6 ESTUDO EMPÍRICO
6.3 Diagnóstico ambiental da empresa estudo empírico
6.3.1 Relato da implementação de práticas ecoeficientes
Ante o interesse de melhoria de desempenho ambiental o gestor buscou informações sobre como poderiam ser feitos melhoramentos em conformidade com os recursos financeiros disponíveis da empresa. Na ocasião, foi apresentada uma adaptação da metodologia de produção mais limpa como prática de ecoeficiência utilizada pela CEBDS e SEBRAE o modelo serviu de guia e está disponível na seção quatro.
A partir daí, o gestor deu início ao processo de implementação de práticas que buscam a ecoeficiência na micro empresa estudo de caso. Apesar de a empresa possuir o manual de implementação o gestor não obedeceu à ordem disposta, ele justifica que realizou algumas etapas conjuntamente, pois seu empreendimento possui um número reduzido de colaboradores e alega que realizar as etapas em conjunto tornou mais fácil a implementação. Alguns dos principais pontos observados estão dispostos adiante.
Os passos Comprometimento dos gestores e colaboradores e Avaliação dos
processos produtivos foram realizados em conjunto. O gestor, a partir do seu interesse
pelo assunto, comprometeu-se em implantar as ações e conscientizar os funcionários. Para isso, o gestor relata que foram feitas reuniões, uma vez por semana no período noturno, normalmente após o expediente nas quais foram discutida a importância de realizar alterações para adotar medidas voltadas ao melhor desempenho ambiental. A pesquisadora participou das reuniões e transmitiu a idéia de que o trabalho deveria ser feito de forma coletiva e que ao atingir os objetivos, os benefícios seriam não apenas para a empresa, mas também melhoria da qualidade do ambiente de trabalho e da qualidade de vida destes funcionários. De acordo com o gestor e com observações da pesquisadora, durante as reuniões ficou acordado que cada funcionário faria observações sobre como era realizado o funcionamento da empresa, o que estava sendo desperdiçado e como poderia ser evitado esse desperdício.
Conforme informações do gestor, inicialmente, os funcionários trataram o assunto como de menor relevância. Foram afixados nas paredes da micro empresa cartazes fornecidos por distribuidores de peças sobre a temática ambiental, os quais juntamente com conversas informais e comentários de clientes sobre esses cartazes, auxiliaram na quebra da resistência em exercer modificações nos processos para que melhorasse o desempenho ambiental da micro empresa por parte dos funcionários. Dessa forma, segundo o gestor, os clientes reagiram bem e elogiaram quando viram que a firma estava preocupada com o meio ambiente. Os funcionários passaram a receber elogios e então a ter mais cuidado e a interessar-se em aprender como melhorar seu trabalho para um prover um ambiente melhor, assim como um passou a fiscalizar o outro.
De acordo com o gestor os funcionários passaram a observar com mais atenção o que era utilizado, desperdiçado e passaram a dar sugestões de como melhorar o
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desempenho das atividades, principalmente a partir do reaproveitamento de materiais e reorganização do espaço.
Tais observações ensejaram a definição de metas e indicadores e ações de
melhorias a serem trabalhados inicialmente dentro da micro empresa estudo empírico.
De acordo com o gestor, a seleção dos indicadores buscou simplificar o trabalho realizado e estava mais voltado à realidade cotidiana do micro empreendimento. Os indicadores utilizados para avaliação da ecoeficiência foram: consumo de água, consumo de energia, destinação dos papéis utilizados, do óleo queimado e das sucatas especialmente as de baterias e peças. O gestor relatou que a seleção dos indicadores foi facilitada após a observação cuidadosa dos procedimentos e estrutura do local, os colaboradores perceberam que os itens selecionados eram os que mais causavam impactos diretos e perceptíveis dentro da micro empresa, além de serem mais fáceis de serem reestruturados inicialmente.
Segundo o gestor, até este ponto do processo de implementação de práticas voltadas à ecoeficiência sua equipe não vislumbrou dificuldades, no entanto a
quantificação dos processos tomou um tempo significativo dos colaboradores, em
especial do gestor. Segundo ele o fato de trabalhar com serviços e não com produção de produtos, dificultou a quantificação colocada na tabela do modelo seguido. Da mesma forma, o gestor coloca que sua equipe sentiu dificuldade também no momento da
avaliação econômica ambiental, já que consideraram de grande complexidade tal
verificação. Porém, segundo o gestor, esse último ponto pôde ser verificado com base nas observações de quanto os serviços geravam resíduos, isso foi verificado por meio da análise de contas e resíduos gerados. Foram realizadas comparações, principalmente depois de algumas alterações realizadas, dentro do empreendimento para avaliar como se dava o processo antes e depois das alterações.
Para o gestor a implementação e o monitoramento ocorreu a partir do momento em que começaram as discussões sobre a aplicação de práticas voltadas à ecoeficiência da empresa, passaram a ser implementadas as modificações, segundo ele, os passo não foram seguidos exatamente na ordem, a medida que iam realizando as modificações iam entrando nos outros passos a serem seguidos, conforme achavam adequados. O gestor retifica que foi uma experiência que gerou resultados inesperados tanto para a empresa quanto para os funcionários.
Observa-se que o modelo de implementação de práticas ecoeficientes proposto pelo SEBRAE e CEDBS não foi seguido por completo, porém a micro empresa tentou adotar todos os passos estabelecidos que julgaram necessários e estavam ao seu alcance. Outro ponto observado foi a dificuldade em quantificar os serviços prestados pela micro empresas de acordo com o gestor, quando trata-se de serviços de reparos quantificar desperdícios de matérias-primas torna-se mais complexo, e dentro da observação do estudo empírico nota-se que o empreendimento não conseguiu vislumbrar esse item com sucesso.