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7.1RESENHA

Cão, fêmea, da raça Boxer, castrada, de 5 anos, pesando 26,6kg.

7.2HISTÓRICO

Durante a consulta os tutores relataram que a paciente sofria de tosse seca, principalmente quando ocorria modificações de temperatura. Observaram também que nos últimos dias as patas estavam maiores. O animal teve sarna demodécica no passado e foi castrada há um ano. O tutor também notou nódulo em região de cadeia mamaria inguinal esquerda de aproximadamente 4cm e nódulo em membro pélvico esquerdo com aproximadamente 2 cm. Contudo, foi suspeitado de mastocitoma e tosse dos canis.

7.3EXAME FÍSICO GERAL

Ao exame físico, foi realizado ausculta cardíaca, onde apresentava-se 155bpm e frequência respiratória em 20mpm, temperatura de 39,2 Cº, mucosas normocoradas, TPC de 2 segundos, pulso forte e rítmico e linfonodos inguinais aumentados de tamanho. Durante a palpação o nódulo em região de cadeia mamária

apresentava-se consistente e o nódulo em membro pélvico esquerdo apresentava-se firme e aderido ao subcutâneo.

7.4EXAMES COMPLEMENTARES

Devido ao histórico e exame físico realizado, foi solicitado exame de hemograma, citologia e radiografia de tórax.

O hemograma apresentou-se dentro dos valores de referência.

Na radiografia de tórax não apresentou nenhuma alteração pulmonar e sem presença de metástase.

No exame citológico então o animal apresentou com mastocitoma.

7.5TRATAMENTO

Com base nos exames e diagnóstico do paciente, foi indicada a mastectomia total unilateral e nodulectomia. Devido a tosse crônica que o animal vinha apresentando, foi prescrito medicação para casa meticorten 20mg/kg BID, durante 5 dias, tossicanis 10ml a cada 4 horas e também foi prescrito simparic 1 comprimido a cada 35 dias devido o histórico de sarna demodécica.

8.5.1 TRATAMENTO CIRÚRGICO

O animal foi posicionado em decúbito esternal e o membro pélvico esquerdo foi amarrado para cima para melhor manipulação durante a nodulectomia, mantendo a anatomia correta do mesmo (Figura 20).

Primeiramente foi realizado a mastectomia, onde feito a tumescência de toda a cadeia mamária com lidocaína 10%. Foi realizado a antissepsia do local com Álcool 70% e Clorexidine 2% em região de cadeia mamária e nódulo de membro. Após os panos de campo foram colocados (Figura 21).

Figura 20 – Posicionamento do membro pélvico esquerdo para nodulectomia.

Figura 21 – Preparação dos campos cirúrgicos para realização da mastectomia.

Foi realizado uma incisão elíptica ao redor das glândulas mamárias do lado esquerdo até a fáscia da parede abdominal externa. A hemorragia superficial de vasos foi contida e pinçada com pinças hemostáticas e logo após foi usado o cauterizador. Foi feito a excisão do bloco elevando as extremidades da incisão e dissecando o tecido subcutâneo da fáscia peitoral até o reto abdominal. A artéria epigástrica superficial cranial e a epigástrica superficial caudal foram isoladas e ligadas e seccionadas. A eletroquimioterapia foi realizada na região onde o tumor foi retirado (Figura 22). Após

Fonte: AusPets, 2020.

foi feito a aproximação da pele da extremidade da pele com sutura subcutânea com padrão contínuo, usando o fio vicryl 2-0 (Figura 23).

Figura 22 – Eletroquimioterapia na musculatura após remoção do tumor.

Figura 23 - Aproximação do subcutâneo com padrão contínuo.

Após a aproximação do subcutâneo foi feito sutura simples de toda a região com fio naylon 2-0.

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Fonte: AusPets, 2020.

Posteriormente a mastectomia foi realizado a nodulectomia na região de membro pélvico esquerdo. Foi feito a incisão subcutânea do musculo bíceps femoral com margem para retirada do nódulo (Figura 24) e em seguida foi realizado o procedimento de eletroquimioterapia da região.

Figura 24 – Incisão do subcutâneo do musculo bíceps femoral para retirada do nódulo.

Após foi feito a sutura em padrão contínuo com vicryl 2-0 e em seguida sutura simples com fio naylon 2-0.

Após a cirurgia o animal ficou em observação e recebeu alta dentro das 24 horas, com medicação para casa e algumas orientações necessárias. Para casa foi prescrito analgésico como Tramadol na dose de 5mg/kg, durante 7 dias, Meloxicam como anti-inflamatório na dose de 2mg/kg, durante 5 dias, Dipirona como anti- inflamatório na dose 25mg/kg, durante 3 dias. Foi orientado o uso do colar elisabetano até a retirada dos pontos após 10 dias, dentro desse período foi prescrito Rifocina, devendo ser borrifado de duas a três vezes ao dia, até cicatrização total das feridas cirúrgicas.

Após 10 dias a paciente retornou a clínica apresentando-se com desciência de pontos na região inguinal, no local onde foi aplicado a eletroquimioterapia, então foi feito a limpeza da região e aplicado pomada Vetaglós, sendo aplicada de duas a três vezes ao dia, até cicatrização completa.

7.6REVISÃO DE LITERATURA E DISCUSSÃO

As células pluripotentes da medula óssea dão origem aos mastócitos, que são liberados na circulação ainda imaturos, onde migram para vários tecidos, principalmente aqueles que possuem contato primário com antígenos externos, como pele, sistema respiratório e intestinal, esse contato chega a sua forma madura. São componentes naturais do tecido conjuntivo, podendo ser encontrado ocasionalmente na medula óssea (AUSTEN et al., 2001).

Os mastócitos além de estarem associados a reações alérgicas, também possuem um papel importante no desenvolvimento de respostas imune do indivíduo, sendo encontrados nos gânglios linfáticos (DALECK, 2009).

O mastocitoma é o segundo tumor cutâneo mais frequente encontrado na oncologia veterinária e sua etiopatogenia ainda é desconhecida, porém, pode apresentar- se multifatorial, havendo diversas teorias que associam a neoplasia com inflamações crônicas, carcinógenos tópicos, dermatites e lesões crônicas (LONDON; THAMM, 2013). Além disso, em algumas raças de cães sugerem que possui uma predisposição genética no desenvolvimento da neoplasia, como Boxers, Boston terriers, Buldogs e Sharpei chineses. Porém, a maior ocorrência dessa neoplasia é em cães sem raça definida, podendo ocorrer em qualquer faixa etária (HAHN et al., 2000; ALMEIDA, 2017). O presente relato refere-se a um cão da raça Boxer, como cita a literatura e a possível causa do mastocitoma foi decorrente a sarna demodecica que a mesma foi diagnosticada a um tempo atrás, pois apresentava mais de um nódulo palpável no subcutâneo.

Macroscopicamente o mastocitoma pode se assemelhar à qualquer lesão de pele primária ou secundária, incluindo pápula, nódulo, tumor ou crosta (NELSON E COUTO, 2010).

As principais alterações observadas em cães com mastocitoma procede de uma lesão cutânea primária indiferenciada, onde apresenta-se linfoadenopatia, esplenomegalia e hepatomegalia. Em alguns casos pode-se observar ainda efusão peritoneal, pleural e a presença de síndromes paraneoplasicas (DALECK, 2009).

O método mais simples e menos invasivo para chegar-se ao diagnóstico de mastocitoma é a avaliação citológica através de punção aspirativa por agulha fina. Na 56

maioria das vezes o tratamento de escolha é cirúrgico, como foi realizado neste caso (LONDON e SEGUIN, 2003).

Na grande maioria dos casos de mastocitoma é diagnosticado de forma benigna e de estadiamento clínico e histológico de baixo grau, onde geralmente a excisão cirúrgica com uma margem ampla já é o suficiente para remoção completa do tumor, assim diminuindo as chances de recidiva. Porém, no mastocitoma localizado nas extremidades distais, com poucas margens de ressecção ou classificação histológica de grau intermediário a alto, são necessárias outras terapias correlacionadas a ressecção cirúrgica, como a quimioterapia, radioterapia, eletroquimioterapia e a aplicação intralesional de soluções hipotônicas (ALMEIDA, 2017). Assim como neste caso foi realizado a excisão cirúrgica juntamente com a eletroquimioterapia.

A técnica de eletroquimioterapia é um método físico, que tem como função aumentar a permeabilidade da membrana celular através de altas voltagens de pulsos elétricos. Esse efeito aumenta a captação dos fármacos, causando um eficiente transporte de macromoléculas, que são as drogas quimioterápicas, como a cisplatina e a bleomicina, levando a apoptose das células neoplásicas (SPUGNINI et al., 2007; TEISSIÉ et al., 2005; ALMEIDA, 2017). Devem ser utilizados pulsos elétricos retangulares, de 1000 a 1300 volts, onde os mesmos devem durar 100 microssegundos e a corrente máxima deve atingir 16 amperes. Não é recomendado campos elétricos muito altos, pois pode acarretar na destruição da pele e em tecidos adjacentes. Para gerar esses impulsos é utilizado o aparelho próprio, denominado eletroporador (Figura 25) (DALECK, 2009; ALMEIDA, 2017).

A eletroquimioterapia é uma opção de tratamento em casos de neoplasias que dispõe a aplicação via endovenosa ou intralesional de antineoplásicos associados à eletroporação. A mesma gera impulsos elétricos que causam a desestabilização transitória da membrana celular, facilitando a entrada dos quimioterápicos na célula, fazendo com que potencialize a destruição das células neoplásicas. O uso da quimioterapia associado a impulsos elétricos também diminui o fluxo sanguíneo no local do tumor, levando a hipóxia e maior acidez no meio extracelular, assim facilitando a necrose do tecido tumoral. Essa diminuição do fluxo sanguíneo também aumenta a permanência do quimioterápico no seu local de ação, melhorando assim a eficácia do tratamento (ALMEIDA, 2017).

A escolha dessa terapia permite diminuir as doses de quimioterápicos, comparado com a quimioterapia tradicional, assim como seus efeitos colaterais, além de ter um melhor custo benefício. Porém, para realização de tal tratamento o paciente deve estar obrigatoriamente sob efeito de anestesia geral (OLIVEIRA et al., 2009; SILVEIRA et al., 2010).

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