• Nenhum resultado encontrado

Vitamina A e vitamina E são nutrientes essenciais que desempenham papéis fundamentais em muitos processos biológicos. A solubilidade em lipídios é uma característica que possibilita a ambas compartilhar mecanismos semelhantes no metabolismo e na transferência para a prole. Apesar disso, essas vitaminas também apresentam aspectos moleculares e funções completamente distintas (DEBIER; LARONDELLE, 2005).

Estudos realizados em cultura de células e animais sugerem a existência de efeitos antagônicos entre as vitaminas A e E, mostrando que o retinol pode

Larissa Queiroz de Lira Programa de Pós Graduação em Bioquímica/UFRN influenciar na redução da biodisponibilidade do alfa-tocoferol no organismo (AMETAJ et al., 2000; EICHER et al., 1994; NONNECKE et al., 1999).

Os mecanismos responsáveis por esse efeito modulatório ainda não foram totalmente elucidados. No entanto, citam-se como possíveis explicações a competição entre retinol e tocoferol por enzimas ou mecanismos de transporte celular e a inibição da absorção intestinal do tocoferol pela excessiva quantidade de vitamina A dietética (COMBS, 1976; EICHER, MORRILL; BLECHA, 1994).

De fato, os estudos que consideram a ação modulatória do retinol sobre os níveis de alfa-tocoferol foram estabelecidos sobre condições de elevação de vitamina A no organismo (DEBIER; LARONDELLE, 2005). Em estudos conduzidos com ruminantes o fornecimento de vitamina A se fez por meio de suplementação a níveis muitas vezes superiores as recomendações de ingestão diária para a população de estudo (AMETAJ et al., 2000; EICHER; MORRILL; VELAZCO, 1997; NONNECKE et al. 1999; SCHELLING et al., 1995).

Em puérperas, constatou-se que o efeito da suplementação com megadose de vitamina A sobre os níveis de alfa-tocoferol no leite materno variou conforme o estado nutricional nas vitaminas A e E no colostro. Foi visto que mulheres com adequado estado bioquímico para estas vitaminas apresentaram redução na concentração de alfa-tocoferol no leite 24 horas após a suplementação (GARCIA et al., 2010). É importante ressaltar que o estudo supracitado utilizou para a suplementação cápsulas de vitamina A contendo 200.000 UI de retinol palmitato e 49,4 mg de all-rac-alfa-tocoferol, e desta forma a quantidade de vitamina E presente pode ter afetado o tipo de relação estabelecida entre as vitamina A e E no colostro.

Portanto, o estudo do efeito do estado nutricional bioquímico de retinol e de alfa-tocoferol sobre seus níveis no soro e no colostro materno, se torna relevante para compreender a relação estabelecida entre esses nutrientes em puérperas não suplementadas, bem como para fundamentar a definição da realidade local sobre o estado nutricional materno-infantil em vitamina E.

Larissa Queiroz de Lira Programa de Pós Graduação em Bioquímica/UFRN 2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Investigar o efeito do estado nutricional bioquímico de retinol e de alfa- tocoferol sobre seus níveis no soro e no colostro de lactantes saudáveis atendidas na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), Natal-RN.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Caracterizar as lactantes envolvidas no estudo com base em variáveis obstétricas, maternas e do neonato;

 Diagnosticar bioquimicamente o estado nutricional de vitamina A e de vitamina E das lactantes por meio da análise do retinol e alfa-tocoferol no soro e no colostro;  Determinar a prevalência de deficiência de vitamina A e de vitamina E em

puérperas atendidas na Maternidade Escola Januário Cicco;

 Avaliar a influência de variáveis obstétricas, maternas e do neonato sobre o estado bioquímico de vitamina A e de vitamina E.

Larissa Queiroz de Lira Programa de Pós Graduação em Bioquímica/UFRN 3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 MATERIAIS DE LABORATÓRIO

Descartáveis

 Seringas hipodérmicas de 5 mL com agulha  Luvas de procedimentos

Reagentes

 Álcool etílico 95% - Vetec® (Rio de Janeiro, Brasil);

 Hidróxido de potássio 50% - Vetec® (Rio de Janeiro, Brasil);  Hexano - Merck® (São Paulo, Brasil);

 Etanol absoluto grau CLAE - Vetec® (Rio de Janeiro, Brasil). Padrões

 Padrão de all-trans retinol – Sigma® (St. Louis, USA);  Padrão de acetato de retinol – Sigma® (St. Louis, USA);

 Padrão de alfa-tocoferol em óleo vegetal – Sigma® (St. Louis, USA);  Padrão de acetato de tocoferol – Sigma® (St. Louis, USA).

Equipamentos

 Agitador de tubos Vortex - FANEM® Ltda. (São Paulo, Brasil);  Balança de precisão BS3000 - Eikonal do Brasil (São Paulo, Brasil);  Balança Semi-Analítica 300g JA3003N - Bioprecisa®

 Banho Maria Mod.100 FANEM® Ltda. (São Paulo, Brasil);

 Capela de Exaustão de gases - QUIMIS® (Diadema, SP, Brasil);  Centrifuga 12x15ml - Centribio®;

 Cilindro de aço para gás nitrogênio 9m3

- White Martins® (Natal, Brasil);  Cromatógrafo: bomba LC-20 AT Shimadzu, detector SPD-20A Shimadzu

UV-VIS, coluna Shim-pack CLC-ODS (M) 4,6 mm x 15 cm e computador com programa - LC solution (Shimadzu Corporation, Japão);

 Destilador de água MA-270 – Marconi Ltda. (Piracicaba, SP, Brasil);  Espectrofotômetro - FEMTO® 700 (São Paulo, Brasil);

 Estufa EL 1.5 - Odontobras® (Ribeirão Preto, SP, Brasil);

 Purificador de água MiliQ® Water System – Milipore Corp® (Bedford, MA, USA).

Larissa Queiroz de Lira Programa de Pós Graduação em Bioquímica/UFRN 3.2 CASUÍSTICA

O estudo foi conduzido na Maternidade Escola Januário Cicco, localizada no município de Natal, Rio Grande do Norte, durante o período de janeiro a setembro de 2010. Apresentou caráter transversal e foi composto de puérperas voluntárias. O estudo obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (protocolo n° 325/09 CEP – HUOL) (Apêndice A).

O universo deste estudo caracterizou-se por ser infinito, visto que, por ser composto por todas as puérperas atendidas na MEJC, não foi possível calcular seu tamanho. Dessa forma, o processo de definição da amostra foi baseado em demanda espontânea e, para isso, todas as puérperas que necessitaram de internação após o parto foram submetidas aos critérios de triagem definidos para este estudo.

A amostragem foi obtida conforme os seguintes critérios de exclusão: existência de complicações maternas e fetais, dentre elas a associação de patologias (diabetes, neoplasias, doenças do trato gastrintestinal, hepática e infecciosa, cardiopatias, sífilis, HIV positivo, dentre outras); parto ocorrido a mais de 12 horas do momento da coleta de sangue; uso de suplementos vitamínicos contendo vitamina A ou E durante a gestação e ter recebido suplementação com megadose de vitamina A no pós-parto.

As puérperas recrutadas foram esclarecidas quanto aos objetivos da pesquisa e autorizaram sua inclusão no estudo assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice B). Dessa forma, o grupo de trabalho foi composto por 103 puérperas saudáveis.

3.3 COLETA DE DADOS

Dados sobre as características obstétricas, maternas e do neonato foram obtidos por meio do cartão de acompanhamento do pré-natal e do inquérito desenvolvido e aplicado pelos pesquisadores (Apêndice C).

O estado nutricional antropométrico pré-gravídico foi determinado por meio do uso do Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir do peso corpóreo habitual

Larissa Queiroz de Lira Programa de Pós Graduação em Bioquímica/UFRN da mulher antes da gestação e da medida de sua estatura. Conforme as preconizações do Instituto de Medicina (1992), as mulheres com IMC inferior a 19,8 kg/m2 foram classificadas com baixo peso, as com IMC entre 19,8 e 26 kg/m2, com eutrofia, as com IMC entre 26 e 29 kg/m2, classificadas com sobrepeso e as com IMC superior a 29 kg/m2, com obesidade.

O ganho de peso gestacional foi obtido por meio da diferença estabelecida entre o peso corpóreo pré-parto e o peso pré-gestacional e avaliado utilizando as recomendações feitas a partir do estado nutricional materno inicial (INSTITUTE OF MEDICINE, 1992). Dessa maneira, mulheres com baixo peso pré-gestacional deveriam ganhar até o final da gestação entre 12,5 e 18 kg; as com peso adequado, entre 11,5 e 16 kg; as com sobrepeso, entre 7 a 11,5 kg; e as obesas deveriam ganhar em torno de 7 kg. O ganho de peso corpóreo durante a gestação foi classificado como insuficiente, adequado ou excessivo.

A idade gestacional do recém nascido foi obtida por meio das informações contidas no prontuário hospitalar e classificada conforme recomendações da Organização Mundial de Saúde (1995), que considera idade gestacional inferior a 37 semanas com indicativa de prematuridade. Sendo assim, os neonatos foram subdivididos em a termo e pré-termo. Para classificação do peso ao nascer utilizou- se o critério da Organização Mundial de Saúde (1995) que estabelece peso corpóreo menor que 2500 g como baixo peso, peso entre 2500 g e 2999 g como peso insuficiente, peso entre 3000 g e 3999 g como adequado e peso igual a 4000g ou superior, como excesso de peso.

Documentos relacionados