Capítulo 1 – Relatos de Estágio
1.2. Relatos de Estágio
1.2.5. Relato de estágio 5 – Os quadrados coloridos com valores
Dinamizei uma atividade no grupo constituído por 23 crianças de 5 anos de idade, com o propósito de o trabalhar o Domínio da Matemática. Esta atividade foi lecionada durante o Seminário de Contacto com a Realidade Educativa II.
Antes de iniciar a aula, organizei previamente a sala em “U”, de modo a que todos os alunos tivessem a mesma linha de visão, e conseguissem observar corretamente as Calculadoras Papy. Constatei que o reduzido tamanho da sala condicionou a estratégia de organização do espaço que tinha planeado, e optei pelo mesmo formato, mas com 2 filas intercaladas para desenvolver um ambiente mais propício ao processo de aprendizagem. Como afirma Zabalza
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(2000, p. 269), “a disposição da sala de aula deve ser alterada de modo a que responda melhor às nossas intenções educacionais”.
A atividade decorreu na parte da manhã e, quando o grupo chegou à sala, solicitei que se sentassem nos respetivos lugares. Expliquei que iríamos trabalhar o Domínio da Matemática, com um material estruturado, não mencionando o nome. Para despertar o interesse e captar a atenção das crianças, recorri a um verso, de modo a descobrirem o nome do material em questão: “Era uma vez um quadrado tão triste por não ter cor, pintei de quatro cores e dei-lhes alguns valores, quem sou eu?”. As crianças responderam de imediato o nome do material a explorar: Calculadoras Papy. Segundo Barbeiro (2001, p. 10), “a criação de novas rimas, por substituição de palavras, a exploração de paradigmas e de áreas vocabulares constituem meios para alargar a própria relação com a linguagem”.
Este material consiste numa placa, dividida em quatros partes iguais e cada parte contém uma cor diferente que representa uma quantidade. É considerado um material didático, e serve de apoio para o processo de ensino na aprendizagem. Rios e Almeida (2015, citados em Teixeira, 2017), afirmam que este material estruturado permite:
[…] exercitar o sistema de agrupamento e passar das unidades a ordens; simplificar a compreensão de como se formam os números inteiros; agilizar a automatizar o cálculo; preparar os alunos a operar da direita para a esquerda e a ler números da esquerda para direita […]. (p. 23)
Posteriormente solicitei a participação de 4 crianças para distribuírem o mesmo, e as respetivas marcas. A colaboração das crianças para participarem em tarefas, desenvolve nas mesmas o sentido de responsabilidade e, fazendo com que se sintam mais autónomas e capazes. Comecei por rever alguns conteúdos e regras para a utilização do material, como exemplo: “Quais as regras de manuseamento?”; “Quais as cores que estão representadas nas placas e quais os respetivos valores?”; “Para que servem as marcas?”. Estes tipos de perguntas são essenciais para a compreensão dos conteúdos. Segundo Silva et al. (2016, p. 130), o uso de materiais é fundamental e “neste, as crianças devem encontrar a necessidade de exploração, experimentação e manipulação”.
Após uma pequena exposição oral, apresentei uma Calculadora Papy de grandes dimensões e coloquei-a o chão de forma a que todos tivessem igual acesso no que diz respeito ao campo de visualização. Questionei primeiramente, se a Calculadora Papy apresentada era igual ou diferente da que tinham em cima das mesas, e obtive a resposta que eram diferentes apenas no tamanho. Tal como refere Caldeira (2009b, p. 224), a função do material “é
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aproximar a realidade da criança fazendo-a mais próxima”. As respetivas marcas desta atividade eram imagens plastificadas de meninas que tinham como base uma rolha (Figura 5).
De seguida, pedi a 2 crianças para virem à frente, calçarem uns “pezinhos”, para não pisar diretamente o material, e que se posicionassem na cor branca. As crianças que estavam sentadas, através das marcas, teriam de realizar o mesmo procedimento nas suas Calculadoras com recurso às marcas. Após a representação perguntei às crianças se estava correto o que tinham acabado de representar e apenas uma respondeu negativamente, porque a regra diz que não podem estar mais do que 2 marcas na mesma cor (Caldeira, 2009a). Para auxiliar no raciocínio, referi que uma marca na peça branca representava 1 unidade, mas como temos duas crianças na mesma cor, representavam 2 unidades. Deste modo, questionei às mesmas se havia alguma cor que representasse 2 unidades. Automaticamente, identificaram a cor azul. Caldeira (2009a) refere que “através da manipulação de um material que representa o seu raciocínio a criança consegue concretizar o seu pensamento” (p. 5).
Após uma revisão sucinta e objetiva, contextualizei a minha aula dizendo que íamos fazer uma visita de estudo, questionei às crianças se já tinham feito visitas de estudo e onde será que poderíamos ir. Foram dadas várias respostas tais como: “Oceanário” e “Quinta pedagógica”. Através da grande disparidade de respostas, pude concluir que as crianças demostravam entusiamo. Para captar a concentração das mesmas, recorri a um computador e a umas colunas para identificarem o som de alguns animais selvagens. Cada vez mais, nos dias hoje, temos de diversificar o modo como aplicamos os conteúdos, para que no final as crianças se sintam mais motivadas, mais capazes de expor as suas ideias sem terem medo de errar.
Realizei algumas perguntas sobre o que tinham acabado de ouvir, tais como: “Qual dos cinco sentidos utilizaram para ouvir?”; “O que foram visitar?”; “Quais foram os sons que ouviram?”. O objetivo principal foi promover a participação ativa das crianças, e relacionar os conteúdos com a Área do Conhecimento do Mundo. Na perspetiva Christie e Johsen (1983, citados em Pessanha, 2001), “a variedade de componentes e domínios que podem ser relacionados com a atividade indicam a riqueza e ambiguidade da aprendizagem” (p. 36).
Posteriormente, realizei algumas situações problemáticas, aumentando, gradualmente, o nível de dificuldade. No mesmo entendimento, Caldeira (2009a, p. 156) afirma que “é
Figura 5 - Marcas para a Calculadora Papy
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fundamental elaborar situações problemáticas que levem a criança a concretizar raciocínio lógico-matemático manipulando os próprios dados do problema”.
Deste modo, as crianças teriam de representar nas suas Calculadoras Papy os seguintes resultados por exemplo: “Foram 6 crianças ver o espetáculo de répteis. Sabendo que estavam na visita estavam 12 crianças, quantas crianças não foram ver o espetáculo?”. Seguidamente, solicitei a ajuda de duas crianças, e pedi ao restante grupo que fechasse os olhos posicionando as 3 crianças na Calculadora Papy de modo a representarem as 16 unidades. Quando abriram os olhos questionei o grupo: “Qual o número que está representado?”. Várias crianças levantaram a mão para responder, no entanto concedi a palavra a uma criança que não tinha o dedo no ar, e esta respondeu corretamente.
Em suma, refiro que o uso de material didático é entendido como um recurso pedagógico facilitador na aprendizagem que permite a cooperação, a interação, estimula o raciocínio, que se traduzirá numa aprendizagem significativa. Em concordância com Pessanha (2001, p. 51), “a aplicação de programas de atividades lúdicas ou didáticas num contexto escolar, produzem progressos nas crianças envolvidas e apresentam vantagens de proporcionarem experiências agradáveis e positivas”. Foi prazeroso lecionar esta atividade, apesar das crianças já estarem familiarizadas com o material, o facto de ter outras dimensões em que as próprias são as “peças”, torna-se didático, diferente e motivador.