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Relacionamento com a Sociedade

No documento MELODY FORCELINI (páginas 75-82)

No sentido de estabelecer uma relação harmônica com a comunidade local e principais partes interessadas, o relacionamento com a sociedade é importante, pois ambas serão parceiras no uso das águas e na vigilância necessária para a manutenção da melhor qualidade ambiental possível. Desse modo, algumas atividades foram desenvolvidas, como projetos de extensão e palestras. Um deles é o “Projeto Vizinhos do Lago” que tem por objetivo principal promover a comunicação entre o Consórcio Itá e a população lindeira. O consórcio Itá criou em 2004, para facilitar a comunicação entre a comunidade e o Consórcio Itá, a Linha Verde. Através de um “0800”, gratuito que funciona de segunda a sexta feira, as ligações são registradas e esclarecimentos sobre dúvidas são feitos.

O projeto visa promover a aproximação dos “vizinhos do Lago” com o empreendimento, minimizar a ocorrência de conflitos e promover a parceira em questões que envolvem ambas as partes. Recursos financeiros são destinados para a divulgação turística dos municípios lindeiros ao reservatório.

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CONCLUSÕES

O objetivo principal da construção dessa dissertação foi analisar sob a perspectiva da história ambiental, as consequências socioambientais que um empreendimento de grande porte, como a construção da usina hidrelétrica de Itá em Santa Catarina traz para a sociedade e o meio natural em que está inserida. Haviam muitos trabalhos antes realizados sobre a usina, mas que abordaram prioritariamente as questões sociais causadas pela sua construção.

Entre as odes ao progresso provocadas pela perspectiva de desenvolvimento trazido pelas usinas hidrelétricas, a necessidade de maior demanda de energia elétrica e a ansiedade moderna de mais tecnologia, a propaganda de que era necessário a construção do empreendimento de grande porte para que a região oeste se modernizasse começou a se difundir. O lugar escolhido para a construção de tal obra foi a cidade de Itá, e para isso foi necessário que o Rio Uruguai fosse barrado e transformado em lago. Alvo de intervenções desde a década de 1960, o Rio Uruguai desenhou novas paisagens na região oeste do estado de Santa Catarina, e foi aos poucos dominado e redirecionado pela vontade humana e pela engenharia.

A dissertação foi estrutura sob três capítulos. Dessa forma, no primeiro deles, fiz uma breve abordagem das questões ambientais e tecnológicas ligadas a Usina Hidrelétrica de Itá, utilizando a temática da história ambiental e dos conceitos de “tecnologia de força bruta” e “desenvolvimentismo” para obter um entendimento maior sobre o fenômeno moderno das hidrelétricas no país e porque se tornaram tão populares.

No segundo capítulo, foram apresentadas informações acerca do principal objeto de desejo e ferramenta para a construção das Usinas Hidrelétricas: O rio, e nesse caso específico, o Rio Uruguai. Considerações sobre a burocracia empregada nas obras de grande porte foram feitas e assim como os relatórios produzidos foram utilizados. Para esse trabalho, foram utilizados os programas ambientais previstos no EIA-RIMA da UHE Itá e os relatórios de atividades desenvolvidas pelo consórcio responsável nos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014.

A escolha para utilização destes relatórios foi por conta de serem os mais recentes publicados pelo Consórcio, os quais obtive acesso. Cabe ressaltar aqui, o destaque feito para o programa ambiental “Arca de Noé”, que faz alusão ao signo bíblico da arca de Noé e promove a analogia entre o Reservatório da Usina Hidrelétrica e o Dilúvio. Esse programa em

77 específico serve para pensar sobre quais as coisas são importantes para a construção de uma nova cidade, no caso específico de Itá, que teve sua sede municipal totalmente alagada para que a usina entrasse em operação, o que deve ser salvo e o que deve ser esquecido, submerso.

No terceiro capítulo, foram utilizados a descrição e analise dos programas ambientais relacionados efetivamente com a construção da Nova Itá, um novo espaço com novas dinâmicas sociais. Desse modo, o relacionamento com a sociedade, as obras de infra estrutura e a construção de unidades ambientais de conservação ambiental foram planos colocados em prática.

A construção de um empreendimento de grande porte como a Usina Hidrelétrica de Itá, foi palco de muitos conflitos, principalmente por todas as alterações provocadas pela obra na vida da sociedade e na dinâmica do meio natural. Ter o município totalmente submerso para dar espaço ao lago do reservatório envolveu muito mais que questões burocráticas e políticas, todo o imaginário e as memórias da população que construíram suas casas ao longo de muitos anos com muito trabalho e esforço poderia facilmente perder-se.

O que me intrigou, ao longo de toda a pesquisa, foi que o consórcio responsável pela obra e posteriormente pela manutenção e operação da usina hidrelétrica de Itá é o mesmo que detém a responsabilidade de criar e manter os programas ambientais previstos em legislação em funcionamento. Muito contraditório que a mesma empresa destrua, desmate e posteriormente crie mecanismos de compensação para a sociedade. A burocracia e as leis aplicadas no nosso país não são tão eficientes quanto deveriam ou apenas servem para os propósitos do “desenvolvimento” e do “progresso”, as custas do meio ambiente e da vida de milhares de pessoas atingidas.

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