também a sua opinião e, encorajá-los a participar na vida da sala e nos trabalhos que são desenvolvidos.
Como já foi referido, no projecto educativo da Instituição era valorizada a interacção entre família e instituição tanto ao nível formal, como informal. A Instituição colabora assim com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades durante todo o processo de crescimento da criança. A participação e cooperação da família das crianças na sala permite trocarem informação bastante importante para o processo de aprendizagem das crianças.
Na sala de Creche a relação existente entre a família e equipa educativa era de grande apoio, verificando-se a participação activa dos pais/familiares na vida das crianças. Os pais eram envolvidos frequentemente na vida da sala, participando em festas e outras comemorações. Também frequentavam a sala fora dos momentos de chegada e partida, ou seja, a sua participação ia para lá dos momentos formais e de reunião (exemplos: a mãe do E. foi à sala visitar o seu filho, levando a mãe consigo para ver o neto; o pai do M. após uma visita de manhã, assistiu à exploração de texturas, sentando-se junto do grupo).
110 Sendo tão importante este envolvimento da família, este foi também um dos objectivos que elegi durante a minha PES. Assim, foram várias as ocasiões onde ocorreu mais interacção, quer em conversas, quer em momentos específicos de encontro com os pais. No início este envolvimento e contacto foi difícil de fazer, principalmente porque os pais estavam mais ligados às Educadoras Cooperantes, no entanto, ao longo do tempo senti que estavam mais receptivos e consegui aproximar-me.
O momento em que ocorreu a maior participação dos pais das crianças da sala foi no Dia do Pai, onde todos foram convidados a lanchar na sala e a permanecer a tarde com os seus filhos. Para isto, foi preparado um lanche em conjunto com o berçário e a outra sala de creche. Na sala foi preparado um espaço para os pais poderem fazer um desenho com os seus filhos e ainda acompanharam algumas das suas brincadeiras, seguindo-se de um lanche e momento de convívio. Foi evidente que as crianças se sentiam bem com a presença dos seus pais. Ao observar as brincadeiras e os desenhos realizados entre pai e filho, era evidente que aquele momento estava a ser vivido com grande emoção entre pais e filho. Por exemplo, o pai do G. sentou-se junto do seu filho no chão para acompanhar a sua brincadeira com um lego. Já o pai do E. permaneceu grande parte da tarde na varanda a brincar com o seu filho num triciclo.
Esta iniciativa para além de aproximar os pais da instituição, também fomentou a comunicação e interacção entre eles. Ao comunicarem entre si podiam trocar ideias sobre os seus filhos e até sobre a própria Instituição
Durante o estágio ainda houve oportunidade de convidar a avó de um menino da sala para ir contar uma história. A grande disponibilidade e vontade desta avó em ir à sala demonstraram a relação positiva que existe entre a Instituição e os familiares das crianças.
Muitas vezes o contacto com as famílias na sala também se fazia bastante em conversas de manhã ou ao final da tarde, no entanto, as paredes da entrada da sala também são uma forma de comunicação, que mostram o trabalho desenvolvido, quer através dos próprios trabalhos das crianças, quer de fotografias das crianças. Durante a prática tentei que isso acontecesse, por exemplo, colocando no corredor que dá acesso à sala as fotografias das crianças na comemoração do Carnaval, ou até, a colocação dos trabalhos de digichocolate, com as respectivas fotografias durante a exploração do chocolate, que levava os pais a questionarem-se se o material usado seria mesmo chocolate. Estes trabalhos ao serem colocados nas paredes, leva a que muitos pais
111 permaneçam mais tempo na sala, falem com a equipa educativa e se criem momentos de conversa que, permitem trocar ideias sobre as crianças e sobre aquilo que é realizado durante o dia dentro da sala.
Relativamente à interacção com a comunidade, apesar de não ter sido possível a ocorrência deste contacto tantas vezes como o desejado, este ocorreu sempre que houve oportunidade.
Um exemplo deste contacto foi as saídas à Praça do Giraldo, tanto para o passeio, como para o desfile de Carnaval14. Nestas saídas as crianças contactaram com tudo o que rodeia a instituição e com a própria comunidade envolvente, que no caso do desfile de Carnaval saiu à rua para ver as crianças desfilar.
Relativamente à sala de Jardim de Infância, os pais eram frequentemente envolvidos no dia-a-dia das crianças, participando em actividades, ou ainda, indo à sala para conversar com a equipa educativa. Era frequente observar-se pais a entrar na sala e a permanecer lá, a falar quer com as crianças, quer com os adultos presentes na sala. Os assuntos que se falavam tanto eram ligados directamente às crianças, como também ao trabalho desenvolvido na sala. Por exemplo, no início dos projectos era frequente os pais perguntarem informações que os esclarecessem melhor daquilo que estávamos a fazer. Estes encontravam-se sempre disponíveis para participar na vida dos seus filhos dentro da sala, mas também para participar em dias como, o dia da mãe, dia da família, festas de Natal, festa de fim de ano, entre outras datas. A presença dos pais nestes dias revela grande disponibilidade para participar na vida dos seus filhos dentro da sala, o que é bastante interessante tendo em conta que todos os pais trabalhavam.
Por exemplo, na festa da família observei que os pais de uma criança não conseguiram ir juntos, no entanto, isso não fez com que deixassem de ir, ambos estiveram presentes, mas em momentos diferentes do dia. Isto revela que o empenho dos pais em tentar estar o mais perto possível da vida dos seus filhos era bastante grande, apesar dos impedimentos e constrangimentos que a vida podia proporcionar e das suas dificuldades em gerir o seu tempo. A grande ligação que os pais tinham com toda a equipa educativa era o grande contributo para a boa relação que se verificava.
Durante a PES na sala de Jardim de Infância a família foi envolvida no trabalho desenvolvido na sala com bastante regularidade. Sempre que foi iniciado um projecto,
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112 os pais eram informados do seu início através de uma informação que era escrita com a colaboração das crianças, onde especificava o que iríamos fazer e onde pedíamos a ajuda dos pais (tanto com material informativo, ou com qualquer outro tipo de apoio). Para além destas informações, na porta foram sempre colocadas informações relativas a trabalhos em desenvolvimento. Alguns pais demonstraram de tal forma interesse que levaram livros para a sala e conversavam sobre os projectos no momento de chegada à sala. Outra participação activa dos pais ocorreu no projecto”Como se fazem as casas” onde cada criança fez a planta da sua casa com a ajuda dos pais. Também quando inserimos a área das ciências foi pedida a colaboração dos pais, ao que muitos responderam positivamente, levando material para a sala e possibilitando às crianças ter material que não teriam acesso com tanta facilidade caso os pais não tivessem ajudado.
Apesar de este contacto com a família já ser promovido com bastante frequência na instituição, penso que consegui criar uma relação de empatia com os pais, aumentando a sua participação nos trabalhos desenvolvidos na sala.
Também com a comunidade existia uma grande relação de cooperação e participação, que ocorria tanto através de projectos, como na participação em outro tipo de actividades. Esta participação ocorria em projectos que eram promovidos pela comunidade para as crianças, como era o caso das actividades promovidas pela Câmara Municipal e pela Biblioteca, que as crianças frequentavam bastantes vezes, devido ao projecto “Hábitos de Leitura” em que estavam envolvidas.
Para além destes momentos de contacto, também eram promovidos outros, que surgiam a partir de trabalhos ou na realização de projectos. Um exemplo disso foi também no projecto “Como se fazem as casas”, onde se verificou grande interacção com a comunidade envolvente, tanto quando andámos pela rua a ver tipos de casas, como também noutras saídas, por exemplo, como a compra do barro. Também contactámos com a comunidade em diversas situações, por exemplo, em idas à Biblioteca Pública, ao Museu, ao Teatro, ou nos espectáculos de marionetas (Bienal Internacional de Marionetas de Évora).