CAPITULO 2 – TAXONOMIA DIGITAL DE BLOOM E TPACK APLICADAS A
2.3 RELAÇÕES TPACK E A TAXONOMIA DIGITAL DE BLOOM NO PROCESSO
As TIC no processo de ensino são muitas vezes, apenas usadas para promover estímulos a fim de gerar a aprendizagem, retirando-lhes muitas potencialidades que lhes são particulares. Neste, sentindo contempla-se através deste trabalho, a utilização das tecnologias educacionais como ferramentas cognitivas, que segundo Jonassen (2007), proporcionam ao estudante a construção do seu próprio conhecimento, uma vez que são ferramentas informáticas adaptadas ou desenvolvidas para funcionarem como parceiros intelectuais do estudante, de modo a estimular e facilitar o pensamento crítico e a aprendizagem de ordem superior.
Nesta perspectiva, buscando-se alcançar uma prática pedagógica mais ativa, combinaram-se duas grandes teorias e conceitos de aprendizagem, com diversos recursos e ferramentas online, que quando utilizados de forma adequada e pensada, podem potencializar o desenvolvimento de competências e promover uma aprendizagem autêntica.
Quando um professor quer introduzir recursos com TIC em sua prática, é muito comum ele pensar primeiro na ferramenta e depois na aplicação didática. No entanto, sabe-se que este não tem se mostrado o caminho mais adequado. A experiência tem mostrado que, primeiro, o professor precisa ter clareza sobre quais objetivos quer alcançar com os estudantes e como obtê-los, só então passaria a escolher os recursos mais apropriados. Ao planejar um projeto ou atividade com TIC, o professor precisa tomar uma série de decisões relacionadas a todos os conhecimentos da teoria do TPACK.
Sendo o TPACK um conjunto único de conhecimento que torna um professor competente para projetar a aprendizagem com tecnologia aprimorada e o modo como os conhecimentos sobre ferramentas e seus recursos pedagógicos são sintetizados em um processo de ensino.
Por meio do contexto TPACK o resultado gerado é uma composição de conhecimentos específicos acerca da tecnologia, do conteúdo e da visão pedagógica integrando as ferramentas disponíveis da Web 2.0 que permite facilmente aos seus usuários criar, manipular, colaborar e partilhar seus trabalhos.
Alguns autores têm criticado a teoria do TPACK e os achados empíricos de Koehler et al. (2007) caracterizando-os difusos e indicando fraquezas na categorização ou discriminação precisa do conhecimento e consequentemente, falta de precisão na estrutura (ANGELI; VALANIDES, 2009).
A fim de melhor entender como se pode operacionalizar o modelo, aborda-se neste trabalho a integração do TPACK com a Taxonomia Digital de Bloom, onde a presente abordagem veicula a utilização dos recursos e ferramentas da Web 2.0 nas práticas educativas, visando atingir a ideia central em como o estudante constrói o seu conhecimento e como o professor pode orientar o processo de ensino- aprendizagem com o uso das tecnologias educacionais.
A Taxonomia Digital de Bloom não aborda especificadamente o uso de ferramentas e tecnologias, estes recursos são apenas meios para trabalhar o conteúdo afim de que o estudante seja capaz de realizar, recordar, compreender, aplicar, analisar, avaliar e criar (CHURCHES, 2007). Deve haver fluência e flexibilidade cognitiva em cada domínio de conteúdo e em suas relações em um contexto de sala de aula, contribuindo para a verdadeira integração e aproveitamento pedagógico das tecnologias em prol do ensino, bem como reconhecer a especificidade de um conteúdo na ação pedagógica apoiada pela tecnologia.
A Figura 6 representa a integração do TPACK com a Taxonomia Digital de Bloom, representando os conhecimentos necessários para a integração do TPACK. Os níveis cognitivos de aprendizagem e seus respectivos verbos de ação para os objetivos educacionais e ainda atividades colaborativas que podem ser desenvolvidas com o uso de tecnologias educacionais.
Figura 6 – Integração do TPACK e a Taxonomia Digital de Bloom
Fonte: autores, adaptado de: <https://designingoutcomes.com/assets/PadWheelV4/PadWheel_ Poster_V4.pdf>
Assim, integrando o conhecimento e atividades diárias dos estudantes, aos conhecimentos e habilidades dos professores, forma-se um suporte para o processo de ensino aprendizagem, o que fornecemos é a base para que os estudantes possam gerar conhecimento. O TPACK proporciona um apoio para o planejamento do professor integrando a tecnologia em sala de aula e a Taxonomia de Bloom para a era digital podendo auxiliar em uma abordagem com a finalidade de avaliar a integração (da tecnologia no currículo) de acordo com o impacto cognitivo dessa integração, permitindo diferenciar as necessidades específicas de cada estudante, expressando os mesmos conceitos em diferentes níveis da hierarquia.
A utilização deste modelo não é restritiva, podendo ser aplicado em qualquer disciplina do currículo, com as ferramentas utilizadas ou com outras que surjam na Web facilitando o pensamento crítico dos estudantes, envolvendo ativamente os estudantes na construção do conhecimento e não na reprodução, na articulação e não na repetição, na colaboração e não na competição, bem como na reflexão (JONASSEN et al., 1999).
Segundo Jonassen et al. (1999), as ferramentas cognitivas promovem e potencializam a aprendizagem significativa, que é ativa (os estudantes constroem as suas próprias interpretações), construtiva (os estudantes constroem modelos mentais para explicar o que observam), intencional (os estudantes articulam os seus objetivos de aprendizagem), autêntica (os estudantes realizam tarefas que se enquadram numa situação do mundo real) e colaborativa (os estudantes interagem socialmente uma ideia comum).
Convém, no entanto, ressalvar que as ferramentas, nomeadamente as da Web 2.0, só se tornam “cognitivas” quando aplicadas para o desenvolvimento cognitivo do estudante. Se tal não for pensado, essas limitam a progressão do estudante. Desta forma as ferramentas cognitivas são ferramentas de reflexão e de representação do conhecimento, reorganizando a forma como os estudantes pensam de modo a usarem a aplicação para representar o que sabem.
Utilizando tais recursos na Educação Básica, pode-se suprir as necessidades de inovação na maneira de abordar os conteúdos. Embora haja uma ênfase cada vez maior na integração da tecnologia no processo de ensino/aprendizagem, ainda há poucos instrumentos de avaliação, já testados, fiáveis e válidos, para determinar a qualidade dessa integração. Neste trabalho abordaremos a proposta de Harris, Harris, Grandgenett e Hofer (2010) que assente na triangulação de diferentes instrumentos de recolha de dados do TPACK, inovaremos com a integração dos objetivos de aprendizagem do domínio cognitivo com o objetivo, permitindo o estudante aprender colaborativamente.