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5. ANÁLISE DOS RESULTADOS

5.2 Análise da relação entre os construtos

5.2.5 Relação entre o risco percebido e comportamento

De modo a verificar o impacto do risco percebido na decisão de compra de uma determinada ação, procedeu-se com uma análise discriminante.

A análise discriminante, segundo Hair Jr et al (2005) é adequada nas situações onde uma única variável dependente é dicotômica ou multicotômica e as variáveis independentes são métricas. No caso do estudo, uma varável multicotômica (com as categorias Telecommunit, Globalcom e Comtel) trazia a informação da empresa na qual o participante decidiu investir e foi utilizada como variável dependente. Utilizou-se como variáveis independentes as variáveis métricas correspondentes ao construto risco percebido.

Para a organização dos grupos, considerou-se, para cada indivíduo, somente a avaliação do relatório da empresa na qual o participante decidiu investir. Isto foi necessário para que se pudesse trabalhar com a discriminação sobre qual empresa investiu a partir da avaliação do risco daquela empresa em específico. Deste modo, os grupos considerados na análise discriminante ficaram distribuídos da seguinte forma: 28 optaram pela empresa Telecommunit, 78 optaram pela empresa Comtel e 39 pela empresa Globalcomm.

Um dos pressupostos para a análise discriminante é a igualdade das matrizes de covariância, medida pelo teste M de Box. Ao analisar a significância do teste M de Box, não se verificou nas variáveis independentes consideradas igualdade nas matrizes de covariância, fato que pode trazer um maior erro na discriminação (HAIR Jr et al, 2005). Para que fosse possível realizar a análise discriminante sem desrespeitar o pressuposto de igualdade de variância entre os grupos, foi necessário retirar as variáveis que apresentavam heterogeneidade de variância entre os grupos. Para identificação dessas variáveis, utilizou-se o teste de Levene (com o ajuste de Draper e Hunter para grupos desiguais), indicado por Bisquerra, Sarriera e Martínez (2004) como adequado para identificação de heterogeneidade de variância. Após a realização do teste de Levene, verificou-se

que 3 itens precisavam ser retirados da análise. Os itens ―A idéia de comprar essas ações me traz uma tensão desnecessária‖, ―Me preocupo se essas ações se sairão tão bem quanto eu suponho‖ e ―A idéia de comprar essas ações me traz a preocupação sobre o quão confiável elas são‖ foram, assim, desconsiderados nesta análise por apresentarem heterocedasticidade.

A partir da análise discriminante, pode-se identificar um bom poder preditivo do risco percebido sobre a decisão de investimento em uma determinada empresa disponível no jogo de investimento. Destaca-se, contudo, que o risco percebido não foi representado em sua plenitude em função da retirada dos três itens mencionada anteriormente.

A principal função discriminante teve um autovalor superior a 1 (1,068) e explicou 96,2% da variância. O valor da correlação canônica de 0,719 é bastante significativo, pois a diferença entre os 3 grupos explica mais da metade (51,69%) da variância total dos escores discriminantes. A variância não explicada pela diferença entre os grupos (Lambda de Willk) a partir da primeira função foi de 0,464. Os parâmetros das duas funções discriminantes são apresentadas na tabela 57:

Função Autovalor % da variância

explicada % acumulado da variância explicada Correlação canônica 1 1.068 96,2% 96,2% 0,719 2 0.043 3,8% 100% 0,202

Tabela 57: Funções discriminantes Fonte: Elaborada pelo autor

A partir da análise das cargas discriminantes, recomendadas por Hair Jr et al (2005) como adequadas para medir o impacto das variáveis independentes na função discriminante, verificou-se que o item que mais contribui para a função discriminante é relacionado ao risco financeiro: ―Comprar a ação recomendada pode envolver perdas financeiras significativas‖. Os valores das cargas discriminantes são apresentados na tabela 58. Função 1 2 Risco_Fin_3 .823 .135 Risco_Per_1 .729 -.106 Risco_Fin_1 .697 .153 Risco_Fin_2 .677 -.534 Risco_Psico_1 .650 .403 Risco_Psico_2 .617 .082

Tabela 58: Cargas discriminantes dos itens relacionados ao risco percebido Fonte: Elaborada pelo autor

Os resultados da classificação indicam 75,6% dos casos classificados corretamente. Cabe, contudo, ressaltar que o número de integrantes do grupo que decidiu pela ―Telecommunit‖ (n=28) e pela ―Globalcomm‖ (n=39) eram bastante inferiores ao grupo que decidiu pelas ações da Comtel (78), fato que reduz o poder de classificação. Mesmo assim, pode-se considerar que o risco percebido apresentou impacto bastante significativo sobre a decisão tomada.

Assim, os resultados empíricos sustentam a hipótese H2 de que ―quanto maior o risco percebido, menor é a tendência de aceitação do risco‖.

A figura x, a seguir, ilustra os resultados encontrados.

Figura 26: Ilustração dos resultados do estudo Fonte: Elaborada pelo autor

Com base nos resultados encontrados nesse capítulo, parte-se para a discussão desses resultados e suas implicações.

Atitude Normas subjetivas Intenção Controle comportamental percebido Comportamento Risco Percebido Confiança H1- H2 - H3+ H4-

Capacidade / Benevolência / Integridade Financeiro / Performance / Psicológico Propensão ao risco

Seleção de uma alternativa em detrimento de outras

Verificação de diferença significativa nas médias de avaliação do grau de controle comportamental percebido entre os diferentes relatórios (endossados por diferentes analistas). O relatório do analista que despertava menor grau de confiança despertava também o menor grau de controle comportamental percebido. O relatório do analista que despertava maior grau de confiança despertava também o maior grau de controle comportamental percebido.

Verificação de diferença significativa nas médias de avaliação do grau de risco percebido somente entre os participantes com baixa propensão ao risco. Para esse público, o relatório do analista que despertava menor grau de confiança despertava também o maior grau de risco percebido. O relatório do analista que despertava maior grau de confiança despertava também o menor grau de risco percebido.

Correlação positiva e significativa (R=-0,689 para risco financeiro/performance e R=-0,826 para risco psicológico). Beta=-0,689

A análise discriminante aponta uma função discriminante que explica 96,2% da variância com correlação canônica de 0,719. Houve a correta classificação em 75,6% dos casos.