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A partir do exposto, o empilhamento tectono-estratigráfico da região mapeada (Figura 4.1) foi definido da seguinte forma (dos litotipos mais antigos aos mais novos, e considerando as fases deformacionais principais, D1, D2 e D3, detalhados no Capítulo 6 – Geologia

Estrutural):

(a) Paragnaisses aluminosos e anfibolitos, estando esses intercalados (provavelmente como xenólitos) em ortognaisses bandados com alternância de faixas granodioríticas a tonalíticas, e augen gnaisses graníticos a tonalíticos, correlacionados ao Complexo Caicó. Frequente migmatização inclui neossomas antigos (relacionados ao D1/M1) ou

veios e neossomas intrusivos, “tardios” mas também deformados (associados ao D3/M3);

(b) Diques de ortoanfibolitos pós-D1 e pré-Grupo Seridó, que intrudem o bandamento S1

dos litotipos do Complexo Caicó;

(c) No Grupo Seridó, afetado pelos eventos D2 e D3, destacam-se: (i) biotita paragnaisses

com intercalações de lentes de mármore, calciossilicáticas, quartzitos e metaconglomerados, atribuídos à Formação Jucurutu; (ii) biotita xistos, por vezes feldspáticos, podendo conter (em percentagens variadas) granada, cordierita, magnetita, estaurolita, andaluzita e sillimanita, correspondentes à Formação Seridó. Essas duas unidades são consideradas como interdigitadas e, deste modo, parcialmente contemporâneas;

(d) Ortognaisses graníticos afetados pelo evento (deformação tangencial) D2 (e o

subsequente D3), intrusivos truncando o bandamento S1 dos gnaisses Caicó, relação

análoga àquela descrita para os ortognaisses G2 como referido por Jardim de Sá (1994),

por exemplo. A sua relação com os litotipos do Grupo Seridó não pôde ser precisada com os afloramentos estudados, podendo corresponder a intrusões paleoproterozóicas

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44 tardias ou, mais provavelmente (pela sua intensidade moderada de strain) granitoides brasilianos precoces.

(e) Veios e diques graníticos unicamente deformados no evento mais jovem, as transcorrências D3 do Ciclo Brasiliano;

(f) Biotititos, ortoanfibólio-cordierita xistos/gnaisses e calciossilicáticas formados por processos de metamorfismo e alteração hidrotermal prévia ou tardia em relação ao evento metamórfico registrado M3/D3;

(g) Diques ou soleiras de pegmatito com comprimentos e espessuras variadas, podendo ser mineralizados (água marinha, berilo, espodumênio, minerais de urânio, tantalita- columbita etc.) ou não, heterogêneos ou não. Neste grupo ainda ocorrem um granito pegmatítico de dimensões quilométricas e veios de quartzo, todos tardios ao evento D3. Esses litotipos, e aqueles citados em (e), correspondem ao magmatismo de idade

ediacarana a cambriana;

(h) Diques de diabásio relacionados ao Magmatismo Rio Ceará-Mirim;

(i) Plug de basalto relacionado ao Magmatismo Macau;

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Figura 4.1 - Mapa geológico simplificado da área de estudo com a coluna tectono-estratigráfica. As rochas calciossilicáticas, devido sua importância econômica, foram representadas de forma exagerada (a maioria não seriam mapeável na escala). O nome das zonas de cisalhamento Mulungu, Malhada dos Tanques e Espinheiro são sugeridas com base em logradouros próximos a essas estruturas (ver ANEXO I) para facilitar referências no decorrer do texto. Sistema de coordenadas métricas. Datum: SIRGAS 2000,

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4.2 O Complexo Caicó

Os litotipos do Complexo Caicó possuem área de ocorrência relativamente grande. Aparecem nas proximidades das zonas de cisalhamento Serra Verde e a leste da Picuí-João Câmara, na forma de duas faixas de gnaisses com trend NE-SW, ocorrendo também no núcleo da estrutura dômica objeto deste mapeamento. Nas zonas de maior strain-D3 (próximas às zonas

de cisalhamento), o bandamento S1 + S2 comumente encontra-se paralelizado ou em baixo

ângulo com S3 (ou C3), e mergulho de moderado a forte.

Os litotipos dessa unidade são de origem paraderivada e, dominantemente, ortoderivada, estando incluídos neste último caso os ortognaisses bandados (mais comuns) e augen gnaisses. Os ortognaisses bandados podem exibir alternâncias com bandas ortoanfibolíticas e, assim como os augen gnaisses, podem exibir intrusões de diques básicos anfibolitizados, pós-D1. Vale

salientar que os anfibolitos interfoliados (enclaves?) nos ortognaisses podem estar alterados hidrotermalmente (de forma parcial ou total) para rochas calciossilicáticas, nas proximidades de contatos e zonas de cisalhamento.

Em campo, os critérios utilizados para definição de gnaisses de origem paraderivada foram: bandamento composicional contínuo (que sugerem a existência de um S0 pretérito,

superimposto pelo bandamento metamórfico), com passagem gradual de uma banda para outra e expressiva quantidade de minerais aluminosos tais como sillimanita e cordierita, além da biotita.

No caso dos ortognaisses, estes são definidos como de origem plutônica, a partir da composição “ígnea”, considerando o aspecto homogêneo e maciço, da textura fina a média (ou com fenoclastos augen grossos), contatos bruscos, intrusivos, entre diferentes fases/litotipos, presença de xenólitos e bandamento composicional fino e descontínuo, de natureza tectono- metamórfica.

Processos de migmatização foram observados nos para e ortognaisses e, nesse caso, nota-se a formação de neossoma com leucossoma e melanossoma. O neossoma possui composição variando de sienogranítica a monzogranitica, sendo o melanossoma mais rico em biotita e anfibólio.

Corpos de pegmatito truncam a foliação S1 + S2 e podem exibir a trama D3 (em geral

pouco expressivo). Apresentam-se como diques e, em alguns casos, acompanham os fabrics mais antigos quando situados no núcleo da estrutura dômica.

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47 Por fim, optou-se por cartografar os ortognaisses que ocorrem a leste da Zona de Cisalhamento Picuí-João Câmara como parte do Complexo Caicó, como definido em mapas regionais a exemplo de Jardim de Sá et al. (1998), ao invés de Complexo Santa Cruz, como referido por Santos et al. (2002) e Angelim et al. (2006), pela não observação de critérios de campo que permitissem a diferenciação dessas unidades, bem como pela restrição de área e objetivos deste relatório.

4.2.1 Paragnaisses

São biotita paragnaisses que variam de leucocráticos a mesocráticos, a depender da proporção de biotita sobre muscovita, além dos feldspatos e quartzo. Essas rochas podem conter minerais aluminosos como cordierita e sillimanita, sendo essa última frequentemente encontrada com hábito acicular (fibrolita), na forma de agregados/feixes estirados segundo a lineação de estiramento L3x(Figura 4.2a-b).

Figura 4.2 - Aspectos de bandas félsicas de paragnaisse do Complexo Caicó: (a) sillimanita paragnaisse com C3

de direção NE-SW e mergulhando fortemente para SE; (b) detalhe da fibrolita em feixes orientados segundo a direção de L3x. Essas fibrolitas também podem aparecer na forma de simplectitos juntamente com a muscovita.

Afloramento 48.

No geral, esses paragnaisses apresentam bandas composicionais com boa continuidade, o que juntamente com a mineralogia reforça a hipótese de origem paraderivada. Pela sua ocorrência volumétrica reduzida, os mesmos são interpretados como enclaves nos litotipos ortoderivados do Complexo Caicó, principalmente nos ortognaisses bandados. Sendo assim, as

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48 áreas de ocorrência desses paragnaisses são restritas, estando localizadas na região centro-oeste da área, próximo a Zona de Cisalhamento Serra Verde e na porção sul do domo.

4.2.2 Ortognaisses bandados

Caracterizados por bandamento metamórfico de alto grau (sendo por vezes migmatíticos, como ilustrado na Figura 4.3), esses ortognaisses possuem alternâncias de faixas leucocráticas a meso- ou melanocráticas (Figura 4.4a). Nesse sentido, o conteúdo de máficos nas faixas mais escuras desses ortognaisses é representado por biotita, hornblenda e/ou actinolita, além de plagioclásio, enquanto que a parte félsica é composta por quartzo, K- feldspato, plagioclásio e alguma biotita.

Figura 4.3 – Ortognaisse bandado (paleossoma, P) com feições migmatíticas, em que o neossoma possui leucossoma (L) de composição granítica e melanossoma (M) rico em biotita. A orientação no plano horizontal

reflete a coincidência de diferentes foliações. Afloramentos 46.

A partir da proporção modal entre os minerais félsicos e máficos, a composição dessas rochas (na escala de afloramento ou porções dos mesmos) varia de tonalítica a monzogranítica, podendo conter (em proporções subordinadas) augen de K-feldspato ou plagioclásio (Figura 4.4a), interpretados como diferentes corpos intrusivos. Concordantes com esse macrobandamento (e mesmo com as bandas metamórficas) podem ocorrer corpos anfibolíticos de espessura centi-decimétrica, ou ainda maior, provavelmente representando xenólitos (Figura

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49 4.4b). A depender da proximidade dessas rochas com as zonas de alto strain-D3, essas faixas

composicionais podem apresentar variações (afinamento) da espessura devido à deformação.

Figura 4.4 - Feições dos ortognaisses bandados do Complexo Caicó. (a) Bandamento S1 + S2 paralelizado com

S3, com augen de feldspatos indicando cinemática dextral no evento D3; (b) banda/faixa de ortoanfibolito de

coloração verde escura, encaixada em ortognaisse bandado do Complexo Caicó, provavelmente tratando-se de um enclave; e (c) bandamento S1 + S2 com alternâncias de bandas claras e escuras truncado por diques de

pegmatito sin a tardi-D3. Afloramento 163 (a), 45 (b) e 46 (c).

Os anfibolitos são rochas de coloração verde-escuro a negra e textura nematoblástica fina a grossa, caracterizadas pelo predomínio de anfibólio (hornblenda) e, subordinadamente,

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50 plagioclásio e quartzo, associação essa típica de protólitos ígneos máficos, tais como basaltos e diabásios. Ocorrem de forma subordinada nos ortognaisses (e também em augen gnaisses) do Complexo Caicó, tanto no oeste da área como ao redor da estrutura dômica. A maioria desses corpos estão alterados hidrotermalmente para rochas calciossilicáticas, processo relacionado ao último evento deformacional-metamórfico identificado na região (D3/M3).

Além de diques de pegmatito (Figura 4.4c), esses ortognaisses são intrudidos por outros ortognaisses de coloração de cinza a rosa. Esses últimos, por sua vez, possuem foliação S2

(como será visto adiante).

4.2.3 Augen gnaisses

Derivados de rochas plutônicas porfiríticas de composição granítica a tonalítica, os augen gnaisses são inequigranulares (Figura 4.5a) e caracterizados pela presença de porfiroclastos facoidais de K-feldspato ou plagioclásio (este último nas variedades tonalíticas), de até 5 cm de comprimento, imersos em uma matriz fina a média quartzo-feldspática, contendo biotita e/ou anfibólio.

Nas regiões mais intensamente deformadas (nas proximidades das zonas de cisalhamento D3), os augen estão bastante estirados, por vezes formando uma trama L > S ou

L >> S (Figura 4.5b).

A leste/SE da Zona de Cisalhamento Picuí-João Câmara, os augen gnaisses ocorrem em contato com ortognaisses bandados finos (Figura 4.5c), ambos bastante deformados e exibindo as foliações S1 + S2 dobradas em D3.

4.3 Diques de ortoanfibolitos

Com relação a composição mineralógica e textura, possuem as mesmas características dos anfibolitos que ocorrem paralelos ao bandamento do Complexo Caicó (anteriormente citados). No entanto, diferenciam-se desses por ocorrer como corpos intrusivos (Figura 4.6), caracterizados por truncarem o bandamento S1 dos ortognaisses do Complexo Caicó. Os

mesmos não foram observados nos litotipos do Grupo Seridó mas possuem a trama S2,

sugerindo uma unidade pós-D1 e pré-D2, sendo interpretados como diques pré (ou

contemporâneos) ao Grupo Seridó.

Além disso, também podem estar alterados hidrotermalmente para rochas calciossilicáticas.

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Figura 4.5 – Augen gnaisses do Complexo Caicó. (a) Caudas de recristalização em porfiroclastos de K-feldspato no bandamento metamórfico de alto grau (S1 + S2) indicando cinemática predominantemente dextral relacionada

ao evento D3; (b) fenocristais de feldspato extremamente estirados (segundo L3x) configurando um tectonito L

>> S, em regime constricional; (c) contato entre ortognaisse bandado (esquerda) e augen gnaisse (direita), ambos com as foliações S1 + S2 redobradas em F3. Afloramentos imediatamente a leste/SE da área mapeada (a, c) e 179

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Figura 4.6 – Dique de anfibolito truncando em baixo ângulo a foliação S1 dos paragnaisses do Complexo Caicó

(rocha de coloração branca). Afloramentos 49.

4.4 O Grupo Seridó

Como mencionado anteriormente (Capítulo 2, Geologia Regional), este grupo é constituído pelas formações Jucurutu, Equador e Seridó, como visto em Jardim de Sá et al., (1984) e Jardim de Sá et al., (1998), por exemplo. Angelim et al. (2006) propuseram uma formação adicional, designada de Serra dos Quintos e posicionada na base do Grupo Seridó. A mesma é caracterizada por metavulcânicas básicas, sendo que esse tipo de rocha também ocorre na Formação Seridó. Nesta área de estudo, essa unidade e a Formação Equador (caracterizada como uma faixa espessa e contínua de quartzitos e metaconglomerados) não ficaram adequadamente caracterizadas.

As formações presentes nesta área, Jucurutu e Seridó, ocorrem sobrepostas (pelo menos estruturalmente) aos gnaisses Caicó, na região do domo, ou lateralmente delimitadas deste último por faixas miloníticas transcorrentes D3. A Formação Jucurutu pode ser descontínua ou

estar interrompida por afinamento tectônico ao longo dessas zonas de cisalhamento (ou ainda, por possível aloctonia relacionada às estruturas tangenciais D2). Deste modo, os micaxistos

Seridó também ocorrem em contato direto com o Complexo Caicó, assim claramente evidenciando a natureza alóctone dos mesmos.

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53 4.4.1 A Formação Jucurutu

Ocorre de forma mais restrita, tanto na porção oeste da área (em faixas descontínuas de paragnaisses com orientação/trend NE-SW), como na porção norte do domo, nas proximidades da RN-203. Os paragnaisses (Figura 4.7a-b) possuem coloração cinza, textura variando de fina a média e bandas composicionais com boa continuidade (Figura 4.7b). Em alguns casos possuem aluminossilicatos, tais como sillimanita (hábito fibroradiado). É comum a presença de veios de quartzo escalonados sigmoidais de cinemática dextral. Nos paragnaisses podem ocorrer lentes de mármore, calciossilicáticas, micaxistos, quartzitos e metaconglomerados com seixos de quartzo.

Figura 4.7 – Aspectos do paragnaisse da Formação Jucurutu. (a) dobras F3 com S2 + S0 dobrados e

subparalelizados a S3 (de mergulho forte para oeste); (b) S0 + S2 dobrados em terminação periclinal de antiforme

F3 (com charneira mergulhando para sul). Notar a continuidade das bandas composicionais de cor escura.

Afloramentos 23 (a) e 53 (b).

As dimensões das lentes de mármore são muito variáveis, ocorrendo em afloramentos com espessura decimétrica, ou em camadas contínuas com espessuras de mais de 100 m (Figura 4.8a-b), sendo atualmente objeto de exploração. Alguns desses mármores são provenientes de calcários impuros (com matéria orgânica), o que lhes confere diferentes tonalidades entre branco a cinza nas bandas composicionais (Figura 4.8c). Em termos mineralógicos, são constituídos predominantemente por calcita, talco e anfibólios cálcicos (da série tremolita- actinolita), sendo que esses últimos são comumente encontrados na forma de agregados radiais. As ocorrências de mármore limitam-se aos paragnaisses que ocorrem na porção oeste na área.

Nesta formação também ocorrem lentes de calciossilicáticas (interpretadas como margas metamorfizadas), tendo algumas delas ocorrências de garimpos para extração de scheelita (Figura 4.8d-e).

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Figura 4.8 – Aspectos gerais das lentes de mármores da Formação Jucurutu. (a) Lente de mármore com espessura decamétrica em pedreira nas proximidades da RN-203, a oeste de São Tomé/RN; (b) lente de mármore

de espessura centimétrica intercalada no paragnaisse (as linhas escuras com direção NE são sombras de cerca de arame); e (c) tonalidades de mármore impuro em corte para extração de rocha ornamental. Quanto mais rico em

matéria orgânica, mais escuro é o mármore. Notar dobras parasitas (em “S”) F3 indicando antiforme a leste;

lentes de calciossilicática da Formação Jucurutu em contato com paragnaisse em que (d) é indicado pelo cabo do martelo e (e) as porções brancas são constituídas mineralogicamente por plagioclásio e escapolita. Afloramentos

24 (a, e), 20 (b), 26 (c) e 37 (f), esse último em garimpo para extração de scheelita.

Caracteristicamente apresentam coloração esverdeada devido à presença de minerais como clinopiroxênios (da série diopsídio-hedenberguita), anfibólios (hornblenda) e epídoto. Associados a esses minerais também pode ocorrer granada grossulária e, em alguns pontos, minerais de alto grau metamórfico, como a escapolita (indicativa de fácies anfibolito superior).

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55 Essas lentes de calciossilicáticas aparecem nos paragnaisses tanto na porção oeste e sudeste da área, como a norte da estrutura dômica.

Por fim, na porção norte do domo estrutural, ocorrem lentes de metaconglomerados e quartzitos. Os metaconglomerados são monomíctos polimodais com seixos e grânulos de quartzo estirados, imersos em uma matriz quartzo-feldspática de coloração variando de amarelo avermelhada (Figura 4.9a) a esverdeada

Já os quartzitos podem apresentar variações composicionais relacionadas a bandas mais arcoseanas (mais avermelhadas) e aquelas mais quartzosas (mais esbranquiçadas), como visto na Figura 4.9b. Além disso, assim como em algumas ocorrências de metaconglomerados, os quartzitos podem ter aspecto esverdeado devido a presença de mica verde (fuchsita) na matriz.

Figura 4.9 – Lentes de (a) metaconglomerado monomíctos polimodais com seixos e grânulos de quartzo estirados em foliação S2; (b) quartzito feldspático da Formação Jucurutu, exibindo variação composicional

materializada na coloração, em que as bandas mais esbranquiçadas são mais ficas em quartzo e muscovita. Afloramentos 37 (a) e 15 (b).

Por fim, a intercalação do quartzito e a camada de metaconglomerado no paragnaisses suporta a atribuição dos mesmos à Formação Jucurutu, e não à Formação Equador, essa de maior expressão e de grande continuidade.

4.4.2 A Formação Seridó

Trata-se da litologia predominante na área mapeada. Ocorre entre as zonas de cisalhamento Picuí-João Câmara e Serra Verde, além da porção extremo-noroeste do polígono.

É composta por micaxistos, por vezes feldspáticos (Figura 4.10a), exibindo alternâncias de faixas composicionais de coloração cinza claro (composição quartzo-feldspática predominante) a cinza escuro (porções mais ricas em biotita). É muito comum a presença de exudados de quartzo de mais de uma geração (Figura 4.10b), podendo estar paralelos à foliação

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56 S2 (boudinados e/ou dobrados) ou truncando-a em alto ângulo (nesse caso, comumente

boudinados). Minerais aluminosos incluem a granada almandina ± cordierita ± sillimanita ± andaluzita (Figura 4.10c-f), resultando em granada-biotita xistos (predominante), andaluzita- granada-cordierita xistos com estaurolita, granada-cordierita xistos (mais comum) e, por vezes, sillimanita-cordierita xistos com granada.

Nos locais de menor strain D3 é possível identificar o acamamento (S0) paralelo à

foliação S2, em ângulo com S3. Nesses casos, são observadas dobras F3 com face normal (ou

topo estratigráfico normal) ou, menos comumente, invertida. Nas regiões de alto strain e grau metamórfico, os micaxistos contêm feições migmatíticas em que o neossoma é caracterizado por K-feldspato e granada almandina (derivada da desidratação das biotitas), enquanto que o melanossoma é enriquecido em biotita, como visto na Figura 4.11.

Foram identificados contatos anômalos entre essa formação e o Complexo Caicó, em que essas unidades estão justapostas (contato direto, sem a Formação Jucurutu entre eles). Nesses contatos, zonas de alto strain estão associadas a estruturas S-C-C’ de trend NE-SW e de mergulho forte, com cinemática dextral (as zonas de cisalhamento Malhada dos Tanques e Mulungu, como visto na Figura 4.1).

Na porção nordeste do domo aparentemente há esse tipo de contato direto entre essas mesmas litologias, contudo para essa região não foram observados indícios de presença de estruturas indicativas de zonas de cisalhamento associadas ao D3, o que sugere uma omissão

estratigráfica (ou até mesmo estrutural, relacionada a zonas de cisalhamento de baixo ângulo e de alto strain D2) da Formação Jucurutu.

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Figura 4.10 – Aspectos gerais dos litotipos da Formação Seridó. (a) micaxisto feldspático com S2 de mergulho

fraco a moderado; (b) vênulas de quartzo paralelas a S0 + S2 (de mergulho forte em virtude de estarem

paralelizados a S3 + C3 verticalizados), truncadas por veios de quartzo que estão boudinados em cinemática

dextral, em zona de alto strain D3; (c) boudin de quartzo rotacional (ou tipo δ), com cinemática dextral, em

granada-biotita xisto; (d) porfiroblastos de cordierita sobrecrescendo a foliação S3, com S2 paralela; (e) feixes

radiais de sillimanita (fibrolita) estirados segundo L3xem sillimanita-biotita xisto; (f) porfiroblastos de

andaluzita. Nas fotos em que a escala é a moeda, o número “1” aponta para o norte. Afloramentos 28 (a), 210 (b), 121 (c), 2 (d), 195 (e) e 12 (f).

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Figura 4.11 – Comparação das feições entre xistos presentes em regiões de grau metamórfico e intensidade de deformação diferentes (associados a D3): (a) em zonas submetida à fácies anfibolito (paragênese granada-

cordierita) e strain moderado, é possível identificar S0 + S2 (alternâncias claras e escuras no xisto) em ângulo

com S3 (facilmente visualizado a partir dos veios de quartzo de maior expressão, que estão encaixados nessa

foliação); e (b) em zonas de strain alto (plano C3 de direção NE-SW e com mergulho forte) e em condições

anatéticas (de fusão parcial), ocorre a formação de neossoma com leucossoma (L) de composição quartzo- feldspática e melanossoma (M) rico em biotita, em micaxisto (paleossoma - P) da Formação Seridó. Notar que o

dobramento F3, nesse último caso, indica cinemática dextral. Afloramentos 12 (a) e (b) nas proximidades da

Zona de Cisalhamento Serra Verde, imediatamente a oeste do polígono mapeado.

4.4 Ortognaisses graníticos

Ocorre como pequenos corpos (por vezes como diques) a oeste na área, mais especificamente a NW do domo. São caracterizados por truncar o bandamento S1 dos

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59 inequigranulares (em alguns afloramentos, exibem pequenos augen de K-feldspato – Figura 4.12b) e com textura fina a média e composição variando de monzogranitica a sienogranítica, o que lhe confere coloração cinza a rosada (quando mais rica em K-feldspato).

Figura 4.12 – Feições mesoscópicas dos ortognaisses graníticos. (a) Ortognaisse bandado do Caicó com S1

truncado por ortognaisse granítico; (b) augen gnaisse com S1 do Complexo Caicó intrudido pelo ortognaisse

granítico; (c) foliação S2 de baixo ângulo dos ortognaisses graníticos. Afloramento 139 (a,c), 30 (b) e 180 (d).

Estruturalmente, exibem uma foliação de baixo ângulo correlacionada a S2 (Figura

4.12c). Na sua principal área de ocorrência, a terminação norte do domo, ocorrem moderadamente afetados pelo evento D3. A foliação S3, por vezes incipiente, apresenta

mergulho forte a moderado (Figura 4.12d).

4.5 O Plutonismo Ediacarano-Cambriano

É representado por corpos de variadas dimensões, de textura média a pegmatítica e composição granítica. No geral, truncam a foliação das rochas encaixantes ou aproveitam descontinuidades pré-existentes. Os mesmos são comparativamente pouco deformados,

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60 apresentando apenas as estruturas relacionadas ao evento D3 (foliação S3 e lineação de

estiramento L3x).

4.5.1 Granitos Brasilianos

Possuem composição sienogranítica a monzogranítica, cor cinza, estrutura maciça ou pouco desenvolvida (S3 de mergulho moderado a forte, como visto na Figura 4.13a), com

textura variando de média a grossa, por vez pegmatítica. Comumente ocorrem intrudindo os ortognaisses pertencentes ao Complexo Caicó (Figura 4.13b).

As dimensões dos corpos são muito restritas, de modo que não puderam ser individualizados no mapa geológico deste trabalho.

Figura 4.13 – Aspectos dos granitos brasilianos. (a) Sienogranito com foliação S3 de mergulho forte para leste (a

encaixante são ortognaisses do Complexo Caicó) e (b) tipo monzograníticos (G3) intrudindo o ortognaisse

bandado (Ort). Afloramentos 44 (a) e 151 (b).

4.5.2 Diques de Pegmatito

As rochas encaixantes mais comuns são os micaxistos da Formação Seridó e os gnaisses do Complexo Caicó. Podem ocorrer concordantes com a foliação/bandamento (S3 e mais

antigas) ou truncando esse tipo de estrutura. Por serem mais resistentes ao intemperismo que as rochas encaixantes, são observados na paisagem como feições de relevo positivo, alongados (muitos deles na forma de paredões, como visto na Figura 4.14a) preferencialmente segundo a direção NE-SW, sendo mais ou menos retilíneos.

Os pegmatitos são do tipo granítico, podendo ser homogêneos ou heterogêneos

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