A quarta questão de investigação relaciona-se com as dimensões do ato de cuidar em que o prestador de cuidados manifesta mais sobrecarga. A correlação de Person permitiu concluir que há uma correlação positiva, isto é quanto mais elevado o valor das dificuldades maior será a sobrecarga. O grau de sobrecarga é explicado pelas dificuldades.
As dimensões do ato de cuidar em que o cuidador manifesta mais dificuldades são do âmbito das alterações pessoais que ocorrem no quotidiano, as reações às exigências da prestação de cuidados e a sobrecarga emocional. Isto vai ao encontro da opinião de Palma (1999) que acredita que a detenção de saberes sobre a técnica de prestação de cuidados, assim como sobre a dependência e a enfermidade permite melhorar o ato de cuidar, minimiza e atenua as dificuldades e melhora o controlo acerca da situação.
Os prestadores de cuidados, em geral, parecem ter a capacidade para enfrentar as situações problemáticas e até conseguem algumas alternativas para resolver os problemas, contudo manifestam alguma dificuldade em enfrentar os sintomas de stresse. Podemos desta maneira, crer que a abordagem aos prestadores de cuidados deve potencializar os mecanismos de coping no aperfeiçoamento das aptidões para prestar cuidados, usando estratégias de superação das dificuldades, fortificando e fortalecendo
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as competências ao nível comportamental e intelectual, aprimorando as suas expectativas, tentando perceber e adaptar-se com o intuito de conseguirem arranjar uma solução para os problemas e as demandas do ato de cuidar.
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6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Com a execução desta investigação algumas conclusões emergiram para dar respostas às questões e objetivos traçados. Cremos que o nosso estudo tenha dado uma contribuição para a especialização, no sentido de conhecer melhor a prestação de cuidados a idosos com dependência, quais as dificuldades sentidas no ato de cuidar, possibilitando uma maior reflexão sobre a realidade do concelho de Vila Real. Esta investigação é pertinente porque diante do aumento do número da população idosa com dependência e do crescente envelhecimento demográfico, investir conhecimento nesta área constitui uma mais-valia para os profissionais de saúde. Numa sociedade caraterizada pelo envelhecimento da população, constata-se um acréscimo do surgimento de doenças crónicas, aumentando a vulnerabilidade da população idosa. O envelhecimento populacional nos últimos decénios tem-se vindo a acentuar, estando associado o índice de dependência o que irá trazer um grau mais complexo de cuidados. Crescentemente o apoio aos idosos emerge como uma prioridade o estabelecimento de políticas financeiras, de saúde e sociais. Consideramos ser fundamental a implementação / preservação das políticas de saúde que possibilitem fortificar as respostas aos cuidadores de idosos dependentes. Desta forma, emerge a urgência de investir conhecimento na área dos prestadores de cuidados, cuja finalidade principal é garantir um nível elevado de qualidade de vida ao idoso. Por fim, o ato de cuidar da população idosa com dependência continua a ser um valor importante no entanto é necessário que seja assegurada a qualidade de vida quer ao idoso, quer ao cuidador.
Têm-se constatado que as investigações efetuadas nesta área são de extrema relevância, visto que patenteadas cientificamente as dificuldades e a sobrecarga do cuidador. Os profissionais de saúde devem assumir um papel ativo na planificação de programas de assistência e acompanhamento dos prestadores de cuidados que recaem num reconhecimento das dificuldades de quem presta cuidados e de quem beneficia dos cuidados, necessitando de se constituir uma conexão entre o cuidador e os outros membros pertencentes à equipa multidisciplinar, adoptando uma atitude de escuta ativa e disponibilidade no sentido de permitir perceber as necessidades e os constrangimentos dos prestadores de cuidados. Perceber o contexto estratégico dos prestadores de cuidados, as suas dificuldades, a sobrecarga e os mecanismos que utiliza para lidar com
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as situações, é o ponto de partida para que se desenvolvam estratégias no âmbito nacional. É fundamental e crucial enaltecer e enobrecer a função de cuidador e conceber mecanismos que conseguiam minorar a sobrecarga percecionada na prestação de cuidados. Existe ainda muito a desenvolver no âmbito do ato de cuidar em prol do melhoramento do auxílio ao seio familiar que encara no seu dia a dia situações distintas. Os cuidadores informais necessitam de ser alvo de intervenção nas mais distintas áreas, numa fase inicial, a intervenção deve ser sobre a enfermidade do idoso, mecanismos de comunicação com o idoso, cuidados a ter. Desta forma, para que o idoso seja bem cuidado igualmente o prestador de cuidados deve cuidar de si. O que pode vir a ser implementando é a criação de grupos de suporte aos cuidadores, no sentido de estes partilharem as suas experiências com pessoas que também prestam cuidados. Para o cuidador é fundamental fazer psicoeducação (programas de capacitação, estratégias para capacitar) em que se deem resposta às necessidades específicas dos prestadores de cuidados, auxilia a que seja feita uma transição saudável e promove uma gestão mais eficaz dos cuidados.
O núcleo familiar é o primeiro a poder responder a uma situação de dependência dos idosos, constitui-se como sendo o grupo primário básico de ajuda, com a função mais importante no ato de cuidar a longo prazo, visto que o prestador de cuidados normalmente é um elemento da família, com um grau de proximidade ao idoso, que em grande parte das vezes se compromete a prestar cuidados ao seu ente querido. As modificações decorrentes na política ao nível social solicita a que o idoso com dependência permaneça na sua habitação, cabendo à família assumir o ato de cuidar.
De acordo com a análise dos resultados obtidos e não perdendo de vista os objetivos delineados para este estudo, considera-se que os objetivos foram atingidos. Em seguida, apresentam-se as considerações finais com mais significância que obtiveram maior expressividade no decorrer da investigação.
Constatou-se que a amostra deste estudo é maioritariamente do sexo feminino, inteiramente formada por parentes do idoso, na grande parte dos casos são as filhas que exercem a função de cuidar. Os cuidadores apresentam maiores dificuldades na prestação de cuidados, necessitando de auxílio, as maiores dificuldades indicadas pelos cuidadores foram as restrições ao nível social, exigências de ordem física e a reações à
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prestação de cuidados. Os prestadores de cuidados que tratam de idosos com dependência sentem mais dificuldades no ato de cuidar. Constatou-se que o quotidiano dos cuidadores sofre modificações nomeadamente no âmbito do lazer. Desta forma crê se que a função de prestador de cuidados é fundamental no sentido de propiciar ao idoso um fim de vida com dignidade e junto de todos aqueles que adora No decorrer do processo de prestação de cuidados, o cuidador tem ao seu encargo as funções de: cuidar da saúde do idoso; promover a autonomia e independência do idoso; estimular e auxiliar o idoso na execução das tarefas da vida diária; monitorizar o idoso; proporcionar um ambiente cómodo para que o idoso possa repousar; promover a comunicação e socialização. O ato de cuidar decorre num horário ininterrupto, o fornecimento permanente de cuidados pode originar numa sobrecarga intensa para o prestador de cuidados, podendo afetar o seu estado de saúde, a sua vida familiar, nomeadamente a ligação com os restantes elementos do núcleo familiar, o tempo de lazer e o desempenho no emprego. Concluindo-se assim que ainda existem muitos cuidadores de idosos com dependência que sentem um grau de sobrecarga elevado ocasionado pela execução de tal função. Aferiu-se portanto com esta investigação que os mecanismos de
coping apresentam um papel de extrema importância para potencializar a árdua tarefa
que é fornecer cuidados a pessoas com dependência e a gerir a sobrecarga. Os prestadores de cuidados, em geral, parecem ter a capacidade para enfrentar as situações problemáticas e até conseguem algumas alternativas para resolver os problemas, contudo manifestam alguma dificuldade em enfrentar os sintomas de stresse. Podemos desta maneira, crer que a abordagem aos prestadores de cuidados deve potencializar os mecanismos de coping no aperfeiçoamento das aptidões para prestar cuidados, usando estratégias de superação das dificuldades, fortificando e fortalecendo as competências ao nível comportamental e intelectual, aprimorando as suas expectativas, tentando perceber e adaptar-se com o intuito de conseguirem arranjar uma solução para os problemas e as demandas do ato de cuidar. Concluiu-se que existe uma relação direta entre o QASCI e o CAMI, na globalidade, isto é quando os cuidadores utilizam os mecanismos de coping, menor é o grau de sobrecarga sentida. Neste sentido, as modalidades de intervenção a serem implantadas devem ter em conta os mecanismos de
coping que os prestadores de cuidados usam com eficácia, de forma a promover a
satisfação e a diminuir a sobrecarga. Também é fundamental auxiliar os prestadores de cuidados a incrementar novos mecanismos para fazer face às situações, quando as que usam não são adequadas.
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A presente investigação manifesta uma limitação designadamente no tamanho da amostra, o facto da colheita de dados terem demorado mais tempo do que o previsto (três meses), pois obter dados com este tipo de população é difícil. Outro aspeto a referir é a burocracia relativa à aprovação por parte das instituições para proceder à recolha de dados.
É importante a realização de mais estudos sobre esta temática, dado que, como já foi mencionado no decorrer do trabalho, de acordo com as projeções demográficas expostas, os prestadores de cuidados serão um recurso fundamental na prestação de cuidados a idosos. Para futuros estudos, considero ser importante replicar esta investigação com amostras maiores e noutras zonas do país.
Termino esta investigação com a certeza de que os objetivos delineados foram alcançados, contribuindo para o conhecimento teórico sobre o prestador de cuidados, e em contribuir para o conhecimento da realidade do Concelho de Vila Real. Como futura Gerontóloga considero que as intervenções devem ser centradas no cuidador e no idoso.
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