CAPÍTULO 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Relatos do processo de elaboração das questões do teste de desempenho em Ciências
Nesse momento do texto organizamos os dados coletados nos espaços das reuniões do grupo IDEIA e que fizeram parte dos episódios que observamos e selecionamos para analisar no Quadro 3. Os episódios foram as cenas de campo vivenciadas e coletadas pela pesquisadora, e registradas no caderno de campo, onde aparecem as falas dos sujeitos da pesquisa durante o processo de elaboração das questões do teste de desempenho em Ciências.
Quadro 3: Mapa de leitura de campo: observações do processo de elaboração de questões do teste de desempenho em Ciências no Núcleo de Sergipe.
Sujeitos:Professores acadêmicos (coordenadores:); mestrandos; alunos de iniciação científica; e docentes da Educação Básica.
Data:26/ 04/2012
Local:Laboratório de ensino de Química (Departamento de Química- UFS) Episódio 1
C1 apresentou um minicurso para mostrar o software Ensinando o Cérebro (Enscer), explicou que a princípio serviria de base para cadastrar e armazenar as questões elaboradas. Depoisorientou os participantes na elaboração dos objetivos, seleção de conteúdo, criação das questões e mostrou o formato das questões da Prova Brasil: Ele falou: - Essa é uma questão da prova Brasil de Português. É um modelo
para a elaboração das questões do teste de desempenho em Ciências. A maioria das questões da Prova Brasil é composta de texto ou enunciado, pergunta de múltipla escolha, em que só há uma alternativa correta.
interessante agente trabalhar em pequenos grupos para poder compartilhar as ideias.
Quase todos os participantes estavam com notebooks para acessar o programa apresentado por C1. Diante de muitas informações abordadas, alguns professores se mostraram empolgados e com dúvidas, e outros mais calados e pensativos.
P1 pergunta: - Como seria a divisão dos grupos?
P2 fala: - De que maneira iríamos elaborar as questões?
E C2 responde: - Através de um roteiro de elaboração, com as questões
que cada um tem que executar em coletivo durante a semana. Para cada questão terá um formulário de identificação e descrição da questão. A partir desse roteiro podemos criar um manual de elaboração de atividades, e incluir os outros núcleos.
Foi dado um intervalo. Durante a segunda etapa o grupo foi organizado em três pequenos grupos que se dividiram conforme a afinidade de cada um com a disciplina de sua formação, e o ano escolar específico, sendo que C2 sugeriu a divisão: -
É interessante que em cada subgrupo formado fique um professor da educação básica, um aluno de graduação e de mestrado.
Quando os pequenos grupos se formaram, C2 falou como ficaram organizados: - O subgrupo 1 ficou responsável por elaborar as questões do 2º Ano de
Ciências, composto por umprofessor de Biologia e umde Química, um aluno de iniciação científica de Biologia, e um mestrando de Ensino de Ciências e Matemática. O subgrupo 2, ficou responsável por elaborar as questões do 5º Ano de Ciências, componentes: dois professores de Química, um aluno de iniciação científica de Química, e ummestrando de Ensino de Ciências e Matemática. E o subgrupo 3, ficou responsável por elaborar as questões do 9º Ano de Ciências, e ficou com dois professores de Física, um graduado em Biologia e um mestrando de Ensino de Ciências e Matemática.
Em seguida, C2 completa a fala, abordando as ações do grupo: - Os
professores em conjunto com os alunos de iniciação e mestrandos, elaboram as questões. Estas são enviadas por e-mail para serem avaliadas pelos outros grupos. Nas reuniões presenciais serão debatidas as questões elaboradas pelos subgrupos. Cada pequeno grupo terá um momento para apresentar as questões construídas e os pontos relevantes dos formulários de elaboração das mesmas. As questões serão cadastradas pelos mestrandos na plataforma Moodle e enviadas para os outros núcleos
reavaliarem. Os pequenos grupos terão a liberdade de aceitar as sugestões ou não. Os alunos de iniciação cadastrarão as mesmas no programa e comunicarão aos outros componentes.
Sujeitos:Professores acadêmicos (coordenadores); mestrandas; alunas de iniciação científica e docentes da Educação Básica.
Data:28/07/2012
Local:Laboratório de Química (Colégio Estadual, em Aracaju /SE) Episódio 2
C2 iniciou a reunião perguntando ao grupo a respeito da maneira como os subgrupos elaboraram as questões:
P3iniciou: - Todas as questões que elaboramos tem texto. Penso que o
texto contextualiza a questão e facilita o entendimento da pergunta.
P2: - Em algumas questões coloquei imagem, porque busquei associar a
figura com o conteúdo abordado.
P5: - O tema das nossas questões partiu de um conteúdo geral que
contemplava um objetivo. Este consistia em um descritor, específico para o conteúdo, e aborda a habilidade que desejamos do aluno para responder às questões.
P7: - Os objetivos seguiram uma hierarquia, ou seja, do mais simples
para o mais complexo. Os objetivos de português e matemática foram os tirados da Prova Brasil.
P2: - Os da prova de Ciências foram elaborados a partir dos descritores
da Provinha Brasil.
P5: - Ficamos indecisos se usávamos o texto ou uma figura. Aí, como
tivemos dificuldades de encontrar imagens para as questões, resolvemos utilizar figuras próprias.
P6: - Foi quando resolvemos desenhar nossas figuras.
P2: - [...] As questões de Ciências foram desenvolvidas a partir de
analogias estabelecidas com os descritores da Provinha Brasil de Português. Partimos de livro didático e do PCN, pois não existe uma referência nacional para a elaboração [...].
P4: - [...] As questões de Química nos baseamos nos livros didáticos e no
P5: - [...] As questões de física foram elaboradas com base no que
abordo em sala de aula e em livros didáticos [...].
P8: - Busquei utilizar texto curto e questões individuais e com base na
experiência em sala de aula.
C1: - O cenário rural foi o mais apareceu nas questões. Temas como lixo, frutas variadas e astronomia apareceram também.
Sujeitos:Professores acadêmicos (coordenadores); mestrandas; alunas de iniciação científica e docentes da Educação Básica.
Data: 15/12/2012
Local:Laboratório de Química (Colégio Estadual, em Aracaju /SE). Episódio 3
C2 iniciou a reunião falando de planejamento e organização para o grupo construir capítulos de livros e artigos a respeito das experiências dos componentes no projeto.
C2 falou: - P1, você poderia com o seu grupo construir um artigo sobre
a experiência de elaborar as questões de Ciências sem uma matriz de referência.
C2continuou falando: - Vocês poderiam utilizar o Google Doc’s como
uma ferramenta online para compartilhar com integrantes dos outros núcleos as ideias e trabalhos de vocês!
P5 fez uma sugestão: - Poderia produzir um artigo com os dados
coletados com as atividades que apliquei com a minha turma do 9º ano.
P3 e P4 comentaram que no colégio que eles ensinavam foi aberto a inscrição do edital Pibic Junior e que gostariam de participar e que precisavam de colaboração.
P4: - Pensamos em um estudo de caso, aplicar questionários e realizar
um diagnóstico sobre dificuldades de aprendizagens de alguns alunos do Ensino Médio!
P3 disse: - Eu penso que há uma necessidade de um processo mais
qualitativo de investigação nas escolas.
Então, C2 falou: - Posso ajuda-las na elaboração da metodologia do
projeto.
fundamentação teórica sobre Dificuldade de aprendizagem.
Sujeitos:Professores acadêmicos (coordenadores); mestrandas; alunas de iniciação científica; docentes da Educação Básica e a psicopedagoga.
Data:19/ 01/2013
Local:Laboratório de Química (Colégio Estadual, em Aracaju /SE). Episódio 4
No núcleo de Sergipe, algumas questões foram avaliadas por uma psicopedagoga que foi convidada para apresentar um minicurso sobre dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem. Todos os membros do núcleo estavam presentes. Primeiro, ela fez uma exposição sobre o tema abordado e falou sobre conceitos referentes ao mesmo destacando características importantes para um aluno que apresente alguma dificuldade de aprendizagem.Em seguida ocorreram debates e discussões.
Durante esse momento, P4 comentou: - Tenho alunos muito hiperativos
na sala de aula. E tenho muita dificuldade em elaborar questões que também contemplem alunos com tal problema! Como posso elaborar questões para alunos com dificuldade de aprendizagem?
A psicopedagoga respondeu: - As questões precisam ter uma linguagem
mais simples, textos mais curtos.
Sujeitos: Professores acadêmicos (coordenadores); mestrandas; alunas de iniciação científica e docentes da Educação Básica.
Data: 02/03/2013
Local: Laboratório de Química (Colégio Estadual, em Aracaju /SE). Episódio 5
Houve uma reunião em Sergipe em que os pequenos grupos se organizaram e fizeram um seminário para apresentar e comentar algumas questões da Prova Brasil, do SARESP. Depois o grupo fez uma apresentação das questões elaboradas.
P8 iniciou falando: - Fiz o texto conforme a Prova Brasil, tem texto com
imagem também. Li os descritores da Prova Brasil, para não fugir do modelo que estamos seguindo. E busquei informações em sites e fiz as questões a partir de
impressões pessoais.
Em seguida C2 comentou: - É importante mencionar que na Prova Brasil
a linguagem é mais técnica. E no nosso teste é mais empírica.
P8 continuou falando: - Alguns textos da Prova Brasil são mais extensos
do que os que elaboraram! Observei nos textos das questões de Português mais extensos os alunos iam passando para próxima questão!
P7 disse: - Utilizei os descritores da Prova Brasil de 2012, livros e
situações cotidianas.
Depois P2 falou: - No nosso caso, para elaborar as questões de Ciências,
como não tinha um referencial, e nem questão para comparar, tentei observar os descritores da Prova Brasil de português. E quanto ao texto, ocorreu adequação da linguagem, que foi de acordo os livros didáticos aprovados no PNLD, de 2011.
Ao final da apresentação de algumas pessoas do grupo, alguns componentes começaram a refletir sobre pontos positivos e negativos do desenvolvimento do trabalho coletivo.
O P7 falou: - Faltou comunicação entre os participantes do próprio
núcleo. Também tive dificuldade em elaborar questões com muitas pessoas.
P8: - Tive dificuldade em opinar nas questões que não eram de minha
área!
P3: - Sugiro que agente mexa e opine em questões da nossa área
específica.
A5 falou: - A distância dificultou bastante, também.
A1 disse: - Tive dificuldade em mexer no programa Enscer!
Em seguida M3 comentou: - Tive dificuldade em conciliar os horários
das reuniões com o grupo que estava inserido.
Logo depois, P2 comentou: - O grupo em que eu estou inserido não teve
problemas com horários. E gostei de elaborar questões de forma coletiva, mas tivemos dificuldades quanto a falta de experiência com o ano escolar que ficamos responsáveis de construir as questões.
P4: - Tive dificuldade em produzir as questões do 5º ano, por que senti
falta de um parâmetro. Agente leu o material do SARESP e tinha uma matriz que servia como um guia de elaboração.
e 9º ano de química.
C2 falou: - O nosso manual de elaboração foi um precursor para a
construção de elaboração das atividades.
Continuando as reflexões do grupo, P3 apontando para P4 afirmou: -
Sentimos angústias quando elaboramos as questões porque ficamos em dúvida se construíamos as questões a partir do que os alunos já sabiam.
P3 continua: - Foi também uma experiência nova, produzir questões com muitas pessoas!
Depois o P4 falou: - [...] tenho dúvida se devo avaliar o que eles sabem
ou o que precisam saber [...].
E em seguida o P3 questiona: - Tenho dúvida sobre o desempenho do
aluno: O que eu espero que meu aluno saiba? Fonte: Próprio do Autor.
Percebemos alguns elementos importantes sobre o processo de elaboração das questões de Ciências ao analisar os episódios selecionados. Observamos que há um componente empírico importante,quando os professores de química comentam que além dos documentos oficiais e dos livros didáticos, se basearam também no que pensavam que os alunos tinham visto em sala de aula.
Em um dos momentos de reflexão, alguns docentes manifestaram dúvidas a respeito do que deveria mensurar dos estudantes, se seria o que os alunos sabem ou o que precisam saber. Esse fato pode definir os parâmetros de complexidade das questões a partir dos olhares dos professores.
Algunsdocentes apresentaram em seus discursos a busca por possibilidades de desenvolvimento de pesquisas a partir do trabalho coletivo, e o amadurecimento do grupo. Eles se disponibilizam a utilizar o Google Doc’s como uma ferramenta online para compartilhar com integrantes dos outros núcleos as ideias e trabalhos deles, visto que muitos nunca tinham usados esse suporte da informática em seu cotidiano.
Além disso, três professores elaboraram um projeto de pesquisa para o Ensino Médio em colaboração com alguns membros do grupo de Sergipe. Esses docentes da Educação Básica eram pós - graduados, dois com Mestrado em Química e um em Ensino de Ciências e Matemática.
Concordamos com Saraiva e Ponte (2007) quando comentam que o desenvolvimento profissional do professor é bastante relevante, pois corresponde a um processo de crescimento de competências, que estão relacionadas com aspectos ligados à ação educativa, interação com as outras pessoas, e formação continuada.
4.2 Categorias a priori do Design Instrucional