4. Organização do Jogo
4.5. Relação com os pais dos atletas
Relativamente a este tópico é sempre um assunto sensível, sendo já eu treinador há cerca de 5 anos passando por escalões de minis traquinas benjamins e agora iniciados, este assunto requer sempre alguma atenção.
Pela minha experiencia anterior os pais gostam de se intrometer um pouco no trabalho do treinador, sendo bastantes interventivos na bancada sempre dando orientações aos seus filhos pensando estar a ajudá-los. Outros ainda colocando demasiada pressão sobre estes e ainda por vezes querendo intrometer-se em assuntos exclusivos do plantel, sendo portanto importante marcarmos a nossa presença, mostrando a nossa liderança.
No entanto neste caso, apenas um encarregado de educação tentou intrometer-se em assuntos fora da sua competência, assunto este que foi resolvido facilmente com uma conversa pessoal com este não existindo qualquer tipo de outro problema durante a época. O problema que eu tive nesta época foi precisamente o contrário daquele que eu estava á espera, o plantel encontrava-se bastante “sozinho” isto é, sem apoio das bancadas dos seus familiares, acompanhando os jogos um ou outro pai mas não sendo estes assíduos.
Este fato pode dever-se ao facto de muitos dos pais destes jogadores estarem emigrados, sendo que este fator por vezes pesava, pois muitas vezes defrontamos equipas com grande apoio de adeptos.
Neste sentido o nosso objetivo foi chamar os familiares dos jogadores ao estádio, para tal organizamos na época natalícia, aproveitando o regresso a casa dos emigrantes para realizarmos um jogo de atletas contra os seus familiares, seguido de um lanche convívio, sendo importante para nós a convivência com os pais, mostrar-lhes o trabalho realizado e o comportamento dos seus filhos neste contexto desportivo, de forma a chamá- los ao estádio.
4.6. Observação dos jogos
Aproveitando o facto de muitas das equipas que iriamos defrontar durante o campeonato se encontravam na nossa área de residência, sempre que possível iriamos observar os jogos dos nossos adversários, tentando identificar 1 ou 2 pontos fortes e fracos de forma a podermos integrar um ou outro tópico no nosso microciclo de forma a podermos preparar a competição.
Nesta observação identificávamos a dinâmica coletiva da equipa, identificando também individualidades mais forte, ou mais fracas, informando posteriormente os nossos jogadores.
No entanto a principal observação dos jogos era o nosso próprio jogo, onde identificávamos aspetos a melhorar, sendo esta analise sendo feita por algumas anotações durante o jogo e outras com recurso a vídeo, sendo que o nosso modelo de jogo era o aspeto que mais nos preocupávamos, sendo que apesar de fazermos uma ou outra alteração na nossa estratégia consoante este ou aquele adversário, o nosso modelo de jogo mantinha-se.
Em relação á observação da nossa equipa focava-nos em aspetos mais coletivos, tocando quando necessário em aspetos mais individuais, sempre transmitindo aos nossos jogadores a continuidade das nossas ideias, fazendo com que estes acreditem que o nosso modelo de jogo é aquele mais eficaz para atingir o sucesso.
4.7. Gestão dos jogadores
Esta é uma questão bastante sensível principalmente na formação, uma vez que os atletas destas idades que jogam mais vão criando uma autoestima maior, mais confiança que por vezes pode acontecer um exagero do seu ego, por outro lado temos os jogadores que não jogam tanto que se vão retraindo mais e não tendo níveis de confiança tão altos, acabando por serem mais tímidos e retraídos.
A nossa decisão sobre quais os jogadores a jogar ou quais os que eram convocados prendiam-se sempre às questões de rendimento, e empenho apresentadas por estes, tendo apenas preocupações de gerir jogadores quando tivéssemos em vantagem por um resultado avultado por 3 ou 4 golos, tirando estas situações, os jogadores que jogavam eram os mais competentes e empenhados.
No entanto é necessário gerir estes egos, pois todos os jogadores são importantes para a equipa e é preciso dar valor aqueles jogadores que jogam menos, fazer com que estes se sintam como parte importante da equipa dando moral a estes, pelo contrário temos de controlar os egos que vão crescendo para que estes não se tornem um problema. Todas estas situações afetam o equilíbrio da equipa e é necessário manter a união dos jogadores e a sua dinâmica, havendo sempre respeito por todos.
Um dos aspetos que também afeta este equilíbrio da equipa é a maturação, uma vez que alguns já são mais responsáveis outros ainda mantem atitudes infantis, e ate mesmo a própria personalidade de cada jogador, por tudo isto é importante ter um cuidado especial de manter o equilíbrio da equipa, uma vez que quanto mais unida esta estiver, e o espirito de camaradagem se manter maior será o sucesso.
Por ultimo tentamos canalizar todos estes aspetos para a paixão pelo jogo, para continuarmos a motivar os nossos jogadores constantemente, criando estratégias como misturar equipas de jogadores com bastante ego com outros mais tímidos, ou então propositadamente viciar o resultado fazendo com que a equipa de jogadores mais retraídos ganhem fazendo com que estes se soltem mais e os jogadores com personalidade mais forte dosearem a sua autoconfiança.
4.8. O final da competição
O final da competição é sempre um momento complicado pois este não quer dizer o final da época, continuando a haver treinos, sendo que neste espaço de tempo entre o ultimo jogo e o final da época desportiva optamos por preparar já a próxima época onde os jogadores de 2º ano transitaram para o escalão seguinte e incorporamos os jogadores que transitavam do escalão inferior.
Os jogadores que transitavam provinham do futebol 7 aproveitando assim este tempo para haver uma maior adaptação ao futebol 11, uma vez que participamos em 3 torneios, onde todos os jogadores tiveram uma elevada carga de jogos, tendo este período tido a duração de cerca de 1 mês.
Neste período a motivação dos jogadores decai bastante principalmente daqueles que se mantêm no mesmo escalão, por isso tivemos que participar nos tais torneios e jogos amigáveis de forma a +estimular os atletas e criar treinos mais atrativos que estimulassem os nossos jogadores.
No sentido do treino tentei introduzir nos jogadores alguns princípios gerais do futebol 11, pois a equipa técnica para o próximo ainda não estava definida, alternando também as posições de cada jogador, instruindo estes em diferentes posições.
Em suma este foi um período onde aproveitamos para tentar instruir os jogadores taticamente melhor para o futuro, onde estes passaram por várias posições, e tecnicamente foi realizado um treino mais aprofundado visto que a parte física foi um pouco descorada, utilizando vários tipos de bolas e terrenos, metodologia esta utilizada durante a época mas mais vivamente presente neste período.
5. Controlo do Treino
5.1. Dados da Competição
A meio da época encontrava-nos em 6º lugar com um total de 7 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, com um total de 34 golos marcados e 32 golos sofridos.
Conseguimos facilmente perceber que tinhas imensos golos marcados sendo o 5º melhor ataque, no entanto sofremos muitos golos sendo a 3ª pior defesa, sendo este um dos problemas da nossa equipa.
Consoante isto, redefinimos os nossos objetivos para a época que seriam sofrer menos de 32 golos na 2ª volta do campeonato, e tentar alcançar o 2º lugar que dá direito á subida de divisão.
Analisando então a nossa época terminamos em 7º lugar com 45 pontos, 14 vitórias, 3 empates e 9 derrotas, fazendo 67 golos sendo o 5º melhor ataque e sofrendo 62 golos, ficando na 4ª pior defesa, onde apesar de nos focarmos mais nos trabalhos defensivos nesta 2ª volta não produziu grandes efeitos, podendo ao fato de alteração do sistema de jogo onde sofremos alguns golos por inexperiência e dando de bandeja os golos ao adversário.
Um momento decisivo na nossa época foi na jornada 23º onde defrontamos a equipa Águias de Alvelos, estando a 4 pontos destes apenas a vitória interessava para a continuação dos nossos objetivos que era a subida, no entanto perdemos este jogo o que implicou uma mudança após esta jornada que foi a preparação da próxima época, tomamos então a decisão de passarmos todos os jogadores de 2º ano para o escalão acima e ir buscar os atletas do escalão abaixo que no próximo ano transitam para este escalão, jogando os 3 próximos jogos com estes jogadores e os jogadores de 1º ano, facto este que contribui para que não alcançássemos mais nenhum ponto até ao final do campeonato, sendo que a formação era o objetivo e não a vitória.
Figura 29: Classificação na 23º jornada
Um momento decisivo na nossa época foi na jornada 23º onde defrontamos a equipa Águias de Alvelos, estando a 4 pontos destes apenas a vitória interessava para a continuação dos nossos objetivos que era a subida, no entanto perdemos este jogo o que implicou uma mudança após esta jornada que foi a preparação da próxima época,