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Relatório Final do Estudo da usabilidade de um sítio Web

A investigação PAi

Capítulo 4 – A Investigação PAI

6. Relatório Final do Estudo da usabilidade de um sítio Web

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Apresentam-se seguidamente, de um modo breve, os procedimentos gerais utilizados pelo PAI no estudo da usabilidade de um sítio Web.

4.4.1. Avaliação preliminar

4.4.1.1. Avaliação da Acessibilidade do Sítio Web

A norma ISO/IEC 400500:2012 definida pelas directrizes de acessibilidade para o conteúdo da Web, WCGA2.0, permite satisfazer as necessidades de diferentes grupos e situações através de três níveis de conformidade: A, AA ou AAA. O nível A é o mínimo requerido para que um sítio na Web seja acessível por um grupo de utilizadores com baixo grau de deficiência WCGA (2008).

Tais orientações, não sendo de aplicação obrigatória a sítios Web não públicos, vieram orientar e incentivar os gestores de sítios Web a atingir um nível mínimo de acessibilidade nos sítios Web que gerem, certificado através da afixação de um dos logótipos da W3C concebido par esse efeito67.

As directrizes principais são agrupadas em quatro princípios: Perceptível, Operável, Na-vegável e Robusto. No anexo 4, p. 221 pode consultar-se uma lista resumida das directrizes aplicáveis ao nível A de acessibilidade.

4.4.1.2. Relatório Preliminar

O relatório de acessibilidade deve descreve pormenorizadamente as falhas encontradas e apresentar as técnicas de resolução correspondentes para que possam ser tomadas medidas correctivas.

4.4.2. Entrevistas

As entrevistas são uma abordagem preliminar aos utilizadores reais do sítio Web, origi-nando posteriormente as tarefas a serem realizadas. Ajudam a completar o questionário com questões consideradas significativas na avaliação de sítios Web e contribuem para a definição e selecção dos perfis representativos dos utilizadores do sítio Web.

Numa filosofia de alinhamento com o exposto nas alertboxes de Nielsen (2006, 2011, 2012), Wilson (2007) e Hornbaek et al. (2005), as tarefas são escolhidas com base em entrevistas efec-tuadas a diferentes tipos de utilizador e são representativas das que cada utilizador realiza com regularidade. São também escolhidas algumas tarefas consideradas críticas, especial-mente associadas à pesquisa de informação, com o objectivo de observar a maior ou menor facilidade com que o utilizador as realiza, permitindo concluir acerca da usabilidade na área específica da pesquisa.

A duração de execução de uma tarefa deve estar entre 30 segundos e sete minutos (Sauro, 2010). O número de tarefas seleccionadas deve ser calculado em função da duração do teste de usabilidade. Em média o teste deve durar entre 20 minutos e 1 hora (howto.gov, 2010), evitan-do assim a diminuição evitan-do desempenho evitan-dos participantes devievitan-do ao cansaço.

67. Exemplo de um dos logótipos de certificação aa W3C a afixar no sítio Web quando em conformidade com as directrizes WCGA.

4.4.2.1. Resultados das Entrevistas

Da análise das entrevistas resulta uma lista de tarefas, um conjunto de questões e uma definição ou lista de perfis de utilizador mais frequentes.

4.4.3. O Teste de Usabilidade

O objectivo principal do teste ao utilizador é observar como é que os utilizadores interagem com a interface a ser testada. O teste de usabilidade é conduzido individualmente, numa sala privada equipada com um computador, e dura em média trinta minutos.

4.4.3.1. Selecção de Participantes no Teste de Usabilidade

A metodologia de investigação utilizada, PAI, incluiu a selecção de um grupo representativo de cada um dos tipos de utilizador mais frequente para participarem no estudo (Hasan, L., Abuelrub, E.,2013).

O número de utilizadores que Nielsen (2010) encontrou na sua Alertbox ‘Why You Only Need to Test with 5 Users’ como satisfatório para identificar 85% dos problemas de usabilidade foi de cinco, mas no caso de existirem perfis de utilizador altamente diferenciados o número deverá situar-se entre três a quatro por perfil.

You need to test additional users when a website has several highly distinct groups of users . The formula only holds for comparable users who will be using the site in fairly similar ways. (…) 3-4 users from each category if testing two groups of users or 3 users from each category if testing three or more groups of users (you always want at least 3 users to ensure that you have covered the diversity of behavior within the group).

Por exemplo, no estudo de caso existem três perfis diferenciados relevantes. Foi ponderada a hipótese de recrutar doze utilizadores, mas como também se pretendia uma avaliação quantitativa o número estendeu-se a sessenta no total (vinte por perfil) como aconselha Nielsen (2006) na sua alertbox ‘Quantitative Studies: How Many Users to Test?’

When collecting usability metrics, testing 20 users typically offers a reasonably tight confidence interval. We can define usability in terms of quality metrics, such as learning time, efficiency of use, memorability, user errors, and subjective satisfaction. Sadly, few projects collect such metrics because doing so is expensive: it requires four times as many users as simple user testing.

Many users are required because of the substantial individual differences in user performance. When you measure people, you’ll always get some who are really fast and some who are really slow. Given this, you need to average these measures across a fairly large number of observations to smooth over the variability.

4.4.3.2. Execução de Tarefas

No PAI é pedido aos participantes que completem um conjunto de tarefas previamente seleccionadas: as mais frequentemente executadas por cada tipo de utilizador. De acordo com o respectivo perfil. O avaliador mede o tempo de execução das tarefas, os erros cometidos e a conclusão ou não da tarefa.

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4.4.3.3. Registo de Comentários dos Participantes

Ao longo da execução do teste de usabilidade é utilizado o protocolo ‘Pensar em Voz Alta’;

cada participante vai dizendo o que que pensa à medida que executa cada tarefa. Estes comen-tários são gravados e posteriormente relacionados com a informação obtida na secção anterior.

4.4.3.4. Resultados do Teste de Usabilidade

No final da execução do teste é produzido um relatório com o resumo da informação obtida nas duas secções anteriores.

4.4.4. O Questionário Pós-teste

Sauro (2012) realizou um estudo quantitativo muito completo da avaliação de usabilidade de vários sítios Web, com recurso a um questionário do tipo SUS (Brooke, 1986) em 80% dos casos, obtendo resultados baseados em análise estatística de centenas de sítios Web.

Este questionário quantifica o grau de usabilidade entre valores que variam entre zero e cem permitindo comparar o valor obtido com os valores apresentados numa tabela com valores baseados na análise de centenas de sítios Web (Sauro, 2009); foi criado para medir o grau de satisfação do uso do sítio Web. O SUS não foi concebido para diagnosticar problemas de usabi-lidade. Contudo pontuações baixas indicam a existência de problemas na interface e sugerem a revisão dos resultados do teste para identificar os pontos fracos da interface.

Existem outros questionários para avaliação de interfaces, amplamente testados na comu-nidade científica, por exemplo, QUIS (Questionnaire for User Interaction Satisfaction), WAMI (Website Analysis and Measurement Inventory), CSUQ (Computer System Usability Questionnaire) entre outros. O SUS foi escolhido dada a sua simplicidade na obtenção de resultados e devido à vantagem de podermos comparar os resultados obtidos com os colhidos por Sauro no seu exten-so estudo.

4.4.4.1. Preenchimento do Questionário

O preenchimento do questionário é feito imediatamente após a conclusão do teste de usabi-lidade, enquanto o participante conserva na memória a experiência de utilização do sítio Web.

4.4.4.2. Resultados do Questionário

No final do preenchimento de todos os questionários, são calculadas as pontuações obtidas e retiradas as conclusões que serão apresentadas num relatório.

4.4.5. A Avaliação Heurística

A avaliação heurística corresponde a uma verificação da conformidade de um conjunto de prin-cípios de usabilidade, directrizes ou heurísticas com determinados aspectos de uma interface.

Existem várias aproximações no que diz respeito a heurísticas disponíveis na literatura sobre avaliação da usabilidade. As mais populares de acordo com Travis (2011) são as dez heurísticas de Nielsen (2005) embora, segundo este especialista, não sejam baseadas em investigação sufi-cientemente sustentada. A lista resumida é apresentada tabela 4.1.

Heurísticas de Nielsen — A avaliação heurística é um componente do método de usabilidade com ‘desconto’ introduzida por Jacob Nielsen (2009) que a define da seguinte forma:

Heuristic evaluation is a usability engineering method for finding the usability problems in a user interface design so that they can be attended to as part of an iterative design process.

Heuristic evaluation involves having a small set of evaluators examine the interface and judge its compliance with recognized usability principles (the ‘heuristics’).

Tabela 4.1. Dez heurísticas de Nielsen (Ten Usability Heuristics) disponível em http://www.useit.com/papers/heuristic/heuristic_list.html e consultado em 19 de Julho de 2011.

As Dez Heurísticas de Nielsen, Ten Usability Heuristics