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1999:

1 — Ao completar-se o terceiro exercício após a constituição deste Banco, é interessante verificar à medida que o projecto se consolida, que se vai tornando mais nítida a realização dos objectivos principais assumidos desde o seu início, a saber:

Retribuição dos accionistas, cuja aposta neste projecto tem sido altamente compensada, através das diferentes formas de remu-neração do capital investido — distribuição de dividendos, distri-buição gratuita de novas acções por incorporação de reservas, significativa valorização pelo mercado das acções emitidas;

Diversificação das linhas de negócio, que actualmente cobrem todo o espectro de actividades que são próprias da banca de inves-timento, devendo mencionar-se o contributo das diferentes áreas operacionais para os resultados do Banco;

Estreitamento da cooperação com o sistema de Crédito Agrícola, accionista de referência desde a constituição do Banco, nomea-damente através de uma melhor integração com a sua rede de retalho, traduzida numa crescente adesão dos clientes das Caixas Agrícolas às operações do mercado de títulos e numa percepção cada vez mais generalizada, por parte das próprias Caixas Agrícolas, das vantagens da ligação ao Banco.

2 — A retribuição dos accionistas constitui uma linha de orientação permanente do Banco, uma vez que a relação entre este e os accio-nistas se situa num plano de convergência de interesses e de objectivos.

Foi por este mesmo entendimento que se decidiu promover, logo que existiram condições para o efeito, a admissão das acções

repre-sentativas do capital do Banco à cotação na Bolsa de Valores de Lisboa.

A admissão à cotação deveria estimular o interesse dos accionistas e também interessava ao Banco como instrumento de avaliação mais independente da sua performance.

Ocorre recordar que a admissão à cotação se verificou em Outubro de 1997, com menos de um ano de actividade.

Será oportuno registar, a este propósito, que aos accionistas do banco — na sua maioria têm essa qualidade desde Agosto de 1995, da fase sociedade financeira de corretagem — foram proporcionadas até hoje as seguintes formas de retribuição:

Abril de 1996, pagamento de dividendos de 8%;

Janeiro de 1997, pagamento de 1% sobre o valor nominal do capital, correspondente à aquisição, pelo Banco, de 100% do capital da sociedade corretora Central Investimentos, S. A.;

Novembro de 1997, aumento do capital por incorporação de reservas, com distribuição de uma nova acção por cada seis detidas;

Dezembro de 1999, aumento do capital por incorporação de reservas, com distribuição de uma acção por cada sete detidas.

Feitas as contas, e com base numa leitura conservadora dos dados de mercado actualmente disponíveis, obtém-se uma rentabilidade supe-rior a 35% ao ano para o capital investido pelos accionistas, num período de quatro anos e meio em que a inflação média anual se situou abaixo de 3%. Essa rentabilidade supera mesmo a valorização do índice BVL 30, no mesmo período, apesar de este ter sido caracterizado por uma significativa subida de cotações.

Este resultado diz bem da forma como tem sido levado em conta o interesse dos accionistas.

3 — A diversificação das linhas de negócio constitui outro objectivo estratégico, uma vez que uma parte muito significativa da actividade e dos proveitos, durante o período anterior à constituição do Banco, estava, por razões compreensíveis associada à actividade de corretagem.

Ao longo destes três anos iniciaram-se ou desenvolveram-se impor-tantes linhas de negócio, a saber:

Área de fusões e aquisições;

Área de corporate e consultoria financeira;

Área de produtos derivados;

Área de gestão de activos, apoiada numa actividade de research de reconhecida qualidade.

Lançamento da rede do investidor, constituída por um conjunto de lojas, unidades especializadas na comercialização de produ-tos do mercado de capitais.

Qualquer destas áreas tem hoje um peso significativo nos negócios do Banco, a par das actividades mais tradicionais de corretagem, e uma contribuição relevante para os proveitos de exploração.

A realização deste objectivo é importante por vários motivos.

Por um lado constitui um factor de valorização da imagem do Banco, e do seu reconhecimento no mundo dos negócios como insti-tuição financeira especializada na área da banca de investimento, que está organizada para oferecer, com qualidade, uma variada gama de produtos e serviços específicos deste segmento do mercado.

Por outro lado, pelos efeitos na consolidação e estabilização econó-mica do projecto, tornando-o menos sensível e menos vulnerável às oscilações no comportamento do mercado.

É possível exemplificar este ponto com o comportamento da explo-ração do Banco, no exercício de 1999, em que o mercado accionista, durante uma grande parte do ano (excepção feita aos últimos dois meses) mostrou algum declínio em relação ao ano anterior, em pre-ços e em volume de actividade, e o mercado obrigacionista teve em geral um comportamento negativo.

Não obstante esses factores desfavoráveis, o Banco apresenta em 1999 um desempenho global altamente positivo, com os resultados antes e depois de impostos a subirem cerca de 40% em relação ao exercício anterior.

Esta evolução é explicável pelo crescimento dos proveitos nas novas áreas de negócio.

4 — O estreitamento da ligação ao Sistema do Crédito Agrícola continua a constituir uma vertente fundamental deste projecto.

A subsistência e o reforço desta ligação só têm sentido enquanto ela for propiciadora de benefícios para ambas as partes.

À partida, esses benefícios parecem evidentes. O Banco potencia a sua produção, sobretudo (mas não só) nas áreas de gestão de activos e de operações de bolsa (corretagem), se dispuser de uma ligação eficiente a uma rede de vendas como aquela que as Caixas Agrícolas dispõem.

O Crédito Agrícola, por sua vez, dentro de uma estratégia de diver-sificação de produtos e serviços para fidelização e aumento de clien-tes, tem todo o interesse na ligação a uma instituição especializada como o Central — Banco de Investimento, que lhe pode pôr à dispo-sição novos produtos e serviços.

A optimização deste quadro de mútua conveniência obtém-se através de uma participação significativa do Crédito Agrícola no capital do Banco, circunstância que tem sido verificada e que tende a reforçar-se.

Um pressuposto essencial para que a regra do benefício mútuo seja verificada tem a ver com as condições de prestação de serviço entre o Banco e as Caixas Agrícolas, nas suas componentes técnica e de partilha de proveitos.

Esta é uma área onde se tem continuado a fazer progressos, de forma a garantir uma qualidade técnica muito elevada aos serviços prestados, tanto na rapidez de execução das operações e respectiva liquidação como na prestação de informação regular aos clientes e às próprias caixas e nas garantias de qualidade dessa informação. No corrente ano estão previstos novos desenvolvimentos, por forma a habilitar as caixas com meios de trabalho ao nível das soluções mais avançadas para dar rápida satisfação aos pedidos dos clientes.

5 — Em relação com o último ponto referido, merece ser salien-tada a alteração ocorrida na composição do capital social, em No-vembro de 1999, com a alienação da posição detida pelo engenheiro Ilídio Pinho — accionista da primeira hora que aproveito para saudar muito especialmente — e a sua aquisição por um conjunto de Caixas Agrícolas e pela Caixa Central.

Essa operação permitiu que o Grupo Crédito Agrícola reforçasse a sua posição de accionista de referência. Este facto vem consolidar a estratégia de articulação entre o Banco e o Grupo Crédito Agrícola e abrir novas e francas perspectivas de cooperação com outras entida-des, tanto nacionais como estrangeiras.

6 — Antes de concluir é justo recordar o empenho e eficiente tra-balho realizado por todos os colaboradores do banco, desde os membros executivos do conselho de administração aos seus quadros e aos colabo-radores de menor nível de responsabilidade. O trabalho de todos continua a ser muito importante para a consolidação deste projecto e para a ima-gem de credibilidade que o banco vem crescentemente disfrutando.

Aos accionistas é também devida uma palavra de apreço pelo inte-resse e atenção que têm dedicado aos assuntos que respeitam à vida do banco. Anota-se por último o relacionamento com as autoridades de supervisão — Banco de Portugal e comissão do mercado de valores mobiliários — com as quais foi possível manter um diálogo sério e construtivo que muito tem contribuído para a criação de condições de trabalho eficientes sem prejuízo do cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis.

Lisboa, 22 de Fevereiro de 2000. — O Presidente do Conselho de Administração, José Alberto Vasconcelos Tavares Moreira.

Órgãos sociais

Mesa da assembleiaa geral:

Presidente: António José dos Santos.

Vice-presidente: Joaquim Martins Filipe.

Secretários:

José Manuel de Almeida Archer.

João Francisco Justino.

Conselho consultivo:

Presidente: Ilídio da Costa Leite de Pinho.

António José Baptista Cardoso e Cunha.

Fernando Gualter Duarte Viana.

Fundação Eng. António de Almeida, representada por Fernando Aguiar Branco.

Joaquim António Ferreira dos Santos.

José António dos Santos.

José Luís Nogueira de Brito.

Luís de Mello Champalimaud.

Manuel Rui Azinhais Nabeiro.

Pedro José dos Santos Lourenço Ribeiro.

Conselho de administração:

Presidente: José Alberto Vasconcelos Tavares Moreira.

Vice-presidente: José Manuel Marques da Silva Lemos.

Vogais:

Augusto Pinto Martins.

Luís Manuel Abrantes Marques.

Luís Manuel Pereira da Silva.

Luís Paulo de Almeida Lagarto.

Conselho fiscal:

Presidente: José Manuel Galvão Teles.

Vice-presidente: Joaquim Vital Rosa.

Vogal: Carlos Teixeira & Noé Gomes — Sociedade de Re-visores Oficiais de Contas, representada por Noé Gon-çalves Gomes.

Comissão de remunerações:

Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, C. R. L.

JP Holding — SGPS.

Papelaco, S. A.

Relatório do conselho de administração

As acções do Central

As acções do Central — Banco de Investimento, representativas do capital social de 7 000 000 contos, encontram-se cotadas na Bolsa de Valores de Lisboa desde 6 de Outubro de 1997.

No final de 1999 o título transaccionou a 10,50 euros por acção, o que representa uma valorização de 5,2% em relação à cotação no final de 1998. A cotação máxima atingida durante o ano foi de 11,75 euros por acção, atingida em 30 de Março 1999, e a cotação mínima de 9,70 euros por acção foi observada a 3 de Maio.

Durante o mês de Dezembro, foi realizado um aumento do capital social de 7 milhões de contos para 8 milhões de contos por incorpo-ração de reservas.

Evolução da cotação ajustada

Durante o ano de 1999 transaccionaram-se em média 9418 acções por dia, ao que corresponderam transacções médias de 98 855 euros.

(Valores em euros)

No entanto, se excluirmos destes valores, quatro dias, em que se transaccionou um volume anormalmente elevado, devido a alteração da estrutura accionista, o número médio de acções transaccionadas por dia baixa para 939, ou seja uma transacção média de 9910 euros.

Evolução do volume de transacções

Alguns indicadores

1999 1998

Valor contabilístico por acção (escudos) ... 1 448,2 1 265,2 PER — Central ... 11,5 15,9 PER médio dos bancos cotados ... 23,0 20,3 PBV — Central ... 1,45 1,58 PBV médio dos bancos cotados ... 3,1 3,3

Principais acontecimentos

Janeiro — Mudança para novas instalações em Lisboa e Porto.

Fevereiro — Roadshow com empresas cotadas junto de clientes do Central em Madrid, Paris e Londres.

Março — Consultoria à Média Capital na aquisição da Rádio Cidade.

Abril — MBO da Tubus Vouga.

Lançamento do site institucional do Central.

Maio — Participante na OPV e na venda directa nacional e inter-nacional na 3.ª fase de Privatização da Brisa — Auto-Estradas de Por-tugal, S. A.

Junho — Central é designado como consultor financeiro do Estado Português no concurso público internacional para a concessão de lanços da Auto-Estrada Norte Litoral em regime SCUT.

Central co-liderou a primeira OPV de uma Tech-company — ParaRede, na Bolsa de Valores de Lisboa.

Julho — Participante na OPV e na venda directa nacional e inter-nacional na 3.ª fase de privatização da Portugal Telecom.

Agosto — Venda da Sogevinus/Cálem.

Início de análise de empresas incluídas no índice DJ Europe Stoxx 50: Daimler-Chrysler.

Setembro — Lançamento do concurso público relativo à 1.ª fase da privatização do capital da Gescartão em que o Central actuou como consultor financeiro da Portucel.

Outubro — Central é designado como consultor financeiro do Estado Português no concurso público internacional para a concessão dos lanços da Auto-Estrada Lisboa Norte em regime de portagem real.

Participante na venda directa no IPO da PT Multimédia.

Central cria a rede do investidor e abre a primeira loja no Porto.

Dezembro — Assembleia geral extraordinária do Central aprova aumento de capital social por incorporação de reservas de 7 milhões de euros para 8 milhões de contos. Assessoria ao grupo Imperpar na aquisição da Hiperpneus. Roadshow com empresas cotadas junto de clientes do Central em Londres, Paris e Madrid.

Principais indicadores e análise da performance

No ano de 1999, o Central registou um acentuado crescimento da sua actividade nos diferentes segmentos de mercado em que actua.

Por um lado, assistiu-se à consolidação das áreas de actuação onde já tem marcada presença, intermediação nos mercados à vista e a prazo e trading em valores mobiliários e produtos derivados, ao mesmo tempo que as áreas de gestão de activos e corporate finance registavam assinaláveis desenvolvimentos. Por outro, iniciaram-se projectos de particular importância para o futuro da instituição, dos quais se des-taca:

O lançamento da rede do investidor, disponibilizando um con-junto alargado de produtos e serviços aos particulares que pre-tendam investir no mercado de capitais directamente ou com o apoio de consultores especializados;

A criação de infra-estruturas tecnológicas que possibilitem o desenvolvimento da corretora on-line e do Internet Banking, com conclusão prevista no 1.º semestre de 2000, os quais, em conjunto, permitirão, por um lado, o acesso à execução de ordens on-line e, por outro, a oferta de produtos e serviços através da rede do crédito agrícola e da rede do investidor.

Síntese de indicadores

1999 1998

Variação

Consolidado Individual Consolidado Individual

1999-— -1998 (a)

Milhares Milhares Milhares Milhares Milhares (percent.)

de escudos de euros de escudos de escudos de escudos

Activo total (líquido) ... 39 288 747,0 195 971,4 38 633 960,0 31 379 825,0 29 891 833,0 25,2 Títulos em carteira:

De rendimento fixo ... 4 045 648,0 20 179,6 3 571 387,0 2 092 396,0 1 607 339,0 93,4 De rendimento variável ... 14 459 788,0 72 125,1 13 776 152,0 8 723 898,0 8 527 429,0 65,7 Particip. e partes capital em empresas coligadas 458 456,0 2 286,8 813 456,0 1 858 456,0 2 132 048,0 75,3 Imobilizado corpóreo e incorpóreo ... 2 641 352,0 13 175,0 2 584 066,0 1 690 566,0 1 625 064,0 56,2 Situação líquida ... 10 137 346,0 50 564,9 9 107 237,0 8 856 621,0 7 978 344,0 14,5 Margem financeira e dividendos recebidos ... 298 618,0 1 489,5 684 783,0 350 281,0 329 793,0 14,7 Margem complementar (b) ... 2 790 289,0 13 917,9 1 662 232,0 1 941 574,0 692 835,0 43,7 Produto bancário ... 3 088 907,0 15 407,4 2 347 015,0 2 291 855,0 1 022 628,0 34,8 Custos de funcionamento (inc. amortizações) ... 1 504 310,0 7 503,5 1 127 969,0 1 080 389,0 640 218,0 39,2 Cash-flow bruto ... 2 164 619,0 10 797,1 1 761.631,0 1 236 109,0 407 162,0 75,1 Resultado líquido ... 1 280 725,0 6 388,2 1 038 894,0 878 956,0 220 217,0 45,7 Operações a prazo sobre instrum. financeiros:

Futuros em mercado organizado ... 20 639 641,0 102 950,1 20 639 641,0 7 984 759,0 7 984 759,0 158,5

Futuros em mercado de balcão ... 297 791,0 1 485,4 297 791,0 – – –

Opções em mercado organizado ... 23 063 562,0 115 040,6 23 057 635,0 – – –

Opções em mercado de balcão ... 14 333 955,0 71 497,5 14 333 955,0 10 704 429,0 10 704 429,0 33,9

Número de colaboradores ... 86,0 86,0 60,0 72,0 42,0 19,4

Ratio de requisitos de fundos próprios (percent.) 23,4 23,4 20,4 32,6 29,9 –

Rendibil. do activo (ROA) (percent.) ... 3,6 3,6 3,0 2,9 0,8 –

Rendibil. dos capitais próprios (ROE) (percent.) 13,5 13,5 12,2 10,4 2,9 –

Capitalização bolsista ... 14 735 427,0 73 500,0 – 14 000 000,0 – –

Cotação/Resultado por acção (PER) ... 11,5 11,5 – 15,9 – –

Cotação/cash-flow bruto por acção ... 6,8 6,8 – 11,3 – –

(a) Considerando os valores consolidados.

(b) Inclui mais-valias obtidas na venda de participações tomadas no âmbito de operações de capital de desenvolvimento.

1999 1998

Variação

Consolidado Individual Consolidado Individual

1999-— -1998 (a)

Milhares Milhares Milhares Milhares Milhares (percent.)

de escudos de euros de escudos de escudos de escudos

No final de 1999, o activo total líquido consolidado totalizava 39,3 milhões de contos, 196 milhões de euros que representa um acrés-cimo de 25,2% face ao ano anterior.

Esta evolução resultou, essencialmente, do crescimento de 65,7%

registado pela carteira de títulos de rendimento variável, reflexo das necessidades de cobertura posições curtas em produtos derivados, fu-turos e opções, associadas, por sua vez, ao nível crescente de inter-venção nos mercados a prazo.

O aumento de 56,2% do imobilizado deveu-se aos amplos investi-mentos realizados na modernização das instalações e dos sistemas informáticos e à abertura da primeira loja da rede do investidor, loca-lizada na cidade do Porto.

Merecem igualmente destaque os volumes significativos de opera-ções de produtos derivados que se encontravam em curso, quer em mercado organizado, 45,7 milhões de contos, quer em mercado de balcão 14,6 milhões de contos, e o nível de solvabilidade de 23,4%

medido pelos critérios do Banco de Portugal.

O resultado líquido consolidado ascendeu a 1 281 000 contos (6 388 000 euros) em 1999, evidenciando um crescimento de 45,7%

face aos 879 000 contos apurados no ano precedente. Reflectindo esta evolução favorável o ROE passou de 10,4% em 1998 para 13,5%

em 1999.

Contrariamente ao ano anterior, este resultado inclui a reavaliação das opções vendidas em mercado de balcão e, seguindo a mesma metodologia, das obrigações de caixa com opções incorporadas, no montante global líquido de 614 000 contos (3 065 000 euros), dos quais 367 000 respeitam ao exercício precedente, de acordo com novas orientações contabilísticas do Banco de Portugal. Esta altera-ção transmitiu maior transparência aos resultados, na medida em que possibilitou a utilização de uma metodologia uniforme na reavaliação das posições de trading.

O aumento do resultado líquido assentou no comportamento posi-tivo da margem complementar que, ao registar um acréscimo de 43,7%, induziu um crescimento de 34,8% do produto bancário, compensando a evolução negativa da margem financeira resultante da descida verificada nas taxas de juro. O cash-flow bruto apresentou um com-portamento ainda mais favorável, registando um aumento de 75,1%

face ao ano anterior.

Resultados da actividade em 1999

Comissões e lucros em operações financeiras

1999 1998

Variação

Consolidado Individual Consolidado Individual

1999-— -1998 (a)

Milhares Milhares Milhares Milhares Milhares (percent.)

de escudos de euros de escudos de escudos de escudos

Comissões (líquidas) ... 2 157 569,0 10 761,9 1 046 873,0 1 941 186,0 616 956,0 11,1 Consultoria financeira ... 879 853,0 4 388,7 468 771,0 392 902,0 80 981,0 123,9 Corretagem de títulos e futuros ... 803 639,0 4 008,5 104 025,0 1 203 277,0 225 763,0 33,2

Participação e colocação (OPV e OPA) .... 113 478,0 566,0 113 478,0 75 386,0 47 624,0 50,5

Depositário de fundos ... 72 859,0 363,4 72 859,0 62 157,0 62 157,0 17,2 Custódia de títulos ... 143 326,0 714,9 143 326,0 108 091,0 99 664,0 32,6 Gestão de carteiras ... 32 488,0 162,0 32 488,0 24 735,0 24 735,0 31,3 Garantias prestadas ... 25 601,0 127,7 25 601,0 28 891,0 28 891,0 11,4 Outras comissões ... 86 326,0 430,6 86 326,0 45 747,0 47 141,0 88,7 Lucros em operações financeiras (líquida) ... 632 720,0 3 156,0 615 359,0 388,0 75 879,0 n. a.

Margem complementar ... 2 790 289,0 13 917,9 1 662 232,0 1 941 574,0 692 835,0 43,7

Na formação da margem complementar, destalcam-se os contri-butos das comissões provenientes da serviços financeiros, as quais alcançaram 880 000 contos, 4 389 000 euros, em 1999 contra 393 000 contos precedente, traduzindo um acréscimo de 123,9%, e dos lucros em operações financeiras, líquidos, que alcançaram 633 000 contos.

O valor deste último agregado está associado ao reconhecimento dos ganhos apurados na reavaliação das opções vendidas em mercado de balcão, anteriormente referido, ao contexto mais favorável em

que decorreu o trading em valores mobiliários e produtos derivados e aos ganhos obtidos na alienação de participações tomadas em em-presas onde o Central dinamizou operações de capital de desen-volvimento.

O reforço de equipas, as despesas de manutenção das novas insta-lações e as amortizações de equipamento informático e respectivo software induziram um crescimento dos custos de funcionamento de 39,2%, os quais, no entanto, mantiveram o peso relativo face ao produto bancário.

No ano de 1999, todas as filiais apresentaram resultados líquidos positivos, destacando-se os 302 000 contos (1 506 000 euros) alcan-çados pela Central Investimentos — Soc. Corretora numa conjuntura bastante desfavorável durante uma parte considerável do ano e o valor de 258 000 contos (1 288 000 euros) atingido pela CBI Consulting.

Enquadramento macroeconómico e mercados financeiros Evolução macroeconómica

Durante o ano de 1999 a economia portuguesa desacelerou face a 1998. O PIB nacional terá, de acordo com as previsões mais recen-tes, crescido em termos reais cerca de 3%, contra 3,8% em 1998.

Este abrandamento resulta de um menor crescimento da procura in-terna e também das exportações.

A procura interna desacelerou de um ritmo de 6,4% em 1998 para um valor previsto de 4,5%. O maior impacto vem da formação bruta de capital fixo que terá crescido a uma taxa entre os 4,25% e os 5,25%, quando no ano anterior tinha crescido cerca de 9,8%. Esta quebra deve-se em larga medida ao abrandamento no sector de construção, e dentro deste, em particular na parte de obras públicas. A construção civil manteve um ritmo de crescimento forte, impulsionada, com algum desfasamento, pelo baixo nível das taxas de juro. O investimento em equipamento produtivo também abrandou, fruto de menor confiança dos industriais, que enfrentaram uma menor procura externa.

O consumo privado, cuja contribuição para o PIB deverá ser signi-ficativamente superior a 100%, embora também ligeiramente mais fraco do que em 1998, terá mantido uma taxa de crescimento perto dos 5% (5,6% em 1998). Este nível bastante forte, patente por exemplo no ritmo de crescimento das vendas de automóveis, está associado à expansão do crédito a particulares e à forte confiança das famílias, dada a redução da taxa de desemprego e o nível historicamente baixo

O consumo privado, cuja contribuição para o PIB deverá ser signi-ficativamente superior a 100%, embora também ligeiramente mais fraco do que em 1998, terá mantido uma taxa de crescimento perto dos 5% (5,6% em 1998). Este nível bastante forte, patente por exemplo no ritmo de crescimento das vendas de automóveis, está associado à expansão do crédito a particulares e à forte confiança das famílias, dada a redução da taxa de desemprego e o nível historicamente baixo