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Relação entre quistos e terceiros molares

No documento Quistos Dentígeros (páginas 48-65)

A escolha da terapêutica cirúrgica ou não dos terceiros molares inclusos ou semi- inclusos, deve ser estabelecida após uma avaliação detalhada das complicações durante e pós-operatórias, bem como dos riscos de desenvolvimento de lesões associadas no futuro com a retenção dos terceiros molares e dos benefícios que a avulsão trará para o paciente, estabelecendo-se assim a necessidade em casa caso (Benotti, 2002).

Segundo Manganaro (1998), são vários os factores que se devem considerar no que diz respeito à exodontia de terceiros molares impactados. Dentro desses factores, o autor referiu: periodontite, doença periodontal generalizada, cáries em segundos molares, necessidade ortodôntica, salientando que a dor associada a um estado agudo de pericoronarite é a principal causa.

Rakprasitkul (2001), refere que muitas vezes, o médico dentista tem em atenção apenas o tamanho do halo radiolúcido, esperando encontrar um tecido inflamatório indiferenciado, acabando por verificar a presença de quistos e neoplasias nas seguintes proporções: 50,92% quistos dentígeros, 1,92% queratoquisto, 0,96% ameloblastoma uniquístico e 4,81% tecido inflamatório indiferenciado com alterações.

Segundo Fielding et al. (1981), menos de 5% das pessoas possuem espaço suficiente para a erupção do terceiro molar inferior, podendo em certos casos haver associação com algum tipo de alteração patológica. Além disso, a frequência com que este é associado ao quisto dentígero é alta e a sintomatologia nem sempre é dolorosa, a não ser que este esteja a comprimir algum feixe vásculo-nervoso. Estes autores ainda afirmam que a percentagem de pacientes com riscos de doenças como quistos e tumores associados ao folículo pericoronário aumenta significativamente com a idade.

O quisto dentígero surge pela alteração do epitélio reduzido do órgão do esmalte logo após a formação da coroa dentária, estando assim associado com o esmalte do dente incluso ou impactado (Freedman, 1988).

Em 48,1% dos casos, o terceiro molar inferior impactado é o elemento de predilecção do envolvimento com o quisto dentígero (Shear, 1999).

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Brickman et al. (2000), defendem que a sintomatologia dolorosa não é a principal causa para a exodontia de terceiros molares inferiores inclusos, mas o bom senso deve prevalecer no que diz respeito aos princípios de necessidade e oportunidade. Para estes autores, a maior incidência de dor associada a pericoronarite encontra-se em estudantes com cerca de 20 anos de idade agravada pelo stress, falta de sono e hábitos alimentares errados.

Já Eliasson et al. (1989), são contrários à remoção preventiva dos terceiros molares alegando que há grandes riscos cirúrgicos relacionados á intervenção, no que diz respeito á localização dos mesmos em relação a acidentes anatómicos.

Knutsson et al. (1996), afirma que a percentagem de quistos dentígeros e tumores relacionados com terceiros molares inferiores é insuficiente recomendando a intervenção cirúrgica apenas quando este estiver associado a outras razões tais como: pericoronarite, necessidade ortodôntica, cárie em dentes adjacentes, entre outras. Afirma também que o critério de analisar apenas o tamanho do halo radiolúcido do folículo pericoronário e que perante halos radiolúcidos maiores que 2,5mm de largura estaríamos presente um quisto dentígero, não acorda com a realidade encontrada na sua pesquisa. O autor também refere que há uma maior incidência de quisto dentígero em dentes não-irrompidos em relação aos parcialmente irrompidos e irrompidos normalmente.

Para Berge et al. (1993), doenças como tumores e quistos são raras, mas a incidência aumenta proporcionalmente com o avanço da idade e que, por isso, deve-se realizar a exodontia preventiva dos terceiros molares.

Manganaro (1998), mostra que não é correcto o médico dentista basear-se apenas em imagens radiográficas para fazer um diagnóstico preciso quanto à ocorrência ou não de um quisto dentígero. A análise histológica é imprescindível para se obter um diagnóstico definitivo. Na sua pesquisa, 72% dos quistos dentígeros possuíam um halo radiolúcido entre 0,1 e 3,0 mm de largura.

Guven et al. (2000), citam que não há um consenso no que se refere à avulsão de terceiros molares impactados assintomáticos, mas defendem a teoria da possibilidade de degeneração quística ou tumoral dos tecidos.

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Glosser et al. (1999) e Tami-Maury et al. (2000), recomendam a exodontia preventiva de todos os terceiros molares impactados devido aos altos índices de quistos e tumores relacionados aos mesmos, principalmente os quistos dentígeros. Além disso, afirmam que apenas através de um exame histológico se obtém um diagnóstico definitivo da lesão, citam também que o bom senso do profissional, por meio de um bom exame clinico, leva ou não ao procedimento cirúrgico, evitando assim intercorrências indesejáveis.

41 Conclusão

O quisto dentígero é um quisto odontogénico de desenvolvimento, que envolve a coroa de um dente não erupcionado, estando aderido a este ao nível da junção amelocementária.

Os quistos dentígeros são os quistos odontogénicos de desenvolvimento mais frequentes, atingindo principalmente os terceiros molares inferiores, caninos maxilares, e terceiros molares superiores. O quisto dentígero pode acometer pacientes em todas as faixas etárias, especialmente na segunda e terceira décadas de vida com preferência pelo sexo masculino.

A sua origem permanece ainda obscura, apesar de terem sido formuladas algumas teorias que defendem que o quisto dentígero resulta do acúmulo de líquido entre o epitélio reduzido do esmalte e a coroa do dente, ou que a formação da lesão se inicia com a degeneração do retículo estrelado, formando um líquido entre o epitélio interno e externo. Em ambas as teorias há um aumento da osmolaridade, criada pelo rompimento celular, resultando na passagem de fluido para o lúmen do quisto.

Clinicamente, o quisto dentígero apresenta-se como uma lesão de crescimento lento na maioria das vezes assintomática, e é muitas vezes descoberta em radiografias de rotina. Ocasionalmente, tumefacção e dor podem estar presentes, estando a sintomatologia dolorosa associada a infecções secundárias. O desenvolvimento destes quistos provoca complicações clínicas mais ou menos graves.

Radiograficamente, o quisto dentígero caracteriza-se como uma lesão radiolúcida, normalmente unilocular e com margens escleróticas bem definidas, envolvendo um dente incluso.

Histologicamente, o quisto dentígero é revestido por epitélio do tipo pavimentoso estratificado não queratinizado, com duas a quatro camadas de células epiteliais cúbicas, sendo a junção epitélio/conjuntivo plana. A cápsula é composta por tecido conjuntivo fibroso arranjado frouxamente, em que a presença de um discreto infiltrado inflamatório

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crónico pode ser observada, embora este possa apresentar-se de maneira mais intensa quando associado a uma infecção secundária.

Várias lesões podem apresentar as mesmas características clinicas e radiográficas do quisto dentígero, como por exemplo o queratoquisto odontogénico, ameloblastoma uniquístico ou fibroma ameloblástico, reforçando a necessidade do diagnóstico histopatológico. Assim sendo, é imprescindível biopsar a lesão para um correcto diagnóstico.

Embora a maioria dos quistos dentígeros seja considerada de desenvolvimento, uma variante inflamatória é sugerida por vários autores. Em alguns casos, o quisto dentígero pode surgir devido a um processo inflamatório, proveniente de um dente decíduo antecessor. Assim sendo, quando existe uma inflamação persistente proveniente de um dente decíduo não-vital ou tratado endodonticamente, pode-se originar um quisto dentígero de origem inflamatória que envolve o dente permanente sucessor. Agentes terapêuticos da polpa também podem ser os responsáveis pelo aparecimento desta variante inflamatória do quisto dentígero.

A distinção entre um quisto dentígero e um folículo pericoronário é uma tarefa difícil. Vários autores divergem quanto á medida radiográfica do espaço folicular normal. A medida do halo radiolúcido pericoronário em ortopantomografias ou radiografias periapicais não é suficiente para o diagnóstico definitivo de folículo pericoronário. A dimensão dos halos radiolúcidos pericoronários não é um dado confiável para o diagnóstico de quisto dentígero, assim sendo o exame radiográfico é um método pouco sensível para tal.

O quisto dentígero é tratado, usualmente através de uma cuidadosa enucleação com remoção do dente associado. Entretanto, a marsupialização é indicada em lesões de grande dimensão, bem como nos casos em que a erupção do dente envolvido é viável, podendo posteriormente ser realizada tracção ortodôntica do dente envolvido.

O tipo de tratamento a ser realizado está estreitamente relacionado com a dimensão e os riscos cirúrgicos de cada lesão. Em lesões muito extensas, indica-se a realização de duas intervenções cirúrgicas.

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Embora a enucleação seja a opção terapêutica mais utilizada, a decisão do tratamento a realizar depende de vários factores que devem ser analisados cuidadosamente, não havendo deste modo, um tratamento padrão para os quistos dentígeros.

Embora o quisto dentígero seja potencialmente capaz de se transformar numa lesão agressiva, o prognóstico da lesão é extremamente favorável, sendo a sua recorrência bastante rara. Contudo, deve-se realizar um acompanhamento clínico e radiográfico periodicamente para evitar o aparecimento de complicações, quer para o paciente, quer para o médico dentista.

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No documento Quistos Dentígeros (páginas 48-65)

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