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5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1. Relato do caso estudado

Na primeira sessão realizada com o paciente foi realizada uma entrevista, e abaixo segue o relato do paciente.

O paciente R.H., 52 anos, sexo masculino, casado, sem filhos, profissão advogado e empresário, fumante, relatou apresentar sintoma de zumbido pelos últimos quinze anos, com agravamento nos últimos dois anos. O surgimento deste sintoma foi ocorrendo gradualmente, sendo que ocorria eventualmente um som de badalada de um sino metálico (estouro de alta intensidade), com sensação remanescente de vibração e sendo seguido por abafamento (sensação de tampão nos ouvidos), que ia aos poucos normalizando. Estes sintomas repetiam- se intermitentemente e melhoravam, sem que o paciente conseguisse ter controle ou percepção de algum agente desencadeador do processo.

O paciente encontrava-se bastante fragilizado emocionalmente neste período de início do zumbido, haja vista que havia três anos (ou seja, três anos antes do surgimento do zumbido) que vinha enfrentando outros sintomas: taquicardia, dificuldade para respirar, sudorese, dificuldade para dormir e também para realizar atividades antes simples, como sair de casa, trabalhar e se relacionar com as outras pessoas. O paciente encontrava-se bastante fragilizado, pois além de estar vivendo um momento emocional difícil, decorrente do fim de um relacionamento, o fato de procurar vários médicos e estes não conseguirem realizar um diagnóstico e tratamento eficaz fez com os sintomas se agravassem mais ainda. Alguns anos depois, ele obteve o diagnóstico médico de Síndrome do Pânico, e efetuou vários tratamentos, tanto com medicamentos (Antidepressivos, Ansiolíticos e Hipnóticos), como também com acupuntura, e relatou ter interrompido o tratamento com acupuntura porque não suportou a dor e o choque ocasionados pelas agulhas, com grande tensão e incômodo. Os medicamentos foram mantidos e com o passar do tempo foi melhorando e sentindo-se mais compreendido pelos médicos e pelas outras pessoas, mas o zumbido não desapareceu, e a intensidade ficou maior no ouvido direito.

O paciente relatou também que, para ele, existe uma conexão do sintoma de zumbido com a Síndrome do Pânico. Enquanto os outros sintomas foram melhorando, há dois anos percebeu grande transformação no padrão do zumbido, agravando-se muito o incômodo causado por ele, devido aumento da intensidade, frequência e mudança no tipo de som percebido. O formato que relatava nos últimos dois anos, de badalada seguida por

abafamento, passou a perceber um barulho de alta frequência nos dois ouvidos, continuando mais intenso no ouvido direito. Ao perguntar mais detalhes ao paciente, ele relacionou o zumbido com o barulho de “lâmpada fluorescente prestes a queimar”. Algumas vezes ainda acontece de perceber o zumbido de badalada de sino com abafamento, porém bem menos comum. Além disso, o zumbido foi ficando cada vez mais constante, até que passou a acordar e dormir acompanhado do zumbido, tendo apenas poucos momentos totalmente sem zumbido. A intensidade é variável no decorrer do dia, porém o paciente não conseguiu correlacionar diretamente estas variações com nenhum fato ou emoções, porém percebe que pode ter relação com stress e com desgaste emocional e excesso de trabalho.

Quanto ao uso de medicamentos, o paciente relatou ter parado de tomar o medicamento antidepressivo Venlafaxina (EfexorR)37,5 mg na posologia de 1 comprimido ao dia, receitado pelo médico, pois devido a ter muito medo de ficar dependente do medicamento não estava tomando-o corretamente. E com isso, não estava percebendo efeito do medicamento. Pelo contrário, quando voltava a tomar o medicamento, perdia o sono, ficava agitado, piorava o zumbido e acabava parando novamente o medicamento. O outro medicamento receitado pelo médico foi o Alprazolam (FrontalR) 0,25mg na posologia de ½ comprimido sublingual à noite ou em alguma crise momentânea de pânico. O paciente afirmou ter recebido orientação médica para que tomasse apenas se sentisse necessidade. No momento da entrevista afirmou estar fazendo uso deste todas as noites. Segundo Sadock & Sadock (2002, p. 86), o fármaco alprazolam pertence à classe dos benzodiazepínicos, eficazes e muito utilizados no tratamento imediato de transtorno de pânico, fobias e agitação bipolar. Classificado como sedativo-hipnótico, mantém efeitos de redução da ansiedade diurna e excitação excessiva, tranquilizando a pessoa e também ajudando a conciliar e manter o sono. O alprazolam possui efeito imediato, devido absorção sublingual, e no caso em questão, está sendo usado na menor dosagem disponível, podendo o paciente utilizar até a dosagem máxima diária de 10mg.

O paciente se descreve como sendo de natureza introspectiva, e vive há muitos anos em situação de excesso de trabalho e de responsabilidade, tendo começado a trabalhar muito cedo (desde os quatorze anos) e com emoções contínuas de ansiedade, preocupação, excesso de cobrança de si mesmo, stress e medo. Às vezes, relata sentir grande irritabilidade, geralmente acompanhada de boca seca, hálito forte e pigarro. Apresenta bruxismo (ranger de dentes) há muitos anos, não recorda desde quando, porém, no momento, não utiliza placa para dormir, e, em momentos de grande ansiedade/ stress, apresenta queimação no estômago e mal-estar na região do queixo e superficialmente no peito, sobre o osso esterno. Ele relata

também que costuma apresentar dor na coluna lombar e cansaço, negando dor/ fraqueza nos joelhos, e de vez em quando sente sensação de enregelar as pernas (como se um gelo deslizasse pela face interna do joelho até o calcanhar).

Quando perguntado a ele sobre apetite e alimentação, ele relatou que não costuma almoçar (costuma fazer somente um lanche, visto que está sempre muito atribulado no trabalho e então não sente fome), e faz apenas duas refeições boas no decorrer do dia: café da manhã e jantar. Ele também informou que no verão costuma ter menos apetite do que no inverno, e que o sabor de sua preferência é o salgado. Ele geralmente come pães, massas e doces somente no horário da tarde, quando faz uma pausa para lanchar no trabalho, e toma líquidos bem gelados.