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ao glicocorticóide com vias de ação diferentes e tem sido muito utilizada como um substituto do mesmo, tendo em vista que quando comparados, a ciclosporina apresenta poucos efeitos colaterais, dos quais podemos citar a anorexia, perda de peso, diarreia, papilomatose oral e hiperplasia gengival (BARROS, 2012; FONSECA 2013).

Banhos com xampus hipoalergênicos, antisseborreicos, ou manipulados podem ajudar no tratamento cutâneo, como o xampu utilizado neste paciente em banhos semanais. É importante acompanhar a evolução do tratamento com avaliações periódicas de 7 a 15 dias inicialmente, principalmente para ajuste de doses e medicações até o paciente estar compensado, então é possível fazer avaliações mais esporádicas. (CESCA,2016; RONDELI et al, 2015). O tratamento deve ser realizado durante toda a vida do paciente, entretanto encontra- se grande dificuldade em manter a doença em remição, o que torna seu prognóstico a longo prazo reservado a ruim (CESCA,2016; RONDELI et al, 2015).

6.3 RELATO DE CASO 3: CRIPTORQUIDISMO BILATERAL EM CANINO.

6.3.1 Resenha

Cão, York Shire, 9 meses de idade, pesando 3,3kg, macho não castrado.

6.3.2 Histórico e anamnese

O tutor trouxe o animal para consulta queixando-se que aos 9 meses de idade, nenhum dos dois testículos do animal havia descido para a bolsa escrotal.

6.3.3 Exame físico

No exame físico o paciente apresentava mucosas normocoradas, estava hidratado, temperatura retal e demais parâmetros estavam dentro dos valores fisiológicos para a espécie, também não apresentou alterações na ausculta cardíaca e pulmonar.

Durante a palpação abdominal constatou-se que os testículos não migraram para a bolsa escrotal e estavam posicionados em região inguinal.

Foi recomendado a realização de uma ultrassonografia abdominal para confirmar a suspeita clínica, demonstrando a localização dos testículos.

Os achados ultrassonográficos (Figura 23) revelaram presença de estrutura alongada, com contornos definidos, ecogênica, apresentando linha hiperêcogenica em região inguinal direita (1,48cm) e esquerda (1,21cm), imagens sugestivas de testículos ectópicos.

Figura 23- Testículo direito em região inguinal (A); Testículo esquerdo em região inguinal (B);

Fonte: Centro veterinário Baschirotto, 2020.

Foi solicitado também exame de hemograma completo, e bioquímicos para a realização da cirurgia, os mesmos apresentaram-se dentro dos valores de referência para a idade e espécie.

6.3.5 Tratamento

Optou-se pelo tratamento cirúrgico, para a medicação pré-anestésica foi administrado via intramuscular Metadona na dose de 0,2mg/kg em associação com Acepomazina 0,03mg/kg, e para a indução anestésica foi administrado Propofol 3mg/kg/IV.

O paciente foi então entubado e para o protocolo de manutenção anestésica foi utilizado Isoflurano vaporizado em oxigênio 100%, ao efeito.

6.3.5.1 Orquiectomia Bilateral

O animal foi posicionado em decúbito dorsal (Figura 24) para a realização de tricotomia abdominal e antissepsia, utilizando álcool 70%, clorexidina e álcool 70% novamente e então o cirurgião e o auxiliar, já paramentados, posicionaram os campos cirúrgicos sobre o

Lidocaína 20 mg na dose de 0,2 ml/kg

Figura 24 – Paciente em decúbito dorsal.

Fonte: A autora, 2020.

Optou-se por uma abordagem aberta, então realizou-se uma incisão (Figura 25A) em região inguinal em pele e subcutâneo, impulsionando o testículo direito em direção a incisão (Figura 25B ,após, foi feito uma incisão na fáscia espermática para exterioriza-lo e então uma incisão na túnica parietal vaginal e foi colocado uma pinça hemostática na túnica de modo a separar digitalmente o ligamento da cauda do epidídimo da túnica. Então o cordão vascular e o ducto deferente foram ligados individualmente e novamente ligados juntos utilizando fio absorvível 2-0 Vicryl (Figura 25C).

ligaduras (C).

Fonte: A autora, 2020.

Colocou-se uma pinça hemostática no cordão próximo ao testículo e outra no ducto deferente acima da ligadura e fez-se a transecção do ducto e do cordão vascular entre a pinça hemostática e a ligadura.

Foi feito a aproximação da fáscia densa com sutura descontínua, então a aproximação de tecido subcutâneo com sutura contínua, utilizando em ambas fio absorvível 2-0, e dermorrafia com sutura simples interrompida utilizando Nylon 2-0.

Em seguida realizou-se o mesmo procedimento no testículo esquerdo, também localizado em região inguinal.

No pós-operatório imediato fez-se a limpeza da ferida cirúrgica com água oxigenada, então um curativo utilizando fita microporosa, também se aplicou via intramuscular Amoxicilina com clavulanato de potássio 15mg/kg, e via subcutânea Meloxicam 0,2% 0,1mg/kg e Dipirona 25mg/kg.O paciente ficou em observação até começar a acordar da anestesia, quando foi estubado e colocado um colar Elizabetano.

6.3.6 Evolução

No período pós-cirúrgico o animal foi observado e seus parâmetros fisiológicos apresentavam-se dentro dos valores de referência, também foi aplicado um analgésico opioide por via subcutânea, Cloridato de Tramadol 2mg/kg

Ainda no mesmo dia do procedimento, após reavaliação o paciente apresentou-se ativo, estável, sem vômito e com os parâmetros fisiológicos dentro dos valores de referência, foi então ofertado alimento, o qual o animal aceitou bem, e após o mesmo ter urinado e defecado, teve alta médica.

Ao tutor foi recomendado que realizasse a limpeza da ferida cirúrgica duas vezes ao dia, com aplicação de Rifamicina tópica, uso de colar elizabetano e foi receitado ao paciente

oral, Amoxicilina com clavulanato de potássio 15mg/kg BID VO por sete dias, Meloxicam 0,5mg, SID VO e Dipirona 25mg/kg, BID VO.

6.3.7 Retorno

O Paciente fez seu retorno em sete dias, o animal estava bem, a ferida cirúrgica estava cicatrizada e os pontos foram retirados.

6.3.8 Discussão e revisão de literatura

A Criptorquidia, também chamada de criptorquismo, criptorquia, distopia testicular, escroto vazio ou testículo não descido, é uma falha congênita dos testículos ao descer do abdome (local aonde estes se desenvolvem durante a vida intrauterina), para o saco escrotal, quando normalmente são puxados para dentro do mesmo logo após ao nascimento por fibrose e contração do gubernáculo (BOOTHE, 2007; MACPHAIL, 2014;TOWLE, 2012).

O criptorquidismo pode ser uni ou bilateral, no entanto é mais frequente a ocorrência unilateral, a agenesia ou ausência de um dos testículos no escroto é denominada de monorquidismo e dos dois testículos, é denominada de anorquidismo. Acredita-se que a criptorquidia seja uma característica hereditária autossômica recessiva em cães (BOOTHE, 2007; MACPHAIL, 2014; TOWLE, 2012).

Quando a migração do testículo não ocorre e estes não são visualizados ou palpados no escroto, eles podem estar no canal inguinal ou no abdômen, sendo preconizado adiar o procedimento cirúrgico até que se complete o momento normal da descida ou seja depois dos 6 meses de idade. O volume e o peso dos testículos retidos são menores do que os localizados em saco escrotal, devido à degeneração causada pela alta temperatura (DYCE, 2010; CARVALHO et al,2019; JOHNSON, 2010).

Raças como Yorkshire, igual ao paciente descrito, Chihuahua, Buldogue Inglês, Maltês, Schnauzer miniatura, Spitz Alemão, Poodle, Husky Siberiano, Border Collie, Greyhound, e Lakeland Terrier tem maior predisposição para desenvolverem a doença, sendo que as raças pequenas têm 2,7 vezes mais chance de sofrer criptorquidismo quando comparadas as outras raças. Outros fatores predisponentes incluem hipoplasia testicular, exposição a estrógenos durante a gestação, fechamento tardio do umbigo, dentre outros. O caso relatado envolve um

JERICÓ, 2015; KHAN, 2014).

Os animais criptorquídeos apresentam características sexuais secundárias e comportamento de acasalamento normais, entretanto os criptorquídeos unilaterais não devem ser utilizados como reprodutores devido sua natureza hereditária. Após a puberdade, os testículos retidos se tornam hipoplásicos e sofrem degeneração e fibrose, sendo recomendada a remoção dos testículos ectópicos, uma vez que o criptorquidismo e a idade do paciente são fatores de risco importantes para o desenvolvimento de neoplasias testiculares, assim como a carcinogênese e a expressão gênica. As neoplasias testiculares são 11 vezes mais frequentes em testículos criptorquídicos do que em testículos que estão em sua posição anatômica normal, pois as suas células podem se diferenciar e levar a ocorrência das mesmas. Sertoliomas, seminomas e tumores de células intersticiais tendem a se desenvolver nos testículos criptorquídeos (DYCE, 2010; JOHNSON, 2010; KHAN, 2014).

O diagnóstico pode ser realizado com auxílio do histórico e exame clínico por meio da palpação da bolsa escrotal e anéis inguinais, dosagem hormonal e diagnóstico por imagem, primariamente com uso de ultrassonografia (JOHNSON, 2010; SCHADE, 2017).

Ao se realizar o exame ultrassonográfico de região inguinal bilateral do paciente, observou-se presença de estrutura alongada, um pouco arredondada com contornos definidos, ecogênica, apresentando linha hiperêcogenica, compatíveis com a imagem de um testículo normal, confirmando então a suspeita clínica, bem como sua localização. Ocasionalmente, é possível visibilizar o gubernaculum testis, que aparece como estrutura tubular, que se estende desde a margem caudal do testículo retido até o anel inguinal (Carvalho et al, 2019).

O tratamento para animais criptorquidas é cirúrgico através da orquiectomia realizando a remoção dos testículos, este procedimento cirúrgico é tido como um método de controle populacional eletivo, trata-se de um método relativamente simples, eficaz, funcional e seguro, além de não acarretar danos aos pacientes, e além de preventiva é bastante utilizada no tratamento de outras patologias de origem reprodutivas, como neoplasias de testículo e escroto, orquites, traumas, dentre outras (CARVALHO et al, 2007; OLIVEIRA et al,2010; TOWLE, 2012). Para o paciente, optou-se por uma abordagem aberta, de acordo com a técnica descrita por McPhail (2014) , onde se iniciou o procedimento com incisão em região inguinal em pele e subcutâneo, impulsionando o testículo direito em direção à mesma, então fez-se uma incisão na fáscia espermática para exterioriza-lo e uma incisão na túnica parietal vaginal, em seguida colocou-se uma pinça hemostática na túnica de modo a separar digitalmente o ligamento da cauda do epidídimo da túnica, para então ligar o cordão vascular e o ducto deferente individualmente e novamente ligados juntos utilizando fio absorvível 2-0.

distúrbios hormonais ou mesmo a existência de anomalias da região abdominal (CARVALHO et al, 2007; OLIVEIRA et al,2010; TOWLE, 2012).

7 CONCLUSÃO

O estágio curricular obrigatório em medicina veterinária é a última etapa da faculdade, momento em que o aluno se despede de sua vida acadêmica e segue rumo sua vida profissional, é extremamente necessário pelo conhecimento adquirido e oportunidade de colocar em prática tudo o que foi aprendido durante a graduação. É o momento de acompanhar os médicos veterinários em consultas, cirurgias e demais procedimentos realizados no local de estágio e aprender com sua experiência. Acompanhar essa rotina foi de grande valia, permitindo ao estudante um amadurecimento tanto pessoal como profissional, preparando-o para buscar seus objetivos e sua evolução dentro da profissão.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TOWLE, H. A. Testes and Scrotum. In: Veterinary Surgery Small Animal. v.2. Ed Elsevier, 2012.

ANEXOS

ANEXO 1 – PACIENTE FELINO, MACHO, SRD, 9 MESES DE IDADE. LAUDO DE

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